Nazca

Nazca, 6 a 8 de março de 2012

 

Fizemos uma longa e cansativa viagem até chegar a Nazca, serras e mais serras que pareciam infinitas, curvas e mais curvas, plasil e mais plasil. Chegamos então na cidade da maior duna do mundo e das misteriosas linhas que o tempo não apaga. Mistérios respondidos por muitos, mas que ainda mantém muitas interrogações. Cada um com suas teorias, qual acreditar, não sabemos, preferimos acreditar nas teorias mais lógicas, por que o negocio realmente é muito doido. A parada é loca!

 

O Astronauta, ou o "observador", o único desenho em montanha e está apontando pra cima!?!? - Linhas de Nazca

 

Compramos os tickets, pediram para que não tomássemos o café da manhã antes do vôo, pois muitos passam mal. Um frio na barriga começou a bater, e lá fomos nós, depois de muita espera, embarcamos. Quatro passageiros e dois pilotos, o espaço parecia menor que um fusca. Sempre gosto da sensação de voar. Mas neste pequeno avião nos deu calafrios, a gente se sente mais exposto.

 

Não é carinho de colegas, é que é apertado mesmo!

 

Empolgados com a aventura

 

Tava feliz! Ainda não tinham começado as curvas!

 

A decolagem foi tranquila, assim como o vôo, até chegar nas linhas. Começou a rota, os desenhos são muito perfeitos vistos de cima, baleias, cachorros, macaco, beija-flor, figuras geométricas, árvore… ao total são doze figuras. Que coisa doida, em meio a tanto deserto, estar ali apreciando desenho de animais que vivem tão distante dos desertos. O único problema é que para apreciá-los o avião precisa dar várias voltas, e fica bem inclinado para que possamos apreciar, em um angulo de 45 graus, para a direita depois para esquerda e assim acontece com cada desenho.

 

Saca a curva!!

 

Isso dá uma reviravolta no estômago muito grande, era difícil um turista que não ficasse mal. Eu tomei um remedinho antes do vôo, mas o Julio ficou branco e deixou pra tomar durante. Mesmo com a sensação de mal estar durante as curvas, as imagens eram impressionantes, e a sensação de estar voando por cima delas era incrível, chegamos com cara de bobos. A aterrissagem deu um friozinho na barriga, parecia que o avião era pequeno demais para encostar no chão, a sensação que se tivesse uma pedrinha no caminho ele se destroçaria. Foram 30 minutos de vôo sobre desenhos que vão ficar para sempre em nossa memória, mas com certeza prefiro fazer vôos planos da próxima vez.

 

A baleia de Nazca

 

El perro de Nazca

 

O macaco de Nazca

 

Colibri - Linhas de Nazca

 

The Spider - Nazca Lines

 

O Condor

 

A árvore e o mirador. O mirador era grande, só pra ter noção.

 

As mãos, ou Las Manos de Nazca

 

Depois dessa louca experiência mais uma surpresa, fomos ao cemitério de Chauchilla… um cemitério aberto em meio ao deserto com múmias milenares que ainda preservam suas roupas, cabelos e algumas partes musculares. São dozes tumbas bem conservadas, infelizmente esquecemos da máquina, mas fica uma foto da net para se ter noção de como é este cemitério.

 

Múmias e caveiras no cemitério de Chauchilla. Fonte: http://www.mysteryperu.com

 

Além do cemitério conhecemos também os dutos que os povos pré-incas usavam para manter a água limpa. São espirais de pedras que descem até a passagem de água. Esses dutos milenares foram tão bem feitos que ainda estão em funcionamento. Infelizmente a água limpa, cristalina vai parar em um açude com plantas e pássaros que não parece estar sendo bem aproveitada, mesmo sendo Nazca um grande deserto.

 

Espirais gigantes fontes de água

 

São várias as espirais para chegar no canal de água limpa.

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Machu Picchu

Machu Picchu, 4 e 5 de março de 2012

 

Enfim, Machu Picchu!

 

Seguimos então para Águas Calientes, a pequena cidade que fica a poucos minutos da cidade perdida. Assim que o trem desembarca começa o saldão de hospedagens, promoção de todos os tipos. Aconselhamos a conferir os quartos antes de pagarem, não foram poucos os turistas que encontramos reclamando das condições de higiene das hospedagens. Até que tivemos sorte, os lençóis estavam limpos. A cidade vive basicamente do turismo, isso quer dizer que você comerá mal e pagará caro.

Águas Calientes de noite

A região é simplesmente incrível, montanhas íngremes com uma mata tropical de um verde vivo e entrecortadas por dois rios, a força da água era tanta que com certeza não existe um nível para rafting, provavelmente nível mortal, um cenário hipnotizante.

Quer arriscar um rafting?

Para chegar às ruínas pegamos o ônibus mais caro do mundo, custa USD$ 9.00 só de ida e a duração da viagem é de 20 minutos. Esses são detalhes pequenos quando se conhece mais uma grande obra desses incas malucos que gostavam de morro como ninguém, deviam ter as batatas das pernas mais fortes da humanidade. Queriam estar sempre perto do sol. Como é temporada de chuvas, brinquei com um guia que eles procuravam os topos do morros pra ver se passavam as nuvens pra poder ver o sol, pois na cidade do sol o que menos vimos foi o tal.

Hanna no Machu Picchu

Julio e a vista do Machu Picchu

Hanna em meio as ruínas de Machu Picchu

 

Paisagens Avatarianas

 

Huainapicchu coberto pelas nuvens

 

E lá fomos nós no Huainapicchu, subindo escadarias e mais escadarias, passando por pessoas que pareciam que iam ter um ataque cardíaco durante a subida. Fomos ultrapassados por esportistas e por pessoas que pareciam esportistas, mas encalhavam no meio do caminho. Divertíamos-nos incentivando aqueles que queriam desistir. Por alguns momentos fingimos não estar cansados diante daqueles que desciam com sorrisos irônicos e enfim chegamos. Estávamos perto do sol, oops começou a chover. Incas loucos, depois de toda aquela subida, tinham ruínas de casas lá em cima. Vista privilegiada com certeza, pode-se observar toda a cidade lá de cima, os rios e as lindas montanhas verdes que parecem um cenário do Avatar, só faltavam estar flutuando.

Vista de um dos lados do Huainapicchu

Cansado mas satisfeito

Mais uma vez esses andinos conseguem identificar que a cidade se parece ou com um puma ou com um condor, quase tudo na Bolívia e Peru tem essa forma, que claro só eles vêem.

E ai, alguém vê um condor? Ou é um Puma?

Na volta resolvemos economizar um pouco e ir ate Águas Calientes a pé, para baixo todo santo ajuda, assim pudemos apreciar um pouco mais a paisagem, brincamos de Avatar, cantamos, só faltava um pássaro para nos levar nas costas, foi um pouco cansativo, mas tivemos momentos bem divertidos.

Cusco

Cusco, 28 de fevereiro a 3 de março de 2012

A caminho de Cusco passamos por lindos vales com montanhas verdes e rios caudalosos, digno cenário de filme. Chuva e sol nos acompanharam durante todo o caminho que estava tão lindo que queríamos achar um lugar para ficarmos. Encontramos pequenas vilas que pareciam viver paradas no tempo, infelizmente não achamos hospedagens, pelo menos não com garagem. Continuamos nosso trajeto, mas estava começando a anoitecer e resolvemos buscar então um lugar onde pudéssemos acampar. Encontramos um lugar próximo de um muro de pedras, jantamos e dormimos na nossa deliciosa barraca, estávamos com saudades de nossa cama, nossos travesseiros, foi uma noite muito agradável, fazia muito tempo que não dormíamos tão bem. Mas a surpresa veio na manhã seguinte, acordamos em meio a enormes muralhas de pedras, provavelmente construídas pelos incas, ficamos muito emocionados, as ruínas ficavam em meio a um lindo vale. Nunca imaginaríamos passar por isso, ficamos super empolgados.

Camping em meio a ruínas incas

Empolgados com a aventura

Ar fresco da manhã

Gostaram do jardim do nosso acampamento?

Depois deste “up” chegamos a Cusco. Procuramos um camping para ficar na cidade. Apesar das estadias aqui no Peru estarem muito baratas, há momentos que necessitamos ficar em camping, fazer uma fogueirinha, acompanhado de um vinho e violão, porém queríamos garantir um banho quente e um lugar seguro. O GPS nos deu uma direção de um camping em Cuzco, seguimos por uma estrada de chão que começou a ficar cada vez mais estreita e, de repente, nos demos conta que provavelmente não teria camping por ali. Resolvemos retornar para a cidade. Continuamos naquela pequena trilha a procura de um lugar para dar a volta no carro. Achamos um lugar, com pouco espaço, o Julio começou a insistir em dar a volta onde não era possível, fiquei avisando que não dava, mas ele continuou a insistir, pedi então para que ele visse com os próprios olhos onde ele estava tentando dar a volta, foi aí que tivemos um dos maiores sustos da viagem. O pedal de freio soltou e o carro começou a descer a ladeira. O Julio foi muito ninja e conseguiu entrar no carro correndo a tempo de evitar um grande desastre. Provavelmente se ele não tivesse conseguido essa façanha com certeza o carro teria virado em um barranco, nossas pernas ficaram bambas com tanta adrenalina. Mais uma vez a sorte nos acompanha.

E por ai viviam os Incas

Buscamos um hotel fora do centro, pois as ruas eram bem estreitas. Sinceramente, é um saco parar para procurar estadia, pois a maioria não tem garagem e os que têm, possuem algumas estrelinhas a mais que fogem de nosso orçamento. Arriscamos um hotel sem estacionamento, em uma rua sem saída, aparentemente bem tranquila. Apesar de o carro estar estacionado em frente à janela do nosso quarto, não foi o suficiente para intimidar um ousado ladrão. Claro que o alarme tocou e ele saiu correndo como uma lebre saltitante. Bem debaixo de nossos narizes. O pessoal do hotel conseguiu um  local para estacionarmos, onde eles tinham um conhecido que possuía um terreno com um bar que vendia diferentes tipos de bebidas, o dono era fanático pela cachacinha do Brasil e se divertiu tomando uns traguinhos com o Julio. Diferente do boliviano, que é um povo bem fechado e desconfiado, o peruano é bem mais amigável e prestativo. Com certeza para quem vem ao Peru, não vão faltar momentos para agradáveis conversas.

Solzinho em ouro, símbolo de Cusco

A cidade de Cusco realmente nos encantou com suas lindas igrejas de pedra e casas coloniais. A cidade é uma mistura de ruínas incas com a cultura européia. Bonita, mas tentamos imaginar como deveria ser este império antes do domínio europeu. Nos museus é possível ver algumas maquetes para se ter uma noção, mas maquete não tem vida, como seria o comercio, as pessoas, seu dia a dia. Como seria o futuro deles sem a colonização? Como seria Cusco? Não sei se melhor, mas com certeza muito diferente. Para visitar a maioria dos museus e ruínas é possível comprar um ingresso único, com duração de dez dias. Isso fica bem mais em conta e economiza tempo com os tramites de entrada. A visita ao circuito de ruínas é memorável, apesar de todas serem de pedras, são totalmente diferentes uma das outras. Sem contar os vales até chegar às ruínas que são muito lindos.

Plaza de Armas, com as duas igrejas no centro de Cusco

Hanna em uma das várias praças de Cusco

Edifícios coloniais em uma rua movimentada

Vista de cima da catedral

Visitamos as ruínas de Sacsayhuman, com paredões de pedras gigantes meticulosamente encaixadas umas nas outras como um jogo de Tetris. Difícil imaginar a força necessária para fazer este suntuoso trabalho.

Vai encarar levantar uma pedrinha dessas?

Ruínas de Sacsayhuaman - Cusco

Hanna nas ruínas de Sacsayhuaman - Cusco

Em Kenko, tem uma caverna de sacrifícios, uma pedra para adoração e um auditório.

Pedra da adoração, destruída pelos espanhóis.

Depois vem uma ruína que é um forte em meio a montanhas. Ruínas com encanamento de água que ainda funciona, ruínas com escadas de cultivo que modificam montanhas. Ruínas que são círculos em diferentes níveis para tratar de averiguar quais as melhores altitudes dos produtos que queriam cultivar.

Depois de todos esses passeios você já se sente satisfeito e pensa, nossa isso tudo já e demais e ainda tem Machipichu. Em Ollantatambo apreciamos as ultimas ruínas do circuito e ali terminava nosso caminho de carro. Depois só pegando o Trem ou uma longa trilha de vários dias. Existia um caminho de carro que chegava ate Águas Calientes, mas este caminho estava bloqueado por deslizamentos, que sempre ocorrem nesta época do ano que e temporada de chuvas. Claro que fomos de trem.

Tambomachay, ou, banhos dos Incas.

Ruínas de Pisaq

Vales de Pisaq

As privadas Incas, com água sempre corrente!

Rua de Ollantaytambo

Escadarias de cultivo em Ollantaytambo

Templo do Sol nas ruínas de Ollantaytambo

Ao contrário de hoje em dia, naquela época tinham reboco!

Ollantaytambo!

Vaquinhas que tinham nas casas em Ollantaytambo

Ruela inca

Moray - cultivo de batatas em Mara

Puno e Titicaca

Puno, 25 a 27 de fevereiro de 2012

 

Tivemos que pagar uma extorsão na entrada do Peru, pois é obrigatório o seguro contra acidentes, conhecido como SOAT. A policia, é claro, se aproveita da situação, sabem que a próxima cidade para que possamos fazer o seguro fica a uma hora da fronteira e ganham um bom lucro com os turistas. Esses corruptos aproveitam esta brecha burocrática que nos impede de fazer o seguro antes de entrar no país. Mas tudo bem, sabemos que existem policiais corruptos em qualquer lugar e sempre nos dão prejuízos, mas os de fronteira são sempre os piores, queria que os países se preocupassem um pouco mais com suas fronteiras, pois esta é a porta de entrada do turista e com uma entrada assim fica uma péssima impressão.

 

Existe uma lei ridícula no Peru que dá a oportunidade de pagar impostos mais baixos caso sua casa esteja inacabada, resultado: ninguém termina suas casas, o que deixa a maioria das cidades horríveis. Casas de tijolo sem reboco com ferros saindo para todos os lados. Puno, nossa primeira cidade do roteiro, não é diferente. A cidade tem uma linda Plaza de Armas, mas é só, o resto é tudo inacabado. Mas isso são detalhes, estamos adorando o povo peruano, que se mostraram muito simpáticos, extrovertidos e sabem atender muito bem ao turista. Ficamos impressionados com a comida, muito deliciosa e os artesanatos de altíssima qualidade. Isso que nem começamos os passeios turísticos.

 

Fomos conhecer as ilhas flutuantes de Uros e ilha de Taquile. Começa pelo barco, depois da Bolívia o que viesse era lucro, e saímos no lucro mesmo, barcos bem estruturados, com banheiro, guias simpáticos, bancos com encosto e o principal, tinha motor de verdade. Assim que chegamos nas ilhas flutuantes, ficamos impressionados. Ilhas de palha, com lindas Cholas de roupas coloridas nos recebendo com sorrisos tão simpáticos que dá vontade de abraçar.  Dá pra sentir o chão fofo da palha, elas andam descalças sobre essas pequenas ilhas, que há muitos anos serviu de refúgio e hoje é um atrativo turístico e histórico incrível. Lá você vai conhecer a forma como as ilhas são construídas e como vivem as famílias, o que produzem, comem, conhecer suas casas, artesanatos. Não parece ser fácil, conviver com tanta umidade, pouco acesso a comida, mesmo assim eles pareciam felizes. Passeamos um tempo nos barcos típicos de palha, ouvindo as crianças cantarem e entreterem os turistas com suas vozes delicadas. É um passeio mais que agradável, inspirador.

 

Uma das ilhas flutuantes de Uros

 

Crianças aymaras a bordo do barco de totora.

 

Busão das ilhas de Uros

 

Rita, a cozinheira de uma das ilhas.

 

Artesanato da ilha

 

Entrada de uma das ilhas de Uros

 

Cholinha e seu mascote

 

Ilhas flutuantes de Uros, feitas de palha (totora)

 

Adiós simpático dos aymaras de uma das ilhas de Uros, no lago Titicaca

 

A ilha de Taquile também nos surpreendeu muito, por sua história e artesanato. As pessoas que vivem lá comem apenas peixe, saladas e vegetais e têm uma expectativa de vida de 90 anos, imagina isso?! O mais interessante é que suas vestes os identificam como situação civil e autoridades. Em Puno vimos alguns velhinhos e homens com gorros bem coloridos e sempre pensava que divertido, mas um pouco afeminado, descobri que esses gorros eram para identificar as autoridades da ilha. Os homens que usam gorro metade vermelho, metade branca são os solteiros, os que usam gorro todo vermelho são casados e todos usavam com orgulho. As mulheres tinham um manto preto com pompons. Pompons pequenos eram as casadas e grandes para as solteiras. As mulheres são tímidas e os homens nem tanto. A UNESCO considera que esta ilha possui os melhores artesanatos têxteis do mundo, não sei se são os melhores, mas a qualidade de seus trabalhos era realmente muito boa. Claro que não poderia faltar uma sopinha de quinua e um peixe para almoço para fechar esse delicioso passeio com chave de ouro.

 

Quechuas subindo os morros da ilha de Taquile... dale pernas fortes!

 

Moleques quechuas brincando na Plaza de Taquile, notem os gorrinhos

 

Um dos "otoridades" da ilha... sacaram o gorrinho mesmo escondido?

 

Hanna e a criançada quechua na ilha de Taquile, lago Titicaca

 

Mais ainda pra finalizar o dia, comemos na Plaza de Armas com uma bela vista para a apresentação do carnaval, pena não levarmos a máquina para tirar fotos dos diversos casais que estavam dançando em sincronia em torno da praça um evento que pudemos apreciar de camarote.

Copacabana e Isla del Sol

Copacabana, 22 a 24 de fevereiro de 2012.

 

Esse foi um dia quase que surreal. Acordamos tranquilos, tomamos um café da manhã em uma confeitaria deliciosa, com taça de frutas frescas e maduras, um café delicioso com grãos moídos na hora, leite com espuma cremosa, pães fofinhos e quentinhos com cobertura de queijo gratinado, fatias torradas com manteiga, ovos mexidos com bacon defumado, geléia com pedacinhos de frutas, croissant com recheio de laranja caramelada, suco de laranja recém espremido e queijo branco fresco levemente salgado. Tudo isso por R$10.00. Deliciosa forma de despertar e seguir viajem para La Paz.

 

Queríamos conhecer a capital administrativa do país. Voltamos para a serra dos loucos e chegamos a La Paz ao fim do dia. Ficamos chocados! Parece que juntaram diversas favelas em apenas um lugar. Acho que 80% da cidade é assim, casas inacabadas, ruas mal pavimentadas, estreitas, botecos, muita sujeira, e tudo isso construído à beira de morros. É uma tristeza ver tanta gente vivendo nessas condições. Dá uma angustia no peito muito forte. Dá muita vontade de chorar com tanta injustiça, nos sentimos mal por estar ali, de turistas, para visitar um pouco da beleza dos edifícios históricos enquanto atrás uma população inteira vive em uma sociedade com pouquíssimos recursos. Não conseguimos, resolvemos seguir viagem. Era muita pouca beleza para muita pobreza.

 

 

Queríamos abastecer para seguir viagem com mais segurança, mas a maioria dos postos estavam fechados e o único que estava aberto não vendia combustível para estrangeiros. Pedimos para um boliviano se ele poderia comprar diesel para nós, mas ele também negou. Arriscamos a dirigir no limite e enfim chegamos ao lago Titicaca, já era tarde da noite e ainda alcançamos a última balsa para Copacabana, quer dizer, barco com motor, com chão de bambu e umas tábuas para sustentar o carro. Sinistro, ainda bem que o lago estava um espelho. O céu estava absolutamente lindo, não me lembro de ter visto o cruzeiro do sul tão brilhoso, quem iria adorar é a mãe do Julio que adora admirar as estrelas. Por sorte o combustível foi suficiente para chegarmos a Copacabana. Achamos um hotel muito barato, o Julio quase não acreditou, pois a estrutura era bem boa. Dormimos felizes e no meio da noite uma forte tempestade começou e o Julio acordou com um trovão assustado pensando que era um terremoto, foi divertido. Mais divertindo ainda foi ouvir no outro dia um turista bicho grilo perguntar se os trovões vieram da Ilha do Sol. A recepcionista do hotel, rindo, disse que sim. Tem muitas lendas místicas com relação à ilha e qualquer balela que contarem aos turistas eles acreditam.

 

Tiazinha trabalhando na Plaza de Armas

 

A cidade de Copacabana nos deixou bem à vontade, é simples, tem ritmo de carnaval, várias bandinhas demonstrando suas habilidades musicais com muitas flautas em um som que te deixa quase em transe. Cholas rodopiam com suas saias prendadas acompanhadas de seus parceiros que as conduzem em uma dança que parece não ter fim. Uma delícia ficar apreciando o boliviano em ritmo de carnaval.

 

Chola passeando

 

Isso é Bolívia!

 

Carnaval de rua #1

 

Carnaval de rua #2

 

Cholas e seus bebês

 

A cidade tem uma igreja muito bonita no centro, toda branca. Perto do centrinho tem um mirador, também conhecido como Monte Calvário, onde muitos peregrinos sobem todos os dias para pagar seus pecados, não é o nosso caso, subimos para apreciar uma das vistas mais lindas do Titicaca. A altitude faz com que você se obrigue a subir devagar, mas a subida é obrigatória, pois a paisagem realmente é linda. A cidade tem bastante opção de restaurantes que na grande maioria servem truta. O que mais escutamos nos barzinhos era o nosso amado Bob Marley, por ai você já tira a conclusão do tipo de turista, hehehe.

 

Copacabana, Bolívia - vista de cima do monte Calvário

 

Resolvemos fazer o passeio à Ilha do Sol, um passeio uma tanto quanto rústico. Os barcos levam quase duas horas para chegar, acho que quando muito chegavam a 30 km/h vão entupidos de gente, não tem banheiro, balançam muito e ficam infestados pela fumaça do diesel. Mas é uma boa oportunidade para apreciar a paisagem mareante. O roteiro do passeio é bem estúpido, você chega, visita as ruínas e segue 15 km por morros a 4000 metros de altitude e tem que fazer tudo isso em 3 horas, sem tempo para muita coisa, caso contrário perderia o último barco para volta. Um turismo que não dá muito retorno para eles, afinal você não tem tempo pra gastar. As ruínas incas não nos chamaram muita atenção. Pelas descrições os incas pareciam um povo um pouco… sem noção, pois na ilha da lua ficavam jovens virgens para serem sacrificadas na Ilha do Sol, que desperdício de virgindade. As imagens que os incas idolatravam da ilha, o sapo e o puma são uma pira que com muito esforço conseguimos ver, mas eu acho que essa galera usava muitos entorpecentes. Se bem que o que mais tem na ilha era uma galera bem alternativa, com certeza eles vão ver muitas imagens por lá. A paisagem da ilha é muito bonita, alguns trechos são bem interessantes, parece que a terra quis nadar, mas encalhou no lago. Por sorte conseguimos barco a tempo para voltar e nos preparamos para enfim entrar no Peru, hauhauua.

 

Praia na Ilha do Sol

 

Ruínas incas na Ilha do Sol!

 

Cochabamba

Cochabamba, 18 a 20 de fevereiro de 2012

O objetivo era sair de Sucre até Oruro, para participar do carnaval mais famoso da Bolívia. No caminho passamos por diversas comunidades muito pobres e muitas crianças se encontravam à beira da rodovia para pedir dinheiro. Na entrada da cidade diversos bêbados cruzavam a estrada cambaleando, a festa deve ter começado cedo. A entrada da cidade é horrível, muito lixo, ruas mal pavimentadas e a muvuca de pessoas loucas ao extremo nos desanimou.

Procuramos por estadia e estavam ou lotadas ou muito caras. Acreditamos que a cidade deva ter um centrinho bonitinho que não chegamos a conhecer. Tudo que vimos foi sujeira, casas e edifícios terríveis. Decidimos seguir viagem até Cochabamba, esse foi um grande risco. Não tínhamos ideia que seria tão perigoso, a estrada parece uma infinita Serra do Rio do Rastro, com pouquíssimos lugares para ultrapassagem. Era noite e com motoristas loucos. Todos usavam a luz alta do farol, dificultando muito a viagem. Acho que a ultima coisa que eu faria na Bolívia era pegar um ônibus, esses eram os piores. Imagino o pânico dos passageiros dentro deles. Eles ultrapassavam sem se importar com nada, jogando os carros da pista contraria para o acostamento, em meio a curvas. Nunca vi tanta imprudência no transito. Acho que foi a viagem mais tensa da vida do Julio. Total falta de respeito.
Finalmente chegamos a Cochabamba, enfim uma cidade legal. Aproveitamos para passear bastante, nos lembrou muito algumas cidades do Brasil. Nos sentimos um pouco em casa. Como era feriado, os pontos turísticos da cidade estavam fechados, então aproveitamos para curtir restaurantes, cinema, organizar um pouco nossas coisas. Tivemos momentos bem agradáveis na cidade, que estava muito pacata, pois devido ao feriadão, a maioria da população estava fora.

 

Essas casinhas que por fora a gente não dá nada

 

Uma tradição do carnaval e decorar as casas com balões e guerra de água e espuma. Acho que 80% da população participam. Todos têm uma sacolinha com bexigas de água para jogar em quem esteja distraído. Algumas são bem doloridas, pois vêem de edifícios. Se você resolve passear pela cidade, e bem provável que você será uma vitima. Isso quando não passam pessoas de carro te jogando spray de espuma. E não são apenas as crianças que fazem isso. Mas também existem as armas de água. Da bexiga ainda da pra desviar, mas na armas eles têm uma ótima pontaria. Para quem gosta, e uma ótima diversão. ups, não e o meu caso, que fujo de água assim como o diabo foge da cruz.

Plaza de Armas de Cochabamba

Stencils de Cochabamba

Sucre

Sucre, 15 a 18 de fevereiro de 2012

 

Seguimos para Sucre, finalmente uma estrada boa e com alguns trechos planos. A cidade é no meio de morros, por que não constroem a cidade no plano? Será que inunda? No plano tem rios, verde, flores, e nos morros pedras e concreto. As paisagens até Sucre eram muito bonitas, porém as comunidades muito pobres. Chegando na cidade, surpresa… Sucre é linda, clara e limpa. Realmente nos encantou. Os edifícios históricos são todos brancos, um pouco de arquitetura francesa, mas a grande maioria hispânica. Por fora as casas até não impressionam tanto, mas quando você espia as casas por dentro, um novo mundo se apresenta, são lindos jardins com fontes, pisos coloridos e jardins floridos. Nos divertimos andando pela cidade esperando que alguma porta estivesse aberta para espiar, era sempre uma surpresa. Além de espiar portas, a cidade tem vários atrativos.

 

Hanna em uma das ruas de Sucre

Fomos visitar o museu Casa de la Liberdad, onde tivemos uma agradável visita guiada com o Roberto e nos surpreendemos com esse historiador e pesquisador que fez um livro bem interessante sobre as missões jesuíticas na América hispânica, principalmente na Bolívia.Visitamos muito ruínas jesuíticas no Paraguai, Argentina e Brasil, mas não tínhamos a mínima ideia que na Bolívia elas não foram destruídas. Os edifícios continuam preservados e são absolutamente lindos, me agrada ver a mistura da arquitetura barroca com os traços indígenas, pena estar fora de nossa rota e ser tão pouco divulgado, mas gostaríamos muito poder ter uma outra oportunidade para visitá-las.

 

Casa de la Liberdad, Sucre

Descobrimos que aqui na Bolívia eles também tiveram uma guerreira importante para a história, que sacrificou a própria família pela sua causa, burra ela, mas cada um tem seus motivos. O divertido é que tem uma imagem como sendo uma mulher bem bonita, dá um look na foto.

 

Heroína dos Bolivianos... um pouco hollywoodiana?

Vale muito a pena visitar também o museu de arte indígena. Conhecer um pouco mais das tradições dos andinos, sua música, arte, comida, modo de viver e os trabalhos têxteis. É incrível a quantidade de detalhes e significados que seus artesanatos expressam. As mulheres quando produzem o artesanato não tem nenhum esboço, criam todas as imagens na hora de acordo com o que imaginam e criam desenhos prefeitos sobrepondo linha após linha, e é possível ver elas produzindo os tecidos no museu. Também tem alguns objetos incas de mais de mil anos.

 

Boneco de oferendas

 

Violero!

 

Trabalho artesanal textil feito por mulheres de tribos ao redor de Sucre

 

Trabalho artesanal feito pelos homens das tribos

Sucre tem coisas ainda mais antigas para se conhecer, como o parque cretáceo. O parque possui diversas estátuas de dinossauros em tamanho real, muito perfeitas, mas o que impressiona é um enorme paredão de um morro, que a princípio não passa disso, mas quando você se da conta, começa e enxergar diversos caminhos com pegadas de diferentes espécies de dinossauros que ali viveram.

 

Hanna achou um esqueminha

 

Olha os detalhes do bixinho

 

To com fome!

Não deixe de visitar também o mercado central, lá você encontrará uma grande variedade de frutas, verduras, condimentos e centenas de cozinhas com comidas típicas. A higiene não agrada muito, mas com certeza você poderá encontrar comidas bem saborosas a preços ridículos de baratos. Claro que a mão que pega o dinheiro será a mesma mão que pega a tua comida, eles adoram usar as mãos. Se você não tiver coragem para isso, vá um restaurante mais turístico, mas tenha certeza de que eles estarão servindo tudo com a mão, certas coisas são culturais. Se você não tiver estomago pra isso, é melhor não vir à Bolívia.
A comida número um é a fritura, os bolivianos adoram uma gordurinha, frango frito, pastel, batata frita. O franguinho frito deles é absurdamente gostoso, mas cuidado pra não exagerar, a tentação é grande e cada esquina você vai se encontrar com ele te chamando.
Dica sobre estadia, sempre verifique os quartos, cheire os lençóis e travesseiros, pois a higiene em muitos hotéis deixam a desejar. E nem sempre estrelas dizem alguma coisa, encontramos hotéis de uma estrela bem mais limpos que de 3 ou 4. Os preços também deixam o bolso feliz.