Galápagos

Galápagos, 29 de março a 04 de abril de 2012

 

Chegamos ao paraíso debaixo de muita chuva tropical, o Julio se empolgou para um bom banho de chuva pela cidade e voltou pro hotel todo animado, pois tinham muitos lobos marinhos. Assim que a chuva deu uma trégua fui dar uma volta e eram muitos lobos marinhos tomando conta dos calçadões à beira mar, dos bancos públicos, do parquinho das crianças, alguns chegam a interromper o transito achando que podem dominar a rua também, claro que com a primeira buzina sempre correm em direção à praia.

 

Hanna e os lobos marinhos

 

Tem lobos marinhos muito amistosos que não se importam com a presença dos moradores e turistas e outros são bem temperamentais e territorialistas. O cheirinho deles não é dos melhores, mas quando a brisa está a favor é uma delícia ficar ali observando por horas as mães criando seus filhotes, as brigas, as brincadeiras, qualquer lixo que eles encontrem no caminho pode ser um ótimo brinquedo para uma diversão garantida. Os pequenos são desajeitados e muito curiosos, fácil de se aproximar. Alguns turistas até se arriscam a acariciá-los, mas lembre-se, por mais fofinhos que pareçam, são animais selvagens e territorialistas, é bom manter uma distância segura. Felizmente eles tem mais medo da gente do que a gente deles, e qualquer bater de palmas eles já saem correndo. Alguns são exageradamente gordos e outros extremamente dorminhocos, é possível ver alguns parados na mesma posição dormindo da manhã ao fim do dia, esperando a vida passar, mas onde dá gosto de vê-los é dentro do mar, são muito velozes e ágeis, quando chegam à beira da praia ficam ali deitados esperando que uma onda venha para arrastá-los pela areia, isso me lembra a cena de algumas pessoas que costumam fazer isso e se levantam com o maiô cheio de areia na bunda.

 

Julio e seu novo mascote!

 

Assim é a ilha, vemos tudo de perto e não são só os lobos, são as flores, a natureza e animais únicos. Uma natureza linda, praias exuberantes, um chão de pedras vulcânicas que vão do preto a uma cor ferrugem. Eu me sentia em um cenário de filme. Fomos conhecer cantos especiais da ilha, o lago Junco, instalado na boca de um vulcão.

 

Nós na boca do vulcão!

 

A galapagueira, região onde são preservadas as simpáticas tartarugas de Galápagos, enormes, pesadas, com um ar pensativo e descontraídas, não se importavam com nossa presença. Logo de inicio pegamos umas tartarugas começando o processo de acasalamento. A fêmea “corria”, mas o macho não dava trégua, seguia com persistência, até que enfim começaram a acasalar, o processo é velocidade de tartaruga, então como ia demorar muito tempo, decidimos deixar o casal em paz. Conhecemos os mais velhos, que gostavam de ficar próximos uns dos outros, mas também paravam para discutir um pouquinho.

 

Hanna e as “talalugas” de Galápagos.

 

Qualé! Vai encarar?

 

Sou a dona do pedaço!

 

E conhecemos os bebês, esses engaiolados para serem protegidos dos predadores locais, em geral ratos e gatos. De repente ouço um barulho de casco e um bebê tartaruga está se debatendo com as perninhas para cima, provavelmente ia ser muito difícil para ele sair daquela posição, então o ajudamos a voltar a sua posição correta. Conhecemos também o Gênesis que foi a primeira tartaruga do projeto da época em que começaram a cuidar dos bebês, e ele foi o único que sobreviveu, tornando-se um símbolo de vitória para o projeto. Não só ele, como quase todas que ali estão sobre cautelosos cuidados são sobreviventes de um período em que muitas serviram como banquetes para piratas e exploradores.

 

A pequenininha (neném) tartaruga de Galápagos comendo um pouquinho.

 

Não esperávamos que Galápagos nos desse a oportunidade de encontrar uma praia que esperaríamos encontrar apenas no Caribe. Adiantamos aqui um dos nossos sonhos. Tínhamos muitas expectativas com este momento durante nossa viagem, conhecer uma praia com águas azuis e cristalinas e areias branquíssimas. Lá estávamos, em Puerto Chino, uma praia espetacular que nos deixou boquiabertos. Parecíamos ter entrado em uma capa de revista com aqueles cenários imperdíveis. Além da paisagem absurdamente bonita a temperatura da água era perfeita. Era como uma piscina azul dentro da praia, nunca tínhamos visto um mar como esse, com essa coloração, um mar inédito para nós que já vivemos em uma ilha deslumbrante. E de brinde ainda tivemos a companhia de uma tartaruga marinha, um “blue footed booby”, alguma coisa de pata azul e alguns pelicanos.

 

Puerto Chino – San Cristobal, Galápagos

 

Árvore de cáctus em Puerto Chino – San Cristobal, Galápagos

 

Fomos também fazer um passeio de lancha ao redor da ilha, a primeira parada era para fazer snorkel com lobos marinhos, iguanas marinha e vários peixes coloridos, foi uma delícia, tivemos a oportunidade de ver uma iguana atacando um peixe e se deliciando. Dos lobos mantínhamos uma certa distância, afinal os dentinhos deles são bem afiados. A segunda parada sim, foi algo impressionante, levou tempo para tomar coragem de me jogar na água. Estávamos em uma ilha de rochas vulcanicas com duas fendas que iam de um lado ao outro, onde as lanchas não passavam, conhecida como Leão dormido. O discurso dos guias foi o seguinte: “Vocês vão passar pela fenda até o outro lado da ilha fazendo snorkel, onde estaremos para esperá-los. Aqui vão encontrar diversas tartarugas marinhas e uma diversidade incrível de peixes, algumas arraias, alem de 4 espécies diferentes de tubarões, mas a grande maioria tubarões martelo. Semana passada avistamos mais de cem. Não se preocupem, eles são tranquilos, mas por favor nadem devagar e não entrem em pânico ao avistá-los. A profundidade é de mais ou menos 40 metros e procurem nadar todos juntos”. Óbvio que entrei em pânico, coração palpitando. Dois que estavam no barco desceram com oxigênio e o restante foi de snorkel. Um alemão já olhou pro guia e disse que não chegaria nem perto da água, o Julio me olhou ansioso e eu olhei pra ele com ar de “vamos mesmo fazer isso?” e tchibum, lá fomos nós, eu tava apurada pra fazer xixi, mas fiquei pensado, e se fizer aqui no mar e atrair os tubarões? Infelizmente a água estava com baixa visibilidade devido às fortes chuvas. Chegávamos perto do costão onde haviam muitos peixes coloridos, algas e crustáceos, mas a única coisa que pensava era: e se vem uma onda mais forte vem e a gente bate no costão, podemos sofrer um arranhão e sangrar, li uma vez que tubarões sentem o odor do sangue a um km de distância, e se alguma garota esta menstruada? Será que atrai? Na minha cabeça só pensava: tem tubarão, boca grande, barbatanas, tudo isso abaixo de nós, e olhava pra baixo, mas estava tudo meio turvo, a visibilidade era de mais ou menos 5 metros. As tartarugas marinhas chegavam calmamente bem próximas de nós, vinham a superfície para tomar ar e retornavam com serenidade ao mar. Eram lindas, mas só pensava na parte que, de repente, veríamos um tubarão com fome a qualquer momento, com a boca aberta em minha direção. (In)felizmente o grupo não avistou nenhum. Quando atravessamos a fenda, a hora que avistei a lancha comecei a nadar mais rápido e mais rápido, me afastei do grupo e só pensava, quero sair do mar, to me sentindo em um filme do Steven Spielberg com a musiquinha do tubarão branco na cabeça. Quando encostei na lancha, fiquei tão aliviada que cheguei a me mijar. O resto subiu ao barco com ar de decepcionados por não haverem avistado tubarões, a não ser o pessoal que estava com oxigênio, avistaram pelo menos 4 e disserem que eles estavam apenas a 5 metros abaixo de nós. No fundo eu bem que fiquei feliz, meu medo era de entrar em desespero quando avistasse um e nhaque, eles se alegram com um lanche nervosinho.

 

Fenda dos tubarões na ilha do Leão Dormido, onde naddddaaammmooosss!!!!!!

 

A outra fenda cheia de tubarões.

 

Saímos dali para uma praia que foi atingida por tsunami e segundo os moradores, modificou bastante, diminuiu pela metade a faixa de areia, mesmo assim foi uma ótima parada para fazer o almoço e nadarmos tranquilos em meio a pequenos peixes.

 

Julio na praia onde Darwin acampou pela primeira noite em Galápagos.

 

Depois voltamos para a ilha do Leão Dormido, a ideia era atravessar novamente a fenda para fazer mais uma tentativa de avistar tubarões. O que esse povo tem na cabeça? Na falta de tico e teco lá fomos novamente, arriscando a vida em busca de um pouco de adrenalina, mas desta vez ficamos ali próximos da lancha, nada de tubarões, já estava até mais tranquila com a esperança de que eles não apareceriam, será que sentiram meu medo e resolveram me deixar em paz? Levamos um pequeno susto com um pata azul que saltou de queda livre mergulhando bruscamente perto de nós. Fora isso, voltamos a ver mais peixinhos coloridos e muitas tartarugas. Voltamos bem satisfeitos com a nossa aventura.

 

No mesmo dia convidamos o pessoal do passeio para tomar uma cervejinha em um barzinho bem badalado da ilha e conhecemos algumas pessoas bem legais. Quando botamos a cabeça no travesseiro antes de dormir, nos olhamos e começamos a rir… nossa que aventura.

 

Li em algumas revistas que pra muitos surfistas a Loberia é uma das melhores praias para surf, então fomos conferir este pequeno paraíso. As ondas estavam realmente muito bonitas e tivemos a sorte de ver muitas iguanas e arraias.

 

 

Arraia com fucinho de cachorro!

 

Surfista na praia de Loberia, San Cristobal – Galápagos

 

Surfista na praia de Loberia, San Cristobal – Galápagos #2

 

Devido às fortes chuvas diárias resolvemos ficar apenas por São Cristobal, a viagem para as outras ilhas do arquipélago de Galápagos levavam aproximadamente 4 horas e achamos que não seria válido, pois tudo que queríamos ver tinha por ali. E vale cada passeio, tem muitas trilhas em meio à natureza, muitas praias para snorkel, um verdadeiro paraíso. Voltamos muito felizes.

 

Por do sol em Playa Mann, San Cristobal – Galápagos!

 

A única desvantagem é que a ilha é muito pequena, no centrinho se concentram os bares, lojas de pacotes turísticos, restaurantes e lojas de suvenires. Ali demos preferência aos bares mais turísticos, onde o custo beneficio era bem superior. Aprendemos isso depois de comer algumas vezes em restaurantes para moradores locais, a comida não tinha muito sabor e o atendimento era sempre preferencial aos moradores, para os turistas levava uma eternidade. Falta muita opção de comida, e se você for ficar por muito tempo, terá que se conformar. Os preços são bem mais altos do que no continente, pois tudo leva muito tempo para chegar. A ilha é famosa por produzir um café exclusivo, levei um pacote para minha avó que diz não ter gosto de nada especial.

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