Quito

Quito

Olha o que encontramos no caminho para Quito em plena sexta feira santa:

El Poder Brutal

O trânsito da cidade estava um caos, não encontramos nenhum estacionamento no centro para buscar um hotel e resolvemos ficar mais distantes da muvuca. Eu estava muito ansiosa, pois no dia seguinte iríamos receber uma visita super especial, minha avó Gelma e minha tia Carla. No dia seguinte fomos buscá-las no aeroporto, parecia uma tola de tão feliz. Lágrimas de saudade corriam dos olhos das três sentimentalistas. Elas chegaram um pouco atordoadas com a altitude, mas logo se acostumaram. Abriu a temporada da matraca, três mulheres comunicativas juntos há muito tempo sem se ver, imagina o blá, blá, blá. Não faltava assunto. Pobre Julio que teve que nos aturar. Deixamos elas no hotel e fomos tomar uns mojitos para colocar o assunto em dia. Dormi esta noite muito feliz e satisfeita por ter uma parte da família próxima.

No dia seguinte fomos visitar o centro histórico, fomos direto para a Basilica, uma igreja mais recente, uma cópia de Notre Dame, mas no lugar de gárgolas, colocaram animais típicos do equador, tartarugas, iguanas, pelicanos, etc. a igreja é realmente muito bonita, mas gostei mesmo foi de ver o brilho no olhar da minha avó, apreciando o monumento, completamente impressionada. E que disposição que ela tem, vamos ficar muito felizes se na idade dela tivermos a metade da disposição que ela tem.

As meninas na frente da Basilica del Voto Nacional

Depois fomos em direção à catedral, mas no caminho havia uma apresentação de danças típicas dos povos da região em uma galeria também muito conhecida por bons restaurantes e suvenires. É sempre bom encontrar essas surpresas, as danças demonstram muito do cortejo entre os casais e tivemos também a dança do pau de fita, muito parecido com a de nossas festas juninas.

Apresentação de dança típica em Quito, Equador

Depois fizemos uma paradinha para almoçar um menu tradicional, que nós já estamos acostumados, mas para elas não foi lá muito atraente. Realmente os menus tradicionais não são tão saborosos, mas para nós viajantes é uma opção barata e completa. Depois do almoço começou uma forte chuva, foi ai que investimos em guarda-chuvas chinocas, que depois vieram a ser útil diariamente. Não sabíamos, mas abril é conhecido como mês das chuvas, existe até uma famosa frase muito utilizada nessas regiões, “abril, chuvas mil”! Fizemos também uma visita na igreja central, quanto ouro minha gente!

Depois de tomar conhecimento sobre as chuvas diárias, aproveitamos a manhã ensolarada para conhecer um vulcão que teve seu cume implodido, criando uma grande área fértil onde hoje existem varias fazendas e famílias que vivem na boca do vulcão. Acho que não gostaria de morar por ali não, pois dizem que ainda está ativo e tem algumas saídas de fumarola. Próximo dali fomos ao parque Mitad del Mundo, um parque onde tem a linha que divide exato o sul e o norte.

Carla, Hanna, Vó Gelma e Julio no parque Mitad del Mundo

julioehanna.com na latitude zero

Confesso que cada banheiro que vou aqui no Equador fico puxando a descarga para ver para que lado a água vai girar, e continua em sentido horário. Por que isso? Se no norte a água desce em sentido anti-horário, no sul em sentido horário, esperava que no equador fosse algo inédito, mas não, essa foi uma decepção que há anos queria testar e quando testei nada aconteceu. Mesmo assim o parque é lindo e tem vários museus. Adoramos visitar mini Quito e mini Cuenca colonial, essas cidades construídas em miniatura ficaram perfeitas. Outro museu que também nos chamou muita atenção foi o insectário, diversas espécies diferentes de insetos, alguns vivos e tinha até uma linda caranguejeira viva para se tirar fotos com ela andando sobre nós, minha vaidade até se interessou, mas minha consciência odeia a exposição desses animais selvagens, então a deixamos em paz. Uma coisa que nunca havia visto foi um gafanhoto com as asas abertas e é incrivelmente lindo. Ainda bem que aproveitamos bem a manhã, pois início da tarde a chuva volta a aparecer, resolvemos então visitar um shopping da cidade, que demonstrou ter os mesmos preços do Brasil, senão mais caro.

Eu e o Julio nos instalados em um hotel a uma quadra do hotel em que elas estavam. Pedimos uma fatura do pagamento, mas eles disseram que não tinham, que nosso nome já estava assinado no caderno e que podíamos ficar tranquilos que o pagamento é sempre antecipado. Quando chegamos à noite pedimos a senha para entrar na internet e o recepcionista pegou um papel qualquer, anotou e nos entregou. Quando chegamos ao quarto, percebi que estava faltando minha jaqueta que estava pendurada no cabide, fui direto informar ao recepcionista que havia sumido uma jaqueta que estava no quarto, de cor amarela berrante com a bandeira do Brasil no braço. Ele disse que teríamos que falar com seu irmão Jonathan, que estava durante o dia como responsável e retornaria no outro dia pela manhã. Na manhã seguinte acordamos um pouco irritados pelo que aconteceu, fomos tomar café da manhã e de repente o Julio se deu conta que o papel que foi entregue com a senha da internet era de uma lavanderia e coincidentemente estava anotado a lavação de uma jaqueta com data no dia em que ela desapareceu em nome de Jonathan. Fomos correndo à lavanderia para saber se era mesmo minha jaqueta e elas confirmaram que sim pelas características, mas Jonathan já havia buscado. Fomos reclamar a seu irmão que tínhamos prova de que Jonathan estava com a jaqueta, e que não ficaríamos mais naquele hotel, pois ele não poderia tirar nada de nosso quarto sem nossa autorização, pedimos para que ele entrasse em contato com o irmão, pois voltaríamos ali para pegar a jaqueta.

O que era para ser uma simples devolução se tornou uma novela. O Julio voltou mais tarde e Jonathan não apareceu, seu irmão disse para retornar pela manhã seguinte que a jaqueta estaria ali. Na manhã seguinte o Julio retornou e Jonathan disse que iria tomar um banho e disse pra ele voltar em uma hora. Nesse meio tempo, o Julio começou a ficar nervoso e resolveu voltar à lavanderia para falar com eles, porque se ele tivesse que chamar a polícia elas poderiam confirmar a história, e elas informaram um novo fato, fazia uma hora que Jonathan esteve ali para buscar a mesma jaqueta que ele levou para lavar a segunda vez. A história foi ficando mais estranha. O Julio retornou muito irritado e pediu a Jonathan a jaqueta, dizendo que se ele fizesse a coisa certa ninguém se prejudicaria, ele com a maior cara de pau disse que não estava com ela, mas que a conseguiria no outro dia pela manhã. O Julio insistiu em pegar o número da dona do hotel, mas ele disse que estava viajando e se negou a dar. Conseguimos um número de um outro hotel para entrar em contato com os donos, se negaram a dar, mas prometeram informar o que estava acontecendo. Retornamos a ligação para saber se haviam conversado com os donos e eles falaram que conversaram com o próprio Jonathan e ele informou que já estava tudo resolvido. Nada resolvido, estávamos indignados, não queríamos nos incomodar com polícia, não tínhamos nenhum recibo também para confirmar que ficamos hospedados ali. Fomos dormir indignados, não pelo roubo, mas pela cara de pau do moleque de ficar nos enrolando. Na manhã seguinte conversamos com dois policiais que estavam por ali e informamos o que estava acontecendo para saber o que deveríamos fazer. Eles disseram que nos acompanhariam para falar com o Jonathan. A hora que chegamos lá com eles, Jonathan quase caiu da cadeira, ficou vermelho de susto, começou a se explicar gaguejando. Ele disse que não poderia devolver, pois estava em posse de uma garota que estava no hotel, ela que pediu pra lavar, mas ele não conseguia explicar como ela pegou do quarto, começou a ficar todo enrolado. Os policiais pediram o recibo do dia em que ficamos, mas falamos que eles não tinham, e por coincidência o caderno onde estavam anotados os nomes e entradas não tinha nenhuma nota fiscal registrada. Os policiais já começaram a brigar pela sonegação das notas fiscais aos clientes. Depois pediram os nossos dados no caderno e coincidentemente os dias em que estivemos hospedados ali tiveram as folhas arrancadas. Depois pediu os dados da garota que ele diz que supostamente levou a jaqueta e pediu pra ele mandar lavar mesmo já sabendo que era nossa jaqueta. Ele não sabia mais quem era, não tinha os dados de registros de ninguém. Os policiais começaram a ficar nervosos e começaram a ver muitas irregularidades no hotel. Obrigaram ele a ligar pros donos, pois não iam sair dali até que os donos aparecessem. O moleque enrolou até que resolveu finalmente chamar os donos. Eles apareceram e ficaram indignados com tudo que aconteceu, claro que tentaram colocar a culpa de todas as irregularidades nos recepcionistas, o que sabemos que a história não é bem assim. Mas descobrimos que o preço que o rapaz cobrava pela estadia era mais caro do que o preço informado no livro de controle. Os donos ficaram indignados, pois eles também estavam sendo roubados, disseram que naquele mesmo dia Jonathan estava demitido e que iriam recuperar nossa jaqueta. Os policiais disseram que deveríamos fazer uma denúncia, pela jaqueta e pelo hotel por sonegação e se precisássemos de ajuda poderíamos contar com eles como testemunhas. Os donos imploraram para não denunciá-los, dizendo que isso nunca havia ocorrido e blá, blá, blá. Depois de todos esse rolo não queríamos nem saber da jaqueta ou da energia que ela traria. Fiquei com muita pena do moleque, mas Julio disse a ele que não foi nós que causamos isso, mas sim ele mesmo por ter feito a coisa errada. Mais tarde ele liga no hotel que estávamos hospedado para pedir para se encontrar conosco para pedir desculpas e que não denunciássemos o hotel. Óbvio que ficamos desconfiados, o Julio disse que aceitava as desculpas, mas que não queria se encontrar com ele. Imaginamos até que podia ser uma armadilha pro cara se vingar. Andávamos na rua olhando pros lados um pouco desconfiados. Vai saber o que se passa na cabeça de cada um, não é?! Esperamos ao menos que ele aprenda uma lição com tudo isso! No mínimo que nem todo turista tem sangue de barata!

Tempos depois de todo o ocorrido descobrimos algo pior, o moleque pegou nosso número do cartão de crédito e fez uma compra de US$ 1500,00 em uma loja de pneus. Lógico que conseguimos estornar a compra e a loja ficou com o prejuízo. Tremendo mala!

Saímos em uma manhã para fazer um passeio por Otavalo, faltava uns cinco minutos para as 09:30 e a polícia nos parou no trânsito, pensamos que tínhamos cometido alguma infração, mas descobrimos algo pior, a cidade tinha rodízio de placas para circulação, e justo neste dia placas com final numero 4 não poderiam estar circulando das 6 até as 9:30 e das 4:00 as 7:30. E faltavam cinco minutos para terminar o horário de rodízio. Falamos que somos estrangeiros e que não tínhamos conhecimento disso e explicamos que nossa placa era do Brasil. O policial nos liberou, mas logo em seguida veio outro e queria apreender o carro, pediu para que o seguíssemos de carro até o local de apreensão, o Julio saiu bem devagar o policial saiu rápido e o “perdemos” de vista, estacionamos então para esperar passar das 9:30 quando o policial retornou. Não tinha mais como ele apreender o carro, mas foi por muito pouco, caso ocorresse, teríamos que ficar com o carro apreendido, pagar uma bela multa e o estacionamento da policia. Conseguimos seguir para a simpática cidade de Otavalo onde tem a maior feira de artesanato indígena da América. É de ficar louco com tanta coisa bonita. Chapéu Panamá, tapetes, almofadas, mantas de alpaca, bordados, colares, roupas, foi uma delicia passear por aquele festival de cores e ver a população com traços indígenas, cabelos lisos escuros e olhinhos puxados.

Chapelotes, chapeletes, chapelones… no mercado de Otavalo

Arte indígena em Otavalo

Na volta tivemos que estacionar para esperar o horário das placas e aproveitamos para curtir um delicioso restaurante italiano, tomamos vinho, comemos muito bem e demos muitas risadas.

O centro histórico de Quito tem muito charme, e a cada passeio que fazíamos nos impressionávamos muito, as igrejas são realmente obras de arte, principalmente a de San Francisco, sua estrutura foi feita toda de pedras vulcânicas e ela e totalmente coberta de ouro e de estilo barroco. Pegamos uma guia muito simpática que estava aprendendo português e com muito esforço nos explicou a historia da igreja em nossa língua. É muito bom ver o interesse de pessoas em aprender o português. Mas o melhor da cidade, que é patrimônio histórico da UNESCO, é que tem suas edificações coloniais muito bem preservadas.

Vó Gelma e Carlota

Vó Gelma e Tia Carla no centro de Quito

Uma coisa que se vê muito durante todos os países da América do Sul são as churrascarias argentinas e em Quito não podia ser diferente, paramos para experimentar um pouco desse delicioso rango argentino. Para finalizar nossos passeios, fomos curtir uma linda apresentação sobre a cultura, folclore, danças e musica do equador, essa apresentação é considerada patrimônio artístico da humanidade. Tivemos momentos deliciosos em Quito mas infelizmente chega a hora da despedida. Adoramos a cidade, mas nada foi tão bom quanto estar perto desses duas mulheres incríveis, divertidíssimas, criativas e que amamos tanto.

Carla, Julio e Vó na praça Foch

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Montañita

Montanita

Montanita é também conhecida por “Drogadita”, frequentada por uma galera bem alternativa e tem um centrinho cheio de bares bem transados. Chegamos na praia pela noite e adoramos o ambiente cheio de vida, músicos, malabaristas, hippies.

 

Labaredas em Montañita

 

Passeando pelas ruas repletas de turistas, percebemos que tinham centenas de passarinhos descansando no emaranhado de fios elétricos.

 

Não só os humanos podem se juntar pra curtir uma night!

 

Nesta noite estava passando o jogo de futebol entre Emelec e Flamengo. Os torcedores do Emelec estavam em bando nos bares, torcendo pela derrota do Flamengo e brindando pela vitória. Não temos a mínima ideia de que droga uma galera estava usando, mas tinha um pessoal muito doido andando pelas ruas, rindo a toa, dançando em descompasso, curtindo suas bolhas.

 

Cada um na sua, mas com algo em comum… em Montañita (Drogadita)

 

Tudo no ambiente se combinava, infelizmente a praia era bem mais ou menos, então resolvemos seguir no dia seguinte para Guayaquil, fizemos toda a viagem pelo litoral, não encontramos nenhuma outra praia que nos chamou atenção, então resolvemos tocar direto para quito.

Galápagos

Galápagos, 29 de março a 04 de abril de 2012

 

Chegamos ao paraíso debaixo de muita chuva tropical, o Julio se empolgou para um bom banho de chuva pela cidade e voltou pro hotel todo animado, pois tinham muitos lobos marinhos. Assim que a chuva deu uma trégua fui dar uma volta e eram muitos lobos marinhos tomando conta dos calçadões à beira mar, dos bancos públicos, do parquinho das crianças, alguns chegam a interromper o transito achando que podem dominar a rua também, claro que com a primeira buzina sempre correm em direção à praia.

 

Hanna e os lobos marinhos

 

Tem lobos marinhos muito amistosos que não se importam com a presença dos moradores e turistas e outros são bem temperamentais e territorialistas. O cheirinho deles não é dos melhores, mas quando a brisa está a favor é uma delícia ficar ali observando por horas as mães criando seus filhotes, as brigas, as brincadeiras, qualquer lixo que eles encontrem no caminho pode ser um ótimo brinquedo para uma diversão garantida. Os pequenos são desajeitados e muito curiosos, fácil de se aproximar. Alguns turistas até se arriscam a acariciá-los, mas lembre-se, por mais fofinhos que pareçam, são animais selvagens e territorialistas, é bom manter uma distância segura. Felizmente eles tem mais medo da gente do que a gente deles, e qualquer bater de palmas eles já saem correndo. Alguns são exageradamente gordos e outros extremamente dorminhocos, é possível ver alguns parados na mesma posição dormindo da manhã ao fim do dia, esperando a vida passar, mas onde dá gosto de vê-los é dentro do mar, são muito velozes e ágeis, quando chegam à beira da praia ficam ali deitados esperando que uma onda venha para arrastá-los pela areia, isso me lembra a cena de algumas pessoas que costumam fazer isso e se levantam com o maiô cheio de areia na bunda.

 

Julio e seu novo mascote!

 

Assim é a ilha, vemos tudo de perto e não são só os lobos, são as flores, a natureza e animais únicos. Uma natureza linda, praias exuberantes, um chão de pedras vulcânicas que vão do preto a uma cor ferrugem. Eu me sentia em um cenário de filme. Fomos conhecer cantos especiais da ilha, o lago Junco, instalado na boca de um vulcão.

 

Nós na boca do vulcão!

 

A galapagueira, região onde são preservadas as simpáticas tartarugas de Galápagos, enormes, pesadas, com um ar pensativo e descontraídas, não se importavam com nossa presença. Logo de inicio pegamos umas tartarugas começando o processo de acasalamento. A fêmea “corria”, mas o macho não dava trégua, seguia com persistência, até que enfim começaram a acasalar, o processo é velocidade de tartaruga, então como ia demorar muito tempo, decidimos deixar o casal em paz. Conhecemos os mais velhos, que gostavam de ficar próximos uns dos outros, mas também paravam para discutir um pouquinho.

 

Hanna e as “talalugas” de Galápagos.

 

Qualé! Vai encarar?

 

Sou a dona do pedaço!

 

E conhecemos os bebês, esses engaiolados para serem protegidos dos predadores locais, em geral ratos e gatos. De repente ouço um barulho de casco e um bebê tartaruga está se debatendo com as perninhas para cima, provavelmente ia ser muito difícil para ele sair daquela posição, então o ajudamos a voltar a sua posição correta. Conhecemos também o Gênesis que foi a primeira tartaruga do projeto da época em que começaram a cuidar dos bebês, e ele foi o único que sobreviveu, tornando-se um símbolo de vitória para o projeto. Não só ele, como quase todas que ali estão sobre cautelosos cuidados são sobreviventes de um período em que muitas serviram como banquetes para piratas e exploradores.

 

A pequenininha (neném) tartaruga de Galápagos comendo um pouquinho.

 

Não esperávamos que Galápagos nos desse a oportunidade de encontrar uma praia que esperaríamos encontrar apenas no Caribe. Adiantamos aqui um dos nossos sonhos. Tínhamos muitas expectativas com este momento durante nossa viagem, conhecer uma praia com águas azuis e cristalinas e areias branquíssimas. Lá estávamos, em Puerto Chino, uma praia espetacular que nos deixou boquiabertos. Parecíamos ter entrado em uma capa de revista com aqueles cenários imperdíveis. Além da paisagem absurdamente bonita a temperatura da água era perfeita. Era como uma piscina azul dentro da praia, nunca tínhamos visto um mar como esse, com essa coloração, um mar inédito para nós que já vivemos em uma ilha deslumbrante. E de brinde ainda tivemos a companhia de uma tartaruga marinha, um “blue footed booby”, alguma coisa de pata azul e alguns pelicanos.

 

Puerto Chino – San Cristobal, Galápagos

 

Árvore de cáctus em Puerto Chino – San Cristobal, Galápagos

 

Fomos também fazer um passeio de lancha ao redor da ilha, a primeira parada era para fazer snorkel com lobos marinhos, iguanas marinha e vários peixes coloridos, foi uma delícia, tivemos a oportunidade de ver uma iguana atacando um peixe e se deliciando. Dos lobos mantínhamos uma certa distância, afinal os dentinhos deles são bem afiados. A segunda parada sim, foi algo impressionante, levou tempo para tomar coragem de me jogar na água. Estávamos em uma ilha de rochas vulcanicas com duas fendas que iam de um lado ao outro, onde as lanchas não passavam, conhecida como Leão dormido. O discurso dos guias foi o seguinte: “Vocês vão passar pela fenda até o outro lado da ilha fazendo snorkel, onde estaremos para esperá-los. Aqui vão encontrar diversas tartarugas marinhas e uma diversidade incrível de peixes, algumas arraias, alem de 4 espécies diferentes de tubarões, mas a grande maioria tubarões martelo. Semana passada avistamos mais de cem. Não se preocupem, eles são tranquilos, mas por favor nadem devagar e não entrem em pânico ao avistá-los. A profundidade é de mais ou menos 40 metros e procurem nadar todos juntos”. Óbvio que entrei em pânico, coração palpitando. Dois que estavam no barco desceram com oxigênio e o restante foi de snorkel. Um alemão já olhou pro guia e disse que não chegaria nem perto da água, o Julio me olhou ansioso e eu olhei pra ele com ar de “vamos mesmo fazer isso?” e tchibum, lá fomos nós, eu tava apurada pra fazer xixi, mas fiquei pensado, e se fizer aqui no mar e atrair os tubarões? Infelizmente a água estava com baixa visibilidade devido às fortes chuvas. Chegávamos perto do costão onde haviam muitos peixes coloridos, algas e crustáceos, mas a única coisa que pensava era: e se vem uma onda mais forte vem e a gente bate no costão, podemos sofrer um arranhão e sangrar, li uma vez que tubarões sentem o odor do sangue a um km de distância, e se alguma garota esta menstruada? Será que atrai? Na minha cabeça só pensava: tem tubarão, boca grande, barbatanas, tudo isso abaixo de nós, e olhava pra baixo, mas estava tudo meio turvo, a visibilidade era de mais ou menos 5 metros. As tartarugas marinhas chegavam calmamente bem próximas de nós, vinham a superfície para tomar ar e retornavam com serenidade ao mar. Eram lindas, mas só pensava na parte que, de repente, veríamos um tubarão com fome a qualquer momento, com a boca aberta em minha direção. (In)felizmente o grupo não avistou nenhum. Quando atravessamos a fenda, a hora que avistei a lancha comecei a nadar mais rápido e mais rápido, me afastei do grupo e só pensava, quero sair do mar, to me sentindo em um filme do Steven Spielberg com a musiquinha do tubarão branco na cabeça. Quando encostei na lancha, fiquei tão aliviada que cheguei a me mijar. O resto subiu ao barco com ar de decepcionados por não haverem avistado tubarões, a não ser o pessoal que estava com oxigênio, avistaram pelo menos 4 e disserem que eles estavam apenas a 5 metros abaixo de nós. No fundo eu bem que fiquei feliz, meu medo era de entrar em desespero quando avistasse um e nhaque, eles se alegram com um lanche nervosinho.

 

Fenda dos tubarões na ilha do Leão Dormido, onde naddddaaammmooosss!!!!!!

 

A outra fenda cheia de tubarões.

 

Saímos dali para uma praia que foi atingida por tsunami e segundo os moradores, modificou bastante, diminuiu pela metade a faixa de areia, mesmo assim foi uma ótima parada para fazer o almoço e nadarmos tranquilos em meio a pequenos peixes.

 

Julio na praia onde Darwin acampou pela primeira noite em Galápagos.

 

Depois voltamos para a ilha do Leão Dormido, a ideia era atravessar novamente a fenda para fazer mais uma tentativa de avistar tubarões. O que esse povo tem na cabeça? Na falta de tico e teco lá fomos novamente, arriscando a vida em busca de um pouco de adrenalina, mas desta vez ficamos ali próximos da lancha, nada de tubarões, já estava até mais tranquila com a esperança de que eles não apareceriam, será que sentiram meu medo e resolveram me deixar em paz? Levamos um pequeno susto com um pata azul que saltou de queda livre mergulhando bruscamente perto de nós. Fora isso, voltamos a ver mais peixinhos coloridos e muitas tartarugas. Voltamos bem satisfeitos com a nossa aventura.

 

No mesmo dia convidamos o pessoal do passeio para tomar uma cervejinha em um barzinho bem badalado da ilha e conhecemos algumas pessoas bem legais. Quando botamos a cabeça no travesseiro antes de dormir, nos olhamos e começamos a rir… nossa que aventura.

 

Li em algumas revistas que pra muitos surfistas a Loberia é uma das melhores praias para surf, então fomos conferir este pequeno paraíso. As ondas estavam realmente muito bonitas e tivemos a sorte de ver muitas iguanas e arraias.

 

 

Arraia com fucinho de cachorro!

 

Surfista na praia de Loberia, San Cristobal – Galápagos

 

Surfista na praia de Loberia, San Cristobal – Galápagos #2

 

Devido às fortes chuvas diárias resolvemos ficar apenas por São Cristobal, a viagem para as outras ilhas do arquipélago de Galápagos levavam aproximadamente 4 horas e achamos que não seria válido, pois tudo que queríamos ver tinha por ali. E vale cada passeio, tem muitas trilhas em meio à natureza, muitas praias para snorkel, um verdadeiro paraíso. Voltamos muito felizes.

 

Por do sol em Playa Mann, San Cristobal – Galápagos!

 

A única desvantagem é que a ilha é muito pequena, no centrinho se concentram os bares, lojas de pacotes turísticos, restaurantes e lojas de suvenires. Ali demos preferência aos bares mais turísticos, onde o custo beneficio era bem superior. Aprendemos isso depois de comer algumas vezes em restaurantes para moradores locais, a comida não tinha muito sabor e o atendimento era sempre preferencial aos moradores, para os turistas levava uma eternidade. Falta muita opção de comida, e se você for ficar por muito tempo, terá que se conformar. Os preços são bem mais altos do que no continente, pois tudo leva muito tempo para chegar. A ilha é famosa por produzir um café exclusivo, levei um pacote para minha avó que diz não ter gosto de nada especial.

Guayaquil

Guayaquil, 27 e 28 de março de 2012

 

Guayaquil é a maior cidade do Equador, não é muito turística, mas é um bom lugar para se pegar o vôo até Galápagos sem fazer escalas. A cidade é quente e bem urbanizada, tem uma linda Beira Rio, conhecida como Malecon. Lá se encontram muitos restaurantes e centros comerciais, além das lindas praças, fontes, monumentos, jardins, mirantes, artesanatos e dois lindos barcos para se visitar.

 

Malecon

 

O barco bóia na água.

 

Aproveitamos também para ir ao IMAX, o Julio já conhecia, mas para mim que foi a primeira vez achei sensacional, parecia uma criança com brinquedo novo, meus olhos brilharam ao ver aquela tela de cinema gigante em formato de abóboda, parecíamos estar dentro do filme, gostei até mais que o efeito 3D.

 

IMAX, eu fui!

 

Outra coisa que adoramos na cidade foi o yogurte árabe ou persa, geralmente congelado e triturado com frutas que fica quase um delicioso sorvete. Ficamos em um hotel baratíssimo que depois descobrimos que era um motel, e estava até que bem estruturado, com ar condicionado, tv a cabo, banheiro privado, tudo isso por 15 dólares. Claro que não tinha banho quente. Como é bom ter estadia barata, combustível barato e comida barata, estamos começando a gostar bastante do Equador.

 

Queria que as favelas no Brasil fossem assim.

Cuenca

Cuenca, 24 a 26 de março de 2012

 

Finalmente chegamos ao Equador, ficamos um bom tempo na fronteira para conseguir o comprovante da aduana, mas depois de duas horas de espera e despreparo dos policiais para nos atender pudemos seguir rumo a nosso novo destino. Passamos por milhares de plantações de banana e uma linda vegetação a caminho da serra, como é bom estar perto da natureza novamente. No Equador já ficamos um pouco mais felizes por ver finalmente a maioria das casas com reboco e aqui eles usam alho na culinária. Alho fez muita falta na comida do dia a dia. O arroz ainda continua um pouco sem gosto como no Peru e Bolívia, por isso continuamos a pedir pratos sempre sem arroz. Apesar da moeda ser o dólar americano, os preços por aqui estão bem acessíveis e o valor do combustível parece uma piada, é pelo menos cinco vezes mais barato que o Brasil, pena que o país é tão pequeno pra rodar.

 

Cuenca é uma cidade histórica com lindos edifícios coloniais, muitos restaurantes para todos os gostos. Não tem grandes atrações, o delicioso é andar pela cidade apreciar a arquitetura das casas e igrejas muito bem preservadas do período colonial. Um dos cartões postais da cidade é uma ponte de pedra que teve parte de sua estrutura derrubada, mas vale a pena o passeio.

 

Puente Vieja - Cuenca

 

A cidade é um bom lugar para relaxar e, para os que desejam, ao arredor tem muitos banhos de águas termais e pequenos vilarejos que aos domingos tem feiras com artesanato, comidas típicas e um especial porco assado que, infelizmente, não pudemos experimentar, pois o caminho para esses povoados estava fechado por um deslizamento de terra. Ficamos muito curiosos, pois a fila de visitantes era gigante, é uma pena quando isso acontece, mesmo assim a cidade vale o passeio.

 

Casa vieja - Cuenca

 

Iglesia vieja - Cuenca

 

Edificio viejo - Cuenca

 

Abobodas viejas da Iglesia vieja - Cuenca

 

Otro edificio viejo - Cuenca