Barreirinhas

Barreirinhas

 

Pôr do sol nos Lençóis Maranhenses

 

Já que não foi possível conhecer a ilha de Lençóis resolvemos ir em direção a Barreirinhas, cidade que abriga uma das melhores maravilhas do Brasil, os Lençóis Maranhenses. Todos nos informaram que o acesso era realmente bem inapropriado para ir com carro próprio, aderimos então à versão turística com passeio de agências. Pela manhã fomos a um rio descer de bóia por aproximadamente uma hora, passeio tranquilíssimo, rio super calmo, água quentinha, mas não havia necessidade de ser feito pela agência, o caminho estava bom e a bóia era dispensável, mas já que fomos, curtimos. Pela tarde fomos aos lençóis, o caminho desta vez compensou ser feito pela agência dos Érics, administrada por seis irmãos, todos com nome de Éric, inclusive tinha até um Eric Clapton no meio. O caminho era de areia e realmente próprio para quem tem experiência no assunto, mesmo eles que estão acostumados dizem que diariamente alguém atola. Foi melhor não arriscarmos. Essa época do ano o nível da água nos lençóis estava bem baixo e algumas lagoas estavam completamente secas, mas ainda assim foi possível curtir nas pequenas lagoas em meio às dunas. Água quentinha e cristalina, as dunas eram bem fáceis de caminhar, pois eram bem compactas, isso nos deixou muito feliz, pois já tivemos experiências em dunas que parecíamos que íamos ter um ataque cardíaco. O visual da região é realmente incrível, pena os passeios de avião serem tão caros, mas quem foi, recomenda, porém para nós, sem condições de encarar, infelizmente esse tipo de turismo no Brasil é totalmente inacessível aos viajantes econômicos. Lá conhecemos um casal bem legal de Salvador e já aproveitamos várias dicas da cidade enquanto curtíamos o lindo pôr do sol nas dunas. Um paraíso tropical maravilhoso que dá aquela sensação de estarmos sonhando acordados, mas essa é a nossa realidade, ooooooo vida boa!

 

Hanna apresentando a laguna dos peixes

 

De Barreirinhas seguimos em direção a Parnaíba pelo interior, a estrada foi uma aventura deliciosa, estrada de terra barro e às vezes de areia, cruzava por pequenas comunidades perdidas no tempo, o engraçado é que mesmo muito simples, às vezes passávamos por casebres de palha e víamos diversas caixas de som enormes, as festas ali devem ecoar pra toda a vila. Passamos também por algumas vilas indígenas, com muitas crianças, todas peladinhas brincando pela rua, subindo em árvores e rindo à toa. De vez em quando o GPS, que está desatualizado, nos mandava por caminhos que não existiam mais, o que também se tornou bem divertido, pois íamos parar em lugares únicos, com laguinhos de água cristalina com uma vegetação exuberante, dava vontade de ficar por ali, mas não estávamos preparados com recursos suficientes para isso. Ficarão apenas a lembrança de um caminho de muitas belezas.

 

A nossa carona

 

 

 

 

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São Luís

São Luís

 

Cai cai balão! É festa junina!

 

Para cortar caminho, resolvemos pegar a balsa para São Luís, isso nos economizou uns 350 km. Por sorte, a balsa estava bem animada com um grupo de dançarinos de Cururupu que iam fazer apresentações na capital e estavam com todo o pique, tocando, dançando e cantando. Já deu pra sentir uma prévia do que estaria por vir. Foi muita sorte chegar a São Luís bem nessa época quando se comemora uma das festas juninas mais bonitas do Brasil. Ao chegar à cidade, fomos em busca de camping, havíamos mandado vários pedidos de couchsurfing, porém ninguém estava disponível devido à época de festas. Pela dificuldade que tivemos para encontrar um camping, resolvemos ligar para um contato do couch pedindo auxílio. Foi aí que Gabriela, mesmo estando ocupada, nos recebeu em sua casa. Apesar da aparência de menina, que parece uma bonequinha, tem uma personalidade forte, a qual apreciamos muito, além de querida, divertida, batalhadora e super atenciosa. Conhecemos então um paraíso perdido na capital maranhense. Ela vive com a família em um sítio, acompanhada de uma matilha! Nos sentimos parte da família nesses dias que vivemos juntos. Sua mãe, Gladys, que mais parece sua irmã, diariamente nos preparava um delicioso café da manhã com cuscuz, do qual fiquei viciada. Lá vive também Juninho, Gabriele e Graziela, além dos sete cachorros: Escuridão (dobermann), Valente (rottwailer), Urso e Ursula (Akita), Menino e Menina (Labrador) e Pitbundinha (Pitt Bull). Será que falta segurança nesse sítio? Alguém se arrisca a entrar sem ser convidado? Conhecemos também o Albert, namorado de Gabriela, baterista da banda Ária. Não dava vontade de ir embora. No dia que estávamos de partida ajudamos a Gabriela a levar os cães no veterinário, como levamos a metade do dia para fazer isso, já tínhamos uma desculpa para fiarmos um dia a mais, hehe. A família toda é muito acolhedora, inteligente, agradável, amorosa e divertida. Agora se entende porque as pessoas do couch que a Gabriela hospeda sempre ficam um tempão.

 

Gabriele, Alex, Grazi, Gabi, Gladys, Albert e Julio na praia do Raposo

 

Na primeira noite, Albert e Gabriela nos levaram ao centro da cidade para participar da festa de São João. São tantas apresentações, tanta cor, músicas folclóricas, danças, vestimentas, alegria, comidas típicas, que ficamos em êxtase. Com o tempo fomos assimilando um pouco de cada grupo e seus diferentes ritmos, lá chamados de sotaque. Tem grupos mais tradicionais que seguem o enredo conhecido no Brasil inteiro, sobre o boi, mas existem diversos grupos que narram a história de forma simplificada através de diversos sotaques diferentes. Cada sotaque tem características próprias que se manifestam nas roupas, na escolha dos instrumentos, no tipo de cadência da música e nas coreografias. A mais divertida, e que chama a platéia para um tipo de transe é o sotaque de matraca, na qual todos que quiserem batem dois pedaços de pau (matraca) no ritmo da dança.

 

Festa Juninia – São Luís

 

Abusado!

 

Abusada!

 

Tivemos noites espetaculares, não imaginávamos o tamanho da devoção e dedicação deste povo para uma festa folclórica. Foi uma aula de alegria, dança, cultura, e por ai vai. Por isso resolvemos passar todas as noites curtindo um pouco desta festa fabulosa que se espalha por toda a cidade, foram quatro noites de pura alegria.

 

Pegação!

 

Boi da cara preta

 

Só na sacanagem

 

Saímos para conhecer o centro histórico, que de noite fica bem iluminado e estava cheio de bandeirinhas de festa junina. Grande parte do centro possuí os casarões coloniais bem conservados muitos, com o passar dos anos, tiveram sua fachada revestida com azulejos para melhor conservação. Estes azulejos possuem lindos desenhos e hoje se tornaram o símbolo da cidade. Durante o dia estão abertos alguns museus da cultura local e galerias de arte e artesanato que valem a visita.

 

Bandeirinhas no centro

 

Mercado no centro

 

A parte nobre e também turística da cidade possui lindas avenidas à beira mar, repletas de bares, restaurantes, lagunas e praias lindas com longa extensão de areia com campos de futebol e… IMPRÓPRIAS para banho. Fora da área nobre, a cidade é um queijo suíço, nunca vimos tantos buracos em uma cidade só, inclusive chegamos a ver um carro semi-tragado por um buracão. Prova de que coronelismo não ajuda em nada, não é família Sarney!?!

 

Praia de Calhau

 

Tivemos também a oportunidade de fazer um passeio com toda a família na praia da Raposa e almoçar junto um peixinho fresquinho com camarões. Para nós essa união familiar nos trás muito aconchego. A cidade de São Luís é muito linda para se visitar, mas o que realmente nos faz ter vontade de voltar é rever a Gabí e sua família. Desejamos-lhes toda a felicidade e booooraaaa visitar a gente lá em Floripa!

 

Julio e escuridão

Apicum Açu

Apicum Açu – Reentrâncias Maranhenses

 

Em busca de uma das regiões mais úmidas do mundo, seguimos em direção das reentrâncias maranhenses. Estas, formadas por extensas áreas de mangue com diversas aves aquáticas, sendo que possui um grande número de Guarás Vermelhos, ainda abriga tartarugas, peixes bois e crustáceos. Segundo os guias, o ponto para se conhecer esta região é a cidade de Cururupu, porém ao chegarmos lá, descobrimos que o ideal era ir até Apicum Açu, pois a estrada estava “ótima”. Quando consideramos um asfalto de má qualidade, brincamos que é um asfalto de “dois dedinhos”, foi quando então retiramos um pedaço do asfalto com a mão com facilidade e adivinhem… a espessura era de “um dedinho”. Asfalto novo, cheio de buracos, mais buracos mesmo, daqueles de engolir um carro. O Maranhão teve a pior estrada da viagem. Mais uma prova de que coronelismo não dá certo.

No caminho passamos por Bacuri, uma cidadezinha simpática onde descobrimos uma lanchonete deliciosa. Comemos várias coxinhas e tomamos o famoso guaraná Jesus, tão doce que parece chiclete de tuti-fruti e também provamos o suco de Bacuri, delicioso.  Quando chegamos em Apicum-Açu, fomos atrás do barqueiro responsável por fazer os passeios na região, ele não estava por lá e teríamos que aguardar o próximo dia para contactar-lo. O passeio que nos aconselharam a fazer era até a ilha de Lençóis, uma ilha de dunas com lagoas, muito parecida com a região dos lençóis maranhenses. A cidade era um pouco assustadora, as casas próximas ao porto ficavam em meio ao mangue, onde as pessoas jogavam o lixo pela janela e existiam banheiros igual à cena do filme “Quem quer ser um milionário”, lembra aquela parte que ele cai na merda? Igualzinho. Foi ai que decidimos tomar um banho… mas não ali, hehe, fomos na estação de combustível e resolvemos acampar no terreno da delegacia da cidade.

 

Essa é a paisagem do caminho!!

 

No dia seguinte encontramos um casal que também queria fazer o passeio e fomos em busca do barqueiro, ele nos informou que naquele dia não haveria saída e o custo do frete seria de R$500,00. Sem condições de pagar este valor optamos por um passeio alternativo, decidimos ir até a ilha da baleia com outra embarcação para passar o dia, foi aí que conhecemos um grupo de pescadores divertidíssimos, no caminho avistamos diversos guarás vermelhos e apreciamos o manguezal.

 

Guarás vermelhos fazendo um soninho depois do almoço

 

 

Pra pescar é fácil, quero ver fazer um churrasco!

 

Os barcos vão até essa ilha para aguardar a baixa e cheia da maré e aproveitam para fazer o almoço. Lá existe uma pequena vila com casas de palha em palafitas, uma comunidade muito pobre que vive da pesca de peixes e camarões.  Não existe nenhum comércio, bar ou restaurante. Os barcos ficam ali esperando a maré baixar até que a água desaparece por completo o mar vira terra, milhares de caranguejos emergem e guarás vermelhos aparecem um busca de comida. Os pescadores nos prepararam um delicioso peixe, mas eles comeram frango, foi durante o almoço que vimos eles agradecerem a Deus pela comida e pedir que suas famílias também tivesse em casa a mesma fartura. Ao redor dos barcos ficam uma dúzia de cachorros magros e famintos em busca de migalhas que todos os barcos fazem questão de deixar pra eles. Brincamos com o cozinheiro que logo apelidamos de Maria, enquanto a maré não sobe, eles aproveitam para organizar as redes, limpar o casco dos barcos e jogar muita conversa fora. Para voltar pegamos um outro barco e ao tentar pagar pela viagem e o almoço, descobrimos mais uma vez que existem pessoas realmente boas nesse mundo, eles não aceitaram e com muita insistência conseguimos deixar um troco para que eles pudessem pagar a cachaça da festa junina. É surpreendente ver pessoas que tem muito pouco compartilharem o que tem. Esses são ensinamentos que não se aprende na escola!

 

 

Os cachorros esperando a comidinha

 

A galera do barco! O dono do barco, Deco, a Maria (Claudio), o Joelinton e o Carlos.

 

Os pássaros apreciando a maré baixa e comendo até explodirem