San Pedro de Atacama

San Pedro de Atacama, 4 a 7 de fevereiro de 2012

 
São Pedro de Atacama, finalmente!

 

Chegando em San Pedro!!!!!

O Julio estava numa pilha de alegria, para ele este seria o climax da viagem. Claro que com relação a conhecer os gêisers, salares e lagos altiplânicos me dava ânimo. Mas estava farta de deserto. Eu queria um pouco de verde, de terra úmida, de chuva de mata fechada. Mesmo de saco cheio de deserto a região me surpreendeu muito. Não é a toa que a região tem essa boa fama.

 

Deserto com formas!

A cidade de São Pedro de Atacama tem uma característica bem típica, as casas são feitas de barro, parecem casebres, mas quando você entra se surpreende como pode ficar legal esse estilo rústico associado à cultura moderna. A cidade vive praticamente do turismo, tem estadia para todos os bolsos e restaurantes. Uma ótima opção também é ficar nos pequenos povoados próximos de São Pedro, é uma opção para quem quer fugir um pouco desse ambiente mais turísticos e comer uma comida mais tradicional. Os campings são um pouco caros, por isso ficamos em um albergue mais ou menos, mas as companhias estavam ótimas, fizemos amizade com um casal de chilenos muito simpáticos e um espanhol divertidíssimo, estilo AAA (pilhas alcalinas). Incrivelmente, não batemos nenhuma foto na cidade… 😦

 
Queríamos fazer como primeiro passeio os gêisers, mas nos recomendaram começar por passeio mais tranquilos por causa da altitude. Iniciamos nosso passeio pelas lagunas altiplânicas, são lagos de degelo de vulcões que ficam a 4200 metros de altitude. No caminho em meio ao deserto encontramos uma pequena árvore solitária, a única vida em meio ao nada, corajosa ela estar ali com suas folhas verdes, longe de qualquer vestígio de água, apelidamos ela de “a sobrevivente”.

 

A sobrevivente!

A caminho dos lagos fomos mascando folhas e tomando chá de coca. Impressiona como cada lago tem uma coloração completamente diferente. Apesar da altura não nos sentimos apunados. Apunado é o termo usado para as pessoas que sentem o efeito da altitude. A grande maioria tem muita dor de cabeça, enjôo, diarréia, gases, cansaço. Esta época do ano quase todas as lagunas desta região estão repletas de flamingos e não são todos iguais, tem três tipos com características bem diferentes. Encontra-se também muitas llhamas, vizcachas, vicunhas e gaivotas andinas.

 

Lhama andina a 4000 m de altitude.

 

Gaivota andina dos lagos altiplanicos

 

Romanticos a 4200 m de altitude

 

Laguna Miscanti, ou Miñique... uma das duas

 

Rosto misterioso encontrado no caminho

Após as lagunas, parada para almoço em um pequeno povoado. Ensopado de carne acompanhado de quinua, cereal tradicional da região que é preparado de várias formas, a que experimentamos foi salgada, preparada como um arroz, leve e delicioso, também se serve doce, para comer com iogurte e frutas, fazem até suco. As plantações são lindas, em meio aos oasis do deserto, de repente você vê uma quantidade enorme de arbustos de um tom verde tão intenso, lá está a quinua, radiante.

 
Depois fomos visitar o salar de Atacama, uma paisagem bem exótica. São blocos irregulares de cristais de sal secos com lama. No meio do salar tem dois lagos onde é possível apreciar flamingos em busca de micro organismos para se alimentarem.

 

Julio e o cristal do salar de atacama

 

Que lindo!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Hanna e os cristais de sal e lama

 

Julio no Salar de Atacama

 

Tinha que sair uma foto da bixinha no salar

 

No caminho do salar encontramos um oasis

De volta a São Pedro fomos visitar as ruínas Pukara de Quitor, são ruínas em meio a um morro usado para os antigos atacamenhos poderem se defender em caso de ataques. Ao lado das ruínas tem um mirante incrível que te disponibiliza apreciar as ruínas, a cidade de São Pedro que é um oasis e uma formação geológica incrível de sedimentos de sal e terra que parecem ondas de mar. No topo do mirante tem uma homenagem aos atacamenhos que acreditavam que Deus os haviam abandonado, adivinha de quem era a homenagem? Isso mesmo, da igreja católica.

 

Ruínas de Pukara de Quitor

 

As ruínas

 

Homenagem aos atacamenhos no mirador de Quitor

 

Foto do Julio que a Hanna gostou, com San Pedro de fundo

 

Ondas de areia e pedras para todos os lados

No dia seguinte nosso grupo mega animado acordou as 3:30h da manhã para ir aos gêisers, eles foram com um tour guiado e nós fomos seguindo eles de carro. Era noite, o caminho era iluminado pela lua cheia e ao longe dava pra ver as luzinhas vermelhas das diversas excursões que queriam chegar no melhor horário para apreciar os gêisers. Essa rota de, mais ou menos uma hora e meia, é famosa por ter diversos acidentes com brasileiros aventureiros que se perdem por essas serras de terra. Esses brasileiros, ai ai ai…

 

Hanna em meio aos gêisers fumacentos

 

Quando chegamos fazia uns 4 graus negativos. Mas quem se importa, quando se vê nuvens de vapor e se ouve as borbulhas dos gêisers saindo da terra, você esquece o frio e se diverte andando pelo meio de mais ou menos 80 gêisers ativos. Alguns são muito engraçados, não parecem dar sinal de vida e de repente começa a cuspir água como se estivesse resfriado. Outros são com lama, outros formam uma piscina linda e transparente, mas cuidado, mesmo que você tenha uma grande vontade de se jogar, como alguns loucos já fizeram, não se arrisque, por que pode ser mortal.

 

Gêiser de lama

 

julioehanna.com nos gêisers de San Pedro de Atacama

 

Piscina de 70°... quer tentar?

 

A Hanna foi pro buraco

 

Onde está Hanna?

 

Muita fumaça!

Depois de diversos gêisers, fomos conhecer o mais temido de todos, o assassino. Este já foi responsável por duas mortes e um acidente muito feio. O primeiro tentou tirar uma foto muito próxima, ficou entorpecido pelo vapor e caiu dentro, por sorte a força da pressão o jogou pra fora, porém ficou hospitalizado por mais de 7 anos e por azar, ou ironia, quando saiu do hospital foi atropelado e morreu. O segundo estava bêbado e resolveu nadar, morreu duas horas depois. A terceira, uma guia que adorava subir no muro de proteção e se equilibrar em uma perna só, certo dia tchibum, ela está viva, mas não é mais guia e teve que implantar metade da pele do corpo. Então se lembrem disso quando forem visitar ok!

 

julioehanna.com em frente ao gêiser assassino

Depois da visitas você tem a oportunidade de tomar um delicioso banho de água termal, com direito a lama repleta de sais minerais. Um grupo de animadas chilenas que estavam no tour divertiram os meninos fazendo topless. O nosso companheiro espanhol que é fotografo, foi escolhido para tirar as fotos das gatinhas em seus modelitos naturais. Ele sonhava em trabalhar para a Nacional Geografic, mas depois desse momento pensou seriamente em tentar um cargo na Playboy! Sorry boys, não tiramos nenhuma foto.

 

Todo o grupo junto

 
Ao redor, além da paisagem de vulcões, você ainda aprecia as vicunhas, um tipo de veado mesclado com guanaco e os vizcachas, um coelho com rabo de esquilo. Este coelho é uma aula para os humanos, ele come o pasto da região e sua saliva acaba queimando o pasto, por isso para não eliminar todo o pasto ele come apenas uma parte, assim ele mantém a vida do pasto, dando equilíbrio para que continue tendo alimentação constante, muito diferente de nós que exterminamos tudo que vemos pela frente. Outra coisa bem interessante é que eles têm banheiros, suas fezes ficam todas concentradas em um canto, para manter a região limpa, incrível né?!

 

Vizcacha, o coelho altiplânico

 

Família vicunhas em meio ao gêiser

 

Ovelhinha literalmente ilhada

 

Na volta passamos por pequenos povoados, rios, criações de ovelhas, ninhos de pássaros e patos em meio a rios e cactos gigantes. Sempre nos surpreende como tem vida em meio ao deserto, de longe parecem apenas pedras e areia, mas de perto você encontra diversas espécies escondidas, inclusive flores de cores vivas.

 

Plantinha em meio às pedras

 

Que paisagem, hein?!

De volta a São Pedro, hora de visitar o Vale de la Luna. Que cenário surpreendente, não é a toa que tem esse nome. Parece outro mundo, o vale é formado praticamente de sal e areia. Tem uma caverna de sal impressionante, por debaixo da fina camada de terra você vê o sal que mais parece um cristal esbranquiçado, quase um mármore.

 

Nas cavernas de sal

 

Sobre as cavernas de sal

 

Vale de la Luna

Depois você vai em direção as três Marias, são torres de formação natural de sal em meio a um salar. E pra finalizar o por do sol, onde você sobe em direção a um ponto estratégico que tem um visual de toda a região. Sai de lá sem palavras, no nosso caso ouvindo um bom rock com cara de satisfação.

 

Hanna e as três Marias

 

paisagens do Vale de la Luna

 

Caindo... e nem bebeu!

 

que paisagem hein!!!

 

uau!

 

Foi ali que pousou o ovni!! Ou é uma das crateras da lua?!

 

A felicidade!

 

Pra finalizar uma janta com nossos divertidos companheiros do hostel.
Dia de seguir para mais uma aventura, passamos novamente em Calama para abastecer e comprar os últimos insumos para entrar na Bolívia.

 

Mina de Chuquicamata, a maior do mundo.

 

No caminho o céu estava ameaçando uma forte chuva, a estrada era de terra em meio ao deserto. Segundo os moradores as condições estavam razoáveis, mas claro que com a chuva pioraria muito. A chuva começou, mas claro que nós, que somos de clima tropical, estamos acostumados com fortes chuvas, então seguimos a viagem em meio à lama. A princípio tudo tranquilo. O sol voltou a aparecer e apreciamos a sua despedida em meio às montanhas e vulcões. Depois de um tempo começamos a sentir o estrago de um chuvinha no deserto. As estradas viraram pequenos lagos. O carro praticamente nadava na estrada, trabalhadores estavam nos trilhos de trem tirando lama e nós apenas no 4×4 para conseguir chegar até a fronteira.

 

Vista da saida do Chile

 

Bahhhh... bem no por do sol!

 

Chegamos tarde da noite, cansados com a tensão. Estacionamos o carro, abrimos a barraca e dormimos. Na manhã seguinte estávamos bem próximos do vulcão Ollague, bela vista da janela de nossa barraca para nos despedirmos do Chile.

 

Litoral Norte

Valparaíso, Viñas del Mar, La Serena, Antofagasta, 1 a 3 de fevereiro de 2012

 
Pretendíamos ficar em Valparaíso, mas quando chegamos o lugar não nos atraiu muito a ponto de querer ficar.

 
Valparaíso é uma cidade portuária com milhares de casinhas construídas nos morros que terminam à beiramar. Um caos, e foi nesse caos que entramos para conhecer o mercado público e comer um delicioso peixinho. Coincidentemente, fomos atendidos por brasileiros, eles foram muito atenciosos conosco, parecíamos clientes VIP. Foram muitos os momentos da viagem em que encontramos brasileiros e sentimos esse sentimento de saudades de casa. Não tem como não sentir saudades de nosso lindo pais, sempre falo a todos que vivem fora do Brasil que deveriam voltar, pois temos um país de muitas oportunidades, basta querer. O Julio e eu sabemos que podemos conhecer o mundo todo, mas nenhum lugar vai ser tão bom quanto o nosso lar. Queríamos muito que todos os Brasileiros também tivessem esse sentimento de nacionalismo. Quem sabe um dia!
Depois de Valparaíso, passamos por Viñas del Mar e o nível já mudou bastante. Os prédios são mais pomposos, praia mais transada, com barzinhos, calçadão e gente sarada. Foi aí que vi pelicanos pela primeira vez, são enormes. A paisagem deste litoral é bem deserta, com rochedos altos que cortam a costa.

It's a Pelican!!!!

Prédios de Viñas del Mar... acompanham o morro!!!

Costão de Viñas del Mar

O carro começou a dar alguns barulhos diferentes, como se metais resolvessem formar um grupo musical abaixo do carro. Resolvemos seguir viagem em busca de um mecânico para checar o que poderia ser. Que decepção ter que voltar para oficina. Próximo de La Serena um mecânico deu uma olhada, passeou com o carro e disse que era normal, deve ter sido alguma pedrinha que passamos no caminho e ficou na proteção do cárter. Aham, óbvio que não confiamos.

No caminho passamos por uma plantação de olivas. Fotinho:

Plantação de olivas

Passamos por La Serena e fomos percorrendo algumas partes do litoral, paramos para ver grupos de pelicanos, pedras com formatos muito loucos, outras partes do deserto, deserto e mais deserto até chegarmos na cidade de Antofagasta.

Grupo de Pelicanos chilenos

Jardim de pedras em meio ao desértico litoral

É incrível como depois de passar vários km por deserto de repente encontramos uma civilização bem completa em meio ao nada. A cidade é portuária e, pelo visto, tem muito dinheiro, shoppings e um comercio bem forte. Adivinha por que rola tanta grana nesta região? Minas. E onde estão as minas está o dinheiro do país. A cidade é relativamente cara, mas tem muita fila nos mercados, no cinema, nas lojas, o povo quer mesmo é gastar. A água da cidade é mais cara que a energia. Água dessalinizada, isso é só pra quem pode.

Antofagasta de noite

Ainda desconfiados, aproveitamos para ir novamente a um mecânico. Em poucos segundos ele descobriu que a cruzeta do cardan estava quebrada. Já havíamos arrumado isso no Brasil, e o mecânico lá nos passou a perna, disse que faria uma modificação e que nunca mais daria problema e cobrou caro. Bom, aqui o mecânico colocou a peça nova e cobrou ¼ do que o brasileiro cobrou. Ah a honestidade dos chilenos, algo para nos espelharmos.

Arrumamos e saímos com o carro em silencio. Como é bom saber que agora está tudo bem, esperamos que dure. tudo certo, voltamos para a estrada em direção a Calama. Mais ou menos 150 km, pra variar, em meio ao deserto. Eis que no caminho o Julio resolveu tirar uma foto e quando olho pra frente um monte de vapor saindo do motor. Por sorte era a tampa do reservatório de água que estava mal fechada, mas o pouco de água potável que tínhamos foi parar lá. Ali em meio ao deserto sem água potável, definitivamente nada mais poderia dar errado. Com muita sorte chegamos a Calama. Óbvio que agora o carro tem pelo menos uns 30 litros de água extra.

Em Calama encontramos a primeira coca cola com garrafa plástica retornável… essa não conhecíamos.

Garrafa de coca cola plástica retornável

Calama é feia, cara e rica por causa dos mineiros. Queríamos visitar a mina de Chuquicamata, a maior mina do mundo, é tão grande que pode se ver da lua. Para agendar as visitas às minas não foi possível, pois só teriam disponibilidade para dali a 20 dias. Depois de pagar por um camping caro e com sérios problemas de estrutura fomos finalmente a São Pedro de Atacama.

Santiago

Santiago, 26 a 31 de janeiro de 2012

 


Despachamos o Marcelo no aeroporto de Santiago. Ele foi uma companhia muito zen que esperamos rever em Brasília, de preferência na festa medieval ou no mustach fashion week hehehe. Aproveitamos e fomos para um shopping fazer um de meus programas favoritos, comer junk food, pegar um cineminha e me entupir de pipoca doce. Depois fomos direto para a casa de Miguel que nos hospedou através do couch surfing.
Fizemos uma janta e tivemos que comer à luz de velas, pois o apartamento de Miguel estava sem luz aquele dia, porém assim que as luzes chegaram, o clima estava tão gostoso que resolvemos apagar as luzes e continuar conversando naquele ambiente aconchegante. Começamos a contar diversas historias e Miguel nos contou de como é viver entre constantes tremores e terremotos. Durante a descrição dessas impressionantes histórias, sua mãe liga assustada perguntando se estava tudo bem, se não sentimos nenhum tremor, pois ele vive em um edifício no 12° andar. De repente ele olha pra lâmpada e ela estava balançando, mas isso foi por causa do vento. Então ele resolveu explicar que quando tem tremores fortes, as luzes começam a apagar lentamente, foi quando então as luzes do quarteirão inteiro se apagaram… ele que já está acostumado fez cara de susto, imagina nós! Mas não foi nada relacionado a um terremoto. Dá um certo frio na barriga pensar nessas possibilidades. É uma pena que um país tão bonito tenha que conviver com temores, terremotos, vulcões, tsunamis, enchentes de degelo. E minha gente, do outro lado da cordilheira, nossa situação geológica ainda é bem mais tranquila.

 

Santiago vista de cima

 

Bom, mas estávamos lá pra curtir e não para nos preocuparmos, e curtimos muito. O Miguel recebeu mais uma casal através do couch, um casal de austríacos, Michael e Agnes. Todos fizemos um tour pela cidade com Miguel de guia. Ele conhece muito da historia e se demonstrou um excelente guia, diria que profissional. Para nós, além de muito interessante, economizamos muito tempo, pois ele já tinha um roteiro com as principais atrações da cidade. Santiago foi uma das cidade grandes mais organizadas que já conhecemos, a cidade é linda, limpa, sem grandes ostentações, mas que preserva muito de sua historia através da arquitetura.

 

Plaza de armas de Santiago

 

Palácio do Governo.

 

Gostamos muito do mercado central para conhecer os frutos do mar que eles tem. Os vendedores, muito simpáticos, faziam questão de pousar para as fotos e as meninas queriam mostrar que sabiam sambar como as brasileiras, não sou especialista no assunto, mas me pareceu muito bom. As lulas eram gigantes, um anel da quase um kg, só vendo pra crer.

 

😛 de agua na boca! que saudades de frutos do mar!

 

Atendimento atencioso!

 

Outra atração, um pouco diferente, da cidade são os famosos cafés com piernas. As cafeterias, para atrair mais clientes, resolveram ter um atendimento diferenciado: mulheres atranentes com as pernas de fora e roupas beeeeemmm, mas beeemmm curtinhas. Existe também o famoso minuto feliz, quando as moças fecham as curtinas e desfilam sem a parte de cima! Imagina se eu ia deixar o Julio tomar café!

 

Café com pernas!

 

A cidade tem dois pontos turísticos bem interessantes em meio ao centro, são dois morros, o de Santa Lucia, um morro de pedra que ao longo dos anos foi adornado com um lindo jardim e um charmoso forte com torres e o outro bem mais alto que possui no topo uma igreja ao ar livre com um grande santo e pode ser um ótimo roteiro para pagamento de promessas, como não prometemos nada fomos pelo elevador, hehehe.

 

Julio e Hanna no cerro Santa Lucia

 

Santiago de cima, by Michael

 

Vista leste do cerro Santa Lucia

Lá, tivemos uma de nossas melhores experiências gastronômicas, fomos ao mercado do povo e descobrimos que o mercado central é bem mais caro e feito praticamente para turistas. Mas a Vega, isso sim que se chama o mercado, tem tudo que você possa imaginar e um setor com diversas cozinhas que preparam comidas típicas que o chileno realmente aprecia. Um lugar muito simples e saboroso e o melhor de tudo, sem turistas. Pedimos pratos típicos com sabores bem diferentes do que estamos acostumados, genteeeeeeeee muito bom. Dava vontade de ir lá todos os dias experimentar tudo que eles tem. Pedimos sopa de marisco, torta de milho (se chama pastel de choclo) que é como um escondidinho, onde a parte de baixo tem carnes cozidas muito bem temperadas e a parte de cima um purê de milho adocicado bem gratinado, a mistura dos sabores é um prazer inenarrável. Além disso um creme com milho, feijão branco e temperinhos deliciosos e mais um peixe frito com salada… tudo isso para três pessoas ao precinho de R$28,00, incluindo uma coca cola grande.

 

Julio em Vega, o mercado do povo

 

No mercado se vende de tudo!

Outro momento delicioso foi apreciar uma enorme fonte durante a noite com uma iluminação toda especial que acompanha a dança das águas. Sentir o cheiro da pipoca doce, imaginar que está comento algodão doce, mas só olhar a menininha se deliciando e pensar que já tive o meu tempo para isso, ver noivas felizes e sonhadoras tirando foto com seus noivos tímidos e constrangidos em meio ao público. Mas acima de tudo, apreciar este lindo espetáculo.

 

Momento romântico!

 

Show de luzes e cores, by Michael

 

Mesma fonte, outras cores, by Michael

Tivemos também a oportunidade de passar o dia no parque curtindo uma churrascada com a comunidade do couch de Santiago. Conhecemos uma galera muito legal, pessoas da Rússia, Chile, Brasil, Áustria, Alemanha, Argentina, Peru, Inglaterra e talvez mais algum lugar que não me lembro bem.  Todos combinaram que cada um levasse o que queria, então levamos a nossa maionese caseira brasileira, e um beijinho para sobremesa. O Miguel preparou melão com vinho: faça um buraco no melão e ponha um vinho branco bem gelado, deixe na geladeira de um dia para o outro, fica uma delicia. Os austríacos levaram salsichões e pão. Tinha tanta coisa que no fim sobrou, todo mundo contribuiu e a festa foi uma delicia. Fizemos uma roda de violão e fiquei impressionada como alguns chilenos conhecem muito de música brasileira, infelizmente não conhecemos quase nada de musica chilena.

 

Roda de viola no encontro do couch surfing de Santiago

 

Miguel, o churrasqueiro!

No dia seguinte fomos visitar a vinícola Concha y Toro e conhecer o mistério sobre o vinho Casillero del Diablo, que agora sabemos mas não vamos contar. A vinícola é muito bonita, sem frescuras ou ostentações, porém uns dos maiores produtores de vinho do mundo.É sempre bom uma degustação de vinho e um passeio desses.

 

Prosit, Salud, Saude, Tim Tim, Slainte... sei la... rolou um brinde em várias linguas na Concha Y Toro

 

Hanna descobrindo os segredos do Casillero del Diablo

 

Hanna e os barris del Diablo

 

Só unzinho!!! 250 L... deu até uma tristeza.

 

Depois aproveitamos para passar no mercado e comprar um frango assado para fazer um picnic no Cajon del Maipo, uma região entre montanhas que vai fechando e modificando a paisagem à medida que seguimos.

 

Hanna alegre ao desfiar o frango!

 

Depois de um delicioso dia de passeio ainda fomos fazer mais umas caminhadas pela cidade de Santiago e finalizamos com uma deliciosa pizza caseira com o molho, segundo o Julio, o melhor molho do mundo, que aprendemos com o Ricardo, casado com a Deia, prima do Julio. Todos estavam muito famintos e adoraram. É uma pena ter que deixar Santiago, tínhamos tanto ainda para conhecer, mas era hora de partir, com certeza essa é uma das cidades que pretendemos voltar para conhecer mais de sua rotina e sua vida cultural, além de passar muito momentos em seus mercados deliciosos.

Passeios por Santiago:

 

O menino feliz

 

O gênio do xadrez com sua concentração... no picolé!

 

Arte contemporânea... só falta o café

 

Hanna e o cavalo do Botero!

 

Hanna no bairro romântico

Pucon

Pucon, 23 e 24 de janeiro de 2012.

Mais uma cidade bonita para o roteiro. Pucon fica ao lado do vulcão Villarrica, em meio a lagos e dispõe de muitos parques bonitos, além de ser um excelente local para aventureiros que curtem rafting, canoagem, escaladas, etc.. O Marcelo, muito mais disposto que nós, fez uma excursão até o topo do vulcão, nós resolvemos ir até um pouco mais da metade. Uns motoqueiros loucos se aventuraram a subir um bom trecho, que pareceu muito difícil, tentaram por diversas vezes, pois a areia estava bem fofa. Ficamos ali apreciando aqueles loucos, acredito que não é permitido fazer isso, mas pareceu bem divertido.

 

Os motociclistas no vulcão! O Julio louco pra fazer o mesmo!

 

Hanna e o vulcão.

 

Durante o inverno o vulcão se transforma em uma grande estação de esqui com muitas pistas. A árvore símbolo da região é a araucária, que nós, do sul do Brasil, conhecemos bem. Aparentemente eles também fazem muitos pratos típicos utilizando o pinhão.

Uma das atrações locais são as flores de madeira, vistas de longe parecem flores tão perfeitas que enganam muito os olhos.

 

As flores de madeira!

 

Outra atração é o cristo redentor! Isso mesmo, o cristo… igualzinho o do Rio! hehehehe, mas um pouco mais assustado!

 

J.C.

 

 

Visitamos ali na região duas lagunas muito lindas que realmente nos impressionaram, uma delas era um buraco com quedas que vinham de todos os lados e no meio um azul hipnotizante, e a outra um pequeno lago azul profundo e translúcido.

 

Hanna na laguna azul

 

Julio e o lago azul

A região também é famosa por muitas termas e aproveitamos para conhecer a mais barata e rústica, é claro. Quando estacionamos o carro olhamos para o lado e havia outra caminhonete com barraca automotiva igual a nossa, e dessa vez do Brasil. Tinha diversas piscinas e muita gente, mas coincidentemente na piscina que escolhemos o Marcelo se deparou com dois brasileiros que haviam subido o Vilarrica com ele. Pai e filho, eram eles que estavam com a caminhonete com a barraca. Ficamos lá até o anoitecer conversando e decidimos todos juntos acampar em um local que eles indicaram, próximo a um rio.

 

Acampamento com duas barracas Camping's World...

 

Fizemos uma janta improvisada em meio ao nada e de sobremesa um delicioso melão chileno. Ainda não havíamos experimentado o melão do Chile, o mais doce que comemos em nossas vidas. Pela manhã acordamos com uma buzina e adivinha, estávamos dormindo em meio a passagem dos fazendeiros que atravessavam o rio, pois a ponte estava quebrada. Tivemos que desmontar o acampamento às pressas, mas foi uma noite bem divertida. Nos despedimos dos brasileiros e seguimos para Santiago.
A caminho de Santiago só existia uma rodovia e adivinha, repleta de pedágios e muito caros.

Puerto Varas e Frutillar

Puerto Varas, Puerto Montt e Frutillar, 21 e 22 de janeiro de 2012

Fronteira Chile x Argentina. O lado argentino estava com muitas cinzas e com muita sorte o lado chileno não!!! Os argentinos estavam “enojados”, mas o que fazer contra a mãe natureza? Segue uma foto só pra ter noção.

Tristeza com as cinzas na fronteira Chile x Argentina

Voltamos finalmente ao Chile! Já estávamos ansiosos para encontrar com esse povo honesto e despretensioso. Simplesmente adoramos o Chile e os chilenos. Estávamos indo em direção à cidade de Osorno quando avistamos um vulcão gigante. Não pensamos duas vezes, fomos direto à ele. O caminho é asfaltado e vai até quase a metade do vulcão. No caminho encontramos alguns skatistas que estavam descendo pela serra, a maioria meninas. Essa foi nossa primeira vez ao pé de um vulcão, assusta pensar que dali sai uma força tão grande da natureza que modifica toda a paisagem ao seu redor, mas ele estava quietinho, tranquilo, esperando por nossa visita.

Vulcão Osorno!

Coincidentemente, assim que chegamos, o Julio encontrou com um colega que trabalhou com ele no Brasil, o Mario, um chileno extraordinário. Ele estava fazendo doutorado na UFSC, mas agora retornou ao Chile para trabalhar, é sempre bom encontrarmos com conhecidos, mesmo que por pouco tempo. Na descida, a galera dos skates nos pediu um pouco de água, paramos para conversar com a gurizada, que se divertiu fazendo milhares de perguntas sobre a viagem e nos deram o adesivo do seu grupo, chamado “DH to the bones” (DH = down hill).

Momento à dois em frente ao vulcão

Julio e Marcelo no vulcão Osorno

Chegamos a Puerto Varas, o céu estava limpo e o sol radiante e a cidade é encantadora. A lagoa cheia de banhistas, o clima agradável e de fundo parecendo um papel de parede o vulcão Osorno. Que sem graça…

Vista da bahia de Puerto Varas

Hotel com hortências! Lindo!

Claro que não é possível associar tudo isso a bons preços e resolvemos dormir em Puerto Montt, cidade portuária e feia. Comemos um lanche meia boca e ficamos em um hotel de mulheres trabalhadoras, mas trabalharam toda a noite, era um cliente atrás do outro, chegava a tremer a parede do quarto, enquanto o Julio e o Marcelo tinham bons sonhos eu estava tentando pegar no sono, mas o barulho não parava. Quando finalmente consegui dormir comecei a ter pesadelos, imaginando que o Julio estava no quarto ao lado. Foi uma noite de horrores. O nível do hotel não precisa nem descrever, vou deixar que a imaginação de vocês trabalhe um pouco.
Voltamos a Puerto Varas, 10 da manhã e os três querendo participar da festa da cerveja que estava em seu último dia. Estava apenas começando, na realidade nós éramos os únicos clientes, as tendas ainda estavam por abrir. Assim que abriram começou a maratona de degustação, pale ale, brow ale, stout, duplo malte, etc… que delícia. Pão com salsichon e chucrut, cucas, pastéis de queijo para o vegetariano, fizemos a festa.

Marcelo e a pica de Jurgen

Nós, brasileiros, conversamos com quase todas as tendas, o pessoal tirou várias fotos conosco e começamos a adorar a festa muito mais do que esperávamos.

Prositfest!! E a felicidade do malandro!

Mas ainda tínhamos que visitar a cidade, e assim fomos, alegres, com aqueles chapéus ridículos de papelão da festa. Passeamos pela costaneira, apreciamos uma galera fazendo manobras para um campeonato de bicicletas e visitamos o museu Pablo Fierro, bem legal, lá encontrei uma menininha bem maluquinha que começou a contar vários mistérios que existiam ali dentro, ela me guiou para descobrir esconderijos de objetos e balas, muito mais interativo do que esperávamos. Não sei por que, de repente, o Julio e o Marcelo estavam no telhado do museu apreciando a vista.

Julio no Museu Pablo Fierro

Janelinha do museu!!! Que lindinho!

Citroen 3CV de Pablo Fierro

Julio e Marcelo no teto do museu.

Depois nos divertimos com cachorros de rua e voltamos para a festa da cerveja, hehehe, tava bom demais, conhecemos dois ciclistas argentinos malucos que conversamos um pouco sobre tudo e nada e sobre coisa nenhuma. Voltamos à sanidade e seguimos para Frutillar. Lá, ficamos em um camping cheio de patos famintos, comecei a dar comida para eles e lembrei que tinha um pacote de pipoca que já estava ficando um pouco velha e fiz pipoca para os patos, mas o Julio e o Marcelo pensaram que era pra eles e ficaram indignados quando viram que eu estava dando pipoca para os patos.
A cidade é muito pequena, mas encantadora. Com casas estilo alemão e muitas flores nos jardins, além de um teatro de dar inveja em qualquer grande cidade. Para nós, foi a cidade mais linda que encontramos durante a viagem. Almoçamos e seguimos viagem até Pucon.

Segue umas fotinhos de Frutillar! Que linda!


Puerto Natales e Torres del Paine – Parte 2

Puerto Natales e Torres del Paine – Parte 2, 28 a 30 de dezembro de 2011.

No dia seguinte fomos para Torres del Paine, no caminho nossa embreagem começou a dar sinais de que estava com os dias contados, o Julio seguiu viagem trocando a embreagem apenas nas rotações. Os ventos estavam realmente fortes e acompanhar a turma de moto durante a viagem foi impressionante, eles tinham que brigar com o vento para se manterem na estrada, foi a primeira vez que vimos uma moto inclinar-se para o lado contrário da curva.

 

Vento e as motos na Patagonia.

 

A viagem foi muito cansativa e paramos para fazer um acampamento improvisado numa fazendo que encontramos no caminho. Um pouco de frio e vento com sopas de pacotinhos e pão com manteiga, nada mal para improvisações.

 

Acampamento improvisado em uma fazenda na Terra do Fogo.

Sentimos a força do vento ao passar pelo Estreito de Magalhães, foi a primeira vez que pegamos a balsa com ondas que respingavam nos carros. Fizemos novamente uma parada no posto do Luis. Entre as várias coisas que ele coleciona, uma delas é placas de carro de vários países diferentes, mas falta a do Brasil. Meu pai prometeu enviá-lo, ele ficou tão feliz que o presenteou com um lenço de cabeça igual ao que ele usa, preto de caveirinhas. Começamos a conversar e ele nos contou que os ventos são tão fortes na região que ele já capotou um carro empurrado pelo vento, será que os motociclistas ficaram com um pouco de medo depois de conhecer este fato?

 

E o vento quase levou...

Ficamos todos numa cabana em Puerto Natales e no dia seguinte fomos a Torres del Paine, infelizmente já fazia três dias que um incêndio começou uma terrível devastação pelo parque. Havia muita fumaça no caminho, mesmo assim o parque estava aberto à visitação, mas apenas uma parte, foi possível avistar as torres. Bom, eu fiquei novamente esperando por eles, quando se trata de acompanhar meu pai, eu to fora, os homens que são homens já passam dificuldade, imagina eu! Eram 9 km de trilha morro acima e 9 km morro abaixo, todos vestidos de roupa de passeio, com calça jeans, abastecidos com uma garrafa de água e um pacote de bolacha e meu pai querendo quebrar recorde de tempo, ultrapassando todos que estivessem no caminho. Tive uma agradável tarde de leitura e soninhos aconchegantes, enquanto eles…

 

Devido à fumaça, mal se pode ver as montanhas atrás.

 

Ponte na trilha para as torres - Julio, Timm e Zezo

 

Janio e Zezo nas Torres del Paine!

Puerto Natales e Torres del Paine – Parte 1

Puerto Natales e Torres del Paine, 20 a 23 de dezembro de 2011.

 

De volta ao Chile, acho que já perceberam o quanto gostamos de lá. As pessoas são muito educadas e tudo no Chile parece ser mais gostoso. Logo que cruzamos o Estreito de Magalhães em direção a Puerto Natales começamos a avistar algumas fazendas com placas de precaução, pois eram campos minados. Para nós, isso é coisa nova!!

Peligro!

Passamos por uma vila fantasma, coisa de filme, grandes casarões abandonados com as janelas quebradas, dois barcos grandes se deterioram à beira mar. Os turistas que passam por ali param curiosos, se perguntam o que aconteceu, fotografam e seguem, assim como nós.

Vila Fantasma - Patagonia Chilena

Barco fantasma - Patagonia Chilena

Cozinha Fantasma - Patagonia Chilena

Barco Fantasma - Patagonia Chilena

Interior do depósito fantasma - Patagonia Chilena

No caminho paramos para dormir em Laguna Blanca no posto do simpático Luis, um jovem senhor que nos recebeu muito bem, comemos uma sopinha deliciosa e tivemos agradáveis conversas. Luis viveu alguns anos em São Paulo e em busca de uma vida tranquila, construiu ali o seu paraíso de sossego.
Puerto Natales é uma cidade pequena, turística, com diversos bares e restaurantes bem transados. Lá ficamos na pousada Coloane, uma pousada muito confortável e tivemos momentos agradáveis com o dono Juan. Conhecemos também um casal de alemães, que nos deram a honra de assisti-los dançar salsa com sorriso no rosto e muito desinibidos, essa não é bem uma atitude que esperariamos de alemães, mas assim é a vida, sempre surpreendendo.
Torres del Paine… uma vez alguém nos disse para não perdemos nosso tempo em conhecer este lugar, mas esta mesma pessoa também disse que se decepcionou com o Rio de Janeiro. Foi ai que percebemos que sua visão de lugares interessantes e atraentes é bem diferente da nossa… Rio de Janeiro continua lindo e acreditamos que Torres del Paine também.

Vista do Lago Sarmiento - Torres del Paine

E realmente é espetacular. Nem havíamos chegado ao parque e já estávamos maravilhados na primeira parada do lago Sarmiento, um tom azul esverdeado lindo, diferente da cor de todos os lagos que já havíamos encontrado. E lá no fundo aquelas maravilhosas montanhas.

De longe - Torres del Paine

O percurso do parque é de aproximadamente 60 kilometros, com várias paradas para apreciar a região, as Torres, e o que adoramos foram os Cuernos del Paine, tem também algumas trilhas para chegar mais próximos dos melhores mirantes. Lagos, glaciais, montanhas, cachoeiras e jardins naturais espetaculares, impossível não gostar.

Los Cuernos del Paine

Torres del Paine

ouhh... baby... yeah!

Antes de voltar para o Ushuaia, resolvemos dar uma passadinha em Punta Arenas para visitar um cemitério, mas não é qualquer cemitério, este há muitos anos vem cultivando ciprestes e podando-os milimetricamente com tanta perfeição em forma de… pepino, ou outras coisas que você possa associar a esta forma. Muitíssimo interessante.

Cemitério de Punta Arenas

Arvore curvada pelo vento na Patagonia chilena

Carretera Austral – Parte 2

Carretera Austral, 24 de novembro a 11 de dezembro de 2011.

Reserva Nacional Cerro Castillo

Paramos no camping da reserva e o guarda florestal nos comentou sobre o passeio dentro da reserva, uma trilha de 40 km, onde tem várias paradas para camping. Perguntei o que mais me interessa, se tinha chuveiro, ele disse que não. Mesmo assim vi o brilho no olhar do Julio e dos polacos com o sentimento claro de que iríamos nos aventurar. Dormi torcendo para que chovesse, quem sabe eles mudariam de idéia. Só piorei a situação, pois mesmo chovendo, todos acordaram empolgados arrumando as malas e eu interrogando o guarda para saber mais detalhes sobre esta pequena caminhada. O “amável” guarda me tranquilizou dizendo que era um caminho tranquilo, que não era 40 km, mas sim 26 km, e o caminho era quase todo plano. Ok, coloquei uma bota velha de guerra, prestes a alcançar os seus últimos dias de glória antes de seu enterro, uma mochila com o mínimo de coisas possíveis, pois meu joelho já estava dolorido fazia alguns dias, joguei o peso das comidas pro Julio… óbvio.

Pegamos os horrorosos mapas com a rota da trilha e começamos, junto com a agradável chuva. Primeiras dificuldades, rios, não é qualquer rio caros amigos, mas sim rios de descongelamento das gelereiras, e ponte… hauhaua… quem dera! É levantar a calça, tirar sapatos e encarar um $%*# frio que parece que estão enfiando agulhas no teu pé, as pedrinhas doem pra dedeu. Ok, a gente sobrevive! Mas para nossa alegria tínhamos mais alguns outros rios pela frente. Minha bota já estava encharcada pela chuva, nem isso para esquentar o meu pé após os rios. Mas faz parte, depois de 13 km chegamos ao primeiro camping, fizemos uma fogueira e esquentamos os pés.

Depois do primeiro acampamento

Hanna em meio as montanhas

Começo da subida!

Segundo dia, a trilha começou a tomar um rumo estranho, era apenas subida, mas para onde estávamos subindo? Comecei a xingar o guarda de todos os nomes não amigáveis que me vinham à mente, era para ser um caminho tranquilo, mas as subidas começaram a ficar mais íngremes e, de repente, estávamos andando pela neve, que linda neve!

Na metade da primeira subida mais forte!

Hanna ainda feliza com a neve.

Lindo nos primeiro 100 m de subida, depois que a gente afunda o pé, entra neve dentro do sapato e você percebe que seus dedos começam a ficar dormentes, a beleza se transforma num verdadeiro inferno.

Hanna e o inferno gelado!

De vez em quando, para melhorar, o pé afunda até encontrar um riozinho de água de desgelo logo abaixo de você. Mas aí você continua, quase desistindo, chorando, xingando e pensando, pra baixo todo santo ajuda.

Hanna do outro lado da primeira montanha!

Do outro lado da montanha… Cacilda…  íngreme e com muito cuidado para não descer de esqui bunda e terminar se estoporando nas pedras. Na descida encontramos um casal de chilenos, eles adoram montanhismo, mas eles tem equipamentos adequados para tal, estavam com todos os aparatos necessários, muito diferente de nós que estávamos espremendo as meias. Para nossa surpresa, terminamos os 26 km, mas a trilha não terminou, ainda tínhamos mais 15 km. *&¨%$#@ do guarda. Mais uma noite secando os pés e ficava lá hipnotizada pelo fogo, esperando a água esquentar para tomar um banho de canequinha naquele climinha fresco, lembrando que íamos dormir na nossa minúscula barraca e quando digo minúscula, é por que a nossa barraca parece um caixão, o teto quase encosta na nossa cara. E sentindo dores por todo o corpo, o joelho latejando, os ombros quentes, parece que em dois dias envelheci uns 50 anos. Pelo menos estava feliz, pois era o último dia, mas ao mesmo tempo assustada, pensando o que mais teríamos pela frente.

Começo da segunda subida!

Terceiro dia. Sabia que teríamos um lago, mas quando chegamos próximo do lago que ficava em meio a montanhas bateu um desespero, comecei a chorar quando vi que teríamos uma montanha enorme para subir. O choro de repente se transformou em um acesso de raiva e essa raiva me deixou louca e soltei um berro muito alto no meio do vale e comecei a subir como louca, em linha reta, sem olhar pra trilha ou fazer zigue zague, comecei a saltitar sobre as pedras como uma insana, retardada, parecia que dava pra sentir os genes de meus antepassados primatas, todos ficaram para traz. Claro que nesse momento dei varias topadas, mas isso meu pé só foi sentir momentos depois. Conclusão: raiva é um ótimo combustível. Óbvio, não esquecendo sempre de xingar o guardinha. Eis que finalmente chegamos ao cume, todos animados com a conquista, olhava para os retardados que estavam lá em cima com uma sensação de satisfação e pensava, por que eu não sentia isso! Hmmm, será por que estou me sentindo suja, cansada, com frio, irritada? Talvez. Pelo menos vimos condores voando, um momento de paz e apreciação.

Lago com a água mais pura do mundo!!! Direto do glaciar!

Cume! Muito frio!!!

Com a bandeira da Patagonia!

Um pouquinho do Brasil!

Hora de descer, o problema agora era encontrar uma trilha de descida, era uma descida íngreme e de cascalhos, mais ou menos uns 2000 m de altitude. Dava pra surfar sobre os cascalhos. Durante toda a trilha a sinalização que indicava os caminhos era péssima, e nessa descida a situação piorou ainda mais, perdemos muito tempo buscando sinais de direção, já que o mapa não ajudava muito.

Começo da descida.

Depois de muitos tombos, escorregões, a mão ralada, terminamos a parte dos cascalhos, aí facilitou muito! Começou a descida por terra, estávamos muito cansados, já estávamos caminhando a umas 8 horas seguidas sem parada pra lanche, mas tínhamos que continuar. Os polacos que sempre estavam pra trás aceleram o passo nos últimos km. Quando terminamos a trilha tínhamos somente 6 km até chegar a vila para conseguir pegar um ônibus até o camping da reserva onde deixamos o carro. 6 km? Pareceu 56 km pra mim. Pedi pro Julio pra acampar por ali porque não dava mais, as coxas tremendo, o joelho latejando, os olhos irritados… Não dá mais!!! Eis que aparece um carro!!! Pensamos: “nossa salvação”. Cheio de bêbados malucos. Pelo menos fomos até a vila… com medo, mas fomos. Da vila até a reserva eram uns 26 km e chegamos às 11 da noite, tentamos pedir carona, eis que chegam os polacos com um chileno típico gaúcho, ele disse que poderíamos ficar na casa dele que teria espaço para todos. Sem palavras para dizer o quão querido o Carlos foi, nos preparou a janta e nos ofereceu a casa dele pra ficar. No outro dia pegamos carona com mais um chileno que dirigia loucamente, cortando as curvas. Tá louco meu! Mas chegamos vivos. Finalmente!!!!!!!

Vista de baixo!

Bahia Murta

Infelizmente nos desencontramos com os polacos e seguimos para Bahia Murta. Lá resolvemos ficar dois dias para nos recuperarmos. Meu joelho estava inchado como uma bola, parecíamos dois velhos! Conversamos com Silvia, uma simpática senhora que aluga cabanas na região, ficamos numa cabana muito simples, porém aconchegante.. Se tivéssemos mais tempo com certeza ficaríamos vários dias a mais. Todas as manhãs Silvia prepara pães caseiros no fogão a lenha, estes pães quentinhos com uma manteguinha com certeza foi uma das melhores comidas da viagem, se bem que a janta que ela nos preparou foi simplesmente uma delicia. Claro que ficamos mais um dia.

Puerto Rio Tranquilo

Pegamos um pequeno barco em Puerto Rio Tranquilo e fomos em direção às grutas de mármore que são diversas grutas que parecem ter sido talhadas à mão, mas isso foi obra da natureza que combinou blocos claros de mármore, uma lagoa incrivelmente azul e vento para esculpir durante anos esse maravilhoso cenário.

Chegando ao Lago General Carrera

O barco entrou em várias grutas, para que pudéssemos tirar fotos, tocar no mármore. Entre as grutas estão a catedral e a capela, onde você salta do barco e fica ilhado.

Um pilarzinho da gruta!

The everwatchfull eye!!

Capela de mármore! E a água azulzinha!

Hanna e as grutas de mármore.

Na volta o vento ficou forte e as ondas na lagoa também ficaram. A viagem que na ida foi muito rápido, na volta pareceu levar uma eternidade. O barco teve que ir muito devagar, pois haviam muitas ondas e com somente em 4 pessoas à bordo não havia peso o suficiente para dar estabilidade, tivemos que sentar no chão do barco para que ele não quicasse tanto sobre as ondas, que de vez em quando nos molhavam. Por fim chegamos vivos e felizes.

...

 

Cochrane: fim da Carretera Austral.
Estávamos ansiosos para chegar a Cochrane, finalmente contato com civilização, mas Cochrane é uma cidadezinha tão pequena que não nos animou muito. O banco não aceitava nenhum de nossos cartões, o dinheiro estava no fim e tivemos que pensar no término da carretera. No banco conhecemos um italiano muito louco que junto com o amigo estão tentando bater um novo recorde. Eles estão viajando com duas motos 50 cilindradas e vão fazer do Ushuaia até o Alasca. A bagagem deles é menor que minha frasqueira. A moto só cabe 7 litros de combustível, não tenho a mínima idéia de como eles vão fazer essa loucura, mas vamos ficar acompanhando.

Aproveitamos nossos últimos dias da carretera para conhecer nossa última cidade da rota, Caleta Tortel, que fica à beira de um lago coberto de montanhas. Na cidade só se circula a pé, pois os caminhos são decks de madeira interligados por muitas escadarias, pois a cidade foi totalmente construída nas encostas das montanhas, dando um charme todo especial ao local.

Caleta Tortel

Os decks percorrem a cidade inteira!

 

Saímos do Chile em direção à famosa ruta 40 na Argentina através de Passo Roballos. A vegetação começa a ficar mais rasteira, árida e as montanhas mais baixas.

 

Paso Roballos

 

Podemos observar muitos grupos de guanacos e tivemos a sorte de cruzar com uma pequena raposinha que fez questão de parar e pousar para foto, ficamos ali alguns segundos nos entreolhando, até seguir nossos rumos.

 

Familia de guanacos

 

Zorro

 

Carretera Austral – Parte 1

Carretera Austral, 24 de novembro a 02 de dezembro de 2011.

Futaleufú

Entramos no Chile por Futaleufú. Nossa primeira comunicação com chileno:

Julio pergunta: “por favor, o Sr sabe onde tem um banco por aqui”?

Chileno responde: “primeiramente, bom dia, é assim que nos comunicamos por aqui, sim, na próxima rua tem um banco”.

Adoramos!

Ficamos esta noite em uma reserva nacional que fica logo após a fronteira. No caminho a estrada que é para um carro só fica cada vez mais estreita e, de repente, estamos com o carro à beira de um penhasco enorme com um lindo rio esverdeado e sem ter a mínima idéia para onde essa estradinha ia dar. Eu me desesperei, para voltar é impossível, não tem por aonde, se vier um carro à frente, ferrou, vamos continuar e torcer pra tudo dar certo.

Penhasquinho!

Hanna e o medo!

Conseguimos sair da estradinha e encontramos um “camping” no caminho, era um terreno com uma cabaninha aberta com um fogão à lenha no meio… perfeito para passar uma noite fria! Mas estava tão frio e chuvoso que dormimos no carro. Descobrimos que a barraca é um milhão de vezes mais aconchegante.

La Junta

Paramos para pedir informacões e descobrimos um camping com uma piscina natural de águas termais. Como chegamos ao anoitecer e estava frio, o Julio e o Kris foram os únicos que se arriscaram a cair na piscina. Quando eu e a Magda chegamos para fazer companhia a eles, começamos a escutar a conversa obscena. Ouvíamos gemidos, algo sobre o buraco está ali, coloca mais pro meio, hummmm, está muito bom, assim, perfeito. Ficamos assustadas, mas eles estavam se referindo apenas sobre um cano que saia água quente e queriam colocar a água para próximo deles. Passamos o dia seguinte cozinhando na piscina, no fim do dia resolvemos seguir viajem, pois chegou um batalhão de crianças para transformar as águas termais em águas quentes douradas.

Puerto Raúl Marín Bamaceda

Resolvermos seguir para o litoral e colocar nossos pés no oceano pacífico. No caminho já foi possível perceber uma mudança forte na vegetação, começaram a aparecer folhagens enormes, comuns em florestas tropicais.

Hanna dando um look geral

Para chegar ao povoado de mais ou menos 60 casas é necessário pegar uma balsa.

Carro dos polacos e a Ranger na balsa

A vila é muito simples, mas bem aconchegante. Na praia é constante a aparição de toninhas, são como golfinhos, mas um pouco menores. A areia é escura e tem muitos troncos e galhos na areia. Durante todo o tempo que ficamos lá tivemos a companhia de um cachorro muito divertido, com pelo comprido, mas era puramente dread locks, apelidamos ele de Rasta! Deu uma dó deixá-lo por lá.

Rasta, o cão de Jah!

Conversamos com os policiais e eles falaram que lá não tem muito o que fazer, bom pra eles, não tem roubo, nem assassinato, deve ser difícil trabalhar assim. Eles nos ensinaram a pescar com a técnica que se usa na região. É um pedaço de cano com linha e um toco de madeira para segurar. Nós como pescadores somos ótimos viajantes. A região tem uma planta que é considerado uma praga, mas para nós é uma maravilha, estava repleto de flores amarelas.

Vegetação nativa!

Resolvemos explorar novos caminhos e atolamos duas vezes. Voltamos pra caminhos conhecidos. Lá acampamos na praia mesmo, mas praia de rio, pois tem menos vento.

Os marujos

A árvore somos nozes...

A bixinha em algum lugar nos arredores de La Junta

Puyuhapi

Quando estávamos bem próximos da cidade, o carro de nossos companheiros polacos rompeu a estrutura inferior e passamos o dia no mecânico. Ninguém tinha dinheiro para pagar, pois durante toda viagem não encontramos caixas eletrônicos, aviso para quem vai fazer a carreteira, tragam a quantia necessária para todo o trajeto da carreteira, pois banco aqui é raridade. O mecânico foi tão querido que passou o número da conta para os polacos depositarem quando estiverem de Coyhaique. Uma característica que lemos nos guias e muitos comentaram, em geral o chileno é um povo muito honesto e honra com seus compromissos. Isso se percebe quando qualquer coisa que compramos, ou até mesmo um camping, eles nos dão nota fiscal. Aproveitamos para subir ao mirante da cidade e apreciar aquele pequeno vilarejo em meio às montanhas.

Entrada de Puyuhuapi, e pra quem tem bons olhos... a Hanna ali na janelinha

Encontramos um ônibus hotel bem interessante que faz a carreteira austral, estava cheio de alemães. Naquela noite acampamos próximo deles, mas os poloneses não queriam se misturar, então não tivemos contato com o grupo, que pareciam estar se divertindo muito. Contextos históricos explicam. Ainda bem que nós brasileiros não temos esse problemas.

Coyahique

A caminho de Coyhaique passamos pelo Parque Nacional Queulat, foi o clímax da viagem, era tudo muito lindo, muitas flores, montanhas, rios com águas cristalinas e campos verdes. Parávamos a cada km para tirar algumas fotos.

A bixinha no meio das montanhas

Vales verdes... verdes vales

...

...

Flores e montanhas!

Foi engraçado, estávamos tirando fotos de um campo de flores no meio das montanhas e comentando que para ficar cenário de sonho só faltava passar um rio pelo meio.

Só faltava o rio!!!!

...

Tinha até ponte!

Ficamos bobos com tamanha beleza. Chamamos de cenário puzzle, igual os que vem em quebra cabeças. Próximo da cidade o cenário já muda totalmente, fica mais seco e com muitas montanhas cobertas de pedras.

Coyhaique, de bem longe!

Enfim um pouco de civilização. A cidade, apesar de pequena, é muito bem estruturada. É a maior cidade da rota e deve ter aproximadamente 50 mil habitantes. A praça tem wi-fi para a população, chique né? Isso nos lembrou de um candidato a presidente na argentina que estava usando o slogan “internet free para todos”. Agora, o que nos impressionou foi o supermercado, nunca havia visto um supermercado com tantas variedades de produtos e com qualidade. Os preços melhores que os da Argentina, Brasil e até mesmo Polônia. O Julio quase chorou no setor de cerveja, tinha cerveja do mundo inteiro, coleção para dar inveja a qualquer colecionador. As cervejas mais baratas daqui já são de altíssimo nível. Para quem é celíaco, tinha seções enormes com muitas novidades, tenho conhecidos que iam se sentir honrados. Claro que fizemos a maior compra de toda viagem, enchemos o carrinho e deu apenas 200 reais, incluindo rum cubano, vodka russa e muita comida.

Vamos deixar umas fotinhos da saída da cidade…