Huaraz

Huaraz, 15 e 16 de março de 2012

 

Do litoral para a serra, seguimos em direção à cordilheira branca para apreciar uma das regiões, considerada por muitos peruanos, mais bonitas do pais. Fomos aos lagos de Llanganuco que ficam no parque nacional de Huaraz, mas o acesso para chegar até lá é absolutamente horrível, foi a pior estrada que pegamos no caminho, ela deve ter sida bombardeada, pois não era possivel ter tantos buracos em uma só estrada. Uma estrada de terra, cheias de burados e serra, perfeito para acabar com nosso humor. O Julio queria desistir e voltar, mas estavamos ali pra isso. Quando chegamos na entrada do parque o pessoal que vendeu o ticket perguntou três vezes se não íamos acampar, pois para camping era mais caro. Respondi a primeira vez que não, a segunda vez que não, a terceira vez que não, se perguntassem a quarta vez  com certeza uma força maior dentro de mim ia engrossar a voz, pois estava perdendo a paciência. Estavamos irritados, o Julio mal conseguia apreciar a paisagem, mas logo fomos nos acalmando e realmente a região é bem bonita, são dois lagos grandes com água cor turquesa em meio a montanhas nevadas.

 

Laguna de Llanganuco, em Huaraz

 

Hanna e o Llanganuco

 

Se nos perguntarem se vale a pena o esforço, digo que já vimos lagos mais bonitos e interessantes no Chile com as condições de estradas, mesmo em rípio, bem melhores que essa. E que eles deveriam se preparar um pouco mais para o turismo. Quando achavamos que o pior já havia passado, não estávamos nem perto, a volta foi a pior e mais tensa estrada que pegamos durante toda a viagem. Se a Bolivia tem a estrada da morte, Peru tem a estrada do suicídio. Uma serra que atravessa montanhas de 4000 metros de altitude, com pista para um carro só, com ônibus, caminhões e peruanos loucos dirigindo. Cada curva era um pavor, muitas delas tínhamos que dar a ré para conseguir completá-las, pois eram muito estreitas, ficamos imaginando como um ônibus faria essas curvas, era raro encontrar um lugar onde pudesse passar dois carros, então torciamos para não ter que encontrar nenhum em nosso caminho. Quando isso acontecia, pensávamos: “e agora, impossível dar a ré por aqui”, e nos colocavamos a um centimetro de precipícios de mais de 1000 metros de altura. Sentimos muito medo, mas não tinha mais como retroceder. Finalmente chegamos ao litoral novamente. Esperamos nunca mais ter que passar por situações como essa, esse é um tipo de estrada que deveria ser utilizada como trilha para andarilhos malucos e nada mais. Mas ainda assim se encontra beleza na estrada da morte:

 

Beleza na estrada do suicídio peruana

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