Mostardas

Mostardas, 26 a 30 de agosto de 2011.

Passamos em um mercado para fazer um rancho de sobrevivência e seguir para Mostardas. Sabíamos que ficaríamos bem isolados, em uma pequena vila de pescadores. O cenário do caminho combinou perfeitamente com a trilha sonora: “Into the wild”, do filme “Na natureza selvagem”, feita pelo Eddie Vedder. A caminho da cidade, demos carona para algumas pessoas. Imaginem que o ônibus passava apenas duas vezes ao dia. A famosa estrada do inferno está asfaltada, claro que com algumas pequenas crateras no meio, que acreditamos estarem em manutenção… ou assim esperamos.

A estrada da cidade de Mostardas até a praia está em constante modificação, por ser região de dunas, ela está sempre mudando de lugar. Quando chegar na praia, muito cuidado no caminho, pois podem ter leões marinhos, pescadores, cordas de redes, pinguins e vários pássaros lindos. Seguimos por praia em direção à Praia Nova, que é caminho para o farol de Mostardas, onde fica nossa hospedagem. No caminho víamos areia e mar e eis que finalmente avistamos o farol, que é muito bonito, por sinal. A vila de pescadores era realmente bem pequena. Ficamos instalados na casa do Pilotto, amigo do pai da Hanna. Os vizinhos apareceram na porta para saber se estava tudo certo e se precisássemos de algo, poderíamos contar com eles.

 

Vila de pescadores do Farol de Mostardas

 

Na manhã seguinte, recebemos a visita esperada do Rogério (Zezo – pai da Hanna) e a surpresa, o Jerônimo (Tio Jê – tio da Hanna). Foi só alegria. Aproveitamos a manhã para subir no farol. Ele foi construído em 1940. Quem conserva o farol é o pessoal da marinha, que tem que ficar por lá por 3 meses.  Os arredores do farol é reserva ambiental e de cima dá pra ver bem a Lagoa do Peixe, as dunas, a vila, o mar e acabou.

 

Julio, Je e Zezo

 

 

Farol de Mostardas

 

Fizemos um churrasquinho e milagrosamente a fraldinha estava mais gostosa que a picanha. De tarde um soninho e de noite um peixinho com camarão. Vida difícil! Muito bate papo, e pufff… acaba a energia começa uma ventania fortíssima e no meio da madruga ataca uma forte tempestade com muitos raios.  Na manhã seguinte só calmaria. Fomos então passear nas dunas. Tínhamos até os “lençóis mostardenses”. Tentamos ir até a Lagoa dos Peixes, mas a chuva começou a ameaçar.

 

"Lençóis Mostardenses"

 

De tarde, a despedida. É sempre triste, mas necessário. Foi ótimo revê-los, porém nos demos conta que o próximo contato com algum conhecido será somente em Buenos Aires em meados de outubro.

Novamente sozinhos, fomos caminhar na praia, brincar com os pássaros, ver conchas, fizemos uma paradinha para conversar com os vizinhos, provocar a cachorrada. Achamos que tem mais cachorro do que moradores na vila.

 

Companhia dos pescadores

 

Posando pra foto

 

No dia seguinte fomos novamente à Lagoa do Peixe, mas por outro caminho. Muito assustador com vários bancos de areia movediça. A Hanna ficou desesperada, pois afundou duas vezes o pé muito rapidamente… ainda bem que estávamos perto de um banco de areia para sair dali. A natureza ao mesmo tempo é bela e traiçoeira. Resolvemos seguir a volta pela trilha que os habitantes locais fazem, muito mais seguro e relaxar com o por do Sol.

 

Pôr de sol com "rabo" de cavalo

 

Infelizmente nos decepcionamos com o desleixo dos moradores da região com a enorme quantidade de lixo espalhado ao redor das casas e no córregos. Recolhemos alguma coisa, mas nada que fizesse muita diferença.

Em Mostardas, fomos ao atelier de um artesão conhecido na região por pintar e esculpir os pássaros que migram para a Lagoa dos Peixes, que, muito desconhecida pela população brasileira, é um dos maiores locais de migração de pássaros das Américas. O Eloir é uma pessoal muito agradável e simpática, além de talentoso. É conhecedor das aves da região e, com uma grande paixão pelo que faz, consegue transpor para suas esculturas, em madeira, a vivacidade dos pássaros que observa. Vale muito a pena dar uma passadinha no atelier dele, para uma conversa e apreciar suas obras. Para quem tiver interesse, ele atende pedidos por e-mail : eloir.artesao.mostardas@hotmail.com

 

"Papagaio" do Eloir

 

Pássaros do Eloir

Porto Alegre

Porto Alegre, 22 a 26 de agosto de 2011.

Em POA, mandamos convite para ficarmos hospedados através do Couch Surfing (ou CS para os mais chegados). Para quem não conhece, o CS é uma rede social que cadastra viajantes que gostam de fazer itercâmbio e conhecer novas culturas. Já havíamos encaminhado em Santa Catarina o convite para nos hospedarmos em uma viagem, mas ninguém havia respondido. Ficamos muito felizes com o retorno que obtivemos em POA , pois quase todos os hosts que encaminhamos pedidos aceitaram nos receber.

O primeiro que respondeu foi o escolhido e mais uma vez a sorte nos acolheu. Ficamos na casa do Almir, pessoa maravilhosa. Pensa em alguém simpático, divertido, inteligente, super sociável e um juiz muito workaholic. É ele! Na primeira noite nos levou à Associação Leopoldina Juvenil, junto com outros integrantes do CS. Os meninos foram fazer uma sessão de sauna, cerveja na frente da lareira e ofurô… chic né! Claro que não podia entrar mulher, mas a Hanna ficou na biblioteca se atualizando um pouco do que estava acontecendo no mundo.

O Almir nos deu varias dicas da cidade. Nos levou para jantar no delicioso Koh pee pee, um restaurante Tailandês considerado a 7 anos o melhor do Brasil. É de comer de joelhos de tão bom. Vale cada centavo. Além da companhia, que nos fez sentir muito a vontade e com papos agradabilíssimos.

Nós e o Almir no Koh Pee Pee

Tivemos também, através do Almir, a oportunidade de conhecer várias pessoas interessantes no encontro semanal número 104 do Couch Surfing de Porto Alegre. Lá ele parecia um populista, conhecia praticamente todo mundo que estava ali. Foi muito divertido trocar experiências com pessoas de diversas idades, profissões, estilos. O melhor é que ninguém esta ali por acaso, todos tem alguma coisa em comum, amam viajar. Conhecemos uma garota sensacional que é a cópia escrita da Lara, prima da Hanna. Já somos fãs da personalidade da Lara, se ela continuar no mesmo caminho, com certeza ficarão muito parecidas. Deu até para se sentir próximos da família.

Encontro do Couch Surfing no Dhomba Blues Bar!

Além de todos esses momento deliciosos, ainda tivemos os passeios pela cidade. Praças históricas, ruas muito arborizadas e bairros de primeiro mundo. O Mercado Público da cidade merece uma parada na banca 40 para a deliciosa taça de salada de frutas com nata e três bolas de sorvete, hummm! Sem contar a feira com variedade de frutas, verduras, carnes e restaurantes.

Não deixem de visitar as diversas opções culturais que a cidade oferece. O Santander cultural, o MARGS, o Memorial ao Rio Grande do sul, o Espaço Cultural Mario Quintana, Jardim Botânico com o Museu de Ciências Naturais e o Centro Cultural da Usina do Gasômetro. O Museu Iberê Camargo também é interessante, porém nos referimos somente à arquitetura e a localização privilegiada. Ironicamente, até o pessoal de POA disse que lá “também haviam alguns quadros”.

Dentro do Museu Iberê Camargo

Hanna se "apresentando" no palco do jardim botanico

O Museu de Ciências e Tecnologia da PUC é diversão garantida para adultos e, principalmente, para  crianças. Durante a semana os colégios, felizmente, levam as crianças para visitação. Muitas crianças, por sinal! Era criança em todos os lados, berrando, brincando, estudando e correndo. E nós, lá no meio delas, competindo para ver as experiências e artigos do museu. Crianças curiosas, educadas, mal educadas, engraçadas, suadas, divertidas, fedidinhas, tinha de tudo. Professoras desligadas, preocupadas, apavoradas.  Tem pra todos os gostos, inclusive você vira um pouco criança lá dentro.

Mucholoca no museu da PUC de Ciências e Tecnologia

Subimos no Morro da Teresa para curtir o visual da cidade, ver o Rio Guaíba e o estádio Beira Rio de cima. Naquele dia havia jogo e a cidade estava uma loucura. Eram diversos ônibus com torcedores e mais torcedores. A Hanna, que odeia futebol, estava só pensando no congestionamento que iríamos pegar. Dito e feito… ficamos quase uma hora parados no trânsito por causa do jogo. Se algum jogador passasse na frente dela, acho que ela matava. Não é boa ideia ela continuar frequentando os estandes de tiro.

Por causa do trânsito, perdemos o famoso pôr do sol no gasômetro. Dizem que está entre os 5 mais lindos do mundo. Muitos gaúcho apreciam este espetáculo da natureza acompanhados de seu chimarrão. Mas como somos persistentes, retornamos no dia seguinte. Eles tinham razão, é realmente maravilhoso. Esse foi o nosso cartão postal de POA.

Pôr do sol em POA... muito lindo

Santa Maria

Santa Maria 19, 20 e 21 de agosto de 2011

Em Santa Maria ficamos hospedados na casa do Gringo (vulgarmente conhecido como Prof. Dr. Leonardo Lopes). Aproveitamos para relaxar um pouco e comer com gosto. Fomos na churrascaria Bovinu’s, a qual dizem que está entre as 50 melhores churrascarias do Brasil. Chegamos as 12:30 e saímos as 15:30. Deu pra perceber que foi bom “né” (expressão de manezinho, porque senão era “néééaa”). Aproveitamos também para curtir um cineminha, fazer uns passeios urbanos e conhecer a Universidade. Depois de toda a comilança, janta nem pensar… dormimos que nem o lobo mau depois de comer a vovozinha (claro que só depois de assistir o último capítulo da novela).

Conhecemos pouco a cidade, mas curtimos bastante. Vale deixar um abraço pro Gringo!

Santiago

Santiago, 18 a 19 de agosto de 2011

Aline e o Diogo são dois amigos muito queridos que vivem em Floripa mas são de Santiago. Eles nos indicaram alguns pontos da cidade para visitar e ainda nos ofereceram para ficar na casa da mãe do Diogo, a senhora Dinorá. Fomos muito bem recebidos pela Dinorá e seu marido Otelo. Ela é professora de piano e também toca gaita e nos fez uma linda apresentação de musica tradicional gaúcha e também tocou um belo tango. Otelo é um verdadeiro artista, desenha com traços maravilhosos e cria esculturas muito criativas, tendo como inspiração as tradições gaúchas.

 

Acampamento gaúcho - by Otelo Ribeiro

 

O ponto turístico que nossos amigos indicaram como o melhor da região foi a Gruta da Linha 1, também conhecido como a Gruta da Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Nova Esperança do Sul. Esta gruta fica numa fazenda muito simples. Custa apenas R$3,00 para se surpreender com mais um desses cantinhos maravilhosos perdidos em meio a uma natureza exuberante. Você desce em uma gruta que abre para uma grande galeria com vários túneis. Ao lado de uma das galerias tem um pequeno lago no qual a água surge de uma pequena abertura no chão. Um dos túneis tem  aproximadamente 80 metros e termina em outra fazenda, fizemos apenas uma parte deste percurso. O outro túnel segue em direção à Cascata do Véu de Noiva e a Cascata Número 2, como eles denominaram… parece cenário de filme.

 

Hanna e a cascata

 

Nossos amigos nos indicaram para jantarmos no Ponto X. Lá pedimos um lanche maravilhoso. Agora entendemos por que eles reclamavam dos nossos lanches em Florianópolis, sempre dizendo que o X no RS é mais gostoso. Temos que dizer que eles tinham toda a razão. O X dos gaúchos é bom, pois tem um molhinho que eles colocam no lanche que é todo especial e o lanche fica…  molhadiiiiiinho.

A dona Dinorá e o Otelo nos levaram para conhecer um pouco da cidade. Fomos ao museu municipal e na antiga estação de trem recém reformada. No museu eles valorizam muito a cultura, história e personagens da região e do estado. Você encontra artefatos interessantes como fotos, louças, armas e acessórios usados em guerras e batalhas locais e internacionais. Além disso, descobrimos que alguns dos nossos indígenas locais eram canibais e usavam a técnica do encolhimento de cabeça. Eles comiam o corpo mas tiravam a cabeça e a encolhiam… bem bizarro.

 

Querida, encolhi a cabeça!

 

A antiga estação de trem foi muito bem restaurada. Dentro você poderá conhecer um pouco da história da estação e da cidade. Achamos interessante a evolução da malha ferroviária do RS, que em torno de 1960 era bem completa e ligava os principais centros do estado. entretanto, a grande maioria encontra-se hoje desativada. Na estação, o espaço é aberto também para escolas fazerem oficinas de estudo. No local onde era o antigo restaurante e ambulatório para os funcionários do trem hoje funciona o cinema da estação que apresenta filmes antigos e concertos musicais. Desde a inauguração, em janeiro de 2011 eles já obtiveram 6000 visitantes. Para se ter uma ideia, nas ruínas de São Miguel desde janeiro até o momento foram 25000 visitantes. Sendo que as ruínas são bem mais divulgadas nacionalmente.

 

Estação ferroviária de Santiago

 

Ainda para finalizar o delicioso passeio, nos levaram para um delicioso almoço. Sem palavras para agradecer a esse querido casal que nos acolheu como se fôssemos da família.

Após Santiago, fomos para Mata, local conhecido pelos sítios paleontológicos. Lá eles possuem jardins com fósseis de árvores petrificadas de mais de 200 milhões de anos. É também conhecido como a região dos dinossauros. Descobrimos que lá foram encontrados alguns fósseis de dinossauros. No museu local tem alguns fósseis e réplicas de crânios gigantes de dinossauros ali encontrados… coisa de novela das 7… hahahha. Deu pra perceber que pela ignorância dos administradores da cidade ou interesse de sabe-se lá quem, nada foi mantido na região. Inclusive as árvores petrificadas, muito valorizada em museus e universidades do mundo todo, lá são banalizadas, usadas como decoração de jardins, suporte de bancos públicos quebrados, piso de chão, estrutura para construção de muros comuns e outras bizarrices. Muitos na cidade tratam estes fósseis como simples pedras. Lá, encontramos uma praça com um tronco maravilhoso de uns 10 metros que nem placa tinha indicando a localização desta obra pré histórica da natureza. Por um lado, é lindo poder ver essas preciosidades tão de perto com tanta naturalidade. Por outro, ficamos tristes com o descaso com as maravilhas que temos em nosso pais e que poderiam atrair muito turismo na região.

 

Banquinho e o "toco" (árvore fossilizada de 230 milhões de anos)

 

Tronco de árvore fossilizado

 

São Miguel das Missões

São Miguel das Missões, 16 a 18 de agosto de 2011

A cidade é bem pequena e com poucas opções para hospedagem e alimentação. Lá tem uma pousada com albergue, acredite que para dormir num quarto com vários estranhos e usar banheiro coletivo o valor que eles estavam cobrando era de R$55,00 por pessoa. As vezes eu acho que tem viajante com placa de IDIOTA na testa, pois os quartos estavam lotados. Acreditem ou não, o dono do hotel é um dos presidentes da Hostelling International . Acho que ele não tem noção do que é ser um mochileiro. Por isso muitos viajantes estrangeiros reclamam da rede de albergues no Brasil, pois os hotéis e pousadas acabam sendo mais em conta. Óbvio que fomos atrás de um hotel com quarto e banheiro individual, cama de casal, ar condicionado e televisão pagando muito menos.

Acordamos cedo para aproveitar o lindo dia de sol. Fomos direto para o sítio arqueológico de São Miguel. Lá, ficamos passeando e xeretando cada canto. Atrás das ruínas tem um pomar com laranja, limão siciliano, bergamota e outras frutas fresquinhas para pegar do pé e comer ali mesmo enquanto aprecia um pouco da nossa história. Ali também tem árvores com raízes incrustadas nas ruínas. Imagina como deveria ser aquela estrutura completa e a vida dos que viviam ali.

 

Ruína de São Miguel das Missões

 

... as árvores somos nozes.

 

Na saída do sítio, o Julio com seu super ouvido perceptivo ouviu um barulho diferente no carro e ao abrir o capô, lá estava a correia do alternador um pouco deslocada e roída. Fomos direto numa oficina mecânica em Santo Ângelo e,  para a nossa surpresa (e tristeza), a bomba hidráulica estava quebrada. Passamos a tarde no mecânico e nos deparamos com uma continha bem salgada…  buááááááááá. Lá se vai a grana do estepe extra. Mas faz parte. Aproveitamos para ver a catedral de Santo Ângelo que é uma réplica da igreja de São Miguel. Durante a visitação das ruínas, sentimos falta de uma maquete para entender melhor a estrutura do monumento, pois o que tinha era simples e sem graça. Gostamos muito de poder apreciar a réplica em tamanho real. Bem melhor que uma maquete, vocês não acham?

 

Réplica da Igreja das Missões

 

Para finalizar o dia com chave de ouro retornamos a São Miguel para assistir ao espetáculo de som e luzes com a história das missões tendo como cenário as ruínas. Esta apresentação ocorre todos os dias às 20h. O ingresso custa apenas R$5,00 mas o espetáculo não tem preço. Teve até um momento em que o som do espetáculo fez som de vento e coincidentemente sentimos uma forte brisa soprar. De brinde ainda recebemos um céu perfeito para apreciar as estrelas em meio um cenário histórico.

 

Espetáculo de som e luzes

 

 

Derrubadas

Derrubadas, 16 de agosto de 2011

Em Derrubadas fica o salto do Yucumã que é a maior queda longitudinal do mundo. Todos que nos falaram dessa maravilha da natureza ficaram impressionados. Foram várias horas de viagem e finalmente chegamos lá… decepção total, pois não pudemos apreciar o salto devido às fortes chuvas que ocorreram na região. O nível da água subiu a ponto de eliminar a vista do salto. Segundo os guias, o rio estava nove metros acima da queda. As fotos do cartão postal que compramos nos deu ainda mais vontade de visitar, mas teremos que deixar essa aventura para um outro momento, e então resolvemos seguir viagem para São Miguel das Missões.

 

Vejam o que perdemos... fonte: http://paoeecologia.files.wordpress.com

Bento Gonçalves

Bento Gonçalves, 12 a 14 de agosto de 2011.

O atendente da loja onde havia o estande de tiros nos indicou para ir a Bento pelos Caminhos de Pedra. Trata-se de uma região de descendentes de italianos que construiram suas casas apenas com pedras encontradas nos arredores. É um vale pequeno onde os moradores produzem vários produtos artesanais da cultura italiana e regionais, preservando os ensinamentos de seus ancestrais. Neste caminho, encontram-se produtores de erva-mate, vinhos, sucos, tecelagem, molhos, farinhas e por ai vai. Inclusive em uma das casas foi realizada as filmagens do filme “O Quatrilho”. Este roteiro possui forte incentivo, tanto da população local quanto da prefeitura, sendo que tudo é muito bem sinalizado e os produtos são de boa qualidade. Além disso você vai ter uma explicação detalhada de como é feita a produção e terá a chance de degustar os produtos antes de comprar… ou só pra fazer uma boquinha livre mesmo.

 

Casa da erva-mate - Caminhos de Pedra, Bento Gonçalves

 

Procuramos por um camping na região, pois estavamos loucos para estreiar nossa barraca. Para nossa sorte acabamos ficando no local onde foram gravadas as cenas do filme “Saneamento Básico”. Lembra do morrinho que desce o monstro da fossa? Ou a cascata da Camila Pitanga? Pois é, acampamos por ali… chama-se Moinho Bertarello.

 

Local do camping em Bento...

 

Em Bento Gonçalves fizemos o passeio de Maria Fumaça. O ingresso dá direito a degustação de vinhos e sucos locais e também a apresentação da epopéia italiana. O trem, movido à vapor, mantém as caracteristicas originais da época. Durante o passeio ele mantém a velocidade de 20 a 30 km por hora, super trem bala. O passeio dura em torno de uma hora e meia e passa por Garibaldi e termina em Carlos Barbosa. O caminho do percurso não é muito atraente e o divertido é ver os moradores acenando para o trem como se fosse a primeira vez. O retorno é feito via busão. Durante o passeio são feitas apresentações de teatro, música e dança italianas e gaúchas.

 

Maria Fumaça

 

Ouvimos a música “America, america, america” pelo menos 4 vezes durante a viagem. Na chegada fomos então ao parque temático da epopéia italiana que conta a história verídica de um casal do norte da Itália que fez a saga da colonização brasileira. São diversos cenários que apresentam cada fase, desde a vida deles na Itália, a vinda ao brasil e as falsas promessas dos governos brasileiro e italiano. No fim, mais degustação de guloseimas, sucos e vinhos.

 

Os italianinhos na Epopéia

 

À caminho de casa, depois de alguns dias de sanduíches, estavamos ansiosos para comer CARNE, mas não qualquer carne, queriamos um “ojo de bife” (Ribeye Stake), muito conhecido como filé de costela. Fomos ao mercado e o moço das carnes nos deu contra filé com osso dizendo que era a mesma coisa. Caímos no golpe, mas até que estava gostoso. Fizemos o churrasquinho à noite na nossa super mini churrasqueira grill tabajara. Ela também nos deu um golpe, e assou a carne mais rápido do que poderíamos imaginar.

Passamos nossa primeira noite chuvosa com nossa barraca. Ficamos muito contentes com o desempenho. Mesmo assim, a coragem pra desarmar e fechar no outro dia não apareceu. Decidimos então que domingo seria o dia da preguiça. Este foi o dia mais econômico da viagem, calculamos um custo de R$ 30,00 e isso inclui comida e estadia… pra deixar até mendigo com inveja. Aproveitamos para estudar espanhol, jogar carta com a dona do camping, escrever o blog, jogar PSP e …

Seguimos na manhã seguinte para o vale dos vinhedos. Visitamos a vinícola Miolo. A entrada de R$ 10,00 valeu cada centavo. Aprendemos um pouco mais sobre as uvas e os vinhos, conhecemos um pouco do processo de produção, e sentimos de perto o cheiro daqueles deliciosos barris de carvalho. Por fim você ainda se delicia com um breve curso de degustação… deu vontade de repetir o roteiro.

 

Só um barrilzinho pra levar pra casa...

 

Paramos para almoçar no restaurante Casa de Madeira, um dos pontos do roteiro. O restaurante é lindo e um dos pratos mais tradicionais é o que eles denominam de comida do imigrante, receita datada de 1876. Trata-se do exótico Radicci com bacon frito, polenta com queijo, nhoque de batata doce com molho e codorna com molho de vinho cozida em panelas de ferro provenientes da Itália. Fala sério, os imigrantes comiam muito bem! Você acredita mesmo nisso? Acho que a gente faltou essa aula de história ou os nossos antepassados não tiveram a mesma sorte.  Brincadeiras à parte, a comida estava deliciosa, mas o atendimento deixou a desejar, ou seja, 10% de economia em serviço.

Continuamos o roteiro das vinícolas e o vale do rio das antas. Lá parece tudo muito simples e eis que você chega na vinícula Salton. Já haviam nos comentado que a arquitetura era grandiosa mas não imaginavamos nada daquele porte… quase um palácio… nem deu pra enquadrar todo na foto.

 

Esse também é brasileiro... vinícola Salton

 

Seguimos para então para o Salto do Yucumã, paramos no meio do caminho em Vila Maria para acampar em um campo delicioso. Pra variar somos os únicos que frequentam campings nessa época do ano, o que torna tudo mais interessante, pois os campos são todos nossos! Nem sempre estão limpos, ou até abertos… mas pra tudo se dá um jeito.

Caxias do Sul

Caxias do Sul, 8 a 11 de agosto de 2011.

A caminho de Caxias do Sul, fizemos uma rápida parada para almoço em Nova Petrópolis e, para nossa sorte, estava ocorrendo o festival internacional de folclore da cidade. Tinha apresentações musicais e de grupos de danças de diversas regiões como México, Argentina, Uruguai, Peru, Estados Unidos, Japão, entre outras. Além das danças havia também uma feira de artesanato e artigos regionais. Aproveitamos para comer um prato típico da região, pão com salsichón e chucrute. Chovia muito e por isso não estendemos o passeio pela cidade, entretanto tivemos a oportunidade de assistir as danças tradicionais mexicanas. Teve dança com facões apresentado por um casal… imagina se eles brigam antes da dança, você arriscaria? Outras que eram com sapateado, e teve até lambada com um rebolado que nunca tinha visto igual. Achamos a decoração da praça do evento muito interessante. A decoração do jardim era feita com repolhos de vários tipos. Taí uma cidade que ninguém passa fome, mas com essa dieta dá até pra utilizar a população como fonte de gás natural.

 

Jardim de Nova Petrópolis

 

Seguimos para Caxias do Sul e lá nos hospedamos na casa da Tia Fátima, tia avó da Hanna. Ela é uma senhora de 83 anos com uma vitalidade incrível, muito religiosa e divertida. Ela é uma boa referência para qualquer viajante. Já visitou os quatro cantos do mundo e participou de diversas aventuras. Andou sobre camelo, elefante e búfalo, tem foto empalhando onça, saltando de parapente, fazendo trilha em geleiras, segurando cobra, jacaré, dando de mamar para filhotinho de leão… bom, já dá pra ver que é uma senhora especial . Fomos recebidos como reis, servidos com jogo de louça dourado, muito chic. O quarto onde ficamos era um pouco intimidador para uma casal de deseja exercer o seu ritmo sexual do dia a dia, pois tem vários anjos na parede, um quadro do J.C. atrás da cama, escultura da Santa Ceia em um criado mudo, no outro haviam santinhos e na parede o quadro da virgem Maria. Mas nada que impeça o amor sublime.

 

Tia Fátima com sua cítara

 

Na cidade fomos visitar o zoológico e o Museu de Ciências Naturais da UCS. Zoológico, independente do lugar, nos traz muita tristeza. Animais que vivem em espaços confinados são sempre muito apáticos, parece que passam o dia esperando a morte chegar. Em alguns casos acreditamos que até seria viável manter alguns animais em cativeiro, como um gavião que tinha apenas metade da asa esquerda, na natureza com certeza ela seria presa fácil. Ou animais silvestres que foram criados fora de seu ambiente e não teriam condições de sobreviver no seu habitat natural. Não sei se este seria o caso de todos aqueles animais, a vontade que dava era de soltá-los, mas…

O Museu de Ciências Naturais é um local que sempre procuramos visitar. Em geral, é através dele que você pode conhecer melhor sobre as espécies da região em que você se encontra. Em Londres por exemplo, o museu de ciências naturais é excelente, mas lá, dificilmente você encontrará as espécies da região sul do Brasil, no entanto, em Caxias você pode apreciar e conhecer um pouquinho mais sobre os animais que nos rodeiam. Uma das surpresas que tivemos durante a visitação foi ter identificado que algumas doações que estavam no museu foi feita pelo tio avô da Hanna, o Paulo Giron. É sempre bom saber que tem alguém na família que apoia a ciência.

 

Frajola finalmente conseguiu...

 

A Mona, prima da Hanna, talentosa curadora de Caxias sempre atualizada com o que tem de bom na cidade nos proporcionou deliciosos momentos. Aproveitamos para visitar a vernissage de Rafael Dambros realizada pela Mona, lindos quadros e um coquetel delicioso além de pessoas muito agradáveis. Conhecemos também o bar e restaurante Curinga, ambiente aconchegante e pratos deliciosos. O Julio e a Mona pediram a torre de filé…  três fatias grossas de filé mignon intercalados com queijo e palmito, e a Hanna pediu um filé à bordelaise, carne com molho de vinho e cogumelos… não deu nem pra encarar uma cervejinha depois dessa.  Lá, nos divertimos muito com a historia de um cara que a Mona e os amigos a muitos anos notam nos ambientes que frequentam. Sempre que vão a algum lugar lá ele se encontra, o onipresente “Deus”, como eles o apelidaram. Certo dia, em um bar qualquer, Mona e seus amigos, enquanto tomavam uma cervejinha, notaram que o recinto estava abençoado com a presença de “Deus”. Foi então que alguém mencionou que o nome dele é Ivo, que pela fonética da língua inglesa lembra EVIL. Por coincidência, o código na comanda da Mona era 666. Foi então que lembraram que as vezes o outro, lá de baixo, se apresenta em forma do seu oponente. Eis que eles então ficaram na dúvida. Óbvio que quando fomos ao Curinga Bar fomos abençoados (ou não) com a presença do próprio. Conhecemos também o Mississipi Blues Bar, aconchegante, com muita bebida boa e ambiente super arrojado. A Hanna não se aguentou e pediu uma Guinness.

 

Torre de filé no Curinga Bar

 

Em Caxias não fizemos o turismo normal, aproveitamos a gastronomia local e um pouco da vida noturna. Antes de irmos embora, seguindo a dica da Mona, resolvemos fazer algo diferente. Fomos então a um estande de tiros, descarregar um pouco nossas “munições”. O primeiro tiro da Hanna foi certeiro na testa, porém o tiro perfeito que ela mirou direitinho e viu que deu certo foi mesmo nos bagos do alvo. Primeiro ela mata, depois tira a “vida”.

 

Descarregando...

 

Canela e Gramado

Canela  e Gramado, 5 a 7 de agosto de 2011.

Canela

Canela é uma cidade bastante charmosa que oferece várias atrações. Primeiro vale a pena passear pela cidade, ver a arquitetura bavariana, a organização dos jardins e das lojas, entrar nas lojas de chocolate e ficar entorpecido pelo cheiro. A Caracol produz chocolates divinos, sendo que um deles parece uma bolachinha que em cima tem pedacinhos de frutas secas, amêndoas e nozes, cada mordida é um novo sabor. No centro da cidade tem uma imponente igreja de pedra que durante a noite possui uma iluminação especial que muda de cor a cada 2 minutos entre verde, azul, amarelo e vermelho (macabro).

Catedral de Canela

Existem vários parques de aventura na região, com cavalgadas, rapel, passeios de quadriciclos e tirolesa. Um deles é o Parque Estação Verde, no qual fizemos uma tirolesa de 540 metros com o custo de R$35,00. Dizem que é um dos maiores do Brasil, mas é bem tranquilo, podem arriscar sem medo,  o legal é que você vai deitado de frente com os braços abertos tipo superman e, no meio do caminho, você ainda aprecia a serra e toda a paisagem em torno, pena que acaba rápido. Segundo a Hanna as tirolesas que seu pai fazia quando ela era criança eram mais emocionantes.

Julio na Tirolesa do Superman

Outro parque que fomos visitar é o Parque das Sequóias, achamos interessantíssimo,  você também vai adorar caso seja um amante da natureza. Nos anos 50 um casal resolveu reflorestar a área com espécies de pinus, sequóias, cedros, entre outras de diversos lugares do mundo. Para a visitação, você recebe um catálogo com a descrição dessas espécies. Cada árvore tem um código que você encontrara facilmente no catálogo, mas melhor do que conhecer espécies diferentes é sentir o cheiro, poder tocar e sentir as diferentes texturas. Para nós, que estamos acostumados a fazer trilhas em meio a mata nativa, este parque se demonstrou um ambiente muito diferente. Tem até uma mini floresta negra e árvores que são consideradas o último exemplar vivo do planeta. Infelizmente algumas árvores do parque foram derrubadas pelo tornado a pouco tempo atrás e alguns trechos da trilha foram bem atingidos, esperamos que logo consigam recuperar estas áreas.

Hanna e a Sequóia

O Parque do Caracol é imperdível, a cascata do Caracol é maravilhosa, pena que não deu pra descer até o pé da cascata, pois a escadaria (de 900 e cacetada de degraus) estava em manutenção. Tem um espaço muito legal com churrasqueiras e mesinhas para os visitantes aproveitarem para passar o dia. No meio do parque tem uma graciosa casinha com alguns animais empalhados como gato do mato, porco espinho, raposa do mato, entre outros, além de um mostruário de diversos tipo de madeiras nativas.

Cascata do Caracol

Para comer, o Luiz e a Lara nos levaram no Empório Canela, um local muito aconchegante que  possui pratos com carnes, risotos, sanduiches, bolos, cafés, objetos de decoração e livraria com sebo. O local é de super bom gosto e com preços muito acessíveis. Comemos um aperitivo delicioso que se chama provoletas, são pequenas rodelinhas de provolone levemente aquecidos cobertos com tomate seco picadinho com rúcula e temperinhos, o provolone fica macio e saboroso.

Gramado

Em Gramado passamos pouco tempo na cidade pois é a semana do festival de cinema. A cidade está completamente lotada, com muitos carrões de luxo, peruas e mauricinhos desfilando pela cidade e fotógrafos atrás dos artistas que participando festival.

Festival de Cinema de Gramado

Visitamos o Templo Budista Chagdud Gonpa Khadro Ling que fica em meio a um vale distante da civilização, não tem como deixar de sentir uma sensação de paz. Os jardins ao redor dos templos são bem elaborados. Lá, encontram-se vários cachorros andando solto, aparentemente muito bem alimentados. O que achamos estranho foi a segurança ao redor dos templos, com várias câmeras e identificação na portaria. Em 2009 estivemos em outro templo em Foz do Iguaçu e não tinha metade da segurança que encontramos nesse. Alguém já havia nos comentado que os manuscritos trazidos a este templo são alguns dos ensinamentos mais importantes do budismo, e lá realmente confirmaram que estes manuscritos trazidos para o ocidente são uma honra para o Brasil. Acreditamos que devido aos conflitos do Tibet com a China eles foram trazidos pra cá para poderem ser preservados caso algo aconteça. O que achamos legal desta religião é que eles não tentam te extorquir e nem tentam vender um pedacinho no céu, além de respeitarem todas as formas de vida, inclusive as formigas. A Hanna até se emocionou, pois eles fizeram várias proteções nas calcadas para dar passagem as formigas, para quem não sabe ela ama formigas.

Templo Vermelho

 

Não pise nas formiguinhas!

 

Para todos os adultos e crianças, não deixem de ir no Mundo a Vapor, lá você vai acompanhar parte das grandes descobertas da engenharia mecânica no século passado. Como era feito a geração de energia na época até os tempo atuais, produção de papel, olaria, moinhos, café, bilhetes de trem e até relógio a vapor tem lá (um de dois exemplares existentes no mundo), entre outros, tudo através de pequenas maquetes que traduzem a realidade. Cada máquina em funcionamento tem um instrutor que explica detalhadamente como funciona. É impressionante ver todas aquelas maquininhas trabalhando.

Mundo a Vapor

Não podemos deixar de agradecer a estadia da Lara, do Luis e da Luiza, vamos sentir muita falta dessa família tão querida e dos bolos deliciosos que a Lara faz.

Luiza, Lara e Luiz!

Aparados da Serra

Aparados da Serra, 03 de agosto de 2011

Saímos de Torres em direção à Praia Grande que, apesar do nome, a cidade fica no interior. Lá, uma atenciosa senhora nos indicou para virar na “bificação”, e que não tinha “ploblema” que era tudo muito pertinho. Fomos ao pé do Cânion Malacara e lá já deu pra ter uma noção do visual que nos esperava. Próximo dali fizemos o nosso primeiro “picnic” regado de frutas e da metade do Xis que sobrou da noite anterior. A grande aventura que tivemos ali na região foi passar por debaixo dos postes que estavam bem inclinados por causa das ventanias da noite anterior.

Seguimos em direção à Serra do Faxinal. A estrada é dividida em fases, um trecho com asfalto e outro com terra e pedras. O trecho asfaltado está bem sinalizado, placas indicam para ir devagar pois existem skatistas na pista!!! Por isso, não abusem se forem por esta serra. Começamos a sentir a temperatura cair durante a subida, quando parávamos para observar a paisagem. O vento estava forte e de vez em quando vinham nuvens perdidas com gotículas de chuva que se transformavam em gelo.

Fomos direto para o Cânion do Itaimbezinho. O tempo estava variando muito, as vezes sol, as vezes chuva, as vezes gelinho, mas nada que nos impedisse de deslumbrar o visual do Cânion. Existem três trechos ao redor do Cânion, um curto, bem estruturado com calçadinhas, um longo que é uma agradável estrada de chão cheia de pedras e buracos e, para os mais ousados, tem um que não nos arriscamos, pois a responsabilidade não era do parque e ainda tinha o risco de sermos presos pelo Ibama.

Canion do Itaimbezinho

Após a visitação fomos em direção a Cambará do Sul para ficarmos, a princípio, duas noites. A hora que chegamos, a temperatura estava em torno de três graus. Já havíamos visto uma pousada para ficar, mas infelizmente estava lotada. Eles nos indicaram uma outra pousada que, para o nosso azar, a Hanna já havia se hospedado com a turma da faculdade e a lista de reclamações era grande, mas na falta de opção era o que poderíamos pagar… mas a lista de reclamações ainda continua grande e então optamos por ficar apenas uma noite. Existem pousadas maravilhosas na região, mas o preço é de lua de mel pra cima. Fomos jantar na Pizza Retrô, que fica em frente a praça. Era bem aconchegante e tem uma pizza de abobrinha com alho e azeite que é de comer de joelhos de tão boa. O cardápio e suplá do prato eram de discos de vinil e o do Julio era do Ramones… que desperdício. Lá, fomos atendidos pelo Felipe, um garçom super atencioso que nos entreteu e colocou um aquecedor  bem pertinho da gente, serviço VIP. Conversamos com dois clientes que estavam a trabalho na cidade, um Gaúcho e um Argentino, eles fazem um trabalho muito legal nas industrias de celulose para reaproveitamento dos resíduos desperdiçados. Eles nos deram várias dicas de viagem,  claro que já anotamos tudo na hora para colocar no nosso roteiro.

Cambará do Sul, 04 de agosto de 2011

Pela manhã, fomos visitar o Cânion de Fortaleza. Estava frio e com ventos fortíssimos. Como lá não tem nenhuma estrutura de segurança, as pessoas magrinhas chegavam próximo da beirada timidamente contra o vento e nós, com nossos corpos bem alimentados, não tivemos esse problema. Os campos em volta estavam maravilhoso, os pastos estavam bem dourados e dançavam com o vento. No caminho colocamos um bom rock e parecia que os campos estavam curtindo, como se fossem metaleiros chacoalhando a cabeça.

Canion Fortaleza

Paramos em Cambará para almoço e decidimos que iríamos em direção à Canela, mas antes faríamos uma rápida parada na Cascata do Venâncio. Aí começou a nossa grande surpresa, no caminho da Cascata uma Land Rover Defender com de lama até o teto nos ultrapassou e estava indo na mesma direção. Lá estavam eles visitando a cascata e notamos que o motorista era guia da região. Como quem não quer nada ficamos próximos do grupo para pegar dicas dos melhores visuais para tirar fotos e aos poucos nos aproximamos do pessoal.

Cascata do Venâncio

O Guia Estéfano achou uma jararaca e já veio todo animado para mostrar ao grupo, composto de três portugueses. Perguntamos ao Estéfano se havia um caminho por dentro para ir a Canela e ele disse que estava indo visitar mais uma cachoeira e que de lá havia uma estrada que ia direto e que poderíamos ir seguindo eles para ver a cachoeira que, na opinião dele, era a mais bonita. Fomos mesmo assim, apesar de nunca termos ouvido falar. Ele tinha razão, a Cascata Passo do S era espetacular, não precisamos falar muito, pelas fotos você vai entender.

Cascata do Passo do "S"

O detalhe é que chegando lá a estrada acabava e continuava depois do rio… que não era um simples córrego. Estéfano disse para segui-lo no rio… na hora gelamos, entrar no rio que fica em cima da cascata que acredito ter mais ou menos 20 metros? Fomos… cagados de medo… mas chegamos do outro lado, tremendo e cheios de adrenalina. Perguntamos então ao Estéfano se dali era so seguir a estrada para chegar a Canela e ele disse bem tranquilo “não, essa não é a estrada. Passar o rio foi só diversão, a estrada é por outro lado…”. Tivemos que passar o rio pela segunda vez…  mais adrenalina! Seguimos ele até um campo para curtimos o pôr do sol com a turma, as portuguesas eram super animadas e ficaram bem felizes com as aventuras.

Travessia do rio no Passo do "S"

Travessia do Rio no Passo do "S"

Nós já estávamos extasiados, porém, mais abaixo, visualizamos mais um rio para atravessar. No meio do rio tem uma ilha “do passo do S” onde aventureiros ficam ali para acampar. Fomos ate a ilha by rio, saímos da ilha by rio  e finalmente seguimos viagem até Canela. Era noite e estávamos tranquilos andando no meio do nada pelo interior, o céu limpo, estrelado e a lua sorridente nos acompanhando. De vez em quando aparecia uma luz perdida de alguma fazenda.

Devemos este grande dia de aventura ao guia Estéfano S. Pereira, que nos deu as dicas e nos guiou pelas estradas e rios. Recomendamos a todos que forem a Cambará do Sul a entrarem em contato com ele. Segue o contato: estefano@canions.tur.br  e site www.canions.tur.br .

Estéfano na Land Rover Defender

 

Por do sol com Estéfano e os Portugueses

 

Chegamos em Canela e tivemos a recepção muito calorosa da Lara, prima do Julio, Luiz (maridão da Lara) e Luiza (filinha linda do casal). A casa deles é super aconchegante, e nos receberam com uma janta deliciosa. Antes de dormir já tinha gelo em cima do carro, pena que não pegamos neve, mas dormimos com muita satisfação.