João Pessoa e interior da Paraíba

João Pessoa e interior da Paraíba

 

Tambaú João Pessoa

Praia de Tambaú, João Pessoa – PB

 

Quando estávamos em Natal minha tia Carla nos passou o contato do Bico e da Lígia  informando que  eles eram um casal de amigos muito queridos e poderiam dar dicas sobre passeios pela cidade de João Pessoa. Ligamos de Natal mas eles estavam indo pra Recife e quando retornassem iriam entrar em contato conosco. Para ficar na cidade já tínhamos o contato pelo Couch Surfing na casa de João, teríamos que esperá-lo chegar do trabalho no fim do dia, como estávamos loucos para ver o filme novo do Batman resolvemos pegar um cineminha na cidade para aguardar. Desligamos o celular e logo depois do filme apareceram algumas ligações. Foi então que recebemos a ligação do João, mas o estranho é que não era o João do Couch, então ele pensou que havia sido engano, então desligou e me perguntou o nome do Bico, que coincidentemente também era João, porém o Júlio já tinha desligado o telefone. Retornamos a ligação e esclarecemos as coisas com o Bico, ele foi muito simpático e nos convidou para ficarmos na casa deles.

 

Forte Santa Catarina Cabedelo João Pessoa

Bico, Lígia, Hanna e Julio no Forte de Santa Catarina em Cabedelo

 

No fim visitamos o João do Couch e ele, naquele meio tempo, disse que veio outra garota do Couch pra ficar na casa dele que ele pensou que chegaria alguns dias depois, aí achamos melhor aceitar convite do Bico para não ficar muita gente na casa do João. Foi então que conhecemos e convivemos com esse casal maravilhoso.  A esposa do Bico, a Lígia é super atenciosa, eles vivem um uma linda casa na companhia de três cachorros incríveis, o clima da casa é delicioso, eles tem um astral muito bom. Nos sentimos muito à vontade, parecíamos estar em casa com nossa família.

 

Pastores do Bico

 

No dia seguinte fomos passear, cruzamos a cidade em plena segunda feira e surpreendentemente o trânsito estava fluindo tranquilamente. Isso é muito raro em uma cidade grande do Brasil, já começamos a adorar a cidade por isso. Como era segunda feira a maioria dos museus e igrejas estavam fechados. Passamos pelo centro de artesanato, depois fizemos uma paradinha para comer uma deliciosa tapioca com carne seca e fomos para o mirante do farol que está situado no ponto mais leste do país, um marco importante para nós.

 

Mercado Artesanato João Pessoa

Hanna no Mercado de Artesanato de João Pessoa

 

Tapioca João Pessoa

Tapioca com carne-seca e nata… hmmm que delícia

 

Passamos em um ponto de informação turística e ganhamos um mapa para fazer um roteiro do centro a pé. Isso facilita muito a vida do viajante. Foi rápido encontrar um estacionamento no centro, que normalmente é raro, e começamos nossa visita pelo centro histórico de João Pessoa. Passeamos em meio a barracas que ainda restaram das festas juninas (e julinas) que vendiam frutas com calda de chocolate, maçãs do amor e doces em geral, vimos lindos casarões históricos, igrejas, parques e praças. A organização e limpeza não eram das melhores, mas o cheiro dos doces estavam torturantes.

 

Grafite no centro de João Pessoa

 

Lojinha de produtos sertanejos (não universitários) no centro de João Pessoa

 

Igreja de São Francisco em João Pessoa

 

Propaganda das tintas Coral no centro de João Pessoa, modelo: Hanna

 

No fim do dia, encontramos a Lígia e o Bico para conhecermos o Forte de Santa Catarina de Cabedelo e curtirmos o pôr do sol na praia do Jacaré, um rio à beira do mangue onde, diariamente, pode-se apreciar um momento especial ao som do Bolero de Ravel tocado por um saxofonista que passa de barco pelo rio e depois continua em algum dos bares locais. Um momento único e delicioso, com agradáveis amigos e ainda se pode aproveitar para apreciar lojinhas de artesanatos e guloseimas típicas da Paraíba.

 

Julio, Hanna, Lígia e Bico no famoso por do sol da praia do Jacaré

 

Apresentação do Bolero de Ravel com Jurandy do Sax na praia do Jacaré em João Pessoa

 

No dia seguinte fomos conhecer as praias mais afastadas da cidade, passamos por todo o litoral até a famosa Tambaba, uma praia de naturalismo, mas não chegamos a passar do portão de entrada. A região é muito bonita e então fomos para o lado esquerdo (o lado não nudista) da praia e caminhamos até a praia de coqueirinho. Passamos por muitas falésias com tons de cores lindíssimas, pareciam até quadros modernistas.

 

Praia de Tambaba, o lado não nudista

 

Arte da natureza na praia de Tambaba

 

Praia do Coqueirinho

 

O dia estava com muito vento e a água estava um pouco barrenta, então não nos animamos para banhar-nos. Combinamos um almoço no famoso Mangai com o João (do Couch) e sua convidada (também do Couch). O Mangai é um restaurante bem tradicional com comidas do sertão e, com certeza, um dos melhores que encontramos no nordeste. À tarde fomos no Museu Estação Ciência, um lugar delicioso para conhecer um pouco na prática as teorias científicas. Curtimos uma pequena apresentação em um planetário inflado, adoramos a ideia e gostaríamos que, por ser uma estrutura simples, muitas escolas pudessem ter algo assim. Também havia no museu área para exposições de arte e neste dia tinha dois artistas que nos surpreenderam, o Cacio Murilo, com seus vegetais animalizados e a Cristina Strapação com suas ondas perfeitas.

 

Museu Estação Ciência

 

Vegetais por Cacio Murilo

 

Onda (pintada e não fotografada) por Cristina Strapação

 

Terminamos o dia com uma deliciosa tapioca preparada pela Lígia. Infelizmente ela e o Bico pegaram uma gripe forte e estavam muito abatidos.

 

No dia seguinte nos despedimos desse casal fantástico e seguimos para o interior da Paraíba até a cidade de Bananeiras, onde fazia dois dias havia terminado o festival de inverno. É uma cidade pequena em meio às montanhas. Paramos no centro para comer uma deliciosa tapioca de carne de sol com nata, queijo, banana da terra frita na manteiga de garrafa e uma pitada de mel de engenho, pensa numa iguaria boa! Apesar de pequena, o movimento na cidade era intenso, todos se conheciam e paravam rapidamente para um bate-papo.

 

Catedral de Bananeiras

 

Bananas festivas de Bananeiras

 

Cachoeira do Roncador, próximo a Bananeiras

 

Engenho da famosa cachaça Rainha

 

No outro dia fomos conhecer as atrações de Bananeiras, a cachoeira do roncador, batemos fotos das igrejas e predios históricos, visitamos a cachaçaria Rainha e conhecemos o convento das irmãs Carmelitas. Neste convento conhecemos o trabalho destas irmãs no Projeto Social do Carmelo Sagrado Coração de Jesus e Madre Teresa, que consiste em uma instituição educacional de nível infantil e fundamental totalmente gratuita que vive de doações e tem aproximadamente 300 alunos da comunidade que tem a oportunidade a uma educação de qualidade. Fomos visitar esta escola e ficamos impressionados, passamos por todas as salas de aula, refeitório, sala de informática, enfim, a escola possui instalações próprias e com estrutura de qualidade. As crianças nos receberam com grandes sorrisos e se mostraram muito educadas e respeitosas com seus professores. Parabéns ao projeto. Quem quiser conhecer mais: www.enscbananeiras.org.br

Depois de Bananeiras fomos em direção a Campina Grande, porém o Júlio estava com febre e por isso resolvemos descansar. A febre persistiu por todo o dia e mesmo com os anti-térmicos ela não estava baixando. À noite resolvemos ir ao hospital para checar e fomos muito bem atendidos em uma clínica pública. O médico constatou que ele estava com uma pneumonia branda, fez nebulização, injeção e mandou descansar. Ele parecia um zumbi. No outro dia decidimos que não íamos ter pique para continuar o passeio, então retornamos à João Pessoa para a casa de nossos amigos que mais uma vez nos receberam com muito carinho. Tiramos, então, alguns dias para repousarmos. Em seguida foi a minha vez de pegar uma gripe e assim batizamos nossa viagem com nosso primeiro grande inconveniente de saúde. A Lígia e o Bico cuidaram de nós, teve sopinha pra doentinho e tudo, hehehe. Impossível esquecer tudo o que fizeram por nós, vocês foram o melhor remédio que dois viajantes poderiam receber. Valeu amigos!

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Natal e arredores

Natal e arredores

 

Cheguei a Natal ansiosa, pois eu iria encontrar minha família. Meu pai (o Zezo), a Janja (esposa do Zezo), minhas irmãs Lívia e Luana, meu cunhado Franco e a visita mais especial de todas, minha linda sobrinha Paola. Estava morrendo de saudades e finalmente tivemos a oportunidade de estarmos todos juntos.

 

 

Sem palavras para descrever como foi bom ver minha linda sobrinha, agora já com um ano e meio. Quando saímos, ela era uma bebezinha, agora já anda, é sapeca e interage muito mais. No primeiro dia ela até me estranhou, mas depois se sentiu mais a vontade e não dava vontade de largar, devo ter sufocado ela!

 

 

Fomos fazer os passeios de Natal por pacotes da CVC, presente do Zezo. O engraçado é que os passeios de Natal são passeios fora da cidade de Natal, minha irmã, Luana, ficava brincando: “assim é fácil, uma cidade ter tantos atrativos, em um raio de cento e poucos quilômetros até Urussanga!”.

 

 

No dia em que eles chegaram já fizeram um City Tour, o qual perdemos, pois estávamos em trânsito. No segundo dia fomos todos conhecer a praia da Pipa, que fica a uns 80km de Natal. A praia é lindíssima, com falésias altíssimas, deserta e mar variado, bom para pegar jacaré, umas partes com ondas fortes e outras boas para banho (de velhinhos, crianças ou pessoas como a Hanna, hahaha). Tem um passeio para ver os golfinhos de barco, mas depois descobrimos que não tem necessidade, pois se pode ir andando até onde estão os golfinhos e vê-los muito próximo, as vezes mais próximos que o barco. Isso descobrimos depois que eles foram embora, pois retornamos lá para acampar e curtir a praia mais uns dias. Foi o primeiro camping estruturado que encontramos pelo Brasil e a estrutura realmente surpreendeu, tinha cozinha, piscina, sala de jogos, ótimos banheiros, tudo bem limpo e organizado a um preço excelente e ainda tivemos a oportunidade de conhecer uma turma jovem de João Pessoa que foram ótimas companhia.

 

 

 

 

O passeio do outro dia foi em um aqua park, próximo à praia de Maracajaú, parecíamos a família buscapé, todos unidos descendo nos escorregadores. O Franco até quis fazer acrobacias, mas logo levou um pito dos monitores. Infelizmente a praia estava com muito vento e a visibilidade da água para mergulho estava horrível, mas quando o tempo está favorável, pode-se fazer mergulho e ver uma diversidade incrível de peixes em meio aos corais. Suspeitamos que o restaurante do aqua park tenha dado um piriri (caganeira) em boa parte das pessoas que ali estavam, pois a própria CVC informou que muitos passageiros tiveram este azar, no nosso grupo a premiada foi a Luana, tadinha. Aproveitamos também para fazer uma deliciosa massagem com uma equatoriana super zen e que deixou a mulherada lesada de tão relaxadas. Enquanto isso, Franco e Julio foram jogar bola na praia e tomar uma cervejinha e o vovô Zezo ficou se divertindo com a Paola.

 

 

 

No dia seguinte tiramos folga da CVC e ficamos na praia onde estávamos hospedados, a praia da Ponta Negra, onde tem o famoso morro do careca. Uma vez este morro era aberto a visitantes, mas por causa do desgaste causado pela mão (melhor os pés e a bunda) do homem agora não é mais permitido a visitação. Curtimos bastante a praia, e conseguimos cocos gelados por R$1,50! Uhu! À tarde o Zezo e a Janja foram ao mercado de artesanato da cidade para fazer umas comprinhas e voltaram animadíssimos com os produtos típicos que lá havia e com ótimos preços. Claro que levaram uma bela rede nordestina bem tradicional com algodão natural e muita castanha de caju. Saímos pra jantar e depois ficamos conversando até cansar! Mais uma vez a família tomando conta do espaço, no hotel já tinha um setor praticamente reservado para os “catarinas”. Inclusive chegamos a pedir tele entrega de Pizza e cerveja no hall do hotel, parecíamos estar em casa.

 

 

 

Outro dia, outro passeio da CVC. Neste, fomos para a Barra do Cunhau, onde teria um passeio de barco ($$$) até uma ilhazinha e depois iríamos para a praia, sendo que demos um “by-pass” no passeio de barco e fomos direto para a praia, que tinha água limpinha e, quando a maré está baixa, formam pequenas piscinas naturais com água quentinha. Nesse dia a Paola curtiu um monte o mar e a areia! Bateu os pezinhos, engoliu água, comeu areia, e eu aproveitei para tirar milhões de fotos. No final do dia o ônibus quebrou no caminho e, por falta de piadas novas, o guia mandou buscar outro, hehehe.

 

 

 

 

 

 

O próximo dia seria outro passeio da CVC, porém já estávamos todos cansados do ônibus, da espera, dos passeios combinados e das mesmas piadas, portanto ficamos na praia da Ponta Negra, de pés pro alto, pegando sol, tomando água de coco. Alugamos umas pranchas pra curtir umas ondas, que estavam ótimas… para iniciantes. O Julio ficou só no jacaré, eu no body board, o Zezo no pranchão e o Franco no surf tradicional. Fiquei impressionada com o desempenho deles, principalmente do paizão, que a prancha até aguentou o peso dele porque ele está magro e esbelto, super gatão. Passamos o resto do dia curtindo artesanato, tirando foto de cangaceiro. No nordeste os artesanatos tem muita cultura de brinquedos tradicionais como biboquê, pião, bola de gude, bonecos de madeira e um montão dessas coisas que nos lembram da infância. A Paolinha curtiu bastante!

 

 

 

 

Ahhhh (suspiro), só posso dizer que foi tudo delicioso, nada como estar próximo à família, sentir o amor, todos estarem saudáveis e felizes.

 

Fortaleza

Fortaleza

 

Praia de Iracema – Foto por Wood

 

O trânsito de Fortaleza é caótico, os guias citam as praias como impróprias para banho, mas mesmo assim vale o passeio. A praia do Futuro é ótima para banho e têm uma estrutura que nunca havíamos visto antes, excelentes restaurantes com cadeiras e mesas à beira mar, cozinhas gigantes para atender a um público enorme e exigente, banheiros grandes, piscinas, chuveirões e massagistas! Imagine uma massagem por uma hora incluindo máscara de argila ou hidratação no cabelo por apenas R$20, e de cenário um mar lindo e esverdeado a sua frente, óbvio que tivemos que aproveitar esta promoção, infelizmente neste dia eu estava com uma baita dor de barriga e o mexe-mexe da massagem teve que ser interrompido para ir correndo ao banheiro, já o Julio relaxou demais e com o mexe-mexe de mãos femininas, mesmo sem querer um órgão indisciplinado se empolgou. A massagista, profissional, deixou uma toalhinha por cima, que situação! Claro que nem tudo são flores, não faltaram vendedores ambulantes, chega uma hora que enche o saco dizer “Não, obrigado”, mas por outro lado, é dureza trabalhar debaixo de todo aquele sol.

 

Os dois irmãos na praia do Futuro!

 

À noite adoramos passear pelos calçadões da praia de Iracema e Meirelles, o ambiente é alegre e trás vida para a cidade. Pessoas caminham, andam de patins, bicicleta, skate, correm, passeiam com seus cachorros, sentam nos banquinhos e jogam conversa fora, batem fotos, fazem ginástica… enfim, é um calçadão muito bem aproveitado. Durante o passeio também se encontram vários restaurantes à beira mar, feiras de artesanato, quiosques com guloseimas e propagandas de shows de comédia, pois o Ceará é o principal estado brasileiro neste departamento!

 

 

Pra quem quiser conhecer um pouquinho mais da cultura deste lindo estado, não pode deixar de conhecer o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, é uma bela estrutura que comporta cinema, museus, galerias, restaurantes, cafés, shows, planetário e possui uma agenda repleta de atrações. Quando visitamos, tivemos a oportunidade de assistir um teatro de Mamulengo, um estilo de fantoche com cultura nordestina. Também contemplamos uma exposição em homenagem ao Luiz Gonzaga e uma apresentação de Cordel cantado.

 

Dragao del Mar Cultural Center – © Christian Knepper/Embratur

 

O passeio com o Ricardo e o João estava delicioso, tivemos dias agradabilíssimos juntos e acredito que eles também curtiram muito. É triste a hora da despedida, mas tivemos que partir.

 

 

 

Hanna no mercado publico