Puerto Natales e Torres del Paine – Parte 2

Puerto Natales e Torres del Paine – Parte 2, 28 a 30 de dezembro de 2011.

No dia seguinte fomos para Torres del Paine, no caminho nossa embreagem começou a dar sinais de que estava com os dias contados, o Julio seguiu viagem trocando a embreagem apenas nas rotações. Os ventos estavam realmente fortes e acompanhar a turma de moto durante a viagem foi impressionante, eles tinham que brigar com o vento para se manterem na estrada, foi a primeira vez que vimos uma moto inclinar-se para o lado contrário da curva.

 

Vento e as motos na Patagonia.

 

A viagem foi muito cansativa e paramos para fazer um acampamento improvisado numa fazendo que encontramos no caminho. Um pouco de frio e vento com sopas de pacotinhos e pão com manteiga, nada mal para improvisações.

 

Acampamento improvisado em uma fazenda na Terra do Fogo.

Sentimos a força do vento ao passar pelo Estreito de Magalhães, foi a primeira vez que pegamos a balsa com ondas que respingavam nos carros. Fizemos novamente uma parada no posto do Luis. Entre as várias coisas que ele coleciona, uma delas é placas de carro de vários países diferentes, mas falta a do Brasil. Meu pai prometeu enviá-lo, ele ficou tão feliz que o presenteou com um lenço de cabeça igual ao que ele usa, preto de caveirinhas. Começamos a conversar e ele nos contou que os ventos são tão fortes na região que ele já capotou um carro empurrado pelo vento, será que os motociclistas ficaram com um pouco de medo depois de conhecer este fato?

 

E o vento quase levou...

Ficamos todos numa cabana em Puerto Natales e no dia seguinte fomos a Torres del Paine, infelizmente já fazia três dias que um incêndio começou uma terrível devastação pelo parque. Havia muita fumaça no caminho, mesmo assim o parque estava aberto à visitação, mas apenas uma parte, foi possível avistar as torres. Bom, eu fiquei novamente esperando por eles, quando se trata de acompanhar meu pai, eu to fora, os homens que são homens já passam dificuldade, imagina eu! Eram 9 km de trilha morro acima e 9 km morro abaixo, todos vestidos de roupa de passeio, com calça jeans, abastecidos com uma garrafa de água e um pacote de bolacha e meu pai querendo quebrar recorde de tempo, ultrapassando todos que estivessem no caminho. Tive uma agradável tarde de leitura e soninhos aconchegantes, enquanto eles…

 

Devido à fumaça, mal se pode ver as montanhas atrás.

 

Ponte na trilha para as torres - Julio, Timm e Zezo

 

Janio e Zezo nas Torres del Paine!

Ushuaia – Parte 2

Ushuaia – Parte 2 – 24 a 27 de dezembro de 2011

 
Voltamos ao fim do mundo pro Natal, nos demos o luxo de passar esta época em hotel e, por sinal, a Hosteria del Recodo foi um dos melhores custo/benefício. Tinha até aquecimento no piso do banheiro, um luxo só. A ceia da véspera de Natal passamos com a Mailyn, prima do Julio, acompanhada de seu namorado Marcos. Procuramos um restaurante para a ceia, mas quase todos os restaurantes da cidade estavam fechados, depois de muita busca finalmente encontramos um com uma vista incrível da cidade, o preço foi salgado, mas muito gostoso, tivemos uma agradável noite de conversa até o sono bater depois de tanto comer.

 

Marcos e Mailyn na véspera de Natal

 

Dia do natal, estávamos aguardando para que meu pai Rogério, vulgo Zezo, e seus amigos, Janio e Marcelo Timm chegassem. Enquanto aguardávamos, conhecemos um simpático casal de brasileiros, nos entretemos tanto na conversa que a espera passou despercebida e ao fim do dia eles chegaram. Estavam muito cansados, mas felizes como adolescentes, fizeram uma difícil viajem enfrentando os ventos da Patagonia, mas enfim chegaram ao fim do mundo.

 

Os motociclistas: Janio, Zezo e Timm.

 

Pai da Hanna (Zezo), Hanna e Julio no Ushuaia

 

No dia seguinte fizemos o passeio pela cidade, acompanhamos os novatos no fim do mundo nas compras de lembrancinhas para a família e fomos ao Cerro Martial. Os meninos se empolgaram e resolveram ir mais além e caminhar um pouco pela neve. Fiquei aguardando, tirando algumas fotos deles, fazendo meu pequeno boneco de neve. O tempo começou a fechar, a chuva começou a cair e se transformar em neve. Depois de alguns minutos resolvi descer para esperar eles no pé da montanha. Chegaram felizes, rastros de bunda molhada indicando que a descida não foi assim tão fácil. Não me pergunte quem enganchou em quem no esqui bunda.

 

Subindo o Cerro Martial

 

Cerro Martial, Ushuaia

 

Puerto Natales e Torres del Paine – Parte 1

Puerto Natales e Torres del Paine, 20 a 23 de dezembro de 2011.

 

De volta ao Chile, acho que já perceberam o quanto gostamos de lá. As pessoas são muito educadas e tudo no Chile parece ser mais gostoso. Logo que cruzamos o Estreito de Magalhães em direção a Puerto Natales começamos a avistar algumas fazendas com placas de precaução, pois eram campos minados. Para nós, isso é coisa nova!!

Peligro!

Passamos por uma vila fantasma, coisa de filme, grandes casarões abandonados com as janelas quebradas, dois barcos grandes se deterioram à beira mar. Os turistas que passam por ali param curiosos, se perguntam o que aconteceu, fotografam e seguem, assim como nós.

Vila Fantasma - Patagonia Chilena

Barco fantasma - Patagonia Chilena

Cozinha Fantasma - Patagonia Chilena

Barco Fantasma - Patagonia Chilena

Interior do depósito fantasma - Patagonia Chilena

No caminho paramos para dormir em Laguna Blanca no posto do simpático Luis, um jovem senhor que nos recebeu muito bem, comemos uma sopinha deliciosa e tivemos agradáveis conversas. Luis viveu alguns anos em São Paulo e em busca de uma vida tranquila, construiu ali o seu paraíso de sossego.
Puerto Natales é uma cidade pequena, turística, com diversos bares e restaurantes bem transados. Lá ficamos na pousada Coloane, uma pousada muito confortável e tivemos momentos agradáveis com o dono Juan. Conhecemos também um casal de alemães, que nos deram a honra de assisti-los dançar salsa com sorriso no rosto e muito desinibidos, essa não é bem uma atitude que esperariamos de alemães, mas assim é a vida, sempre surpreendendo.
Torres del Paine… uma vez alguém nos disse para não perdemos nosso tempo em conhecer este lugar, mas esta mesma pessoa também disse que se decepcionou com o Rio de Janeiro. Foi ai que percebemos que sua visão de lugares interessantes e atraentes é bem diferente da nossa… Rio de Janeiro continua lindo e acreditamos que Torres del Paine também.

Vista do Lago Sarmiento - Torres del Paine

E realmente é espetacular. Nem havíamos chegado ao parque e já estávamos maravilhados na primeira parada do lago Sarmiento, um tom azul esverdeado lindo, diferente da cor de todos os lagos que já havíamos encontrado. E lá no fundo aquelas maravilhosas montanhas.

De longe - Torres del Paine

O percurso do parque é de aproximadamente 60 kilometros, com várias paradas para apreciar a região, as Torres, e o que adoramos foram os Cuernos del Paine, tem também algumas trilhas para chegar mais próximos dos melhores mirantes. Lagos, glaciais, montanhas, cachoeiras e jardins naturais espetaculares, impossível não gostar.

Los Cuernos del Paine

Torres del Paine

ouhh... baby... yeah!

Antes de voltar para o Ushuaia, resolvemos dar uma passadinha em Punta Arenas para visitar um cemitério, mas não é qualquer cemitério, este há muitos anos vem cultivando ciprestes e podando-os milimetricamente com tanta perfeição em forma de… pepino, ou outras coisas que você possa associar a esta forma. Muitíssimo interessante.

Cemitério de Punta Arenas

Arvore curvada pelo vento na Patagonia chilena

Ushuaia – Parte 1

Ushuaia, 16 a 19 de dezembro de 2011.

 
Seguimos viagem para o Ushuaia, os pais do Julio nos encontrariam lá de avião. O caminho ficou um pouco demorado por causa dos tramites de imigração e da passagem pelo Estreito de Magalhães.

Balsa para atravessar o Estreito de Magalhães.

Perdemos quase 2 horas de viagem, mas passar o canal torna-se divertido com a aparição de um grupo de golfinhos que gostam de surfar nas ondas da balsa. São golfinhos completamente diferentes do que conhecemos no Brasil, o corpo deles é branco com barbatana, nariz e nadadeiras pretos.

Golfinhos de magalhães.

Assim que começou a escurecer, começamos a procurar um camping, mas o único que encontramos estava fechado e a região não é muito propícia para acampar, em geral é tudo muito plano e faz muito vento pela Tierra del fuego.

Chegando à Terra do Fogo

Estávamos à procura de um local mais protegido e eis que encontramos uma família acampando na beira da estrada, próximos à algumas árvores, aproveitamos para ficar por ali, pois com um grupo grande nos sentimos mais seguros. Eles estavam com uma van e não temos idéia de quantas pessoas eram, mas com certeza era uma família grande, tinha cachorro e tudo. Estavam em ritmo de festa, com umas músicas bregas, estávamos tão cansados que nem nos importamos. Mas o que nos impressionou foi a alegria da família, os pais e sua penca de filhos dançando e curtindo uma enorme fogueira no meio do nada. Mais uma prova que não precisa de muito para ter momentos felizes.
No caminho para o fim do mundo, o carro fez um barulho forte, parecia que o turbo estava se despedindo de nossa aventura.

Continuamos nossa viajem com muita precaução, faltava aproximadamente 90 km para chegar e depois de muitos kilometros andando sobre deserto, no trecho mais bonito ficamos tensos. Depois fomos descobrir que se tratava da mangueira do turbo que havia desprendido, solução fácil e barata.

Finalmente chegamos ao fim do mundo, a cidade de Ushuaia não é muito bonita, mas tem seu charme. Vêem-se muitas casas simples, mal cuidadas e jardins secos, mas quando você vê o conjunto, a cidade construída em meio às montanhas nevadas, que no verão contemplam uma vegetação bem verde, os portos com vários barquinhos e às 22 horas você janta curtindo o por do sol, Ushuaia começa a ficar bem interessante.

Ushuaia, vista do catamaran

Fizemos o passeio de barco que passa por algumas pequenas ilhas, onde podemos ver muitos lobos marinhos e vários pássaros. Na ilha de comorões, que ficam em seus ninhos chocando seus ovos, encontra-se um probleminha… fede… mas fede, e fede muito. Eles usam suas fezes para fazer os ninhos e que fermentam e ajudam a aquecer os ovos.

Família de comorões em seu ninho de merda!

Ilha dos pássaros e lobos marinhos! Tirando o fudum, a vista é muito linda!

Bah... o condor roubou nosso almoço!!

Farol do fim do mundo

Fomos visitar um dos principais pontos turísticos e históricos da cidade, o presídio, que foi a forma encontrada para popular a região… só a força pra alguém querer ir passar tanto frio.

Ala antiga da prisão do Ushuaia.

Níveis de loucura enfrentados pelos presos.

Fizemos um passeio pelo Parque Nacional da Terra do Fogo onde, teoricamente, é o fim da Ruta 3 e o ponto mais extremo sul de Ushuaia.

Ó o seu Carlos mostrando o caminho!

Vista do parque tierra del fuego!

Lá tem o último correio do mundo e, por ignorância do homem, existem muitos castores no parque, animal que foi trazido do Canadá na época da colonização e por não existir predadores naturais eles se proliferaram facilmente na região. É possível ver as barragens que eles constroem em algumas corredeiras do parque.

Hanna de castorzinha!! Ela que fez a barragem.

Pegamos as areosillas para subirmos no Cerro Martial, apreciar um pouco de neve, curtir vento, um pouco de frio, chegamos até um punhado de neve e apreciamos um belo visual da cidade.

Love is in the air.... literalmente! Carlos e Marília nas aerosillas.

Visitamos alguns lagos ao redor da cidade e nas encostas podem-se apreciar algumas árvores bem inclinadas pelo trabalho do vento.

EEEE ventania!

As comidas tradicionais da região são o cordeiro, a centolla, um tipo bem grande de caranguejo e a merluza negra. Não deixem de comer o cordeiro na Vila Marina, este realmente é delicioso. O tempo que estivemos com Carlos e Marília foi muito agradável, mas chegou a hora de despedida, que para nós é sempre um pouco triste.

Todos juntos no fim do mundo!

Ainda teríamos que nos encontrar com meu pai no Ushuaia, mas a previsão de eles chegarem era de aproximadamente 6 dias, então resolvemos dar um alô ao simpático vizinho Chile. Seguimos para Puerto Natales, a cidade mais próxima ao Parque Torres del Paine. Mas antes tivemos que trocar o nosso farol queimado, o farol esquerdo. Existe um mistério por aqui, vimos muitos carros com o farol queimado, mas era sempre o esquerdo, por que o esquerdo? Não temos a mínima idéia, alguém sabe responder?

Vista de cima da cidade! Ushuaia tem seus encantos.

El Calafate – Parte 1

El Calafate e Glaciar Perito Moreno, 13, 14 e 15 de dezembro de 2011.

Em El Calafate ficamos no Camping El Ovejero, excelente opção. Tiramos o dia para dar uma geral no carro, tinha poeira em cada milímetro do carro. A poeira das estradas de rípio é como um talco, entra por todos os cantos, toda nossa bagagem estava suja. Depois da limpeza, sensação de vida nova. Começamos a conhecer nossos vizinhos do camping, entre eles um simpático casal de franceses, ela nos ofereceu um delicioso Ratatouille. Eles estão viajando em uma casa rolante, o carro é uma Land Rover Defender adaptada, é muito comum encontrar por essas rotas viajantes europeus com esses carros que são super equipados, tem até máquina de lavar, luxo total! Depois de tudo limpo, banho tomado, corpo descansado, fomos encontrar os pais do Julio.

Julio, Marilia e Carlos na frente do glaciar

O Julio estava muito ansioso para vê-los, passou o dia inteiro animado, não tem coisa melhor do que receber quem amamos depois de muitos dias distante de tudo. Com eles fomos conhecer o Glaciar Perito Moreno.

Glaciar Perito Moreno! Fantástico!

Pegamos o barco e fomos bem próximos ao Glaciar. Um impacto que te deixa apenas dizer UAU! Surpreendente apreciar todo aquele enorme paredão de gelo de, aproximadamente, 50 metros de altura, com várias fendas, formas, fortes tons de azul, sentir o vento gelado no rosto, ver vários blocos que se desprendem passar pelo barco.

Blocos de gelo se desprendendo do glaciar

Você consegue ver muita coisa no gelo, se sente que nem criança quando brinca de ver desenhos nas nuvens. De repente, ouve um barulho alto e mais um bloco de gelo se desprende do Glaciar mergulhando no lago, levantando pequenas ondinhas que se pode sentir do barco. Dá vontade de bater palmas pra esse show da natureza, todos ficam muito animados, tentando capturar alguma foto desses momentos mágicos.

Vista do barco

Vista de perto! Que azul hipnotizante!

Vista do lado norte. Consegue ver o barco para comparar o tamanho?!

Ruta 40 – Paso Roballos a El Calafate

Ruta 40 – Passo Roballos a El Calafate, 11, 12 e 13 de dezembro de 2011.

 

De volta para a Argentina, em direção a El Calafate, Ruta 40… trata-se de um deserto. Você apreciará, por muitos e muitos quilômetros, pedras, areia, pedras, um tufo de mato seco, mais pedras e areia.

 

Pedras... e areia... e mais pedras na Ruta 40

 

Inicio da ruta, precisávamos de combustível, surpresa na primeira cidade com posto. Tinha um grupo de motoqueiros esperando socorro de um amigo, pois no posto não tinha combustível. Por sorte havia uma cidade a uns 70 km dali, uma vila que tinha um posto de combustível, felizes, chegamos lá com a reserva gritando, mas não tínhamos pesos o suficiente para encher o tanque para chegar até El Calafate, e claro não aceitavam cartão nem aceitavam outra moeda e, óbvio, não tinha nenhum banco. Porém, com o que colocamos pudemos chegar até Governador Gregório, que sai apenas uns 70 e poucos km da rota. Chegando lá, fomos ao banco… não tinha dinheiro, mas tudo bem, o posto aceitava cartão, mas… só podíamos colocar 200 pesos, pois o posto estava ficando sem combustível, e eles não sabiam quando chegaria o próximo abastecimento. Depois de um dia inteiro de viajem, perdendo horas para conseguir uma necessidade básica, nos alimentando com uma lata de atum porque em 500 km não existia um restaurante. Dei chilique, mas chilique de barraqueira mesmo. Comecei a dizer que aquilo era um inferno que não tem nada pra se ver ou fazer e nem combustível para poder sair dali, caí em um choro de raiva, sem dinheiro, sem combustível numa cidade horrorosa. Se não fosse o Julio com sua paciência, pedir desculpas, dizer que precisávamos muito encher o tanque e finalmente convencer o frentista a fazer o que ele pediu, acho que eu teria explodido de raiva que nem desenho animado. Depois disso tudo deu certo, o banco voltou a funcionar, conseguimos jantar e voltei pro posto para pedir desculpas pelo meu ataque de nervos, se não fizesse isso não ia consegui dormir, afinal ele não tinha nada haver com o que estávamos passando. No dia seguinte acordei tranquilissima e finalmente falei com minha amada vó para desejar parabéns pelo seu aniversario. E tudo volta ao normal. Um dia vou tratar meu sangue quente, até lá tenho muito pra estourar, hehehehe

 

Nuvens bizarras acompanhando o horizonte!

 

Lago Argentino... pra mudar o visual do deserto!

Carretera Austral – Parte 2

Carretera Austral, 24 de novembro a 11 de dezembro de 2011.

Reserva Nacional Cerro Castillo

Paramos no camping da reserva e o guarda florestal nos comentou sobre o passeio dentro da reserva, uma trilha de 40 km, onde tem várias paradas para camping. Perguntei o que mais me interessa, se tinha chuveiro, ele disse que não. Mesmo assim vi o brilho no olhar do Julio e dos polacos com o sentimento claro de que iríamos nos aventurar. Dormi torcendo para que chovesse, quem sabe eles mudariam de idéia. Só piorei a situação, pois mesmo chovendo, todos acordaram empolgados arrumando as malas e eu interrogando o guarda para saber mais detalhes sobre esta pequena caminhada. O “amável” guarda me tranquilizou dizendo que era um caminho tranquilo, que não era 40 km, mas sim 26 km, e o caminho era quase todo plano. Ok, coloquei uma bota velha de guerra, prestes a alcançar os seus últimos dias de glória antes de seu enterro, uma mochila com o mínimo de coisas possíveis, pois meu joelho já estava dolorido fazia alguns dias, joguei o peso das comidas pro Julio… óbvio.

Pegamos os horrorosos mapas com a rota da trilha e começamos, junto com a agradável chuva. Primeiras dificuldades, rios, não é qualquer rio caros amigos, mas sim rios de descongelamento das gelereiras, e ponte… hauhaua… quem dera! É levantar a calça, tirar sapatos e encarar um $%*# frio que parece que estão enfiando agulhas no teu pé, as pedrinhas doem pra dedeu. Ok, a gente sobrevive! Mas para nossa alegria tínhamos mais alguns outros rios pela frente. Minha bota já estava encharcada pela chuva, nem isso para esquentar o meu pé após os rios. Mas faz parte, depois de 13 km chegamos ao primeiro camping, fizemos uma fogueira e esquentamos os pés.

Depois do primeiro acampamento

Hanna em meio as montanhas

Começo da subida!

Segundo dia, a trilha começou a tomar um rumo estranho, era apenas subida, mas para onde estávamos subindo? Comecei a xingar o guarda de todos os nomes não amigáveis que me vinham à mente, era para ser um caminho tranquilo, mas as subidas começaram a ficar mais íngremes e, de repente, estávamos andando pela neve, que linda neve!

Na metade da primeira subida mais forte!

Hanna ainda feliza com a neve.

Lindo nos primeiro 100 m de subida, depois que a gente afunda o pé, entra neve dentro do sapato e você percebe que seus dedos começam a ficar dormentes, a beleza se transforma num verdadeiro inferno.

Hanna e o inferno gelado!

De vez em quando, para melhorar, o pé afunda até encontrar um riozinho de água de desgelo logo abaixo de você. Mas aí você continua, quase desistindo, chorando, xingando e pensando, pra baixo todo santo ajuda.

Hanna do outro lado da primeira montanha!

Do outro lado da montanha… Cacilda…  íngreme e com muito cuidado para não descer de esqui bunda e terminar se estoporando nas pedras. Na descida encontramos um casal de chilenos, eles adoram montanhismo, mas eles tem equipamentos adequados para tal, estavam com todos os aparatos necessários, muito diferente de nós que estávamos espremendo as meias. Para nossa surpresa, terminamos os 26 km, mas a trilha não terminou, ainda tínhamos mais 15 km. *&¨%$#@ do guarda. Mais uma noite secando os pés e ficava lá hipnotizada pelo fogo, esperando a água esquentar para tomar um banho de canequinha naquele climinha fresco, lembrando que íamos dormir na nossa minúscula barraca e quando digo minúscula, é por que a nossa barraca parece um caixão, o teto quase encosta na nossa cara. E sentindo dores por todo o corpo, o joelho latejando, os ombros quentes, parece que em dois dias envelheci uns 50 anos. Pelo menos estava feliz, pois era o último dia, mas ao mesmo tempo assustada, pensando o que mais teríamos pela frente.

Começo da segunda subida!

Terceiro dia. Sabia que teríamos um lago, mas quando chegamos próximo do lago que ficava em meio a montanhas bateu um desespero, comecei a chorar quando vi que teríamos uma montanha enorme para subir. O choro de repente se transformou em um acesso de raiva e essa raiva me deixou louca e soltei um berro muito alto no meio do vale e comecei a subir como louca, em linha reta, sem olhar pra trilha ou fazer zigue zague, comecei a saltitar sobre as pedras como uma insana, retardada, parecia que dava pra sentir os genes de meus antepassados primatas, todos ficaram para traz. Claro que nesse momento dei varias topadas, mas isso meu pé só foi sentir momentos depois. Conclusão: raiva é um ótimo combustível. Óbvio, não esquecendo sempre de xingar o guardinha. Eis que finalmente chegamos ao cume, todos animados com a conquista, olhava para os retardados que estavam lá em cima com uma sensação de satisfação e pensava, por que eu não sentia isso! Hmmm, será por que estou me sentindo suja, cansada, com frio, irritada? Talvez. Pelo menos vimos condores voando, um momento de paz e apreciação.

Lago com a água mais pura do mundo!!! Direto do glaciar!

Cume! Muito frio!!!

Com a bandeira da Patagonia!

Um pouquinho do Brasil!

Hora de descer, o problema agora era encontrar uma trilha de descida, era uma descida íngreme e de cascalhos, mais ou menos uns 2000 m de altitude. Dava pra surfar sobre os cascalhos. Durante toda a trilha a sinalização que indicava os caminhos era péssima, e nessa descida a situação piorou ainda mais, perdemos muito tempo buscando sinais de direção, já que o mapa não ajudava muito.

Começo da descida.

Depois de muitos tombos, escorregões, a mão ralada, terminamos a parte dos cascalhos, aí facilitou muito! Começou a descida por terra, estávamos muito cansados, já estávamos caminhando a umas 8 horas seguidas sem parada pra lanche, mas tínhamos que continuar. Os polacos que sempre estavam pra trás aceleram o passo nos últimos km. Quando terminamos a trilha tínhamos somente 6 km até chegar a vila para conseguir pegar um ônibus até o camping da reserva onde deixamos o carro. 6 km? Pareceu 56 km pra mim. Pedi pro Julio pra acampar por ali porque não dava mais, as coxas tremendo, o joelho latejando, os olhos irritados… Não dá mais!!! Eis que aparece um carro!!! Pensamos: “nossa salvação”. Cheio de bêbados malucos. Pelo menos fomos até a vila… com medo, mas fomos. Da vila até a reserva eram uns 26 km e chegamos às 11 da noite, tentamos pedir carona, eis que chegam os polacos com um chileno típico gaúcho, ele disse que poderíamos ficar na casa dele que teria espaço para todos. Sem palavras para dizer o quão querido o Carlos foi, nos preparou a janta e nos ofereceu a casa dele pra ficar. No outro dia pegamos carona com mais um chileno que dirigia loucamente, cortando as curvas. Tá louco meu! Mas chegamos vivos. Finalmente!!!!!!!

Vista de baixo!

Bahia Murta

Infelizmente nos desencontramos com os polacos e seguimos para Bahia Murta. Lá resolvemos ficar dois dias para nos recuperarmos. Meu joelho estava inchado como uma bola, parecíamos dois velhos! Conversamos com Silvia, uma simpática senhora que aluga cabanas na região, ficamos numa cabana muito simples, porém aconchegante.. Se tivéssemos mais tempo com certeza ficaríamos vários dias a mais. Todas as manhãs Silvia prepara pães caseiros no fogão a lenha, estes pães quentinhos com uma manteguinha com certeza foi uma das melhores comidas da viagem, se bem que a janta que ela nos preparou foi simplesmente uma delicia. Claro que ficamos mais um dia.

Puerto Rio Tranquilo

Pegamos um pequeno barco em Puerto Rio Tranquilo e fomos em direção às grutas de mármore que são diversas grutas que parecem ter sido talhadas à mão, mas isso foi obra da natureza que combinou blocos claros de mármore, uma lagoa incrivelmente azul e vento para esculpir durante anos esse maravilhoso cenário.

Chegando ao Lago General Carrera

O barco entrou em várias grutas, para que pudéssemos tirar fotos, tocar no mármore. Entre as grutas estão a catedral e a capela, onde você salta do barco e fica ilhado.

Um pilarzinho da gruta!

The everwatchfull eye!!

Capela de mármore! E a água azulzinha!

Hanna e as grutas de mármore.

Na volta o vento ficou forte e as ondas na lagoa também ficaram. A viagem que na ida foi muito rápido, na volta pareceu levar uma eternidade. O barco teve que ir muito devagar, pois haviam muitas ondas e com somente em 4 pessoas à bordo não havia peso o suficiente para dar estabilidade, tivemos que sentar no chão do barco para que ele não quicasse tanto sobre as ondas, que de vez em quando nos molhavam. Por fim chegamos vivos e felizes.

...

 

Cochrane: fim da Carretera Austral.
Estávamos ansiosos para chegar a Cochrane, finalmente contato com civilização, mas Cochrane é uma cidadezinha tão pequena que não nos animou muito. O banco não aceitava nenhum de nossos cartões, o dinheiro estava no fim e tivemos que pensar no término da carretera. No banco conhecemos um italiano muito louco que junto com o amigo estão tentando bater um novo recorde. Eles estão viajando com duas motos 50 cilindradas e vão fazer do Ushuaia até o Alasca. A bagagem deles é menor que minha frasqueira. A moto só cabe 7 litros de combustível, não tenho a mínima idéia de como eles vão fazer essa loucura, mas vamos ficar acompanhando.

Aproveitamos nossos últimos dias da carretera para conhecer nossa última cidade da rota, Caleta Tortel, que fica à beira de um lago coberto de montanhas. Na cidade só se circula a pé, pois os caminhos são decks de madeira interligados por muitas escadarias, pois a cidade foi totalmente construída nas encostas das montanhas, dando um charme todo especial ao local.

Caleta Tortel

Os decks percorrem a cidade inteira!

 

Saímos do Chile em direção à famosa ruta 40 na Argentina através de Passo Roballos. A vegetação começa a ficar mais rasteira, árida e as montanhas mais baixas.

 

Paso Roballos

 

Podemos observar muitos grupos de guanacos e tivemos a sorte de cruzar com uma pequena raposinha que fez questão de parar e pousar para foto, ficamos ali alguns segundos nos entreolhando, até seguir nossos rumos.

 

Familia de guanacos

 

Zorro

 

Carretera Austral – Parte 1

Carretera Austral, 24 de novembro a 02 de dezembro de 2011.

Futaleufú

Entramos no Chile por Futaleufú. Nossa primeira comunicação com chileno:

Julio pergunta: “por favor, o Sr sabe onde tem um banco por aqui”?

Chileno responde: “primeiramente, bom dia, é assim que nos comunicamos por aqui, sim, na próxima rua tem um banco”.

Adoramos!

Ficamos esta noite em uma reserva nacional que fica logo após a fronteira. No caminho a estrada que é para um carro só fica cada vez mais estreita e, de repente, estamos com o carro à beira de um penhasco enorme com um lindo rio esverdeado e sem ter a mínima idéia para onde essa estradinha ia dar. Eu me desesperei, para voltar é impossível, não tem por aonde, se vier um carro à frente, ferrou, vamos continuar e torcer pra tudo dar certo.

Penhasquinho!

Hanna e o medo!

Conseguimos sair da estradinha e encontramos um “camping” no caminho, era um terreno com uma cabaninha aberta com um fogão à lenha no meio… perfeito para passar uma noite fria! Mas estava tão frio e chuvoso que dormimos no carro. Descobrimos que a barraca é um milhão de vezes mais aconchegante.

La Junta

Paramos para pedir informacões e descobrimos um camping com uma piscina natural de águas termais. Como chegamos ao anoitecer e estava frio, o Julio e o Kris foram os únicos que se arriscaram a cair na piscina. Quando eu e a Magda chegamos para fazer companhia a eles, começamos a escutar a conversa obscena. Ouvíamos gemidos, algo sobre o buraco está ali, coloca mais pro meio, hummmm, está muito bom, assim, perfeito. Ficamos assustadas, mas eles estavam se referindo apenas sobre um cano que saia água quente e queriam colocar a água para próximo deles. Passamos o dia seguinte cozinhando na piscina, no fim do dia resolvemos seguir viajem, pois chegou um batalhão de crianças para transformar as águas termais em águas quentes douradas.

Puerto Raúl Marín Bamaceda

Resolvermos seguir para o litoral e colocar nossos pés no oceano pacífico. No caminho já foi possível perceber uma mudança forte na vegetação, começaram a aparecer folhagens enormes, comuns em florestas tropicais.

Hanna dando um look geral

Para chegar ao povoado de mais ou menos 60 casas é necessário pegar uma balsa.

Carro dos polacos e a Ranger na balsa

A vila é muito simples, mas bem aconchegante. Na praia é constante a aparição de toninhas, são como golfinhos, mas um pouco menores. A areia é escura e tem muitos troncos e galhos na areia. Durante todo o tempo que ficamos lá tivemos a companhia de um cachorro muito divertido, com pelo comprido, mas era puramente dread locks, apelidamos ele de Rasta! Deu uma dó deixá-lo por lá.

Rasta, o cão de Jah!

Conversamos com os policiais e eles falaram que lá não tem muito o que fazer, bom pra eles, não tem roubo, nem assassinato, deve ser difícil trabalhar assim. Eles nos ensinaram a pescar com a técnica que se usa na região. É um pedaço de cano com linha e um toco de madeira para segurar. Nós como pescadores somos ótimos viajantes. A região tem uma planta que é considerado uma praga, mas para nós é uma maravilha, estava repleto de flores amarelas.

Vegetação nativa!

Resolvemos explorar novos caminhos e atolamos duas vezes. Voltamos pra caminhos conhecidos. Lá acampamos na praia mesmo, mas praia de rio, pois tem menos vento.

Os marujos

A árvore somos nozes...

A bixinha em algum lugar nos arredores de La Junta

Puyuhapi

Quando estávamos bem próximos da cidade, o carro de nossos companheiros polacos rompeu a estrutura inferior e passamos o dia no mecânico. Ninguém tinha dinheiro para pagar, pois durante toda viagem não encontramos caixas eletrônicos, aviso para quem vai fazer a carreteira, tragam a quantia necessária para todo o trajeto da carreteira, pois banco aqui é raridade. O mecânico foi tão querido que passou o número da conta para os polacos depositarem quando estiverem de Coyhaique. Uma característica que lemos nos guias e muitos comentaram, em geral o chileno é um povo muito honesto e honra com seus compromissos. Isso se percebe quando qualquer coisa que compramos, ou até mesmo um camping, eles nos dão nota fiscal. Aproveitamos para subir ao mirante da cidade e apreciar aquele pequeno vilarejo em meio às montanhas.

Entrada de Puyuhuapi, e pra quem tem bons olhos... a Hanna ali na janelinha

Encontramos um ônibus hotel bem interessante que faz a carreteira austral, estava cheio de alemães. Naquela noite acampamos próximo deles, mas os poloneses não queriam se misturar, então não tivemos contato com o grupo, que pareciam estar se divertindo muito. Contextos históricos explicam. Ainda bem que nós brasileiros não temos esse problemas.

Coyahique

A caminho de Coyhaique passamos pelo Parque Nacional Queulat, foi o clímax da viagem, era tudo muito lindo, muitas flores, montanhas, rios com águas cristalinas e campos verdes. Parávamos a cada km para tirar algumas fotos.

A bixinha no meio das montanhas

Vales verdes... verdes vales

...

...

Flores e montanhas!

Foi engraçado, estávamos tirando fotos de um campo de flores no meio das montanhas e comentando que para ficar cenário de sonho só faltava passar um rio pelo meio.

Só faltava o rio!!!!

...

Tinha até ponte!

Ficamos bobos com tamanha beleza. Chamamos de cenário puzzle, igual os que vem em quebra cabeças. Próximo da cidade o cenário já muda totalmente, fica mais seco e com muitas montanhas cobertas de pedras.

Coyhaique, de bem longe!

Enfim um pouco de civilização. A cidade, apesar de pequena, é muito bem estruturada. É a maior cidade da rota e deve ter aproximadamente 50 mil habitantes. A praça tem wi-fi para a população, chique né? Isso nos lembrou de um candidato a presidente na argentina que estava usando o slogan “internet free para todos”. Agora, o que nos impressionou foi o supermercado, nunca havia visto um supermercado com tantas variedades de produtos e com qualidade. Os preços melhores que os da Argentina, Brasil e até mesmo Polônia. O Julio quase chorou no setor de cerveja, tinha cerveja do mundo inteiro, coleção para dar inveja a qualquer colecionador. As cervejas mais baratas daqui já são de altíssimo nível. Para quem é celíaco, tinha seções enormes com muitas novidades, tenho conhecidos que iam se sentir honrados. Claro que fizemos a maior compra de toda viagem, enchemos o carrinho e deu apenas 200 reais, incluindo rum cubano, vodka russa e muita comida.

Vamos deixar umas fotinhos da saída da cidade…

Los Alerces

Parque Nacional Los Alerces, 22 e 23 de novembro de 2011.

Fomos de Puerto Madryn até Esquel, atravessamos a argentina em uma linha horizontal. No caminho paramos em Ameghini, uma represa que tem parque e um visual bem interessante para apreciar. O caminho desta rota lembra muito a região seca dos Andes, deserto, muitos rochedos e pequenas vilas no caminho.

 

Represa de Ameghini

 

Chegamos a Esquel, cidade das fábricas de chocolate e morros de esqui, fizemos uma parada rápida para provisões e seguimos para Parque Nacional Los Alerces. Avistamos os primeiros picos nevados. Visual impressionante, lago, montanhas, pinheiros, muitas flores roxas, rosas, amarelas, brancas, cascatas, rios e… frio, pelo menos pra quem esta acampando, cardápio da janta: Sopa quente.

 

A vista do nosso camping... eeeee vida boa

 

Em algum lugar nas montanhas

 

Nós com a bixinha e carro dos polacos

 

Hanna brincando de macaquinha

 

Nós entre as flores em Los Alerces

 

Montanhas, lago, flores e o amor!

Península Valdés e Puerto Madryn

Península Valdés, 16 a 18 de novembro de 2011.

Finalmente seguindo viajem. Já estávamos ansiosos. Como eram muitos kilometros até a península, paramos no camping municipal de Bahia Blanca. Uma estrutura maravilhosa para a população veranear, com um piscinão gigante, várias churrasqueiras e um simpático guarda que nos mostrou toda a estrutura, como funciona o processo para encher a piscina com água do poço e se falta água eles completam com água do mar. O nome desta cidade a beira mar se dá por causa das salinas que cobrem a areia que é meio lodosa, deixando uma camada branquinha. Durante a noite pode se ver as chamas das chaminés das indústrias petroquímicas que ficam na beira da Bahia. Não é uma das praias charmosas para se visitar.

A península é uma reserva onde você pode ver elefantes marinhos, baleias, golfinhos, pinguins, lhamas, tatus, entre outros, A entrada é paga, aprox. R$35,00 por pessoa, lá tem uma pequena vila com estrutura de camping e pousadas. Fomos até Punta Pardales onde finalmente encontramos os poloneses Kris e Magdalena, você lembra aqueles que havíamos encontrado no Uruguai. Era noite e não podíamos ver muita coisa, lá não tem nenhuma estrutura, apenas praia e nós. Queríamos ir até o mar, mas a Magda me alertou, ali não é uma prainha, isso é um rochedo que cai direto no mar e é fundo, fomos à noite à beira das rochas e a sensação era assustadora, escuro total e o barulho dos esguichos das baleias que estavam muito próximas, mas não podíamos ver, só escutá-las no meio da escuridão, estava ansiosa para vê-las durante o dia. Dormi muito tensa, pensando se a água do mar iria subir, pois acampamos na beira dos rochedos e próximos à praia e, ao que tudo indicava, a água chegava até ali. Não chegou, é claro, mas foi bem próximo.

 

Costão e mar! Uma bela queda na praia de Punta Pardales

 

Acordei muito cedo para ver as baleias. Fui para beira dos rochedos, escutava, mas olhava para o horizonte e não avistava nada, de repente olhei para baixo e elas, mãe e filha estavam ali a poucos metros de mim, descansando, se não fosse o brilho do sol que estava muito intenso com certeza poderia vê-las com muito mais clareza, mas cada vez que elas emergiam era uma emoção. Acho incrível como em poucos segundo, ali sozinha naquela calma, apreciando tamanha beleza da natureza, de repente surgem grupos de turistas em bando com suas câmeras, de onde eles saem assim tão rápido?

 

Sorriso da baleia em Punta Pardales

 

Hanna e a baleia

 

Durante o dia a Punta Pardales é um lugar de outro mundo, parece que estamos andando na lua. Não tem areia, só um chão de sei lá o que branco, com craterinhas arredondadas e, de repente, um penhascão com água do mar azul esverdeada, porém cristalina. Dá pra ver alguns metros abaixo da água, tudo muito lindo.

 

Hanna em Punta Pardales

 

Aproveitamos o dia para ir a outros lugares da península, visitamos lagos secos de sal, praias com pingüins de Magalhães, são tão fofos, fazem toquinhas nos costões de areia para colocar seus ovos, é incrível como eles sobem rápido pelos costões com suas pequenas patinhas.

 

Salina de Península Valdés

 

Pinguins de Magalhães

 

Vimos elefantes marinhos enormes tomando banho de sol, e de repente aparecem as orcas, muito próximos da beira em busca de algum elefante marinho para o almoço, mas não tivemos a oportunidade de assistir nenhum ataque desses exímios caçadores, acho que já estavam bem alimentados, queriam só fazer presença. Nas empoeiradas estradas da península, muito cuidado, é muito comum que lhamas cruzem na frente do carro. Enquanto você cozinha, graciosos tatus te rodeiam em busca de comida, mal sabem eles que pra muitos eles dariam uma deliciosa refeição.

 

Elefante marinho, morgado na praia

 

A orca na espreita

 

No fim do dia voltamos para Punta Pardales e ficamos apreciando um pouco mais das graciosas baleias saltando ao mar. O dia seguinte estava ensolarado, a maré estava alta e os rochedos entrecortados se transformavam em lindas piscinas para banho. Banho frio, muito frio, mas o Julio se arriscou a dar uns mergulhinhos. Claro que ninguém se arrisca a nadar diretamente no oceano junto com as baleias.

 

Julio dando um mergulhinho na água gelada!

 

Kris e Magda foram fazer um passeio de barco e retornaram com um casal de húngaros, Timi e Gogu, eles estão viajando de lua de mel pela argentina e resolveram passar a noite conosco em Puerto Madryn.

 

Galera junta: Julio, Magda, Kris, Timi e Gogu. A Hanna está detrás das lentes.

 

Puerto Madryn, 18 a 21 de novembro de 2011.

Compramos suprimentos para uma churrascada e fomos acampar na simpática praia de Doradillos. No fim da praia tem pequenas cavernas formadas pelas ondas do mar, muito bonitas, mas fedem por causa das algas que ficam presas lá dentro. Durante o dia recebemos a visita de alguns flamingos à beira mar.

 

Flamingos em Doradillos

 

Cavernas em Doradillos

 

No fim do dia deixamos o casal de húngaros na rodoviária e fomos passear pela cidade, que por sinal não tem nada muito interessante, porém tem a maior quantidade de pizzaria que já vi em uma cidade. Aproveitamos para fazer a revisão do carro na concessionária e ficamos impressionados, muito mais barato que no Brasil e segundo eles nosso carro está em ótimo estado, ficamos muito contentes. Nosso carregador do computador faleceu e procuramos um novo por toda cidade e não encontramos. Ficamos três semanas sem poder escrever.

Começamos a planejar nosso próximo passeio acompanhado dos polacos. Nossa idéia era ir com eles até o Ushuaia, mas eles já haviam passado por lá, e disseram que não havia nada muito interessante no caminho, então resolvemos fazer um roteiro diferente, descer pela Carreteira Austral no Chile. Ótima ideia, desde que havíamos esquecido de colocar a Carreteira em nossos planos.