Venezuela

Venezuela, 5 a 9 de maio de 2012

 

Assim que chegamos trocamos nossos pesos colombianos pelo bolivar com os cambistas da fronteira e, segundo nossos cálculos, o câmbio estava muito favorável. Seguimos em direção a Maracaibo, paramos em um shopping para podermos utilizar a internet, porém não pudemos utilizar, pois não havia computador disponível. Neste meio tempo, paramos para fazer um lanche e notamos que os preços, em geral, estavam muito similares com os preços no Brasil. Retiramos então dinheiro do caixa eletrônico e enfim conseguimos acessar a internet para conferir o câmbio oficial. Eis que tomamos um susto terrível… de acordo com o câmbio oficial, o preço de tudo quase duplicava. Começamos a ficar desesperados. Andávamos pelo shopping e tudo nos pareceu absurdamente caro. Foi então que descobrimos o absurdo, a população vive no câmbio negro e ninguém considera o câmbio oficial, estipulado pelo governo. Só para se ter uma ideia, no câmbio oficial um litro de leite custa + ou – R$6,00. No câmbio negro você pagaria em torno de R$2,20. Mas, como já tínhamos sacado dinheiro no câmbio oficial, a Venezuela se tornou uma pedra em nossos sapatos nos dando muito prejuízo. Modificamos todos nossos planos. Pretendíamos ficar no país por volta de um mês, para curtir suas belezas e acabamos reduzindo para 5 dias. Era só o tempo de conhecer uma praia bonita e cruzar o país em direção ao Brasil. Pela primeira vez ficamos realmente tristes por um país inteiro. Os trabalhadores e comerciantes nos disseram que a situação está muito caótica, sendo que estão vivendo muito no limite. Parece que entramos em um cenário tipo Mad Max, carros velhos (não antigos), velhos mesmo, caindo aos pedaços, muito lixo por todos os lados, comida custando os olhos da cara, porém em contraste, o preço do combustível é uma piada. Enchemos o tanque com R$1,50, entretanto não se pode alimentar uma criança com diesel… ainda não. Não encontramos nenhum camping e por menor que fosse a cidade, todos vivem em estado de alerta devido à tamanha violência que a população tem vivido, nos deixando sem opção para acampar.

 

 

Mais do que qualquer país que já visitamos na America do Sul,  na Venezuela a quantidade de lixo e sacolas levadas ao vento, penduradas pelos galhos das árvores e presas às cercas e absurdamente maior. Este cenário nos deixa sempre muito triste, mas apesar da sujeira e do desleixo de pessoas sem instrução e a falta de políticas de coletas adequadas, os ricos mesmo com suas coletas seletivas e separação politicamente correta que sabemos, nem sempre tem um destino final correto, ainda poluem muito mais, pois a quantidade de lixo que uma pessoa de bom poder aquisitivo consome é absurdamente maior que qualquer comunidade pobre. temos sim que conscientizar a todos os níveis, mas antes temos que aprender a consumir menos, a descartar menos, a ter menos vaidade e cuidar melhor do que já possuímos, a vaidade ainda é a maior poluição que existe.

Apesar da dificuldade financeira, não poderíamos sair da Venezuela sem antes conhecer uma de suas praias paradisíacas. Fomos então a Chichiriviche, uma cidade que tem acesso ao arquipélago pertencente ao parque Morrocoy, onde existem muitas ilhas com praias paradisíacas. Por falta de estrutura de camping, ficamos em na pousada de uma alemã muito querida e foi lá que conhecemos um suíço viajante que trabalhava na pousada. Seu nome era Mikey (que depois apelidamos de Ceviche). Nos identificamos muito, tinha bom gosto pra música e gostava de cerveja, o que gerou momentos agradáveis para bons bate-papos.

Para chegar às ilhas, é necessário contratar barcos. Se você fugir do porto oficial, você encontra barqueiros que fazem os passeios por preços bem melhores. Seguimos então para a ilha do sal. Quando chegamos ficamos um pouco desapontados, ainda não era o mar do caribe que imaginávamos. A água estava esverdeada e, mais uma vez, turva e suja. O movimento era grande (muita farofa na areia) e decidimos dar uma volta para conhecer os ponto mais isolados da ilha, foi quando nos deparamos com muitos corais e pequenas piscinas com águas limpas. Caminhamos um pouco mais e, de repente, como um cenário de filme, encontramos aquela praia linda, com água azul cristalina, foi aí que gritamos, viva o Caribe! Ficamos extasiados. Foi perfeito e, finalmente, realizamos nosso desejo de ir a um verdadeiro paraíso tropical.

Comentamos com Mikey que queríamos ir para a Amazônia, e então ele nos disse que era um sonho conhecê-la e tinha planos de ir para Manaus. Dissemos-lhe para aproveitar a oportunidade e se pendurar na bixinha. Na hora os olhinhos dele brilharam e tivemos essa agradável companhia por todo o trajeto.

Pé na estrada, muita conversa boa no caminho e quatro longos dias de viagem. Quase na fronteira do Brasil, procuramos por um hotel. O valor dos quartos estava um pouco caro, perguntamos então se havia banho quente, pois estávamos em uma serra e o clima fresco. Falaram que não. Perguntamos se poderíamos então acampar por ali, responderam que não. Perguntamos se teria uma tomada para aquecermos água, mais um não. Mesmo cansados, depois de todos esses “nãos”, resolvemos continuar nosso caminho, onde tivemos a companhia de uma lua maravilhosa, pois aquela semana era a época de maior aproximação da lua com a terra. Atropelamos alguns vaga-lumes no caminho, que deixavam o para brisa fosforescente. Pena que boa parte do percurso que fizemos neste parque, por falta de luz, não pudemos apreciar. Enfim chegamos à fronteira. Muita emoção por estarmos, depois de 9 meses, longe do nosso país.

Foi uma pena passarmos pela Venezuela tão rapidamente e ver que a população está sofrendo tanto na mão de um presidente louco. Esperamos um dia poder voltar e apreciar melhor este país que possuí muitas belezas surpreendentes que gostaríamos de ter conhecido. Enquanto isso, vamos torcer para que a situação melhore.

Fica uma dia para quem quer ir visitar a Venezuela, que leve muito real (R$) e faça o câmbio negro, pois chega a pagar mais da metade do câmbio oficial.

Anúncios