Bariloche e Villa la Angostura

Bariloche e Villa la Angostura, 18 a 20 de janeiro de 2012

Pela manhã o Marcelo foi acompanhar a Flávia de carona com o dono do camping que estávamos e nós dormimos um pouco mais. Como o Marcelo estava demorando muito a chegar, resolvemos seguir para Bariloche, tadinho, ele teve um dia de cão. Vestido com blusa de lã em um sol de rachar, só foi nos encontrar no fim do dia, completamente exausto. No fim, tivemos a mesma impressão sobre a cidade, não nos chamou a atenção, talvez pelas cinzas. Mas decidimos seguir a viagem em direção à Villa la Angostura. Não ficamos um dia inteiro em Bariloche… acho que não é o tipo de cidade para a gente.

Uma praça de Bariloche... ooppss... Brasiloche

Villa Angostura, isso sim era o que imaginávamos que seria a cidade de Bariloche, charmosa, aconchegante, florida e com um comércio bem transado.

Villa la Angostura

Villa la Angostura

Apesar da cidade ter sofrido muito com as cinzas do vulcão, a cidade não perdeu sua beleza. Os lagos e as cabanas que tem na região são lindos, algumas pareciam casa de hobbits. A cidade nos agradou muito e as sorveterias/chocolaterias mais ainda.

Hmmmmmm

O Julio e o Marcelo viram uma lagoa tão linda que não se aguentaram e deram um mergulho, pela cara deles a água deveria estar muito gelada.

Algum dos muitos lagos próximo a Villa Angostura!

Outro lago próximo a Villa Angostura

A região é o tipo de lugar que dá vontade de ficar por muitos dias, e comer um monte de guloseimas, mas tivemos que seguir.
Passeando pela região dos lagos ficamos assustados com a quantidade de cinzas que caiu na, de vez em quando encontrávamos na estrada monte de cinzas acumuladas e algumas lagoas estavam completamente cobertas de pedras pomes, que são muito leves e bóiam com facilidade, é triste ver aquelas lagoas azuis se transformarem em um lago com cara de ambrosia.

Julio no lago de ambrosia

Paramos para acampar em Brazo Rincão, quase fronteira com o Chile. O camping onde ficamos tinha uma camada muito alta de cinzas, o pessoal de lá nos relatou do susto que foi quando o vulcão entrou em atividade, começou a chover pedras grandes de até 500 gr e depois uma chuva muito forte de cinzas quente e quando parecia que não podia piorar, começa a aparecer muitas pedras pequenas, destruindo muito do que havia por ali. Fico imaginando o pânico que eles viveram.

Que céu!!!

Que céu v2!

Mas isso não abalou o espírito dos pescadores locais, segue foto pra comprovar:

O moleque mandou bem hein!

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El Bolson

El Bolson, 15 a 17 de janeiro de 2012.

Paramos no caminho em um camping muito legal com um lindo rio com águas cristalinas azuladas. Flávia quis pular e pilhou o Julio, os dois se jogaram, claro que em seguida eu e o Marcelo nos empolgamos pra cair na água também. O rio estava um pouco frio, mas dentro do tolerável, o suficiente para voltarmos outro dia e descer boiando pelo rio por uns 200 metros, foi muito divertido!

 

Tchibum!

 

Levamos snorquel para curtir a transparência da água. A corrente era forte, mas alguns lugares eram bem rasos e dávamos de bunda nas pedras, mesmo assim foi delicioso.
Seguimos para El Bolson. Foi muito melhor do que poderíamos esperar. A cidade tem um ar místico, bem hippie. A praça tem sempre feiras de artesanato e lanches deliciosos, impossível não passar horas se deliciando com tantas novidades e criatividade. Clima super zen desta linda cidade em meio às montanhas.

 

Flávia, Marcelo e Julio na praça de El Bolson

 

Hanna e Julio no otimizador de pensamentos!?!

 

Um Ent em meio a praça

 

Diversos tipos de lanches vegetarianos e não vegetarianos (claro que necessitamos nossa carne diária), sucos naturais e o melhor, muitas tendas de cervejas artesanais deliciosas, das ruivas às morenas, das claras às negras. A região é famosa por cervejarias artesanais. O Julio ficou louco!

 

Eeeeeeee coisa boa!

Tivemos a sorte de poder assistir a apresentação de algumas bandas na praça central, a primeira, a Antiorquestra Palhaça, foi a melhor de todas e nos surpreendeu. Era uma mistura de ska, orquestra e jazz, com todos vestidos de palhaço. Deixou o público de boca aberta com a qualidade do som.

 

Acampamos em um camping com uma galera bem alternativa naturebes, foi divertido quando abrimos a barraca e todos começaram a bater palmas, nossa casa é realmente surpreendente. Fizemos um delicioso churrasquinho e o Marcelo, que é vegetariano, se deliciou com um guacamole que eu ensinei ele a fazer, é tão simples e gostoso que ele começou a comer guacamole todos os dias, deve ter voltado verde para o Brasil. Mas claro que nada bate um delicioso churrasquinho. Depois rolou um violãozinho, muitas músicas e não me lembro o que foi que falamos que eu e a Flavia começamos a gargalhar tanto que caímos das cadeiras, maior mico, toda a galera do camping rindo de nossa cara. Mas foi divertido. Tinha até show de talentos, uma garota muito magrinha estava dançando com um bambolê, não tinha ideia de que era possível fazer tantas coisas com o bambolê, coisa de profissional.

 
A cidade fica próxima de lagos, rios, e montanhas, uma delas possui um bosque talhado, são escultores argentinos, ou não, que fizeram diversas esculturas nas árvores mortas de um parque. Tinha gnomos, fadas e objetos não identificados. Um passeio agradável e artístico. Só peca pela parte de ter que subir um morrinho para chegar até lá, esse povo gosta de uma ladeira. Assim, não tem desodorante de dure.

 

Bosque Talhado - El Bolson

Bosque Talhado - El Bolson

 

Bosque Talhado - El Bolson

 

Bosque Talhado - El Bolson

 

Um Ent... esse de verdade

 

Bosque Talhado - El Bolson

Fomos visitar o lago Puelo, como já estávamos prontos para seguir para Bariloche, não nos preparamos com roupas adequadas para banho, mesmo que o lago parecesse implorar para que entrássemos nele. Fomos ao mirador, mais subida. O que mais me deixa p da vida em subidas é que quando chegamos lá em cima as pessoas querem ficar 15 minuto. Tanto tempo e suor pra chegar e pouco tempo para apreciar, não é justo.

 

Peligro!!

 

Depois da subida ao menos tem uma bela vista! Lago Puelo!

Quando começamos a ir em direção a Bariloche, já estava anoitecendo e não podíamos ver o caminho, mas o gps mostrava que nesta rota havia muitos lagos e resolvemos acampar no caminho para poder apreciar a região de dia. Infelizmente nossa companheira Flávia estava retornando no dia seguinte para o Brasil, mas o Marcelo seguiu conosco.

Puerto Madryn – Parte 2

Puerto Madryn – Parte 2, 5 a 12 de janeiro de 2012

 
Arrumamos a caixa de direção e aproveitamos também para trocar nossa embreagem. O prejú foi grande, mas nada se compara ao horror que foi ir até Perito Moreno. Eu e o Julio comemos uma empanada que não entrou muito bem e o piripiri foi feio. Foram seis horas de tortura. Fomos obrigados a infestar o banheiro do ônibus, que por sinal não tinha água pra descarga. Eu precisei ir 3 vezes e Julio mais 3 vezes. Quando dava pra usar o banheiro das rodoviárias durante as paradas no caminho ficamos muito felizes. Chegando em Perito Moreno, ficamos no mesmo local onde havíamos ficado anteriormente, mas o dono nos cobrou uma verdadeira fortuna, quase o mesmo que pagamos para ficar em 6 pessoas. Estávamos ainda muito mal e necessitando muito de um banheiro e não tínhamos muitas forças para rodar a cidade atrás de melhores opções de estadia e cedemos à extorsão.
No dia seguinte ficamos o dia na oficina trocando as peças. Quando estava tudo pronto… a caixa de direção continuou a vazar. Depois de termos gastado uma fortuna, o mecânico ainda diz que temos que voltar a Comodoro, pois o serviço não havia sido bem feito. Compramos alguns litros de fluido de direção e fomos pra lá de carro, parando a cada 50 km para completar o fluido. Claro que o mecânico de Comodoro nos disse para comprar uma peça nova. Decidimos então ir até Puerto Madryn direto na Ford e resolver isso com profissionais que já conhecíamos. Foi a melhor opção, apesar de necessitarmos ficar por lá uns 4 dias esperando, não precisamos trocar por uma peça nova, a qual seria muito mais cara e eles resolveram o problema com garantia. Enfim pudemos seguir viagem, mas claro já não confiando no carro tanto quanto antes.

 

Puerto Madryn - sem cinzas

 

Na primeira noite lá começamos a sentir uma mudança no clima, eram as cinzas de vulcão chegando. No outro dia pudemos ver, ou melhor, não ver o céu, apenas uma garnde névoa cinza sobre nossas cabeças…

 

Puerto Madryn - com cinzas

Em Puerto Madryn conhecemos um casal de brasileiros super queridos, Marcelinho de Brasília e Flávia (Xerê) de São Paulo. Eles estavam de mochilão e pegaram uma carona em direção a El Bolson conosco.

 

Marcelo e Flávia em Ameghini

Na primeira noite paramos novamente em Ameghini, curtimos bastante a paisagem novamente. Dali pretendíamos seguir para o Parque Nacional Los Alerces em Esquel, pois era caminho, lindo e de graça, oooops, era de graça a um mês atrás, mas de repente, o governo Argentino decidiu cobrar, e cobrar caro. Claro que decidimos mudar a rota e seguir em direção a El Bolson.

Ruta 40 – Parte 2

Ruta 40 parte 2, 2 a 4 de janeiro de 2012
Seguimos na manhã para El Chaltén, uma pequena cidade que tem como cenário de fundo o Fitz Roy uma montanha muito apreciada por escaladores devido a sua grande estrutura de rocha que os desafia.

As torres de Fitz Roy

Claro que apreciamos somente de baixo e tivemos a sorte de pegar um céu limpo, o que é muito raro, em geral tem sempre uma nuvem rodeando a montanha.

Zezo todo feliz chegando em El Chalten!

Aproveitamos para abastecer e alguns bêbados queriam dar uma voltinha nas motos, para eles só em sonho. Lá conhecemos Carlos, um carioca que estava viajando em uma moto custom, ele também estava muito assustado com os ventos e com o rípio. Convidamos ele para fazer esta rota conosco para que se sentisse mais seguro e ganhamos mais um integrante no grupo. Começa o rípio, o Marcelo Timm sofrendo com a mão machucada, Carlos que nunca havia andado no ripio, seguindo com muita precaução, Janio e Zezo loucos para correr e nós preocupados com a embreagem. Apesar das dificuldades o que prevaleceu foi o espírito de equipe e todos seguiram juntos.

As motos e a estrada de ripio

A bixinha...

No caminho a placa da moto do Carlos desapareceu, ele e Zezo foram averiguar alguns km se conseguiam encontrá-la. No final encontraram só um tatuzinho no caminho…

Tatu aventureiro

Nós aguardamos para garantir que tudo estivesse bem, pois tínhamos mais autonomia de combustível que eles. Timm e Janio seguiram. Começamos a ficar preocupados com a demora, pois iríamos até Governador Gregóre e estávamos levando no carro o combustível extra para todos. Depois de algum tempo, Carlos e Zezo retornam sem nenhum sinal da placa, um pouco mais a frente Janio e Timm esperavam por todos e continuamos a viagem, por sorte quase todos chegaram com combustível em Gov. Gregore. Para o Carlos faltou combustível nos últimos km. Procuramos por toda a cidade um local para comer, era tarde e nossa única chance foi comer o resto da comida da festa de reveillon que o dono do hotel onde ficamos cobrou uma fortuna e ainda deu dor de barriga em alguns.

 
Nossa embreagem já estava ruim, mas o Julio começou a ficar cada vez mais fera na troca. Decidimos conhecer a Cueva de las Manos, com o Janio e o Zezo enquanto Carlos e Timm nos aguardariam na cidade de Perito Moreno. Quando estávamos quase chegando, nossa direção começou a ficar muito mole e a fazer muito baralho e pronto, o óleo da direção não vazava, escorria. Estávamos sem embreagem e quase sem direção, mas tínhamos uma linda caverna cheia de pinturas rupestres para conhecer.

 

Deixamos o carro e fomos conhecer as cavernas, engraçado que vimos muitos cartões postais dessas cavernas por toda a Argentina, mas a localização dela foi o que nos impressionou muito, eles ficam entre um vale lindo, privilegiado, em meio aquele deserto.

Hanna, Zezo e Janio no vale de las cuevas

Julio, Janio, Zezo e Hanna nas Cuevas de las Manos

Cueva de las Manos

É possível ver mãos de vários tamanhos tipos e até mãos deformadas (de 6 dedos). A definição das pinturas são tão boas que fica difícil de acreditar que foram feitas a quase 8 mil anos atrás. A técnica também era muito impressionante, usava-se um osso de guanaco como canudo e colocavam a tinta na boca para assoprá-la nas paredes. Além das mãos, existem algumas formas geométricas estranhas e não identificadas e pinturas de muitos guanacos e técnicas usadas para caça.

Depois da diversão, a preocupação, ali no meio do nada não poderíamos deixar o carro, e um casal muito simpático de argentinos se ofereceu para nos seguir, caso algo ocorresse eles poderiam nos guinchar até a cidade. Depois de muita discussão, decidimos procurar um mecânico na cidade que retirou a caixa da direção e disse que teríamos que levá-la a Comodoro Rivadávia em um lugar que poderia arrumá-la. Nosso plano era ir em direção a Esquel, junto com os motociclistas, mas com esses assuntos para resolver tivemos que adiar a viajem. Para nos ajudar eles mudaram a rota e nos deram uma carona até Comodoro Rivadavia para conseguirmos fazer o reparo.

Comodoro é uma cidade muito cara no litoral da Argentina, sem grandes atrativos. No caminho foi possível ver muitos poços de petróleo. Dizem que Comodoro é umas das cidades mais caras da argentina, podemos confirmar isso… e ainda é feia. Lá, aproveitamos para fazer a última janta juntos e fomos atrás de carne. Todos ficaram felizes! Infelizmente chegou a hora de nos despedirmos de nosso queridos companheiros, adoramos muito o tempo que passamos juntos.

El Calafate – Parte 2

El Calafate – Parte 2, 31 de dezembro de 2011 a 2 de janeiro de 2012

 

De Torres del Paine seguimos para El calafate. 2011 teve um final memorável. Passamos o dia 31 de dezembro no glaciar Perito Moreno. Pegamos o barco até o Glaciar e iniciamos um mini trekking pelo gelo.

 

Motociclistas no glaciar Perito Moreno

 

Você coloca os grampões no pé e quando experimenta a sensação, percebe que é tão fácil que dá vontade de sair correndo.

 

Hanna, empacotada, colocando os grampões

 

Lindo, pequenas poças de água azuladas, alguns caminhos formados pelo derretimento da água que se transformam em profundas entradas no glaciar.

 

 

Todos seguiam atentamente os passos dos guias pelas geleiras, de repente eles param a caminhada, pois alguém que quer se aventurar além do estabelecido, e esta usando o piolet (martelo de gelo) que os guias usam para tentar escalar os gelos, adivinha quem é, isso mesmo, só podia ser o Zezo.

 

Zezo escalando o gelo

 

 

 

 

Para finalizar o delicioso passeio você experimenta whisky 8 anos com gelo de mais de 3 mil anos e ganha um alfajor para adoçar a vida.

 

Tomando whisky no glaciar Perito Moreno

 

Depois fomos até as passarelas, esperamos que algum bloco de gelo se desprendesse, mas acho que o show termina depois das 19:00, não tivemos nenhum espetáculos, pelo menos aproveitamos para berrar e sentir o eco que fazia.

 


Voltamos para a cabana e começamos a preparar a nossa ceia de fim de ano. Cardápio: cordeiro assado, purê de batata, lentilhas com cebolas douradas e salada. Nunca havia feito cordeiro assado, mas modéstia à parte, ficou excelente. Num dia como esse, a virada só poderia terminar com um belo sorriso na cara e um ar de satisfação muito grande, afinal era a primeira vez que estávamos passando a virada em El Calafate. Estouramos frisantes, até as motos ganharam banho e fumamos charutos de qualidade.

 

 

Ushuaia – Parte 2

Ushuaia – Parte 2 – 24 a 27 de dezembro de 2011

 
Voltamos ao fim do mundo pro Natal, nos demos o luxo de passar esta época em hotel e, por sinal, a Hosteria del Recodo foi um dos melhores custo/benefício. Tinha até aquecimento no piso do banheiro, um luxo só. A ceia da véspera de Natal passamos com a Mailyn, prima do Julio, acompanhada de seu namorado Marcos. Procuramos um restaurante para a ceia, mas quase todos os restaurantes da cidade estavam fechados, depois de muita busca finalmente encontramos um com uma vista incrível da cidade, o preço foi salgado, mas muito gostoso, tivemos uma agradável noite de conversa até o sono bater depois de tanto comer.

 

Marcos e Mailyn na véspera de Natal

 

Dia do natal, estávamos aguardando para que meu pai Rogério, vulgo Zezo, e seus amigos, Janio e Marcelo Timm chegassem. Enquanto aguardávamos, conhecemos um simpático casal de brasileiros, nos entretemos tanto na conversa que a espera passou despercebida e ao fim do dia eles chegaram. Estavam muito cansados, mas felizes como adolescentes, fizeram uma difícil viajem enfrentando os ventos da Patagonia, mas enfim chegaram ao fim do mundo.

 

Os motociclistas: Janio, Zezo e Timm.

 

Pai da Hanna (Zezo), Hanna e Julio no Ushuaia

 

No dia seguinte fizemos o passeio pela cidade, acompanhamos os novatos no fim do mundo nas compras de lembrancinhas para a família e fomos ao Cerro Martial. Os meninos se empolgaram e resolveram ir mais além e caminhar um pouco pela neve. Fiquei aguardando, tirando algumas fotos deles, fazendo meu pequeno boneco de neve. O tempo começou a fechar, a chuva começou a cair e se transformar em neve. Depois de alguns minutos resolvi descer para esperar eles no pé da montanha. Chegaram felizes, rastros de bunda molhada indicando que a descida não foi assim tão fácil. Não me pergunte quem enganchou em quem no esqui bunda.

 

Subindo o Cerro Martial

 

Cerro Martial, Ushuaia

 

Ushuaia – Parte 1

Ushuaia, 16 a 19 de dezembro de 2011.

 
Seguimos viagem para o Ushuaia, os pais do Julio nos encontrariam lá de avião. O caminho ficou um pouco demorado por causa dos tramites de imigração e da passagem pelo Estreito de Magalhães.

Balsa para atravessar o Estreito de Magalhães.

Perdemos quase 2 horas de viagem, mas passar o canal torna-se divertido com a aparição de um grupo de golfinhos que gostam de surfar nas ondas da balsa. São golfinhos completamente diferentes do que conhecemos no Brasil, o corpo deles é branco com barbatana, nariz e nadadeiras pretos.

Golfinhos de magalhães.

Assim que começou a escurecer, começamos a procurar um camping, mas o único que encontramos estava fechado e a região não é muito propícia para acampar, em geral é tudo muito plano e faz muito vento pela Tierra del fuego.

Chegando à Terra do Fogo

Estávamos à procura de um local mais protegido e eis que encontramos uma família acampando na beira da estrada, próximos à algumas árvores, aproveitamos para ficar por ali, pois com um grupo grande nos sentimos mais seguros. Eles estavam com uma van e não temos idéia de quantas pessoas eram, mas com certeza era uma família grande, tinha cachorro e tudo. Estavam em ritmo de festa, com umas músicas bregas, estávamos tão cansados que nem nos importamos. Mas o que nos impressionou foi a alegria da família, os pais e sua penca de filhos dançando e curtindo uma enorme fogueira no meio do nada. Mais uma prova que não precisa de muito para ter momentos felizes.
No caminho para o fim do mundo, o carro fez um barulho forte, parecia que o turbo estava se despedindo de nossa aventura.

Continuamos nossa viajem com muita precaução, faltava aproximadamente 90 km para chegar e depois de muitos kilometros andando sobre deserto, no trecho mais bonito ficamos tensos. Depois fomos descobrir que se tratava da mangueira do turbo que havia desprendido, solução fácil e barata.

Finalmente chegamos ao fim do mundo, a cidade de Ushuaia não é muito bonita, mas tem seu charme. Vêem-se muitas casas simples, mal cuidadas e jardins secos, mas quando você vê o conjunto, a cidade construída em meio às montanhas nevadas, que no verão contemplam uma vegetação bem verde, os portos com vários barquinhos e às 22 horas você janta curtindo o por do sol, Ushuaia começa a ficar bem interessante.

Ushuaia, vista do catamaran

Fizemos o passeio de barco que passa por algumas pequenas ilhas, onde podemos ver muitos lobos marinhos e vários pássaros. Na ilha de comorões, que ficam em seus ninhos chocando seus ovos, encontra-se um probleminha… fede… mas fede, e fede muito. Eles usam suas fezes para fazer os ninhos e que fermentam e ajudam a aquecer os ovos.

Família de comorões em seu ninho de merda!

Ilha dos pássaros e lobos marinhos! Tirando o fudum, a vista é muito linda!

Bah... o condor roubou nosso almoço!!

Farol do fim do mundo

Fomos visitar um dos principais pontos turísticos e históricos da cidade, o presídio, que foi a forma encontrada para popular a região… só a força pra alguém querer ir passar tanto frio.

Ala antiga da prisão do Ushuaia.

Níveis de loucura enfrentados pelos presos.

Fizemos um passeio pelo Parque Nacional da Terra do Fogo onde, teoricamente, é o fim da Ruta 3 e o ponto mais extremo sul de Ushuaia.

Ó o seu Carlos mostrando o caminho!

Vista do parque tierra del fuego!

Lá tem o último correio do mundo e, por ignorância do homem, existem muitos castores no parque, animal que foi trazido do Canadá na época da colonização e por não existir predadores naturais eles se proliferaram facilmente na região. É possível ver as barragens que eles constroem em algumas corredeiras do parque.

Hanna de castorzinha!! Ela que fez a barragem.

Pegamos as areosillas para subirmos no Cerro Martial, apreciar um pouco de neve, curtir vento, um pouco de frio, chegamos até um punhado de neve e apreciamos um belo visual da cidade.

Love is in the air.... literalmente! Carlos e Marília nas aerosillas.

Visitamos alguns lagos ao redor da cidade e nas encostas podem-se apreciar algumas árvores bem inclinadas pelo trabalho do vento.

EEEE ventania!

As comidas tradicionais da região são o cordeiro, a centolla, um tipo bem grande de caranguejo e a merluza negra. Não deixem de comer o cordeiro na Vila Marina, este realmente é delicioso. O tempo que estivemos com Carlos e Marília foi muito agradável, mas chegou a hora de despedida, que para nós é sempre um pouco triste.

Todos juntos no fim do mundo!

Ainda teríamos que nos encontrar com meu pai no Ushuaia, mas a previsão de eles chegarem era de aproximadamente 6 dias, então resolvemos dar um alô ao simpático vizinho Chile. Seguimos para Puerto Natales, a cidade mais próxima ao Parque Torres del Paine. Mas antes tivemos que trocar o nosso farol queimado, o farol esquerdo. Existe um mistério por aqui, vimos muitos carros com o farol queimado, mas era sempre o esquerdo, por que o esquerdo? Não temos a mínima idéia, alguém sabe responder?

Vista de cima da cidade! Ushuaia tem seus encantos.