São Luís

São Luís

 

Cai cai balão! É festa junina!

 

Para cortar caminho, resolvemos pegar a balsa para São Luís, isso nos economizou uns 350 km. Por sorte, a balsa estava bem animada com um grupo de dançarinos de Cururupu que iam fazer apresentações na capital e estavam com todo o pique, tocando, dançando e cantando. Já deu pra sentir uma prévia do que estaria por vir. Foi muita sorte chegar a São Luís bem nessa época quando se comemora uma das festas juninas mais bonitas do Brasil. Ao chegar à cidade, fomos em busca de camping, havíamos mandado vários pedidos de couchsurfing, porém ninguém estava disponível devido à época de festas. Pela dificuldade que tivemos para encontrar um camping, resolvemos ligar para um contato do couch pedindo auxílio. Foi aí que Gabriela, mesmo estando ocupada, nos recebeu em sua casa. Apesar da aparência de menina, que parece uma bonequinha, tem uma personalidade forte, a qual apreciamos muito, além de querida, divertida, batalhadora e super atenciosa. Conhecemos então um paraíso perdido na capital maranhense. Ela vive com a família em um sítio, acompanhada de uma matilha! Nos sentimos parte da família nesses dias que vivemos juntos. Sua mãe, Gladys, que mais parece sua irmã, diariamente nos preparava um delicioso café da manhã com cuscuz, do qual fiquei viciada. Lá vive também Juninho, Gabriele e Graziela, além dos sete cachorros: Escuridão (dobermann), Valente (rottwailer), Urso e Ursula (Akita), Menino e Menina (Labrador) e Pitbundinha (Pitt Bull). Será que falta segurança nesse sítio? Alguém se arrisca a entrar sem ser convidado? Conhecemos também o Albert, namorado de Gabriela, baterista da banda Ária. Não dava vontade de ir embora. No dia que estávamos de partida ajudamos a Gabriela a levar os cães no veterinário, como levamos a metade do dia para fazer isso, já tínhamos uma desculpa para fiarmos um dia a mais, hehe. A família toda é muito acolhedora, inteligente, agradável, amorosa e divertida. Agora se entende porque as pessoas do couch que a Gabriela hospeda sempre ficam um tempão.

 

Gabriele, Alex, Grazi, Gabi, Gladys, Albert e Julio na praia do Raposo

 

Na primeira noite, Albert e Gabriela nos levaram ao centro da cidade para participar da festa de São João. São tantas apresentações, tanta cor, músicas folclóricas, danças, vestimentas, alegria, comidas típicas, que ficamos em êxtase. Com o tempo fomos assimilando um pouco de cada grupo e seus diferentes ritmos, lá chamados de sotaque. Tem grupos mais tradicionais que seguem o enredo conhecido no Brasil inteiro, sobre o boi, mas existem diversos grupos que narram a história de forma simplificada através de diversos sotaques diferentes. Cada sotaque tem características próprias que se manifestam nas roupas, na escolha dos instrumentos, no tipo de cadência da música e nas coreografias. A mais divertida, e que chama a platéia para um tipo de transe é o sotaque de matraca, na qual todos que quiserem batem dois pedaços de pau (matraca) no ritmo da dança.

 

Festa Juninia – São Luís

 

Abusado!

 

Abusada!

 

Tivemos noites espetaculares, não imaginávamos o tamanho da devoção e dedicação deste povo para uma festa folclórica. Foi uma aula de alegria, dança, cultura, e por ai vai. Por isso resolvemos passar todas as noites curtindo um pouco desta festa fabulosa que se espalha por toda a cidade, foram quatro noites de pura alegria.

 

Pegação!

 

Boi da cara preta

 

Só na sacanagem

 

Saímos para conhecer o centro histórico, que de noite fica bem iluminado e estava cheio de bandeirinhas de festa junina. Grande parte do centro possuí os casarões coloniais bem conservados muitos, com o passar dos anos, tiveram sua fachada revestida com azulejos para melhor conservação. Estes azulejos possuem lindos desenhos e hoje se tornaram o símbolo da cidade. Durante o dia estão abertos alguns museus da cultura local e galerias de arte e artesanato que valem a visita.

 

Bandeirinhas no centro

 

Mercado no centro

 

A parte nobre e também turística da cidade possui lindas avenidas à beira mar, repletas de bares, restaurantes, lagunas e praias lindas com longa extensão de areia com campos de futebol e… IMPRÓPRIAS para banho. Fora da área nobre, a cidade é um queijo suíço, nunca vimos tantos buracos em uma cidade só, inclusive chegamos a ver um carro semi-tragado por um buracão. Prova de que coronelismo não ajuda em nada, não é família Sarney!?!

 

Praia de Calhau

 

Tivemos também a oportunidade de fazer um passeio com toda a família na praia da Raposa e almoçar junto um peixinho fresquinho com camarões. Para nós essa união familiar nos trás muito aconchego. A cidade de São Luís é muito linda para se visitar, mas o que realmente nos faz ter vontade de voltar é rever a Gabí e sua família. Desejamos-lhes toda a felicidade e booooraaaa visitar a gente lá em Floripa!

 

Julio e escuridão

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Apicum Açu

Apicum Açu – Reentrâncias Maranhenses

 

Em busca de uma das regiões mais úmidas do mundo, seguimos em direção das reentrâncias maranhenses. Estas, formadas por extensas áreas de mangue com diversas aves aquáticas, sendo que possui um grande número de Guarás Vermelhos, ainda abriga tartarugas, peixes bois e crustáceos. Segundo os guias, o ponto para se conhecer esta região é a cidade de Cururupu, porém ao chegarmos lá, descobrimos que o ideal era ir até Apicum Açu, pois a estrada estava “ótima”. Quando consideramos um asfalto de má qualidade, brincamos que é um asfalto de “dois dedinhos”, foi quando então retiramos um pedaço do asfalto com a mão com facilidade e adivinhem… a espessura era de “um dedinho”. Asfalto novo, cheio de buracos, mais buracos mesmo, daqueles de engolir um carro. O Maranhão teve a pior estrada da viagem. Mais uma prova de que coronelismo não dá certo.

No caminho passamos por Bacuri, uma cidadezinha simpática onde descobrimos uma lanchonete deliciosa. Comemos várias coxinhas e tomamos o famoso guaraná Jesus, tão doce que parece chiclete de tuti-fruti e também provamos o suco de Bacuri, delicioso.  Quando chegamos em Apicum-Açu, fomos atrás do barqueiro responsável por fazer os passeios na região, ele não estava por lá e teríamos que aguardar o próximo dia para contactar-lo. O passeio que nos aconselharam a fazer era até a ilha de Lençóis, uma ilha de dunas com lagoas, muito parecida com a região dos lençóis maranhenses. A cidade era um pouco assustadora, as casas próximas ao porto ficavam em meio ao mangue, onde as pessoas jogavam o lixo pela janela e existiam banheiros igual à cena do filme “Quem quer ser um milionário”, lembra aquela parte que ele cai na merda? Igualzinho. Foi ai que decidimos tomar um banho… mas não ali, hehe, fomos na estação de combustível e resolvemos acampar no terreno da delegacia da cidade.

 

Essa é a paisagem do caminho!!

 

No dia seguinte encontramos um casal que também queria fazer o passeio e fomos em busca do barqueiro, ele nos informou que naquele dia não haveria saída e o custo do frete seria de R$500,00. Sem condições de pagar este valor optamos por um passeio alternativo, decidimos ir até a ilha da baleia com outra embarcação para passar o dia, foi aí que conhecemos um grupo de pescadores divertidíssimos, no caminho avistamos diversos guarás vermelhos e apreciamos o manguezal.

 

Guarás vermelhos fazendo um soninho depois do almoço

 

 

Pra pescar é fácil, quero ver fazer um churrasco!

 

Os barcos vão até essa ilha para aguardar a baixa e cheia da maré e aproveitam para fazer o almoço. Lá existe uma pequena vila com casas de palha em palafitas, uma comunidade muito pobre que vive da pesca de peixes e camarões.  Não existe nenhum comércio, bar ou restaurante. Os barcos ficam ali esperando a maré baixar até que a água desaparece por completo o mar vira terra, milhares de caranguejos emergem e guarás vermelhos aparecem um busca de comida. Os pescadores nos prepararam um delicioso peixe, mas eles comeram frango, foi durante o almoço que vimos eles agradecerem a Deus pela comida e pedir que suas famílias também tivesse em casa a mesma fartura. Ao redor dos barcos ficam uma dúzia de cachorros magros e famintos em busca de migalhas que todos os barcos fazem questão de deixar pra eles. Brincamos com o cozinheiro que logo apelidamos de Maria, enquanto a maré não sobe, eles aproveitam para organizar as redes, limpar o casco dos barcos e jogar muita conversa fora. Para voltar pegamos um outro barco e ao tentar pagar pela viagem e o almoço, descobrimos mais uma vez que existem pessoas realmente boas nesse mundo, eles não aceitaram e com muita insistência conseguimos deixar um troco para que eles pudessem pagar a cachaça da festa junina. É surpreendente ver pessoas que tem muito pouco compartilharem o que tem. Esses são ensinamentos que não se aprende na escola!

 

 

Os cachorros esperando a comidinha

 

A galera do barco! O dono do barco, Deco, a Maria (Claudio), o Joelinton e o Carlos.

 

Os pássaros apreciando a maré baixa e comendo até explodirem

Mosqueiros e Salinópolis

Ilha de Mosqueiros e Salinópolis

Saímos de Belém em direção a Salinópolis, mas antes resolvemos fazer uma parada em Mosqueiros para conhecer um pouco de praia de rio. Após muita procura conseguimos um local para acampar, um camping que custava um pouco caro pela estrutura que oferecia, depois de muita negociação conseguimos baixar o preço e resolvemos ficar por ali mesmo. Saímos para conhecer as praias e quando voltamos a dona do camping nos informa que teria uma cabana que poderíamos ficar pelo mesmo preço, falamos que não era necessário, mas ela insistiu. A “cabana” era infestada de teias de aranha, muitos mosquitos e formigas, coisa que não nos preocupamos em nossa barraca, sem contar que durante a noite ratos apareciam andando sobre os estrados do telhado. À noite sentimos algumas picadas que não sabíamos se eram mosquitos ou percevejos, mas estas são pequenas dificuldades que enfrentamos perto da gentileza de pessoas muito simples e amáveis.

 

Uma das praias de Mosqueiros

 

As praias não são lá muito atraentes, a água era salobra cor de doce de leite, mas possuem uma bela estrutura de calçadões com diversos barzinhos e os casarões coloniais antigos estilo holandês dão um charme todo especial a região.

 

Casarão holandes

 

Lá curtimos pela primeira vez uma festa junina, bem pequena, mas bem animada, o interessante foi a comida típica da festa, os pratos mais servidos eram, além da clássica canjica, lasanhas e arroz com frango e para animar a festa, três cervejas por R$ 5,00. Na região se encontra muitos caranguejos e camarões secos alem de carne seca que eles sabem preparar muito bem.

 

Olha quem tá pegando carona! Próxima parada, panela! OOOPs

 

Hmmmmmmmmmm camarão seco!

 

Seguimos para Salinópolis em busca de camping, chegando lá rodamos por toda praia e nada de camping foi quando, de repente, ao parar para pedir informação sobre locais para acampar conhecemos Edson que nos convidou a ficar em sua casa e aproveitar para curtir uma prainha. Foi ai que conhecemos sua esposa Socorro, seu irmão Renato e a esposa Dena, sua sobrinha Glaucia e seu marido Leonel. Que família maravilhosa que nos recebeu de braços abertos. Fomos com eles à praia do farol velho, linda e com água super quentinha, uma delícia, ficamos ali conversando com aquelas pessoas divertidas e com uma história de vida muito desafiadora. Edson e seu irmão cuidam muito da saúde, pois eles têm problemas renais sérios, um já fez transplante e o outro ainda está direto na hemodiálise, depois fomos descobrir que ali na região casos como esse é mais comum do que se imagina. Conviver um pouco com essa família alegre foi uma lição de vida. Há pouco tempo Socorro e Edson tiveram um grande susto, seu filho sofreu um assalto no qual levou vários tiros sendo que um pegou em cheio na cabeça, que o deixou hospitalizado entre a vida e a morte e ainda acordou sem se recordar de nada, com o tempo foi mellhorando, hoje está a quase 100%, mas foi uma luta muito grande pra eles. Infelizmente histórias como essa não são raras de se ouvir no Brasil. Pela alegria e união que a família vive fica difícil de imaginar que passaram por tantos desafios. Eles nos ofereceram um delicioso café com tapioca, tivemos oportunidade de ficar pouco tempo juntos, mas esperamos poder recebê-los em Florianópolis e compartilhar mais momentos agradáveis como esse.

 

Todos juntos na casa de Edson

 

Eles nos indicaram alguns lugares para ir, pela manhã fomos experimentar o delicioso café da manhã no mercado central de Salinópolis com tapioca e cuscuz com leite de coco. Depois fomos à praia do Maçarico, onde fizemos uma gostosa caminhada em meio a uma grande faixa de areia e pequenas piscinas naturais devido à baixa da maré. Adoramos esta paisagem deserta, pois as únicas pessoas que haviam por lá era um casal que avistamos de longe que deixaram uma barra de sabão de coco e uma garrafa vazia de cachaça. O que eles faziam? Valendo um prêmio para a resposta mais criativa! O ganhador receberá a metade que sobrou do sabão!

 

Praia do Maçarico, Salinópolis – Pará

 

Praia do Maçarico

 

A praia do Atalaia é famosa por ter uma extensa faixa de areia, onde é possível passar de carro por diversos quilômetros. Para os desatentos, cuidado! Não é incomum carros serem levados pela maré, pois ela sobe rapidamente… rapidamente mesmo! Se ficar tomando caipirinha e se esquecer, katiploft… e lá se vai o carro. Lá tem vários restaurantes, no estilo palafitas. Nós não achamos atraente praia com automóveis, o que é comum ali.

 

Praia do Atalaia

 

Para quem gosta de sossego, uma praia legal e muito mais tranquila é a praia do farol velho. Lá, ninguém vai encontrar o tal farol, pelo menos não inteiro! A estrutura enorme de pedra foi arrastada pela maré, e só restaram ruínas.

 

Praia do Farol Velho

 

Adoramos ter curtido a região e foi o nosso primeiro torrão pelo litoral brasileiro.

Belém

Belém, 13 a 16 de junho de 2012

 

Resolvemos ir a Belém de avião, que leva em torno de 3 horas, porém existem barcos que fazem esse transporte, que levam em torno de 7 a 10 dias e que custam o mesmo valor da passagem aérea. Este, porém, é um passeio para pessoas tranquilas, caseiras, que conseguem ficar dias em um espaço limitado, a idéia deste passeio me dava calafrios, não consigo ficar um dia inteiro dentro de casa, imagina 10 dentro de um barco, eu acho que ia me jogar com as piranhas. Despachamos nosso carro por uma transportadora em direção a Belém. Existem muitas empresas que fazem esse transporte, porém existem muitas pessoas que vão te alertar com relação a esse transporte, não são raras as histórias de carros que nunca chegam, ou então são mexidos no meio do caminho, tem seus estepes roubados, estão arranhados, mechem na sua bagagem, ouvimos historias até de balsas que encalharam e para salvar a balsa derrubaram todos os carros no rio, está pior que história de pescador. Depois de muita procura encontramos uma transportadora séria, que coloca o carro em uma cegonheira, tem seguro, site, nota fiscal e só cobra quando você recebe o carro, e o mais importante, cobrou o mesmo valor que transportadoras um tanto quanto suspeitas. Para quem tiver interesse de fazer essa travessia indicamos a transportadora Goiás, a viagem leva em torno de sete dias e eles realmente são muito profissionais.

A cidade de Belém tem seu charme e problemas como outras cidades do Brasil, cheiro de esgoto e muito, muito lixo. E não é por falta de coleta, é o povo que não tem consciência mesmo.

Desfocando dos defeitos, sua culinária tradicional é incrível, não deixe de provar o pato no tucupi, um caldo feito com a raiz da mandioca brava, que dá uma certa dormência na língua e é saborosíssimo, também fazem frango no tucupi, peixe no tucupi, porco no tucupi e até tucupi com camarões secos (Tacaca), mas o pato é o prato imperdível. Outra comida clássica da cidade é a maniçoba, é preparado com a folha da macaxeira, cozido por vários dias, alguns lugares por ate 10 dias, acredita? Esse preparo tem que ser muito cauteloso, pois se não está devidamente cozido, torna-se um prato tóxico. São acrescentados a este prato diversas carnes e temperos como se faz na feijoada. A aparência é de bosta de cavalo, bem verdinha, molinha e quentinha, mas não se engane, o sabor é delicioso. Hoje vejo uma bosta de cavalo e penso na maniçoba. Sabe quando você prova algo que você nunca mais encontra e ninguém sabe o que é? Foi em Belém que experimentei pupunha, um tipo de um coquinho que se cozinha e parece uma batatinha com sabor de milho, uma delicia que quero ter a oportunidade de encontrar novamente, alguém conhece?

Pato no tucupi! Uma das iguarias do norte.

O centro, conhecido como cidade velha, tem vários edifícios históricos com azulejos de estilo português e está dominada por mangueiras que em época de frutos aterrorizam os carros e pedestres, mas são elas que dão as agradáveis sombras nas praças e avenidas da cidade, se não cair uma manga na sua cabeça você terá a sorte de provar essas deliciosas frutas direto do pé e bem docinhas, nada como um lanchinho de graça. Importante ter em mãos um guarda chuva, pois a chuva é diária, dizem que existe em Belém a estação de chuva e a estação de mais chuva. O bom é que nos dias que estivemos por lá a chuva era pontual, as 16:00 ela começava, então tínhamos até esse horário para curtir tranquilos. O bom da chuva é que dá uma refrescada na cidade que é muito quente. Vale uma vista na casa das onze janelas, um casarão de um rico senhor de engenho construiu no século XVIII e hoje pertence ao governo do estado, foi revitalizado para receber eventos culturais e exposições, tem também um restaurante elitizado que obvio não fomos. Próximo dali tem um barco da Marinha Brasileira que está desativado e é um museu para visitação. Tem também o Forte do Castelo que abriga um museu que conta a historia de Belém e da colonização portuguesa.

 

Hanna pronta para explodir mais uma civilização

 

Julio no forte

 

Um dos passeios que mais gostamos foi o Museu Paraense Emilio Goeldi, um parque agradável com varias trilhas em meio a natureza, laguinhos com vitórias regias, árvores enormes e zoo bem cuidado.

 

Talalugas no parque Emilio Goeldi

 

Vitória régia no parque Emilio Goeldi

 

A rainha das plantas!

 

Encontramos Yggdrasil, no meio de Belém!

 

Um passeio delicioso pela cidade é a estação as docas, uma área portuária que foi revitalizada e transformada em pólo gastronômico e cultural. Os preços são caros, mas vale uma visita, é um ótimo local para curtir o entardecer. Lá tem varias lojinhas de artesanato local, cosméticos e chocolates típicos da Amazônia e também a cervejaria Amazon Beer, produzida no próprio bar dentro das docas, barris gigantes de dar brilho nos olhos de quem gosta.

 

Hanna na frente das docas em Belém do Pará

 

Choppzinho, alguém tá afim?

 

Adoramos mercados públicos, sentir o cheiro da diversidade e experimentar frutos diferentes. Eu sou uma pessoa que adoro até o cheiro de peixe fresco, me divirto limpando, brincando com as entranhas, verificando os dentinhos, as guelras, enfim estávamos ansiosos para conhecer o mercado ver-o-peso, um dos mercados mais famosos do Brasil. Infelizmente o mercado fede muito pela grande quantidade de lixos orgânicos e peixes podres, nós não fomos nem o primeiro nem o último turista que não conseguiu ficar por lá apreciando por causa do mau cheiro. Muitos dos turistas que conversamos tiveram o mesmo asco, menos mal pra nossa cara, mas muito feio para a cidade. Este merece um banho de água sanitária.

 

Lugar mais sujo que passamos na viagem, ao lado do mercado Ver-o-Peso.

 

Mercado Ver-o-Peso, construção inglesa em estrutura de ferro.

 

Não podíamos também deixar de conhecer o maravilhoso Teatro da Paz com estilo neo-gótico e aproveitamos para assistir uma Orquestra Sinfônica montada especialmente para o Festival Internacional de Música, com músicos convidados de diversos países e duas sopranos maravilhosas. A entrada era gratuita e ficamos sempre muito felizes com inclusão cultural para todos, parabéns aos incentivadores.

Manaus

Manaus, 10 de maio a 12 de junho de 2012

Assim que chegamos a Manaus nos despedimos de nosso companheiro Mikey e seguimos para casa de nossos amigos Nadia e Vavá antes do previsto e ficamos muito mais tempo que o esperado. Pretendíamos ficar em Manaus pelo período de uma semana para comemorar o meu aniversário junto com minha amiga Déinha, como adiantamos a viagem pela Venezuela acabamos ficando um mês, visita assim ninguém merece, mas pacientemente eles nos aturaram.

Nadia no violão e Vavá na massagem!

A Nadia e o Vavá são nossos amigos de Florianópolis. Coincidentemente eles se conheceram em uma das festas de aniversário minha e da Déia, o Vavá como convidada da Déia e a Nadia como convidada minha. Eles começaram então a namorar um tempo depois da festa. Uns tempos depois o Vavá passou para um concurso de professor na UFAM, eles se casaram-se e hoje vivem por aqui em uma agradável casa e já começaram a formar uma família adotando o cachorro Zinga que é um cão feliz e adorável. Fomos muito bem recebidos e já aproveitamos o primeiro final de semana para fazer um delicioso Tambaqui na brasa. Por fim foi ótima a oportunidade de viver com eles por este período e compartilhar muitas boas experiências.

Que fofo o Zinga!!

Tambaqui assado!

Para refrescar no calor da Amazônia, visitamos o flutuante da tia, que fica em um dos braços do rio Negro, trata-se de uma casa flutuante com estrutura de bar, restaurante com deck que vai se movendo de acordo com as baixas e cheias do rio. A água, apesar de escura, é muito limpa e cristalina. Foi interessante que nesse flutuante apareceram alguns golfinhos na proximidade e um rapaz comentou que alguém deveria estar naqueles dias, e realmente eu estava, fiquei curiosa e ele afirmou que sempre que uma mulher está naqueles dias eles ficam atraídos de alguma forma que ninguém explica. Se é verdade, não se sabe, mas por aqui existem muitas lendas e mistérios de botos e golfinhos que sempre são muito interessantes de se ouvir.

Vavá, Nádia e Hanna chegando no flutuante da Tia

Julio no Rio Negro, foi direto pro fundo!

Beber demais dá nisso! Flutuante da Tia, Rio Negro – Manaus

Aproveitamos também para conhecer juntos cachoeiras da região de Presidente Figueiredo. Lá existem diversas quedas para visitação, mas resolvemos conhecer, com o Vavá e a Nadia, a Cascata do Santuário, que possui também uma estrutura legal para passar o dia, com restaurante e piscina, a cachoeira estava bem refrescante. Lá, almoçamos pratos típicos, os peixes Tambaqui e Surubi, arroz de baião, um tipo de arroz temperado com feijão verde ou branco e pedacinhos de carnes defumadas ou secas, e farofas, mas não se empolguem, algumas são só para locais, pois são tão duras que quem não sabe comer corre o risco de perder as obturações, porém a variedade de farinhas é tão grande que provar é aconselhável, algumas são misturadas com coco. A comida daqui realmente é muito boa, mas alguns detalhes são bem diferentes da culinária do sul, é muito comum o uso de coentro e cominho na maioria dos pratos, e açúcar em excesso nos sucos e cafezinhos também. Não deixe de provar os diversos tipos de pimentas e os peixes frescos de rio que são deliciosos.

Hanna e Julio a caminho da Cachoeira do Santuário

Vavá e Nádia na Cachoeira do Santuário – Presidente Figueiredo

Tivemos também a oportunidade de conhecer posteriormente outra cachoeira com a Déinha, onde o fluxo da água estava intenso, mas o passeio realmente foi lindo apesar do grande susto que a Déia, que sofre de aracnofobia, tomou. Estávamos fazendo uma trilha por algumas grutas que tem ali na região, enquanto ela estava distraída observando a natureza, me dei conta de que havia em frente a ela um paredão com muitas teias enormes, falamos pra ela ter muita calma e sair dali em direção ao carro, quando ela se deu conta entrou em pânico, achamos que ela ia ter um treco, levou algum tempo até que ela se acalmasse.

Hanna e Déia na Cachoeira de Iracema

E ali no meio devia ter alguma aranha grande que a Déia se apavorou

A Nadia foi uma ótima companheira para uns tours pela cidade. Juntas visitamos diversos museus e ficamos impressionadas com a estrutura que eles possuem, todos edifícios históricos muito bem preservados e praticamente novos depois das reformas e algumas vezes até reconstrução total. Passamos pelo famoso Teatro Amazonas para conhecer e também para assistir uma ópera. Realmente é algo grandioso.

 

Hanna e Julio no Teatro Amazonas!

 

Interessante como tem incentivo a estruturas culturais e museus e me dei conta do quanto estamos atrasados em Santa Catarina nesses quesitos. Os museus mais interessantes são os museus em que conhecemos um pouquinho mais sobre a cultura dos indígenas da Amazônia. É possível ver redes maravilhosas com trançados complexos e super delicados, instrumentos musicais e tambores impressionantes, instrumentos de caça, instrumentos de tortura, como o furador de olhos, vestimentas usadas em rituais da fertilidade e de acasalamento.

O furador de olhos!

Um dos objetos indígenas que também nos deixou chocadas, é uma prancha de madeira onde os pais amarram seus filhos com aproximadamente 3 anos e enchem ele de paulada para que ele tenha respeito aos pais, alguns não sobrevivem, mas os que sobrevivem duvido que digam um “a” para contestar qualquer coisa a seus pais.

Outro passeio muito legal que fizemos foi no domingo pela manhã a visita a feira no centro com diversas barracas de artesanato, comidas típicas e os maravilhosos cosméticos típicos da Amazônia, cremes, colônias, sais de banho e sabonetes perfumadíssimos.

Nádia com a erva “Assacu”, na feira do centro de Manaus

Não podíamos também deixar de ir no CIGS, um Zoológico administrado pelo exercito que cuida de animais resgatados, por contrabando ou que estejam machucados. Tem cobras enormes, jacarés obesos, pumas, onças, macacos, um diversidade grande de pássaro entre outros.

Tinha uma placa informando que ele estava em tratamento, espero que esteja melhor, no CIGS de Manaus

Jacaré vaidoso

Outro lugar também é o Bosque da Ciência, um parque onde tratam peixes bois, ariranhas e diversos animais da fauna local.

Peixes-boi graciosamente nadando em um aquarião

Close-up do bonitão!

Os primeiros dias tivemos a sorte de estarem muito agradáveis, mas depois de um tempo o calor começou a dar sinal de vida e em um clima úmido e quente a sobrevivência é feita através de ar condicionado e banhos de rio. No fim conhecemos todos os shoppings da cidade para poder fugir um pouco do calor. O shopping Manauara tem um visual bem interessante, pois tem um jardim interno muito interessante com muitos Buritis.

Depois de alguns dias finalmente recebemos a nossa convidada de honra, a Déinha chegou e curtimos ainda mais das maravilhas da região.

Já na chegada, fomos direto ao flutuante para nos refrescar

O papo estava bom, conhecemos uns loucos e ficamos lá até o anoitecer

No dia do nosso aniversário resolvemos celebrar assistindo a Orquestra Sinfônica do Amazonas, na saída resolvemos tomar umas cervejinhas, eis que encontramos uma turma do couch surfing, foi o suficiente para mudarmos o rumo de nossa noite, essas pessoas agradáveis e empolgadas nos convidaram para ir ate um bar de rock e lá fomos nós pra balada. Conhecemos a Adriana, ela foi prova de que imagem engana muito, elegante, com seu vestido justo e salto alto, para nossa surpresa ela foi sargenta no exercito. E conhecemos também a copia do Mark Zuckerberg, o Nephy, um americano completamente apaixonado pelo Brasil que estava a poucos dias de partida e o Wallace, que era movido à duracel, cheio de energia. Foi uma turminha muito animada que encontramos para festejar conosco. A balada estava muito boa, mas ou a galera lá era muito liberal ou eu e o Julio que estamos ficando antiquados, pois a pegação era grande, vi um grupo de cinco pessoas se beijando ao mesmo tempo, a verdadeira festa do sapinho, que por fim rendeu muitas risadas.

Nephy, Adriana, Julio, Hanna, Deinha e Wallace, no porão do Alemão em Manaus.

Pra continuar a comemoração no dia seguinte tivemos uma noite deliciosa com muito sushi elaborado pelo chef Vavá e ele também nos presenteou com um delicioso bolo feito em conjunto com sua assistente Nadia.  Babem, delicioso pão de ló recheado com doce de leite caseiro e nozes caramelizadas e com cobertura de doce de leito com ameixas…hummmmmmmmm.

Feliz Aniversário pra Hanna e pra Déinha!

Fomos conhecer o Museu do Seringal, localizado na margem do Rio Negro com acesso apenas por barco que já faz do caminho um delicioso passeio pelos igarapés e flutuantes, muitos tão bem estruturados que chegam a ter ar condicionado.

Déia e Nádia no “busão”

Paradinha no pit-stop aquático!

Chegando lá, para nossa surpresa, a guia era uma senhora muito divertida de Itajaí que nos deu uma apresentação incrível de como vivam os seringueiros. O local é uma reprodução de como funcionava todo o processo de produção, tem a casa dos gerentes e donos dos seringais, o comércio de produtos, a igreja e os barracos dos pobres coitados dos seringueiros, vindos do nordeste com uma perspectiva de vida diferente, se depararam com um regime de escravidão. Não foram só milhares de árvores que sangraram, mas também muitos dos seringueiros que sucumbiram pela desumanidade em busca da fortuna e por aqui morreram de fome, pelos perigos da mata ou então assassinados para que não pudessem fugir e alertar os outros nordestinos para não virem viver o horror que eles viveram. A historia é triste, mas o local é um passeio realmente interessante.

Tirando o leite do pau, Museu do Seringal

 

Não podíamos deixar de fazer o passeio mais clássico de todos, ver o encontro das águas. Porém o valor deste passeio nos pareceu um pouco salgado. Foi então que descobrimos um caminho que levava a um mirante onde poderíamos ver o encontro. Não tivemos a oportunidade de colocar as mãos entre o Rio Negro e Solimões, sentir a diferença de temperatura e velocidade, e blá blá blá, entretanto foi muito divertido o nosso passeio em busca do mirante, nos perdendo em quebradas de estrada de chão e brincar com os urubus no mirante abandonado, hehehehe.

 

Déinha e Hanna no mirante do encontro das águas.

 

De todos os passeios que fizemos, a visita a Novo Airão foi o que superou todos as expectativas. O nome da cidade deve-se ao motivo de que existia uma cidade chamada Airão que foi invadida por formigas, todos os moradores abandonaram a cidade e reconstruíram então o Novo Airão. Não é raro historias como essa no Amazonas. Lá, fomos ver os botos se alimentarem. Não foi possível nadar com eles, o que era um restaurante onde os visitantes podiam alimentar e nadar com os botos, hoje é um centro de visitação controlado onde somente pessoas autorizadas podem alimentá-los. Esse controle evita stress ao animal e possíveis acidentes, mesmo assim é possível tocar neles, passar a mão, eles tem a pele bem lisinha. Pode parecer besteira, mas fiquei completamente emocionada com aquele momento de estar ali tão próxima desses animais tão delicados, foi um momento muito esperado e que me trazem muitas boas lembranças, inclusive da minha irmã novinha cantando a musica da Xuxa do boto cor de rosa hehehe.

Os botos sendo alimentados

Pra deixar a emoção ainda mais aflorada fizemos o passeio pelos igarapés das Ilhas Anavilhanas, entrar na mata com o barco sorrateiramente, com a cor da água escura sem que você possa ver o fundo, parecendo um espelho que reflete a copa das árvores, ouvir o canto dos pássaros, passar por cipós, teias de aranhas (essa parte deixou a Déia apavorada, mas ela foi muito corajosa, afinal não tinha pra onde correr) estávamos próximos da copa das árvores, o rio estava, em alguns pontos, a aproximadamente 8 metros acima do normal. O nosso barqueiro, um senhor extremamente simpático e divertido, fez questão de parar o barco por diversos momentos para mostrar sementes, para mostrar as árvores e pássaros. No caminho, passaram sobre nossas cabeças papagaios, tudo isso acompanhado de um sol dourado de fim de tarde. No retorno para Manaus teve um acidente no caminho e ficamos um bom tempo parados na estrada, queríamos aproveitar para sair do carro, mas na hora que a Déia abre a porta, tadinha, se desesperou com uma baita aranha descansando na beira da estrada, bem do lado da porta dela, é muito azar, acho que ela atrai.

Tiozinho barqueiro, Hanna e Deinha no meio da mata amazônica.

Vista do Igarapé. Foto by Deinha

Por causa da copa, projetos de maquiagem estão começando a aparecer para encantar os turistas e ficamos muito impressionados com a Ponta Negra. Um projeto grandioso na área nobre da cidade é claro, onde construíram parques com quiosques, um grande anfiteatro e uma praia artificial belíssima, tudo isso com vista para a faraônica ponte de milhões ($$$) que cruza o Rio Negro em direção a pequenas comunidades que dão um retorno financeiro irrisório ao PIB de nosso país. Mesmo assim é um ótimo passeio para se deliciar um Tacacá, que é um tipo de sopa com tucupi (caldo que é feito da folha de mandioca) e complementado com um pouco de pirão e camarões secos. Outra opção é provar uma tigela de açaí tradicional.

Nádia e Hanna na Ponta Negra

O famoso Tacacá, comida típica local. Ponta Negra, Manaus. Foto by Deinha

Tudo seria perfeito se não fosse o outro lado da moeda que para nós seria mais prioridade. O centro de Manaus fede a esgoto, tem muito lixo pela cidade, calçamentos precários, comunidades carentes e uma educação precária. Os professores universitários da região comentam que o nível dos alunos que chegam a universidade é realmente muito ruim, citam muitos como semi-analfabetos, o que torna o ensino por ali um verdadeiro desafio. Um professor da engenharia até comentou que alunos da quinta fase de engenharia não sabem o que é teorema de Pitágoras, vergonhoso!

Encontramos um antigo amigo do irmão do Julio em Manaus, coincidentemente em um supermercado, o João. O João é um paraense de quase 2 metros de altura com quem o Julio e o irmão jogavam basquete, os dois contra o João, é claro! Ele nos convidou para conhecer o Instituto Nokia de Tecnologia, onde trabalha, e então fomos lá conhecer um pouco mais sobre um aparelhinho que damos pouca bola, mas que inevitavelmente faz parte da vida de quase todos os cidadãos do mundo. Agora, se o aparelhinho não nos interessa, a tecnologia para testá-lo e fabricá-lo é muito mais atraente. Foi um ótimo passeio e também tivemos ótimas conversas e dicas com o João.

João e Julio no Instituto Nokia de Tecnologia, Manaus

Boa Vista

Boa Vista, 09 e 10 de maio de 2012

 

Enfim Brasil, um momento muito esperado. Nossos primeiros momentos foram um pouco turbulentos pelas buraqueiras na estrada, que persistiram apenas pelos primeiros 50 km em direção a Boa Vista. No caminho, puffff, o carro simplesmente para no meio do nada, estávamos a mais ou menos uns 60 km da cidade, isso já havia ocorrido outras vezes, provavelmente por causa de algum problema no bombeamento do combustível. O Julio pegou uma carona para conseguir comprar diesel, pois com o tanque mais cheio o carro andava tranquilamente, e eu e o Mikey (agora já apelidado de Ceviche) ficamos jogando dominó no carro. Tudo resolvido, graças a solidariedade do povo brasileiro chegamos a Boa Vista, uma cidade pequena e organizada, que parece ter uma boa qualidade de vida, porém sem muitos atrativos turísticos. Adivinha a primeira coisa que fizemos assim que chegamos? Fomos direto pra uma churrascaria, comemos muito, parecíamos mortos de fome, mas nada como sentir o sabor da comida brasileira. Carne em abundância, os vegetarianos que me desculpem, mas carne pra mim ainda é a melhor comida e tenho orgulho de estar quase no topo da cadeia alimentar, depois de nós só os vermes, kkkkkkk. Eu tenho pena mesmo é do pé de brócolis que nem tem chance de florescer.

Tomamos algumas cervejinhas para comemorar nossa chegada e resolvemos seguir em direção a Manaus, o caminho todo estava contemplado com um asfalto novíssimo e tivemos a oportunidade de passar por uma reserva indígena. São aproximadamente 160 km por uma natureza intocável, nesta região não é permitido tirar fotos, fazer filmagens, parar ou ter qualquer contato com os índios. Vimos muitos deles passando na beira da estrada carregando seus alimentos em cestas artesanais, uma imagem que impressiona muito, mas eles não demonstravam se importar em nenhum momento com nossa presença. Era possível observar algumas entradas em meio à mata fechada, muitos pés de Buriti e árvores gigantes que faz com que a gente se sinta um arbusto rastejante.

 

Melhor estrada para viajar, nova e linda!

 

Como pegamos a maior época de cheias na região da Amazônia, a mata se transformou em verdadeiros lagos. Também tivemos a sorte de passarem em frente ao carro algumas araras azuis lindíssimas, foi perfeito vê-las em liberdade em meio ao verde intenso.

 

Encontramos no caminho querendo atravessar a estrada!

Venezuela

Venezuela, 5 a 9 de maio de 2012

 

Assim que chegamos trocamos nossos pesos colombianos pelo bolivar com os cambistas da fronteira e, segundo nossos cálculos, o câmbio estava muito favorável. Seguimos em direção a Maracaibo, paramos em um shopping para podermos utilizar a internet, porém não pudemos utilizar, pois não havia computador disponível. Neste meio tempo, paramos para fazer um lanche e notamos que os preços, em geral, estavam muito similares com os preços no Brasil. Retiramos então dinheiro do caixa eletrônico e enfim conseguimos acessar a internet para conferir o câmbio oficial. Eis que tomamos um susto terrível… de acordo com o câmbio oficial, o preço de tudo quase duplicava. Começamos a ficar desesperados. Andávamos pelo shopping e tudo nos pareceu absurdamente caro. Foi então que descobrimos o absurdo, a população vive no câmbio negro e ninguém considera o câmbio oficial, estipulado pelo governo. Só para se ter uma ideia, no câmbio oficial um litro de leite custa + ou – R$6,00. No câmbio negro você pagaria em torno de R$2,20. Mas, como já tínhamos sacado dinheiro no câmbio oficial, a Venezuela se tornou uma pedra em nossos sapatos nos dando muito prejuízo. Modificamos todos nossos planos. Pretendíamos ficar no país por volta de um mês, para curtir suas belezas e acabamos reduzindo para 5 dias. Era só o tempo de conhecer uma praia bonita e cruzar o país em direção ao Brasil. Pela primeira vez ficamos realmente tristes por um país inteiro. Os trabalhadores e comerciantes nos disseram que a situação está muito caótica, sendo que estão vivendo muito no limite. Parece que entramos em um cenário tipo Mad Max, carros velhos (não antigos), velhos mesmo, caindo aos pedaços, muito lixo por todos os lados, comida custando os olhos da cara, porém em contraste, o preço do combustível é uma piada. Enchemos o tanque com R$1,50, entretanto não se pode alimentar uma criança com diesel… ainda não. Não encontramos nenhum camping e por menor que fosse a cidade, todos vivem em estado de alerta devido à tamanha violência que a população tem vivido, nos deixando sem opção para acampar.

 

 

Mais do que qualquer país que já visitamos na America do Sul,  na Venezuela a quantidade de lixo e sacolas levadas ao vento, penduradas pelos galhos das árvores e presas às cercas e absurdamente maior. Este cenário nos deixa sempre muito triste, mas apesar da sujeira e do desleixo de pessoas sem instrução e a falta de políticas de coletas adequadas, os ricos mesmo com suas coletas seletivas e separação politicamente correta que sabemos, nem sempre tem um destino final correto, ainda poluem muito mais, pois a quantidade de lixo que uma pessoa de bom poder aquisitivo consome é absurdamente maior que qualquer comunidade pobre. temos sim que conscientizar a todos os níveis, mas antes temos que aprender a consumir menos, a descartar menos, a ter menos vaidade e cuidar melhor do que já possuímos, a vaidade ainda é a maior poluição que existe.

Apesar da dificuldade financeira, não poderíamos sair da Venezuela sem antes conhecer uma de suas praias paradisíacas. Fomos então a Chichiriviche, uma cidade que tem acesso ao arquipélago pertencente ao parque Morrocoy, onde existem muitas ilhas com praias paradisíacas. Por falta de estrutura de camping, ficamos em na pousada de uma alemã muito querida e foi lá que conhecemos um suíço viajante que trabalhava na pousada. Seu nome era Mikey (que depois apelidamos de Ceviche). Nos identificamos muito, tinha bom gosto pra música e gostava de cerveja, o que gerou momentos agradáveis para bons bate-papos.

Para chegar às ilhas, é necessário contratar barcos. Se você fugir do porto oficial, você encontra barqueiros que fazem os passeios por preços bem melhores. Seguimos então para a ilha do sal. Quando chegamos ficamos um pouco desapontados, ainda não era o mar do caribe que imaginávamos. A água estava esverdeada e, mais uma vez, turva e suja. O movimento era grande (muita farofa na areia) e decidimos dar uma volta para conhecer os ponto mais isolados da ilha, foi quando nos deparamos com muitos corais e pequenas piscinas com águas limpas. Caminhamos um pouco mais e, de repente, como um cenário de filme, encontramos aquela praia linda, com água azul cristalina, foi aí que gritamos, viva o Caribe! Ficamos extasiados. Foi perfeito e, finalmente, realizamos nosso desejo de ir a um verdadeiro paraíso tropical.

Comentamos com Mikey que queríamos ir para a Amazônia, e então ele nos disse que era um sonho conhecê-la e tinha planos de ir para Manaus. Dissemos-lhe para aproveitar a oportunidade e se pendurar na bixinha. Na hora os olhinhos dele brilharam e tivemos essa agradável companhia por todo o trajeto.

Pé na estrada, muita conversa boa no caminho e quatro longos dias de viagem. Quase na fronteira do Brasil, procuramos por um hotel. O valor dos quartos estava um pouco caro, perguntamos então se havia banho quente, pois estávamos em uma serra e o clima fresco. Falaram que não. Perguntamos se poderíamos então acampar por ali, responderam que não. Perguntamos se teria uma tomada para aquecermos água, mais um não. Mesmo cansados, depois de todos esses “nãos”, resolvemos continuar nosso caminho, onde tivemos a companhia de uma lua maravilhosa, pois aquela semana era a época de maior aproximação da lua com a terra. Atropelamos alguns vaga-lumes no caminho, que deixavam o para brisa fosforescente. Pena que boa parte do percurso que fizemos neste parque, por falta de luz, não pudemos apreciar. Enfim chegamos à fronteira. Muita emoção por estarmos, depois de 9 meses, longe do nosso país.

Foi uma pena passarmos pela Venezuela tão rapidamente e ver que a população está sofrendo tanto na mão de um presidente louco. Esperamos um dia poder voltar e apreciar melhor este país que possuí muitas belezas surpreendentes que gostaríamos de ter conhecido. Enquanto isso, vamos torcer para que a situação melhore.

Fica uma dia para quem quer ir visitar a Venezuela, que leve muito real (R$) e faça o câmbio negro, pois chega a pagar mais da metade do câmbio oficial.