Quito

Quito

Olha o que encontramos no caminho para Quito em plena sexta feira santa:

El Poder Brutal

O trânsito da cidade estava um caos, não encontramos nenhum estacionamento no centro para buscar um hotel e resolvemos ficar mais distantes da muvuca. Eu estava muito ansiosa, pois no dia seguinte iríamos receber uma visita super especial, minha avó Gelma e minha tia Carla. No dia seguinte fomos buscá-las no aeroporto, parecia uma tola de tão feliz. Lágrimas de saudade corriam dos olhos das três sentimentalistas. Elas chegaram um pouco atordoadas com a altitude, mas logo se acostumaram. Abriu a temporada da matraca, três mulheres comunicativas juntos há muito tempo sem se ver, imagina o blá, blá, blá. Não faltava assunto. Pobre Julio que teve que nos aturar. Deixamos elas no hotel e fomos tomar uns mojitos para colocar o assunto em dia. Dormi esta noite muito feliz e satisfeita por ter uma parte da família próxima.

No dia seguinte fomos visitar o centro histórico, fomos direto para a Basilica, uma igreja mais recente, uma cópia de Notre Dame, mas no lugar de gárgolas, colocaram animais típicos do equador, tartarugas, iguanas, pelicanos, etc. a igreja é realmente muito bonita, mas gostei mesmo foi de ver o brilho no olhar da minha avó, apreciando o monumento, completamente impressionada. E que disposição que ela tem, vamos ficar muito felizes se na idade dela tivermos a metade da disposição que ela tem.

As meninas na frente da Basilica del Voto Nacional

Depois fomos em direção à catedral, mas no caminho havia uma apresentação de danças típicas dos povos da região em uma galeria também muito conhecida por bons restaurantes e suvenires. É sempre bom encontrar essas surpresas, as danças demonstram muito do cortejo entre os casais e tivemos também a dança do pau de fita, muito parecido com a de nossas festas juninas.

Apresentação de dança típica em Quito, Equador

Depois fizemos uma paradinha para almoçar um menu tradicional, que nós já estamos acostumados, mas para elas não foi lá muito atraente. Realmente os menus tradicionais não são tão saborosos, mas para nós viajantes é uma opção barata e completa. Depois do almoço começou uma forte chuva, foi ai que investimos em guarda-chuvas chinocas, que depois vieram a ser útil diariamente. Não sabíamos, mas abril é conhecido como mês das chuvas, existe até uma famosa frase muito utilizada nessas regiões, “abril, chuvas mil”! Fizemos também uma visita na igreja central, quanto ouro minha gente!

Depois de tomar conhecimento sobre as chuvas diárias, aproveitamos a manhã ensolarada para conhecer um vulcão que teve seu cume implodido, criando uma grande área fértil onde hoje existem varias fazendas e famílias que vivem na boca do vulcão. Acho que não gostaria de morar por ali não, pois dizem que ainda está ativo e tem algumas saídas de fumarola. Próximo dali fomos ao parque Mitad del Mundo, um parque onde tem a linha que divide exato o sul e o norte.

Carla, Hanna, Vó Gelma e Julio no parque Mitad del Mundo

julioehanna.com na latitude zero

Confesso que cada banheiro que vou aqui no Equador fico puxando a descarga para ver para que lado a água vai girar, e continua em sentido horário. Por que isso? Se no norte a água desce em sentido anti-horário, no sul em sentido horário, esperava que no equador fosse algo inédito, mas não, essa foi uma decepção que há anos queria testar e quando testei nada aconteceu. Mesmo assim o parque é lindo e tem vários museus. Adoramos visitar mini Quito e mini Cuenca colonial, essas cidades construídas em miniatura ficaram perfeitas. Outro museu que também nos chamou muita atenção foi o insectário, diversas espécies diferentes de insetos, alguns vivos e tinha até uma linda caranguejeira viva para se tirar fotos com ela andando sobre nós, minha vaidade até se interessou, mas minha consciência odeia a exposição desses animais selvagens, então a deixamos em paz. Uma coisa que nunca havia visto foi um gafanhoto com as asas abertas e é incrivelmente lindo. Ainda bem que aproveitamos bem a manhã, pois início da tarde a chuva volta a aparecer, resolvemos então visitar um shopping da cidade, que demonstrou ter os mesmos preços do Brasil, senão mais caro.

Eu e o Julio nos instalados em um hotel a uma quadra do hotel em que elas estavam. Pedimos uma fatura do pagamento, mas eles disseram que não tinham, que nosso nome já estava assinado no caderno e que podíamos ficar tranquilos que o pagamento é sempre antecipado. Quando chegamos à noite pedimos a senha para entrar na internet e o recepcionista pegou um papel qualquer, anotou e nos entregou. Quando chegamos ao quarto, percebi que estava faltando minha jaqueta que estava pendurada no cabide, fui direto informar ao recepcionista que havia sumido uma jaqueta que estava no quarto, de cor amarela berrante com a bandeira do Brasil no braço. Ele disse que teríamos que falar com seu irmão Jonathan, que estava durante o dia como responsável e retornaria no outro dia pela manhã. Na manhã seguinte acordamos um pouco irritados pelo que aconteceu, fomos tomar café da manhã e de repente o Julio se deu conta que o papel que foi entregue com a senha da internet era de uma lavanderia e coincidentemente estava anotado a lavação de uma jaqueta com data no dia em que ela desapareceu em nome de Jonathan. Fomos correndo à lavanderia para saber se era mesmo minha jaqueta e elas confirmaram que sim pelas características, mas Jonathan já havia buscado. Fomos reclamar a seu irmão que tínhamos prova de que Jonathan estava com a jaqueta, e que não ficaríamos mais naquele hotel, pois ele não poderia tirar nada de nosso quarto sem nossa autorização, pedimos para que ele entrasse em contato com o irmão, pois voltaríamos ali para pegar a jaqueta.

O que era para ser uma simples devolução se tornou uma novela. O Julio voltou mais tarde e Jonathan não apareceu, seu irmão disse para retornar pela manhã seguinte que a jaqueta estaria ali. Na manhã seguinte o Julio retornou e Jonathan disse que iria tomar um banho e disse pra ele voltar em uma hora. Nesse meio tempo, o Julio começou a ficar nervoso e resolveu voltar à lavanderia para falar com eles, porque se ele tivesse que chamar a polícia elas poderiam confirmar a história, e elas informaram um novo fato, fazia uma hora que Jonathan esteve ali para buscar a mesma jaqueta que ele levou para lavar a segunda vez. A história foi ficando mais estranha. O Julio retornou muito irritado e pediu a Jonathan a jaqueta, dizendo que se ele fizesse a coisa certa ninguém se prejudicaria, ele com a maior cara de pau disse que não estava com ela, mas que a conseguiria no outro dia pela manhã. O Julio insistiu em pegar o número da dona do hotel, mas ele disse que estava viajando e se negou a dar. Conseguimos um número de um outro hotel para entrar em contato com os donos, se negaram a dar, mas prometeram informar o que estava acontecendo. Retornamos a ligação para saber se haviam conversado com os donos e eles falaram que conversaram com o próprio Jonathan e ele informou que já estava tudo resolvido. Nada resolvido, estávamos indignados, não queríamos nos incomodar com polícia, não tínhamos nenhum recibo também para confirmar que ficamos hospedados ali. Fomos dormir indignados, não pelo roubo, mas pela cara de pau do moleque de ficar nos enrolando. Na manhã seguinte conversamos com dois policiais que estavam por ali e informamos o que estava acontecendo para saber o que deveríamos fazer. Eles disseram que nos acompanhariam para falar com o Jonathan. A hora que chegamos lá com eles, Jonathan quase caiu da cadeira, ficou vermelho de susto, começou a se explicar gaguejando. Ele disse que não poderia devolver, pois estava em posse de uma garota que estava no hotel, ela que pediu pra lavar, mas ele não conseguia explicar como ela pegou do quarto, começou a ficar todo enrolado. Os policiais pediram o recibo do dia em que ficamos, mas falamos que eles não tinham, e por coincidência o caderno onde estavam anotados os nomes e entradas não tinha nenhuma nota fiscal registrada. Os policiais já começaram a brigar pela sonegação das notas fiscais aos clientes. Depois pediram os nossos dados no caderno e coincidentemente os dias em que estivemos hospedados ali tiveram as folhas arrancadas. Depois pediu os dados da garota que ele diz que supostamente levou a jaqueta e pediu pra ele mandar lavar mesmo já sabendo que era nossa jaqueta. Ele não sabia mais quem era, não tinha os dados de registros de ninguém. Os policiais começaram a ficar nervosos e começaram a ver muitas irregularidades no hotel. Obrigaram ele a ligar pros donos, pois não iam sair dali até que os donos aparecessem. O moleque enrolou até que resolveu finalmente chamar os donos. Eles apareceram e ficaram indignados com tudo que aconteceu, claro que tentaram colocar a culpa de todas as irregularidades nos recepcionistas, o que sabemos que a história não é bem assim. Mas descobrimos que o preço que o rapaz cobrava pela estadia era mais caro do que o preço informado no livro de controle. Os donos ficaram indignados, pois eles também estavam sendo roubados, disseram que naquele mesmo dia Jonathan estava demitido e que iriam recuperar nossa jaqueta. Os policiais disseram que deveríamos fazer uma denúncia, pela jaqueta e pelo hotel por sonegação e se precisássemos de ajuda poderíamos contar com eles como testemunhas. Os donos imploraram para não denunciá-los, dizendo que isso nunca havia ocorrido e blá, blá, blá. Depois de todos esse rolo não queríamos nem saber da jaqueta ou da energia que ela traria. Fiquei com muita pena do moleque, mas Julio disse a ele que não foi nós que causamos isso, mas sim ele mesmo por ter feito a coisa errada. Mais tarde ele liga no hotel que estávamos hospedado para pedir para se encontrar conosco para pedir desculpas e que não denunciássemos o hotel. Óbvio que ficamos desconfiados, o Julio disse que aceitava as desculpas, mas que não queria se encontrar com ele. Imaginamos até que podia ser uma armadilha pro cara se vingar. Andávamos na rua olhando pros lados um pouco desconfiados. Vai saber o que se passa na cabeça de cada um, não é?! Esperamos ao menos que ele aprenda uma lição com tudo isso! No mínimo que nem todo turista tem sangue de barata!

Tempos depois de todo o ocorrido descobrimos algo pior, o moleque pegou nosso número do cartão de crédito e fez uma compra de US$ 1500,00 em uma loja de pneus. Lógico que conseguimos estornar a compra e a loja ficou com o prejuízo. Tremendo mala!

Saímos em uma manhã para fazer um passeio por Otavalo, faltava uns cinco minutos para as 09:30 e a polícia nos parou no trânsito, pensamos que tínhamos cometido alguma infração, mas descobrimos algo pior, a cidade tinha rodízio de placas para circulação, e justo neste dia placas com final numero 4 não poderiam estar circulando das 6 até as 9:30 e das 4:00 as 7:30. E faltavam cinco minutos para terminar o horário de rodízio. Falamos que somos estrangeiros e que não tínhamos conhecimento disso e explicamos que nossa placa era do Brasil. O policial nos liberou, mas logo em seguida veio outro e queria apreender o carro, pediu para que o seguíssemos de carro até o local de apreensão, o Julio saiu bem devagar o policial saiu rápido e o “perdemos” de vista, estacionamos então para esperar passar das 9:30 quando o policial retornou. Não tinha mais como ele apreender o carro, mas foi por muito pouco, caso ocorresse, teríamos que ficar com o carro apreendido, pagar uma bela multa e o estacionamento da policia. Conseguimos seguir para a simpática cidade de Otavalo onde tem a maior feira de artesanato indígena da América. É de ficar louco com tanta coisa bonita. Chapéu Panamá, tapetes, almofadas, mantas de alpaca, bordados, colares, roupas, foi uma delicia passear por aquele festival de cores e ver a população com traços indígenas, cabelos lisos escuros e olhinhos puxados.

Chapelotes, chapeletes, chapelones… no mercado de Otavalo

Arte indígena em Otavalo

Na volta tivemos que estacionar para esperar o horário das placas e aproveitamos para curtir um delicioso restaurante italiano, tomamos vinho, comemos muito bem e demos muitas risadas.

O centro histórico de Quito tem muito charme, e a cada passeio que fazíamos nos impressionávamos muito, as igrejas são realmente obras de arte, principalmente a de San Francisco, sua estrutura foi feita toda de pedras vulcânicas e ela e totalmente coberta de ouro e de estilo barroco. Pegamos uma guia muito simpática que estava aprendendo português e com muito esforço nos explicou a historia da igreja em nossa língua. É muito bom ver o interesse de pessoas em aprender o português. Mas o melhor da cidade, que é patrimônio histórico da UNESCO, é que tem suas edificações coloniais muito bem preservadas.

Vó Gelma e Carlota

Vó Gelma e Tia Carla no centro de Quito

Uma coisa que se vê muito durante todos os países da América do Sul são as churrascarias argentinas e em Quito não podia ser diferente, paramos para experimentar um pouco desse delicioso rango argentino. Para finalizar nossos passeios, fomos curtir uma linda apresentação sobre a cultura, folclore, danças e musica do equador, essa apresentação é considerada patrimônio artístico da humanidade. Tivemos momentos deliciosos em Quito mas infelizmente chega a hora da despedida. Adoramos a cidade, mas nada foi tão bom quanto estar perto desses duas mulheres incríveis, divertidíssimas, criativas e que amamos tanto.

Carla, Julio e Vó na praça Foch

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