João Pessoa e interior da Paraíba

João Pessoa e interior da Paraíba

 

Tambaú João Pessoa

Praia de Tambaú, João Pessoa – PB

 

Quando estávamos em Natal minha tia Carla nos passou o contato do Bico e da Lígia  informando que  eles eram um casal de amigos muito queridos e poderiam dar dicas sobre passeios pela cidade de João Pessoa. Ligamos de Natal mas eles estavam indo pra Recife e quando retornassem iriam entrar em contato conosco. Para ficar na cidade já tínhamos o contato pelo Couch Surfing na casa de João, teríamos que esperá-lo chegar do trabalho no fim do dia, como estávamos loucos para ver o filme novo do Batman resolvemos pegar um cineminha na cidade para aguardar. Desligamos o celular e logo depois do filme apareceram algumas ligações. Foi então que recebemos a ligação do João, mas o estranho é que não era o João do Couch, então ele pensou que havia sido engano, então desligou e me perguntou o nome do Bico, que coincidentemente também era João, porém o Júlio já tinha desligado o telefone. Retornamos a ligação e esclarecemos as coisas com o Bico, ele foi muito simpático e nos convidou para ficarmos na casa deles.

 

Forte Santa Catarina Cabedelo João Pessoa

Bico, Lígia, Hanna e Julio no Forte de Santa Catarina em Cabedelo

 

No fim visitamos o João do Couch e ele, naquele meio tempo, disse que veio outra garota do Couch pra ficar na casa dele que ele pensou que chegaria alguns dias depois, aí achamos melhor aceitar convite do Bico para não ficar muita gente na casa do João. Foi então que conhecemos e convivemos com esse casal maravilhoso.  A esposa do Bico, a Lígia é super atenciosa, eles vivem um uma linda casa na companhia de três cachorros incríveis, o clima da casa é delicioso, eles tem um astral muito bom. Nos sentimos muito à vontade, parecíamos estar em casa com nossa família.

 

Pastores do Bico

 

No dia seguinte fomos passear, cruzamos a cidade em plena segunda feira e surpreendentemente o trânsito estava fluindo tranquilamente. Isso é muito raro em uma cidade grande do Brasil, já começamos a adorar a cidade por isso. Como era segunda feira a maioria dos museus e igrejas estavam fechados. Passamos pelo centro de artesanato, depois fizemos uma paradinha para comer uma deliciosa tapioca com carne seca e fomos para o mirante do farol que está situado no ponto mais leste do país, um marco importante para nós.

 

Mercado Artesanato João Pessoa

Hanna no Mercado de Artesanato de João Pessoa

 

Tapioca João Pessoa

Tapioca com carne-seca e nata… hmmm que delícia

 

Passamos em um ponto de informação turística e ganhamos um mapa para fazer um roteiro do centro a pé. Isso facilita muito a vida do viajante. Foi rápido encontrar um estacionamento no centro, que normalmente é raro, e começamos nossa visita pelo centro histórico de João Pessoa. Passeamos em meio a barracas que ainda restaram das festas juninas (e julinas) que vendiam frutas com calda de chocolate, maçãs do amor e doces em geral, vimos lindos casarões históricos, igrejas, parques e praças. A organização e limpeza não eram das melhores, mas o cheiro dos doces estavam torturantes.

 

Grafite no centro de João Pessoa

 

Lojinha de produtos sertanejos (não universitários) no centro de João Pessoa

 

Igreja de São Francisco em João Pessoa

 

Propaganda das tintas Coral no centro de João Pessoa, modelo: Hanna

 

No fim do dia, encontramos a Lígia e o Bico para conhecermos o Forte de Santa Catarina de Cabedelo e curtirmos o pôr do sol na praia do Jacaré, um rio à beira do mangue onde, diariamente, pode-se apreciar um momento especial ao som do Bolero de Ravel tocado por um saxofonista que passa de barco pelo rio e depois continua em algum dos bares locais. Um momento único e delicioso, com agradáveis amigos e ainda se pode aproveitar para apreciar lojinhas de artesanatos e guloseimas típicas da Paraíba.

 

Julio, Hanna, Lígia e Bico no famoso por do sol da praia do Jacaré

 

Apresentação do Bolero de Ravel com Jurandy do Sax na praia do Jacaré em João Pessoa

 

No dia seguinte fomos conhecer as praias mais afastadas da cidade, passamos por todo o litoral até a famosa Tambaba, uma praia de naturalismo, mas não chegamos a passar do portão de entrada. A região é muito bonita e então fomos para o lado esquerdo (o lado não nudista) da praia e caminhamos até a praia de coqueirinho. Passamos por muitas falésias com tons de cores lindíssimas, pareciam até quadros modernistas.

 

Praia de Tambaba, o lado não nudista

 

Arte da natureza na praia de Tambaba

 

Praia do Coqueirinho

 

O dia estava com muito vento e a água estava um pouco barrenta, então não nos animamos para banhar-nos. Combinamos um almoço no famoso Mangai com o João (do Couch) e sua convidada (também do Couch). O Mangai é um restaurante bem tradicional com comidas do sertão e, com certeza, um dos melhores que encontramos no nordeste. À tarde fomos no Museu Estação Ciência, um lugar delicioso para conhecer um pouco na prática as teorias científicas. Curtimos uma pequena apresentação em um planetário inflado, adoramos a ideia e gostaríamos que, por ser uma estrutura simples, muitas escolas pudessem ter algo assim. Também havia no museu área para exposições de arte e neste dia tinha dois artistas que nos surpreenderam, o Cacio Murilo, com seus vegetais animalizados e a Cristina Strapação com suas ondas perfeitas.

 

Museu Estação Ciência

 

Vegetais por Cacio Murilo

 

Onda (pintada e não fotografada) por Cristina Strapação

 

Terminamos o dia com uma deliciosa tapioca preparada pela Lígia. Infelizmente ela e o Bico pegaram uma gripe forte e estavam muito abatidos.

 

No dia seguinte nos despedimos desse casal fantástico e seguimos para o interior da Paraíba até a cidade de Bananeiras, onde fazia dois dias havia terminado o festival de inverno. É uma cidade pequena em meio às montanhas. Paramos no centro para comer uma deliciosa tapioca de carne de sol com nata, queijo, banana da terra frita na manteiga de garrafa e uma pitada de mel de engenho, pensa numa iguaria boa! Apesar de pequena, o movimento na cidade era intenso, todos se conheciam e paravam rapidamente para um bate-papo.

 

Catedral de Bananeiras

 

Bananas festivas de Bananeiras

 

Cachoeira do Roncador, próximo a Bananeiras

 

Engenho da famosa cachaça Rainha

 

No outro dia fomos conhecer as atrações de Bananeiras, a cachoeira do roncador, batemos fotos das igrejas e predios históricos, visitamos a cachaçaria Rainha e conhecemos o convento das irmãs Carmelitas. Neste convento conhecemos o trabalho destas irmãs no Projeto Social do Carmelo Sagrado Coração de Jesus e Madre Teresa, que consiste em uma instituição educacional de nível infantil e fundamental totalmente gratuita que vive de doações e tem aproximadamente 300 alunos da comunidade que tem a oportunidade a uma educação de qualidade. Fomos visitar esta escola e ficamos impressionados, passamos por todas as salas de aula, refeitório, sala de informática, enfim, a escola possui instalações próprias e com estrutura de qualidade. As crianças nos receberam com grandes sorrisos e se mostraram muito educadas e respeitosas com seus professores. Parabéns ao projeto. Quem quiser conhecer mais: www.enscbananeiras.org.br

Depois de Bananeiras fomos em direção a Campina Grande, porém o Júlio estava com febre e por isso resolvemos descansar. A febre persistiu por todo o dia e mesmo com os anti-térmicos ela não estava baixando. À noite resolvemos ir ao hospital para checar e fomos muito bem atendidos em uma clínica pública. O médico constatou que ele estava com uma pneumonia branda, fez nebulização, injeção e mandou descansar. Ele parecia um zumbi. No outro dia decidimos que não íamos ter pique para continuar o passeio, então retornamos à João Pessoa para a casa de nossos amigos que mais uma vez nos receberam com muito carinho. Tiramos, então, alguns dias para repousarmos. Em seguida foi a minha vez de pegar uma gripe e assim batizamos nossa viagem com nosso primeiro grande inconveniente de saúde. A Lígia e o Bico cuidaram de nós, teve sopinha pra doentinho e tudo, hehehe. Impossível esquecer tudo o que fizeram por nós, vocês foram o melhor remédio que dois viajantes poderiam receber. Valeu amigos!

Natal e arredores

Natal e arredores

 

Cheguei a Natal ansiosa, pois eu iria encontrar minha família. Meu pai (o Zezo), a Janja (esposa do Zezo), minhas irmãs Lívia e Luana, meu cunhado Franco e a visita mais especial de todas, minha linda sobrinha Paola. Estava morrendo de saudades e finalmente tivemos a oportunidade de estarmos todos juntos.

 

 

Sem palavras para descrever como foi bom ver minha linda sobrinha, agora já com um ano e meio. Quando saímos, ela era uma bebezinha, agora já anda, é sapeca e interage muito mais. No primeiro dia ela até me estranhou, mas depois se sentiu mais a vontade e não dava vontade de largar, devo ter sufocado ela!

 

 

Fomos fazer os passeios de Natal por pacotes da CVC, presente do Zezo. O engraçado é que os passeios de Natal são passeios fora da cidade de Natal, minha irmã, Luana, ficava brincando: “assim é fácil, uma cidade ter tantos atrativos, em um raio de cento e poucos quilômetros até Urussanga!”.

 

 

No dia em que eles chegaram já fizeram um City Tour, o qual perdemos, pois estávamos em trânsito. No segundo dia fomos todos conhecer a praia da Pipa, que fica a uns 80km de Natal. A praia é lindíssima, com falésias altíssimas, deserta e mar variado, bom para pegar jacaré, umas partes com ondas fortes e outras boas para banho (de velhinhos, crianças ou pessoas como a Hanna, hahaha). Tem um passeio para ver os golfinhos de barco, mas depois descobrimos que não tem necessidade, pois se pode ir andando até onde estão os golfinhos e vê-los muito próximo, as vezes mais próximos que o barco. Isso descobrimos depois que eles foram embora, pois retornamos lá para acampar e curtir a praia mais uns dias. Foi o primeiro camping estruturado que encontramos pelo Brasil e a estrutura realmente surpreendeu, tinha cozinha, piscina, sala de jogos, ótimos banheiros, tudo bem limpo e organizado a um preço excelente e ainda tivemos a oportunidade de conhecer uma turma jovem de João Pessoa que foram ótimas companhia.

 

 

 

 

O passeio do outro dia foi em um aqua park, próximo à praia de Maracajaú, parecíamos a família buscapé, todos unidos descendo nos escorregadores. O Franco até quis fazer acrobacias, mas logo levou um pito dos monitores. Infelizmente a praia estava com muito vento e a visibilidade da água para mergulho estava horrível, mas quando o tempo está favorável, pode-se fazer mergulho e ver uma diversidade incrível de peixes em meio aos corais. Suspeitamos que o restaurante do aqua park tenha dado um piriri (caganeira) em boa parte das pessoas que ali estavam, pois a própria CVC informou que muitos passageiros tiveram este azar, no nosso grupo a premiada foi a Luana, tadinha. Aproveitamos também para fazer uma deliciosa massagem com uma equatoriana super zen e que deixou a mulherada lesada de tão relaxadas. Enquanto isso, Franco e Julio foram jogar bola na praia e tomar uma cervejinha e o vovô Zezo ficou se divertindo com a Paola.

 

 

 

No dia seguinte tiramos folga da CVC e ficamos na praia onde estávamos hospedados, a praia da Ponta Negra, onde tem o famoso morro do careca. Uma vez este morro era aberto a visitantes, mas por causa do desgaste causado pela mão (melhor os pés e a bunda) do homem agora não é mais permitido a visitação. Curtimos bastante a praia, e conseguimos cocos gelados por R$1,50! Uhu! À tarde o Zezo e a Janja foram ao mercado de artesanato da cidade para fazer umas comprinhas e voltaram animadíssimos com os produtos típicos que lá havia e com ótimos preços. Claro que levaram uma bela rede nordestina bem tradicional com algodão natural e muita castanha de caju. Saímos pra jantar e depois ficamos conversando até cansar! Mais uma vez a família tomando conta do espaço, no hotel já tinha um setor praticamente reservado para os “catarinas”. Inclusive chegamos a pedir tele entrega de Pizza e cerveja no hall do hotel, parecíamos estar em casa.

 

 

 

Outro dia, outro passeio da CVC. Neste, fomos para a Barra do Cunhau, onde teria um passeio de barco ($$$) até uma ilhazinha e depois iríamos para a praia, sendo que demos um “by-pass” no passeio de barco e fomos direto para a praia, que tinha água limpinha e, quando a maré está baixa, formam pequenas piscinas naturais com água quentinha. Nesse dia a Paola curtiu um monte o mar e a areia! Bateu os pezinhos, engoliu água, comeu areia, e eu aproveitei para tirar milhões de fotos. No final do dia o ônibus quebrou no caminho e, por falta de piadas novas, o guia mandou buscar outro, hehehe.

 

 

 

 

 

 

O próximo dia seria outro passeio da CVC, porém já estávamos todos cansados do ônibus, da espera, dos passeios combinados e das mesmas piadas, portanto ficamos na praia da Ponta Negra, de pés pro alto, pegando sol, tomando água de coco. Alugamos umas pranchas pra curtir umas ondas, que estavam ótimas… para iniciantes. O Julio ficou só no jacaré, eu no body board, o Zezo no pranchão e o Franco no surf tradicional. Fiquei impressionada com o desempenho deles, principalmente do paizão, que a prancha até aguentou o peso dele porque ele está magro e esbelto, super gatão. Passamos o resto do dia curtindo artesanato, tirando foto de cangaceiro. No nordeste os artesanatos tem muita cultura de brinquedos tradicionais como biboquê, pião, bola de gude, bonecos de madeira e um montão dessas coisas que nos lembram da infância. A Paolinha curtiu bastante!

 

 

 

 

Ahhhh (suspiro), só posso dizer que foi tudo delicioso, nada como estar próximo à família, sentir o amor, todos estarem saudáveis e felizes.

 

Fortaleza

Fortaleza

 

Praia de Iracema – Foto por Wood

 

O trânsito de Fortaleza é caótico, os guias citam as praias como impróprias para banho, mas mesmo assim vale o passeio. A praia do Futuro é ótima para banho e têm uma estrutura que nunca havíamos visto antes, excelentes restaurantes com cadeiras e mesas à beira mar, cozinhas gigantes para atender a um público enorme e exigente, banheiros grandes, piscinas, chuveirões e massagistas! Imagine uma massagem por uma hora incluindo máscara de argila ou hidratação no cabelo por apenas R$20, e de cenário um mar lindo e esverdeado a sua frente, óbvio que tivemos que aproveitar esta promoção, infelizmente neste dia eu estava com uma baita dor de barriga e o mexe-mexe da massagem teve que ser interrompido para ir correndo ao banheiro, já o Julio relaxou demais e com o mexe-mexe de mãos femininas, mesmo sem querer um órgão indisciplinado se empolgou. A massagista, profissional, deixou uma toalhinha por cima, que situação! Claro que nem tudo são flores, não faltaram vendedores ambulantes, chega uma hora que enche o saco dizer “Não, obrigado”, mas por outro lado, é dureza trabalhar debaixo de todo aquele sol.

 

Os dois irmãos na praia do Futuro!

 

À noite adoramos passear pelos calçadões da praia de Iracema e Meirelles, o ambiente é alegre e trás vida para a cidade. Pessoas caminham, andam de patins, bicicleta, skate, correm, passeiam com seus cachorros, sentam nos banquinhos e jogam conversa fora, batem fotos, fazem ginástica… enfim, é um calçadão muito bem aproveitado. Durante o passeio também se encontram vários restaurantes à beira mar, feiras de artesanato, quiosques com guloseimas e propagandas de shows de comédia, pois o Ceará é o principal estado brasileiro neste departamento!

 

 

Pra quem quiser conhecer um pouquinho mais da cultura deste lindo estado, não pode deixar de conhecer o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, é uma bela estrutura que comporta cinema, museus, galerias, restaurantes, cafés, shows, planetário e possui uma agenda repleta de atrações. Quando visitamos, tivemos a oportunidade de assistir um teatro de Mamulengo, um estilo de fantoche com cultura nordestina. Também contemplamos uma exposição em homenagem ao Luiz Gonzaga e uma apresentação de Cordel cantado.

 

Dragao del Mar Cultural Center – © Christian Knepper/Embratur

 

O passeio com o Ricardo e o João estava delicioso, tivemos dias agradabilíssimos juntos e acredito que eles também curtiram muito. É triste a hora da despedida, mas tivemos que partir.

 

 

 

Hanna no mercado publico

 

 

Jericoacoara

Jericoacoara

Chegando pelas dunas

Assim que chegamos a Jijoca, que é a porta de entrada de Jericoacoara, fomos barrados por diversos guias, pois a região é um parque e não é possível entrar sem o guia, balela, mesmo assim pegamos um guia para garantir, acho que foi bom mesmo, pois não tínhamos a experiência de andar sobre dunas. O passeio foi tranquilo e divertido, é a primeira vez que vemos a bichinha se aventurar em meio às dunas e devo dizer que ela mandou muito bem. Mas o melhor foi chegar à vila de Jericoacoara, UAUUUUUUUU, as ruas são de areia, as pousadas e restaurantes são muito charmosos, uma mistura de rústico com sofisticação. Bom gosto agregado a um paraíso com dunas e praias de águas turquesa. À noite não tem iluminação pública, o que torna o ambiente ainda mais aconchegante, as pousadas e restaurantes usam luminárias estilizadas, algumas penduram luminárias coloridas pelas árvores e é nesse ambiente de penumbra e cores que encontramos deliciosos restaurantes e, por incrível que possa parecer, sem preços explorativos. Vale a pena provar da gastronomia típica do Ceará e da região, mas também se encontra muitos restaurantes de gastronomia internacional, mas como em qualquer local turístico, os restaurante mais badalados são as pizzarias. O comercio é variado, mas o que domina são lojas de grife conhecidas, o que da pra perceber que tem turista por ali de altíssimo poder aquisitivo. Podemos dizer que gostamos das vitrines, foi o mais perto que chegamos das lojas hehehe.

Wood e João na night de Jericoacoara

Existe um roteiro clássico de passeios na região, ao lado da praia tem uma grande duna onde todos se reúnem no fim do dia para apreciar o pôr do sol. Esta época do ano também tem o pôr do sol da pedra furada, a formação geológica que é cartão postal na região, e o sol se põe bem no meio do buraco. Pelas fotos parecia que era tudo maior, mesmo assim valeu o passeio. No roteiro também não pode deixar de faltar o passeio pelas lagoas da região que tem águas cristalinas e azuladas. Conseguimos negociar um guia local que conhece bem os caminhos da região, pois por ali as estradas muitas vezes desaparecem, cobertas pela areia. No primeiro lago é feita a visitação através de uma jangada que atravessa menos de 100 metros e cobra R$2,50 por pessoa, por isso quem tiver disposição pode ir nadando que com certeza chegara antes da jangada, quando chega tem um restaurante que montou na beira do lago vários banquinhos e redes, eita vidinha mais ou menos, depois fomos para a Lagoa Azul que é tão linda quanto e tem mais ou menos a mesma estrutura. Sol, sombra, câmera, cerveja gelada em boa companhia em um lugar paradisíaco, faltou algo? Sorrisos largos e voltamos com aquele ar de satisfação.

E o vento levou…

Redezinha na beira da laguna!! Êeeee coisa boa!

Águas azuis da Laguna…. Azul

Outro passeio que também foi feito é a visita aos cavalos marinhos, um passeio de 5 a 10 minutos que custa R$10 por pessoa para avistá-los à beira do mangue, no barco vão até 10 pessoas. Pense, 10 minutos, 10 pessoas, R$10 por pessoa… são R$10 por minuto. Pra que estudar?

Cavalo marinho do mangue

Passamos pelo mangue seco, cruzamos com o carro através de um canal em uma balsa (+ ou -), conduzida por um bambu, o risco é grande, pois se algo acontece não tem seguro que cubra. Seguimos então para a lagoa do Pinguela, lá os restaurantes costumam mostrar o cardápio ao vivo, trata-se de uma bandeja onde são mostrados os peixes, lagostas e camarões frescos para que você aprove e escolha o que vai comer na hora. A lagoa tinha uma cor leitosa, um pouco diferente dos outros que já havíamos visitado, porém tinham vários esportistas curtindo um kite surfing, especialmente um parecido com o Thor, que ficou se exibindo. A mulherada babava.

Dando um jump!

Wood, João e Hanna na pedra furada

João e Julio na balsa para o mangue seco

Final de tarde na praia de Jericoacoara

Final de tarde em Jeri

Parque das Sete Cidades

Parque das 7 cidades

 

Como é bom estar novamente na companhia da família e dessa vez na estrada juntos. O Parque das Sete Cidades é um passeio realmente incrível. Logo na chegada nos deparamos com um lindo tucano de olhos azuis que estava andando livremente pelo parque, os guias disseram que ele estava em recuperação, ele deixava que chegássemos bem próximos, e para ficarmos ainda mais animados, duas iguanas lindas estavam em uma árvore ao lado do simpático tucano. Para a visitação do parque é necessário ter um guia, o nosso guia era o Moisés. O parque é uma região que tem algumas inscrições rupestres, mas o que realmente chama a atenção é a formação geológica, são rochas com formatos tão diferentes que fazem a imaginação se divertir, você pode ver desde o mapa do Brasil até o da América do Sul, pedras que lembram um tatu gigante, e o que mais a tua imaginação permitir. Pra finalizar o passeio, fomos a um mirante curtir o pôr do sol onde é possível apreciar todo o parque de cima e na volta para deixar o guia e nos deparamos com um jabuti enorme, devia ter uns 40 kg. Saímos dali e fomos para a cidade de Tianguá, já havia comentado sobre as padarias do nordeste com os meninos e nessa noite demos sorte da padaria desta pequena cidade ter de tudo, desde buffet de janta até buffet de lanche colonial com pães, bolos e sanduíches… nos fartamos.

 

Tucano logo na entrada do parque

 

Julio, João e Ricardo numa das muitas cavernas com inscrições

 

Olha como não se deve beber no parque!

 

Julio, Hanna, João e Wood na pedra do tatu.

 

 

Wood, João e Julio na pedra do mapa do Brasil, deixamos de fora o sul

 

Por do sol no Parque das Sete Cidades

 

Hanna e o jabuti

 

 

Teresina

Teresina

Chegamos em Teresina e nos surpreendemos com a estrutura da cidade. Fomos direto ao encontro de Lourdes, nossa anfitriã em Teresina através do CouchSurfing. Ela é uma jornalista dedicada que vive com Leo, estudante de medicina. Nunca convivemos com pessoas que estudassem tanto, era o dia inteiro no trabalho e noite e madrugada estudando. Parabéns pela dedicação. A Lourdes é uma pessoa agradável, inteligente, atualizada, o que tornam as conversas por esse período que tivemos juntos muito boas e por isso o tempo que passamos com ela passava muito rápido. Na primeira noite a mãe do Leo, tabém chamada de Lourdes, estava por lá e preparou uma janta deliciosa para todos.

Na manhã seguinte, a Lourdes preparou um roteiro de passeio bem legal por Teresina, a mãe do Leo também nos acompanhou. Fomos no encontro das águas dos rios Parnaíba e Poti, do outro lado dos rios é o Maranhão, dá pra ver claramente a diferença de coloração dos rios. Próximo dali, visitamos uma rua cheia de lojas e ateliers de artesanato, sendo o foco principal a cerâmica. Além de visitar as lojas, podemos observar os escultores trabalharem nas peças. Rodamos um pouco pela cidade, ficamos impressionados com a estrutura da cidade como um todo. O trânsito é tranquilo, a cidade é arborizada, limpa e organizada, não se vê pobreza nem violência.

O encontro dos rios com dona Lurdes, Lourdes e Julio

Artesão trabalhando

Artesões trabalhando

Fomos também à torre da ponte, de onde se vê toda a cidade de cima. A mãe do Leo ficou bem quietinha e logo depois percebemos que ela morria de medo de altura! Mas se segurou firme e forte! A vista de lá é muito bonita e a mata ciliar do rio que corta a cidade é bem preservada.

Vista da ponte #1

Vista da ponte #2

julioehanna.com na ponte de Teresina

Saímos à noite para curtirmos um barzinho de rock com Lourdes, o que era para ser uma saída tradicional se tornou algo bem diferente para nós! É difícil encontrar um ambiente noturno de rock com pessoas bebendo moderadamente e quase sem fumantes. Parecia um ambiente quase que familiar. Outra coisa que nos surpreende foi que estava quente e mesmo assim boa parte das pessoas usava calça jeans, inclusive as mulheres. Foi uma noite bem agradável e que curtimos muito.

A nossa anfitriã nos convidou para um almoço na casa de sua família, que fica um pouco distante do centro da cidade. Foi a primeira vez que conseguimos tirar o Leo de casa, pois ele não largava dos livros. A casa onde Lourdes viveu é realmente um encanto. É um sítio, com terreno enorme e diversas árvores frutíferas. Experimentamos vários tipos de coquinhos que nem lembramos os nomes todos para citá-los. Aquele tipo de casa familiar que sempre cabe mais um intruso, mas nesse caso acho que tinha pelo menos uns 5. Fomos muito bem recebidos e melhor ainda, muito bem alimentados em panelas grandes com comida feita no fogão à lenha! E ainda, para completar o passeio, próximo dali, fomos todos tomar um delicioso banho de rio.

A Hanna só de bituca na comida!

A família da Lourdes e o Leo ali no cantinho

No último dia teríamos o prazer de mais uma visita familiar, o Ricardo, irmão do Julio e nosso grande amigo João. Fomos buscá-los no aeroporto, então saímos todos juntos (menos o Leo que ficou nos livros) ao Dogão, um restaurante de fast-food com variações nordestinas para o que a gente já conhece, porém com uns molhinhos muito especiais.

No dia seguinte, nos despedimos de Lourdes e Leo, e seguimos com os rapazes para o Parque das Sete Cidades.

Serra da Capivara

Serra da Capivara

 

 

Já estávamos surpresos com o Piauí, que apesar da fama dado pelos guias de turismo que citam como sendo o estado mais pobre do Brasil, se mostrou um estado bonito e bem estruturado. Cruzamos o estado e não vimos nada que pudesse retratar extrema pobreza e ficamos felizes por passar por diversas cidades com uma população muito trabalhadora. No caminho paramos para conhecer a cachaçaria Lira, sua produção é feita em um lindo sítio com várias árvores frutíferas. O processo na elaboração da cachaça é um exemplo de sustentabilidade. A água que move o moinho é bombeada por um sistema de pressão feito com uma garrafa pet. Um exemplo de que com atitudes inteligentes se pode aproveitar bem os recursos sem necessitar agredir fortemente o meio ambiente, mas o melhor de tudo é o sabor da cachaça, que recomendamos.

 

 

O passeio pelo parque da Serra tem que ser feito com guia e o valor é de R$70 pelo dia, por isso vale a pena acordar cedo e aproveitar bem enquanto é claro, pois tem muita coisa pra conhecer. O parque é incrível, esta época do ano as árvores começam a secar e vira um festival de cores de folhas marrons, avermelhadas, amareladas, esbranquiçadas, que dão um charme todo especial em meio às grutas, cânions e montanhas da serra.

 

 

 

Conhecemos os principais sítios arqueológicos, que são mais de 700, que contém inscrições rupestres de mais de 8 mil anos que deixam mensagens intrigantes e fazem a imaginação fantasiar milhões de hipóteses. São desenhos geométricos, cenas de sexo, parto, caça, rituais e até cena de beijo, muito romântico.

 

 

 

 

 

 

A estrutura do parque é excelente, acho que um dos parques mais legais que já visitamos. O parque tem muitos mocós, um tipo de roedor que se alimenta de casca de árvores e estão por todos os lados, uma gracinha de ver, seu xixi é oleoso, deixando rastros visíveis por onde passam. Eles costumam ficar imóveis quando passamos para parecerem camuflados. Suas fezes parecem uma resina e são muito educados, costumam acumular tudo em um “banheiro”, quando secam, ficam sólidas e duras, parece a semente de uma árvore, então se ver uma dessas sementes escuras, lembre-se que pode ser cocô de mocó, não é pra comer!

 

 

É possível ver diversos tipos de pássaros, cobras, sapos, aranhas e por sorte pudemos apreciar todos esses animais. Se tiver muita sorte talvez aviste uma onça, coisa que quem trabalha sozinho na manutenção do parque tem receio, pois ali é o habitat que varias onças e pumas, por isso ninguém dispensa um facão na mão para se garantir.

 

 

 

 

Existem várias trilhas para se apreciar o visual do parque, vale uma parada na pedra furada para apreciar mais uma escultura do senhor vento.

 

 

O parque também tem diversos macacos onde pesquisadores avaliam o comportamento social, por conviverem diariamente com observadores eles nem se importam com nossa presença.

 

 

 

Não deixe de olhar para os paredões da Serra e apreciar árvores no topo que tem suas raízes que descem até alcançar o chão, é a gameleira.

 

 

Estivemos também em uma caverna que foram encontrados fósseis de dinossauros, mas o divertido mesmo é procurar por aranhas, que mais parecem algum crustáceo esquisito, nas paredes. Elas ficam gigantes, com perninhas bem fininhas e compridas e possuem antenas enormes.

 

 

Outra parada pra se fazer na região é o Museu do Homem Americano, que possui um resumo explicativo do processo arqueológico e um pouco do que foi encontrado. Próximo dali tem o laboratório onde são identificados, estudados e catalogados todos os fósseis e artefatos arqueológicos encontrados no parque.

Parnaíba

Parnaíba

E no caminho para chegar lá:

 

 

 

Nos surpreendemos com a estrutura da cidade, ruas largas, avenida bem estruturada com diversos quiosques, uma cidade tranquila e com um centro colonial muito bonito com diversas casas coloridas, com muito artesanato e barzinhos que ficam bem animados com som ao vivo no fim do dia. À noite a cidade tem vida, as pessoas vão aos barzinhos, passeiam pelo calçadão e curtem a cidade.

 

 

 

 

O centro tem um mercado público de frutas e verduras muito bem estruturado, carnes frescas inclusive patos, porcos e frangos vivos prontos para o abate. Mas a surpresa mesmo veio durante a noite quando passamos pelo mercado, os vendedores haviam ido embora, mas deixavam todos os produtos ali no mercado que era aberto, seguros de que tudo estaria em ordem no outro dia, não esperávamos encontrar isso pelo Brasil, que bom saber que ainda existe. Melancias expostas nas calçadas esperando sozinha para serem vendidas no outro dia sem medo de serem raptadas por algum mal intencionado.

 

 

 

 

Outro lugar que também nos deixou surpresos foi a praia de Luis Correia com um mar cor turquesa, água quentinha, larga extensão de areia e boa estrutura para banhistas, estacionamento, calçadão com bares e diversos banheiros públicos com chuveirões, coisa que nós em Florianópolis desconhecemos, esse tipo de estrutura não existe em nenhuma praia de nossa ilha.

 

 

Na volta de Luis Correia tem um laguinho bem gostoso pra tomar um banho e curtir uma refeição.

 

 

No centro de Parnaíba encontramos um grupo de paulistas que também estão se aventurando de carro, eles estarão viajando por um ano e vão fazer a rota do Ushuaia até o Alaska, quem tiver interesse em conhecer um pouco desses aventureiros segue o site: http://www.4×1.com.br é muito bom encontrar, mesmo que por pouco tempo, pessoas com a mesma filosofia de vida.

Outra praia para se apreciar na região é a Praia do Sal, uma estrutura rústica, com alguns barzinhos. O farol divide a praia, de um lado o mar é tranquilo e vários barcos descem e sobem com a baixa e cheia da maré. Do outro lado praia com ondas, uma faixa de areia muito boa para caminhada, mas um detalhe bem diferente, apesar de não haver casas pela costa, existem diversos geradores de energia eólica.

 

 

 

 

Mas o passeio que realmente atraí os turistas é o Delta do Parnaíba, um passeio de barco que percorre todo o delta, mas que tem um preço um pouco salgado, por isso resolvemos conhecer fazer o passeio através de um plano alternativo e muito eficaz. Pegar o barco que a população local utiliza como transporte e conhecer uma das vilas de alguma ilha da região. Segundo os barqueiros, existiam vários barcos que vão e voltam da vila diariamente. Lá fomos nós a 15 km por hora, junto com os moradores do vilarejo, apreciando a paisagem do mangue, trocando sorrisos, vendo crianças durante a viagem caírem no sono no colo de suas mães, barcos de pesca em busca de seu ganha pão, e turistas passando em lanchas velozes que custam um fortuna. Infelizmente, quando chegamos, o barqueiro informou que não haveria mais barcos para retornar naquele dia, ficamos chateados, pois a informação quando pegamos o barco era bem diferente. Gentilmente, uma senhora que vivia na ilha ofereceu para ficarmos na sua casa caso não conseguíssemos barco, às vezes um “não” acontece para mostrar a humanidade que existe nas pessoas. E o desespero de ficar sem barco também nos proporcionou mais uma surpresa, foi pedindo informação para uma família de franceses que conhecemos pessoas super queridas e acabamos almoçando juntos e trocando um pouco de conhecimento. Por fim tudo terminou bem, conseguimos o barco para voltar, tivemos um dia agradável e ainda na saída a água do mar invadiu o mangue e, de doce de leite, ficou azulada tornando a paisagem ainda mais exuberante.

 

 

Barreirinhas

Barreirinhas

 

Pôr do sol nos Lençóis Maranhenses

 

Já que não foi possível conhecer a ilha de Lençóis resolvemos ir em direção a Barreirinhas, cidade que abriga uma das melhores maravilhas do Brasil, os Lençóis Maranhenses. Todos nos informaram que o acesso era realmente bem inapropriado para ir com carro próprio, aderimos então à versão turística com passeio de agências. Pela manhã fomos a um rio descer de bóia por aproximadamente uma hora, passeio tranquilíssimo, rio super calmo, água quentinha, mas não havia necessidade de ser feito pela agência, o caminho estava bom e a bóia era dispensável, mas já que fomos, curtimos. Pela tarde fomos aos lençóis, o caminho desta vez compensou ser feito pela agência dos Érics, administrada por seis irmãos, todos com nome de Éric, inclusive tinha até um Eric Clapton no meio. O caminho era de areia e realmente próprio para quem tem experiência no assunto, mesmo eles que estão acostumados dizem que diariamente alguém atola. Foi melhor não arriscarmos. Essa época do ano o nível da água nos lençóis estava bem baixo e algumas lagoas estavam completamente secas, mas ainda assim foi possível curtir nas pequenas lagoas em meio às dunas. Água quentinha e cristalina, as dunas eram bem fáceis de caminhar, pois eram bem compactas, isso nos deixou muito feliz, pois já tivemos experiências em dunas que parecíamos que íamos ter um ataque cardíaco. O visual da região é realmente incrível, pena os passeios de avião serem tão caros, mas quem foi, recomenda, porém para nós, sem condições de encarar, infelizmente esse tipo de turismo no Brasil é totalmente inacessível aos viajantes econômicos. Lá conhecemos um casal bem legal de Salvador e já aproveitamos várias dicas da cidade enquanto curtíamos o lindo pôr do sol nas dunas. Um paraíso tropical maravilhoso que dá aquela sensação de estarmos sonhando acordados, mas essa é a nossa realidade, ooooooo vida boa!

 

Hanna apresentando a laguna dos peixes

 

De Barreirinhas seguimos em direção a Parnaíba pelo interior, a estrada foi uma aventura deliciosa, estrada de terra barro e às vezes de areia, cruzava por pequenas comunidades perdidas no tempo, o engraçado é que mesmo muito simples, às vezes passávamos por casebres de palha e víamos diversas caixas de som enormes, as festas ali devem ecoar pra toda a vila. Passamos também por algumas vilas indígenas, com muitas crianças, todas peladinhas brincando pela rua, subindo em árvores e rindo à toa. De vez em quando o GPS, que está desatualizado, nos mandava por caminhos que não existiam mais, o que também se tornou bem divertido, pois íamos parar em lugares únicos, com laguinhos de água cristalina com uma vegetação exuberante, dava vontade de ficar por ali, mas não estávamos preparados com recursos suficientes para isso. Ficarão apenas a lembrança de um caminho de muitas belezas.

 

A nossa carona

 

 

 

 

São Luís

São Luís

 

Cai cai balão! É festa junina!

 

Para cortar caminho, resolvemos pegar a balsa para São Luís, isso nos economizou uns 350 km. Por sorte, a balsa estava bem animada com um grupo de dançarinos de Cururupu que iam fazer apresentações na capital e estavam com todo o pique, tocando, dançando e cantando. Já deu pra sentir uma prévia do que estaria por vir. Foi muita sorte chegar a São Luís bem nessa época quando se comemora uma das festas juninas mais bonitas do Brasil. Ao chegar à cidade, fomos em busca de camping, havíamos mandado vários pedidos de couchsurfing, porém ninguém estava disponível devido à época de festas. Pela dificuldade que tivemos para encontrar um camping, resolvemos ligar para um contato do couch pedindo auxílio. Foi aí que Gabriela, mesmo estando ocupada, nos recebeu em sua casa. Apesar da aparência de menina, que parece uma bonequinha, tem uma personalidade forte, a qual apreciamos muito, além de querida, divertida, batalhadora e super atenciosa. Conhecemos então um paraíso perdido na capital maranhense. Ela vive com a família em um sítio, acompanhada de uma matilha! Nos sentimos parte da família nesses dias que vivemos juntos. Sua mãe, Gladys, que mais parece sua irmã, diariamente nos preparava um delicioso café da manhã com cuscuz, do qual fiquei viciada. Lá vive também Juninho, Gabriele e Graziela, além dos sete cachorros: Escuridão (dobermann), Valente (rottwailer), Urso e Ursula (Akita), Menino e Menina (Labrador) e Pitbundinha (Pitt Bull). Será que falta segurança nesse sítio? Alguém se arrisca a entrar sem ser convidado? Conhecemos também o Albert, namorado de Gabriela, baterista da banda Ária. Não dava vontade de ir embora. No dia que estávamos de partida ajudamos a Gabriela a levar os cães no veterinário, como levamos a metade do dia para fazer isso, já tínhamos uma desculpa para fiarmos um dia a mais, hehe. A família toda é muito acolhedora, inteligente, agradável, amorosa e divertida. Agora se entende porque as pessoas do couch que a Gabriela hospeda sempre ficam um tempão.

 

Gabriele, Alex, Grazi, Gabi, Gladys, Albert e Julio na praia do Raposo

 

Na primeira noite, Albert e Gabriela nos levaram ao centro da cidade para participar da festa de São João. São tantas apresentações, tanta cor, músicas folclóricas, danças, vestimentas, alegria, comidas típicas, que ficamos em êxtase. Com o tempo fomos assimilando um pouco de cada grupo e seus diferentes ritmos, lá chamados de sotaque. Tem grupos mais tradicionais que seguem o enredo conhecido no Brasil inteiro, sobre o boi, mas existem diversos grupos que narram a história de forma simplificada através de diversos sotaques diferentes. Cada sotaque tem características próprias que se manifestam nas roupas, na escolha dos instrumentos, no tipo de cadência da música e nas coreografias. A mais divertida, e que chama a platéia para um tipo de transe é o sotaque de matraca, na qual todos que quiserem batem dois pedaços de pau (matraca) no ritmo da dança.

 

Festa Juninia – São Luís

 

Abusado!

 

Abusada!

 

Tivemos noites espetaculares, não imaginávamos o tamanho da devoção e dedicação deste povo para uma festa folclórica. Foi uma aula de alegria, dança, cultura, e por ai vai. Por isso resolvemos passar todas as noites curtindo um pouco desta festa fabulosa que se espalha por toda a cidade, foram quatro noites de pura alegria.

 

Pegação!

 

Boi da cara preta

 

Só na sacanagem

 

Saímos para conhecer o centro histórico, que de noite fica bem iluminado e estava cheio de bandeirinhas de festa junina. Grande parte do centro possuí os casarões coloniais bem conservados muitos, com o passar dos anos, tiveram sua fachada revestida com azulejos para melhor conservação. Estes azulejos possuem lindos desenhos e hoje se tornaram o símbolo da cidade. Durante o dia estão abertos alguns museus da cultura local e galerias de arte e artesanato que valem a visita.

 

Bandeirinhas no centro

 

Mercado no centro

 

A parte nobre e também turística da cidade possui lindas avenidas à beira mar, repletas de bares, restaurantes, lagunas e praias lindas com longa extensão de areia com campos de futebol e… IMPRÓPRIAS para banho. Fora da área nobre, a cidade é um queijo suíço, nunca vimos tantos buracos em uma cidade só, inclusive chegamos a ver um carro semi-tragado por um buracão. Prova de que coronelismo não ajuda em nada, não é família Sarney!?!

 

Praia de Calhau

 

Tivemos também a oportunidade de fazer um passeio com toda a família na praia da Raposa e almoçar junto um peixinho fresquinho com camarões. Para nós essa união familiar nos trás muito aconchego. A cidade de São Luís é muito linda para se visitar, mas o que realmente nos faz ter vontade de voltar é rever a Gabí e sua família. Desejamos-lhes toda a felicidade e booooraaaa visitar a gente lá em Floripa!

 

Julio e escuridão