Mosqueiros e Salinópolis

Ilha de Mosqueiros e Salinópolis

Saímos de Belém em direção a Salinópolis, mas antes resolvemos fazer uma parada em Mosqueiros para conhecer um pouco de praia de rio. Após muita procura conseguimos um local para acampar, um camping que custava um pouco caro pela estrutura que oferecia, depois de muita negociação conseguimos baixar o preço e resolvemos ficar por ali mesmo. Saímos para conhecer as praias e quando voltamos a dona do camping nos informa que teria uma cabana que poderíamos ficar pelo mesmo preço, falamos que não era necessário, mas ela insistiu. A “cabana” era infestada de teias de aranha, muitos mosquitos e formigas, coisa que não nos preocupamos em nossa barraca, sem contar que durante a noite ratos apareciam andando sobre os estrados do telhado. À noite sentimos algumas picadas que não sabíamos se eram mosquitos ou percevejos, mas estas são pequenas dificuldades que enfrentamos perto da gentileza de pessoas muito simples e amáveis.

 

Uma das praias de Mosqueiros

 

As praias não são lá muito atraentes, a água era salobra cor de doce de leite, mas possuem uma bela estrutura de calçadões com diversos barzinhos e os casarões coloniais antigos estilo holandês dão um charme todo especial a região.

 

Casarão holandes

 

Lá curtimos pela primeira vez uma festa junina, bem pequena, mas bem animada, o interessante foi a comida típica da festa, os pratos mais servidos eram, além da clássica canjica, lasanhas e arroz com frango e para animar a festa, três cervejas por R$ 5,00. Na região se encontra muitos caranguejos e camarões secos alem de carne seca que eles sabem preparar muito bem.

 

Olha quem tá pegando carona! Próxima parada, panela! OOOPs

 

Hmmmmmmmmmm camarão seco!

 

Seguimos para Salinópolis em busca de camping, chegando lá rodamos por toda praia e nada de camping foi quando, de repente, ao parar para pedir informação sobre locais para acampar conhecemos Edson que nos convidou a ficar em sua casa e aproveitar para curtir uma prainha. Foi ai que conhecemos sua esposa Socorro, seu irmão Renato e a esposa Dena, sua sobrinha Glaucia e seu marido Leonel. Que família maravilhosa que nos recebeu de braços abertos. Fomos com eles à praia do farol velho, linda e com água super quentinha, uma delícia, ficamos ali conversando com aquelas pessoas divertidas e com uma história de vida muito desafiadora. Edson e seu irmão cuidam muito da saúde, pois eles têm problemas renais sérios, um já fez transplante e o outro ainda está direto na hemodiálise, depois fomos descobrir que ali na região casos como esse é mais comum do que se imagina. Conviver um pouco com essa família alegre foi uma lição de vida. Há pouco tempo Socorro e Edson tiveram um grande susto, seu filho sofreu um assalto no qual levou vários tiros sendo que um pegou em cheio na cabeça, que o deixou hospitalizado entre a vida e a morte e ainda acordou sem se recordar de nada, com o tempo foi mellhorando, hoje está a quase 100%, mas foi uma luta muito grande pra eles. Infelizmente histórias como essa não são raras de se ouvir no Brasil. Pela alegria e união que a família vive fica difícil de imaginar que passaram por tantos desafios. Eles nos ofereceram um delicioso café com tapioca, tivemos oportunidade de ficar pouco tempo juntos, mas esperamos poder recebê-los em Florianópolis e compartilhar mais momentos agradáveis como esse.

 

Todos juntos na casa de Edson

 

Eles nos indicaram alguns lugares para ir, pela manhã fomos experimentar o delicioso café da manhã no mercado central de Salinópolis com tapioca e cuscuz com leite de coco. Depois fomos à praia do Maçarico, onde fizemos uma gostosa caminhada em meio a uma grande faixa de areia e pequenas piscinas naturais devido à baixa da maré. Adoramos esta paisagem deserta, pois as únicas pessoas que haviam por lá era um casal que avistamos de longe que deixaram uma barra de sabão de coco e uma garrafa vazia de cachaça. O que eles faziam? Valendo um prêmio para a resposta mais criativa! O ganhador receberá a metade que sobrou do sabão!

 

Praia do Maçarico, Salinópolis – Pará

 

Praia do Maçarico

 

A praia do Atalaia é famosa por ter uma extensa faixa de areia, onde é possível passar de carro por diversos quilômetros. Para os desatentos, cuidado! Não é incomum carros serem levados pela maré, pois ela sobe rapidamente… rapidamente mesmo! Se ficar tomando caipirinha e se esquecer, katiploft… e lá se vai o carro. Lá tem vários restaurantes, no estilo palafitas. Nós não achamos atraente praia com automóveis, o que é comum ali.

 

Praia do Atalaia

 

Para quem gosta de sossego, uma praia legal e muito mais tranquila é a praia do farol velho. Lá, ninguém vai encontrar o tal farol, pelo menos não inteiro! A estrutura enorme de pedra foi arrastada pela maré, e só restaram ruínas.

 

Praia do Farol Velho

 

Adoramos ter curtido a região e foi o nosso primeiro torrão pelo litoral brasileiro.

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Belém

Belém, 13 a 16 de junho de 2012

 

Resolvemos ir a Belém de avião, que leva em torno de 3 horas, porém existem barcos que fazem esse transporte, que levam em torno de 7 a 10 dias e que custam o mesmo valor da passagem aérea. Este, porém, é um passeio para pessoas tranquilas, caseiras, que conseguem ficar dias em um espaço limitado, a idéia deste passeio me dava calafrios, não consigo ficar um dia inteiro dentro de casa, imagina 10 dentro de um barco, eu acho que ia me jogar com as piranhas. Despachamos nosso carro por uma transportadora em direção a Belém. Existem muitas empresas que fazem esse transporte, porém existem muitas pessoas que vão te alertar com relação a esse transporte, não são raras as histórias de carros que nunca chegam, ou então são mexidos no meio do caminho, tem seus estepes roubados, estão arranhados, mechem na sua bagagem, ouvimos historias até de balsas que encalharam e para salvar a balsa derrubaram todos os carros no rio, está pior que história de pescador. Depois de muita procura encontramos uma transportadora séria, que coloca o carro em uma cegonheira, tem seguro, site, nota fiscal e só cobra quando você recebe o carro, e o mais importante, cobrou o mesmo valor que transportadoras um tanto quanto suspeitas. Para quem tiver interesse de fazer essa travessia indicamos a transportadora Goiás, a viagem leva em torno de sete dias e eles realmente são muito profissionais.

A cidade de Belém tem seu charme e problemas como outras cidades do Brasil, cheiro de esgoto e muito, muito lixo. E não é por falta de coleta, é o povo que não tem consciência mesmo.

Desfocando dos defeitos, sua culinária tradicional é incrível, não deixe de provar o pato no tucupi, um caldo feito com a raiz da mandioca brava, que dá uma certa dormência na língua e é saborosíssimo, também fazem frango no tucupi, peixe no tucupi, porco no tucupi e até tucupi com camarões secos (Tacaca), mas o pato é o prato imperdível. Outra comida clássica da cidade é a maniçoba, é preparado com a folha da macaxeira, cozido por vários dias, alguns lugares por ate 10 dias, acredita? Esse preparo tem que ser muito cauteloso, pois se não está devidamente cozido, torna-se um prato tóxico. São acrescentados a este prato diversas carnes e temperos como se faz na feijoada. A aparência é de bosta de cavalo, bem verdinha, molinha e quentinha, mas não se engane, o sabor é delicioso. Hoje vejo uma bosta de cavalo e penso na maniçoba. Sabe quando você prova algo que você nunca mais encontra e ninguém sabe o que é? Foi em Belém que experimentei pupunha, um tipo de um coquinho que se cozinha e parece uma batatinha com sabor de milho, uma delicia que quero ter a oportunidade de encontrar novamente, alguém conhece?

Pato no tucupi! Uma das iguarias do norte.

O centro, conhecido como cidade velha, tem vários edifícios históricos com azulejos de estilo português e está dominada por mangueiras que em época de frutos aterrorizam os carros e pedestres, mas são elas que dão as agradáveis sombras nas praças e avenidas da cidade, se não cair uma manga na sua cabeça você terá a sorte de provar essas deliciosas frutas direto do pé e bem docinhas, nada como um lanchinho de graça. Importante ter em mãos um guarda chuva, pois a chuva é diária, dizem que existe em Belém a estação de chuva e a estação de mais chuva. O bom é que nos dias que estivemos por lá a chuva era pontual, as 16:00 ela começava, então tínhamos até esse horário para curtir tranquilos. O bom da chuva é que dá uma refrescada na cidade que é muito quente. Vale uma vista na casa das onze janelas, um casarão de um rico senhor de engenho construiu no século XVIII e hoje pertence ao governo do estado, foi revitalizado para receber eventos culturais e exposições, tem também um restaurante elitizado que obvio não fomos. Próximo dali tem um barco da Marinha Brasileira que está desativado e é um museu para visitação. Tem também o Forte do Castelo que abriga um museu que conta a historia de Belém e da colonização portuguesa.

 

Hanna pronta para explodir mais uma civilização

 

Julio no forte

 

Um dos passeios que mais gostamos foi o Museu Paraense Emilio Goeldi, um parque agradável com varias trilhas em meio a natureza, laguinhos com vitórias regias, árvores enormes e zoo bem cuidado.

 

Talalugas no parque Emilio Goeldi

 

Vitória régia no parque Emilio Goeldi

 

A rainha das plantas!

 

Encontramos Yggdrasil, no meio de Belém!

 

Um passeio delicioso pela cidade é a estação as docas, uma área portuária que foi revitalizada e transformada em pólo gastronômico e cultural. Os preços são caros, mas vale uma visita, é um ótimo local para curtir o entardecer. Lá tem varias lojinhas de artesanato local, cosméticos e chocolates típicos da Amazônia e também a cervejaria Amazon Beer, produzida no próprio bar dentro das docas, barris gigantes de dar brilho nos olhos de quem gosta.

 

Hanna na frente das docas em Belém do Pará

 

Choppzinho, alguém tá afim?

 

Adoramos mercados públicos, sentir o cheiro da diversidade e experimentar frutos diferentes. Eu sou uma pessoa que adoro até o cheiro de peixe fresco, me divirto limpando, brincando com as entranhas, verificando os dentinhos, as guelras, enfim estávamos ansiosos para conhecer o mercado ver-o-peso, um dos mercados mais famosos do Brasil. Infelizmente o mercado fede muito pela grande quantidade de lixos orgânicos e peixes podres, nós não fomos nem o primeiro nem o último turista que não conseguiu ficar por lá apreciando por causa do mau cheiro. Muitos dos turistas que conversamos tiveram o mesmo asco, menos mal pra nossa cara, mas muito feio para a cidade. Este merece um banho de água sanitária.

 

Lugar mais sujo que passamos na viagem, ao lado do mercado Ver-o-Peso.

 

Mercado Ver-o-Peso, construção inglesa em estrutura de ferro.

 

Não podíamos também deixar de conhecer o maravilhoso Teatro da Paz com estilo neo-gótico e aproveitamos para assistir uma Orquestra Sinfônica montada especialmente para o Festival Internacional de Música, com músicos convidados de diversos países e duas sopranos maravilhosas. A entrada era gratuita e ficamos sempre muito felizes com inclusão cultural para todos, parabéns aos incentivadores.