Península Valdés e Puerto Madryn

Península Valdés, 16 a 18 de novembro de 2011.

Finalmente seguindo viajem. Já estávamos ansiosos. Como eram muitos kilometros até a península, paramos no camping municipal de Bahia Blanca. Uma estrutura maravilhosa para a população veranear, com um piscinão gigante, várias churrasqueiras e um simpático guarda que nos mostrou toda a estrutura, como funciona o processo para encher a piscina com água do poço e se falta água eles completam com água do mar. O nome desta cidade a beira mar se dá por causa das salinas que cobrem a areia que é meio lodosa, deixando uma camada branquinha. Durante a noite pode se ver as chamas das chaminés das indústrias petroquímicas que ficam na beira da Bahia. Não é uma das praias charmosas para se visitar.

A península é uma reserva onde você pode ver elefantes marinhos, baleias, golfinhos, pinguins, lhamas, tatus, entre outros, A entrada é paga, aprox. R$35,00 por pessoa, lá tem uma pequena vila com estrutura de camping e pousadas. Fomos até Punta Pardales onde finalmente encontramos os poloneses Kris e Magdalena, você lembra aqueles que havíamos encontrado no Uruguai. Era noite e não podíamos ver muita coisa, lá não tem nenhuma estrutura, apenas praia e nós. Queríamos ir até o mar, mas a Magda me alertou, ali não é uma prainha, isso é um rochedo que cai direto no mar e é fundo, fomos à noite à beira das rochas e a sensação era assustadora, escuro total e o barulho dos esguichos das baleias que estavam muito próximas, mas não podíamos ver, só escutá-las no meio da escuridão, estava ansiosa para vê-las durante o dia. Dormi muito tensa, pensando se a água do mar iria subir, pois acampamos na beira dos rochedos e próximos à praia e, ao que tudo indicava, a água chegava até ali. Não chegou, é claro, mas foi bem próximo.

 

Costão e mar! Uma bela queda na praia de Punta Pardales

 

Acordei muito cedo para ver as baleias. Fui para beira dos rochedos, escutava, mas olhava para o horizonte e não avistava nada, de repente olhei para baixo e elas, mãe e filha estavam ali a poucos metros de mim, descansando, se não fosse o brilho do sol que estava muito intenso com certeza poderia vê-las com muito mais clareza, mas cada vez que elas emergiam era uma emoção. Acho incrível como em poucos segundo, ali sozinha naquela calma, apreciando tamanha beleza da natureza, de repente surgem grupos de turistas em bando com suas câmeras, de onde eles saem assim tão rápido?

 

Sorriso da baleia em Punta Pardales

 

Hanna e a baleia

 

Durante o dia a Punta Pardales é um lugar de outro mundo, parece que estamos andando na lua. Não tem areia, só um chão de sei lá o que branco, com craterinhas arredondadas e, de repente, um penhascão com água do mar azul esverdeada, porém cristalina. Dá pra ver alguns metros abaixo da água, tudo muito lindo.

 

Hanna em Punta Pardales

 

Aproveitamos o dia para ir a outros lugares da península, visitamos lagos secos de sal, praias com pingüins de Magalhães, são tão fofos, fazem toquinhas nos costões de areia para colocar seus ovos, é incrível como eles sobem rápido pelos costões com suas pequenas patinhas.

 

Salina de Península Valdés

 

Pinguins de Magalhães

 

Vimos elefantes marinhos enormes tomando banho de sol, e de repente aparecem as orcas, muito próximos da beira em busca de algum elefante marinho para o almoço, mas não tivemos a oportunidade de assistir nenhum ataque desses exímios caçadores, acho que já estavam bem alimentados, queriam só fazer presença. Nas empoeiradas estradas da península, muito cuidado, é muito comum que lhamas cruzem na frente do carro. Enquanto você cozinha, graciosos tatus te rodeiam em busca de comida, mal sabem eles que pra muitos eles dariam uma deliciosa refeição.

 

Elefante marinho, morgado na praia

 

A orca na espreita

 

No fim do dia voltamos para Punta Pardales e ficamos apreciando um pouco mais das graciosas baleias saltando ao mar. O dia seguinte estava ensolarado, a maré estava alta e os rochedos entrecortados se transformavam em lindas piscinas para banho. Banho frio, muito frio, mas o Julio se arriscou a dar uns mergulhinhos. Claro que ninguém se arrisca a nadar diretamente no oceano junto com as baleias.

 

Julio dando um mergulhinho na água gelada!

 

Kris e Magda foram fazer um passeio de barco e retornaram com um casal de húngaros, Timi e Gogu, eles estão viajando de lua de mel pela argentina e resolveram passar a noite conosco em Puerto Madryn.

 

Galera junta: Julio, Magda, Kris, Timi e Gogu. A Hanna está detrás das lentes.

 

Puerto Madryn, 18 a 21 de novembro de 2011.

Compramos suprimentos para uma churrascada e fomos acampar na simpática praia de Doradillos. No fim da praia tem pequenas cavernas formadas pelas ondas do mar, muito bonitas, mas fedem por causa das algas que ficam presas lá dentro. Durante o dia recebemos a visita de alguns flamingos à beira mar.

 

Flamingos em Doradillos

 

Cavernas em Doradillos

 

No fim do dia deixamos o casal de húngaros na rodoviária e fomos passear pela cidade, que por sinal não tem nada muito interessante, porém tem a maior quantidade de pizzaria que já vi em uma cidade. Aproveitamos para fazer a revisão do carro na concessionária e ficamos impressionados, muito mais barato que no Brasil e segundo eles nosso carro está em ótimo estado, ficamos muito contentes. Nosso carregador do computador faleceu e procuramos um novo por toda cidade e não encontramos. Ficamos três semanas sem poder escrever.

Começamos a planejar nosso próximo passeio acompanhado dos polacos. Nossa idéia era ir com eles até o Ushuaia, mas eles já haviam passado por lá, e disseram que não havia nada muito interessante no caminho, então resolvemos fazer um roteiro diferente, descer pela Carreteira Austral no Chile. Ótima ideia, desde que havíamos esquecido de colocar a Carreteira em nossos planos.

Buenos Aires

Buenos Aires, 15 de outubro a 15 de novembro de 2011

Viajamos durante 3 dias, fizemos 1500 km com muita calma. Perdemos vários minutos em postos policiais, pra variar. Dormimos em postos de combustíveis, conversamos com vários caminhoneiros, comemos onde eles comem e, por sinal, comem muito bem. No último dia de viajem antes de chegar a BA, aproveitamos para acampar e dormir uma última noite na nossa querida e confortável barraca, pois ficaríamos 1 mês em um estúdio flat. Acampamos em Zarate, que fica a mais ou menos 60 km de BA, uma cidade que contém várias indústrias e aparentemente muito rica. Para chegar à região dos campings, você tem que atravessar uma ponte bem interessante, de aproximadamente 4 km, mas para isso tem que pagar um bom pedágio para atravessá-la, porém quase todos os campings oferecem uma autorização isentando você de pagar o pedágio cada vez que precise ir ao centro da cidade. Lá, ficamos no camping El Faro, que fica à beira do canal. O canal é pequeno, mas os barcos que passam por lá são enormes. Tivemos a oportunidade de conhecer Juan Carlos, o simpático dono do El Faro, que nos preparou um delicioso churrasco de costela a moda argentina, acompanhado de cerveja e surpreendentes histórias sobre a vida. Ele fez daquele pequeno pedacinho de terra um delicioso paraíso com muitas flores muito bem cuidadas, onde ele passa muito tempo trabalhando, e neste pequeno paraíso que ele busca a tranquilidade para a cura de seu câncer. Estamos torcendo por ele.

 

Camping El Faro em Zarate

 

Buenos Aires finalmente! Chegamos no sábado pela manhã, o transito estava calmo. A localização do apartamento que alugamos foi perfeita, próximo da 9 de Julio, da praça do Congresso, da Casa Rosada, o que nos possibilitou de conhecer os principais pontos turísticos a pé. Para quem tiver interesse de ficar em BA com a comodidade de uma casa, existem vários sites de imobiliárias que alugam apartamentos para turistas sem burocracia, você escolhe o tempo que deseja permanecer, o contrato é simples e tem apartamentos para todos os gostos e bolsos. Em geral são bem mais baratos que hotel e a conta de água, gás, energia, tv a cabo e internet (nem sempre) estão inclusas no valor da diária, a única taxa extra é da limpeza, que não é cara. Nos primeiros dias esquecemos que éramos turistas e tiramos um tempo para brincar de casinha, antes de começar a ser turistas.

 

Brincando de casinha!

 

Depois resolvemos virar turistas típicos, fizemos um passeio com aqueles ônibus de dois andares para conhecer os principais pontos turísticos e descobrir quais eram os mais interessantes para desfrutarmos com mais tempo. Nas informações turísticas recebemos um guia para conhecer BA a pé. As duas opções são interessantes. De ônibus você aprecia o que BA tem de melhor para oferecer em um único dia. Não deixe de fazer o roteiro durante o dia e durante a noite, é sempre bom conhecer a versão noturna da cidade. A pé com calma, você visita todos os pontos, tira todo o tempo necessário para fazer lindas fotos, sentir o cheiro dos diversos restaurantes que se encontram no caminho, entrar e sair dos museus sem pressa e descobrir muitas surpresas no caminho.

 

Vista do obelisco de uma das grandes avenidas!

 

Tivemos a oportunidade de chegar à véspera das eleições e acompanhar os protestos dos socialistas. Por que será que nunca vejo os capitalistas protestando? Sei o que responder, mas acho que muitos amigos meus não vão gostar da minha opinião…

 

Protestos no meio da avenida 9 de Julio

 

Protesto no dia da eleição

 

Várias pessoas nos perguntaram o que iríamos fazer durante um mês inteiro em Buenos Aires. Realmente, um mês é muita coisa, porém a cidade tem muito a oferecer. Todo dia fazemos um roteiro diferente, e mesmo assim sempre parece que temos pouco tempo para tanta coisa. O que desfrutar? São muitas opções de livrarias, cafés deliciosos, bares, restaurantes, pizzarias, música, teatros, museus, feiras, parques, monumentos, arquitetura e tango. Achou pouco? Aproveitamos também este tempo para rever algumas pessoas queridas. Tivemos a oportunidade de encontrar a Lia, prima do Julio, que vive em BA e recebemos também a visita dos nossos queridos cunhados Ricardo e João. Curtimos balada, pub, restaurantes, fizemos compras, refizemos turismo e matamos um pouco da saudade dos familiares. E por último nosso querido amigo Jean que participou de dois eventos muito importantes na cidade. O show do Kyuss Lives!, acompanhado do Julio… (não faz meu estilo) mas os dois voltaram muito felizes. E o outro, tão esperado por mim, o show do Pearl Jam, que poderíamos assistir milhões de vezes e sempre nos emocionarmos. O mais engraçado de assistir show na argentina é escutar eles acompanhando os riffs com oOoOoOoOoOo. Em questão de público os argentinos estão de parabéns pela empolgação.

 

João, Ricardo e Julio no Jardim Japonês! Matando saudades da família!

 

Julio e Jean falando de música! Matando a saudade dos amigos!

 

Sem palavras! Não vou chorar.... não vou chorar!

 

Mas nem tudo são flores para nossos ouvidos. Certo dia resolvemos sair para curtir um cover de Nirvana, num bar underground (isso geralmente significa um bar sujo, caro, escuro, com donos sequelados e um atendimento completamente inexperiente, a única vantagem desse ambiente é ter a oportunidade de ouvir boas bandas de rock de garagem) chegando lá tinha um sujeito com o cabelo alisado e descolorido, calça rasgada e camiseta do Nirvana, supomos que ele seria da banda. A primeira banda tocou um stoner rock em espanhol, muito bem tocado, ficou interessante. Quando sobe a banda cover de Nirvana, o sujeito o qual nos referimos estava lá, era o vocalista e guitarrista, a sua guitarra era estilo Lenny Kravitz e brilhava, pode parecer preconceito, mas pela guitarra não esperávamos muito. A banda começa, esse sujeito solta o cabelo pra fazer mala de roqueiro descolado, mas o cara simplesmente não sabe tocar nem cantar, caí num acesso de riso, nosso dinheiro da entrada foi pro ralo, no início da segunda música já estávamos desesperados com tamanha desafinação e falta de sintonia da banda. Não aguentamos, tivemos que sair dali, nossos ouvidos não são penicos. Foi definitivamente a pior banda cover que já assistimos.

Tem muitas opções de passeios na cidade, adoramos muito passear por Puerto Madero, tem diversos prédios modernos de grandes empresas, um ambiente arrojado, organizado, com lindos parques e diversas opções de bares e restaurantes. Não deixe de visitar o museu Amalia que tem lindas obras e uma infraestrutura de museu alto nível, acho que foi um dos museus que mais nos identificamos até agora, o mais caro também, mas vale a pena. No canal tem dois navios museus atracados que estão disponíveis para que você possa conhecer e desfrutar de muitas histórias em suas expedições. Na ponte da mulher é interessante andar olhando para cima, dá sensação que ela está em movimento. Na avenida que dá pro lado do rio, você vai sentir um delicioso cheirinho de churrasco, onde estão vários barzinhos que servem choripan e parrilladas, mas não se arrisque, a não ser que você goste de comer onde os pombos comem, aí tudo bem… antes do público chegar, as comidas ficam expostas em mesas onde os pombos petiscam um pouquinho para testar se o sabor está bom, ahhh… o que estou dizendo? Se eles sobrevivem, vocês também sobreviverão!!!! huahauaua!!!

 

Um pouco da arte de Gabriel Fernandez, com "Abuelito".

 

Se você estiver com vontade de comer uma deliciosa comida Made in China, Bairro Chino tem. Basta ir para Belgrano.

Tem uma rua que quase não se comenta nos guias, fica no bairro Abastos, lá você vai encontrar algumas casas com pinturas tradicionais, vale a pena conferir. Lá tem também um antigo mercado que foi transformado em um shopping muito bonito e com uma excelente praça de alimentação.

 

Julio em Abastos, o lar do tango e de Carlos Gardel

 

Casinhas pintadas em Abastos

 

Muitos turistas vão até o Congresso, tiram fotos e se esquecem de conhecê-lo. A visita ao congresso é guiada e gratuita. É um momento excelente para conhecer um pouco sobre a história da política argentina e, provavelmente, você encontrará um guia muito agradável para conversar que fará com que um simples passeio vire uma aula de história com fatos muito curiosos.

 

O imponente Congresso Nacional

 

Cachorros sendo "passeados" na praça do Congresso

 

Se você quiser conhecer o Teatro Colon, oportunidades não vão faltar. Com muito pouco você poderá assistir obras grandiosas, pois os ingressos estão disponíveis para todos os bolsos. Por exemplo, fomos assistir a ópera Fedra e os ingressos custavam de 300 pesos a 20 pesos, não preciso nem dizer quanto pagamos eheheh, o Julio achou terrível e queria os 20 pesos dele de volta. O Colon é um dos melhores teatros do mundo, têm excelente acústica e uma arquitetura incrível. O melhor é conhecer assistindo alguma apresentação, e o melhor de tudo é que você não precisa pagar caro pra isso, cultura aqui não é só pra quem pode. Para nós, isso foi fantástico… cadê o incentivo à cultura no Brasil?? Nesse lado a Argentina deu um baile.

Para quem gosta de rosas, é imperdível o roseiral de Palermo, nunca havíamos visto tantas rosas tão bem cultivadas em um único lugar, diversas espécies e perfumes, para uma apaixonada por flores como eu é um encanto para os olhos e nariz. E para casais, um romântico lugar para passeio. Homens, fica a dica para melhorar o humor de qualquer mulher.

 

Rosas em Palermo

 

João e Hanna no Rosedal

 

Outra ótima opção na região é visitar o Jardim Japonês. Fizemos a visita com o João e o Ricardo. Foi muito divertido, pois naquele mesmo dia tinha festival de mangá e anime com vários adolescentes vestidos como seus personagens favoritos.

 

Goku vs. Scorpion.... pra mim o Goku leva frouxo!

 

Malba, maravilhoso Malba. Muita arte, e você ainda tem a oportunidade de ver o auto retrato de Frida Kahlo e um autêntico Tarsilla Amaral. Ainda tivemos a sorte de ver bem próximo a super ex top model Cindy Crawford, que óbvio se não nos dissessem quem era nunca íamos adivinhar, a tv e produção fazem milagres.

O Caminito te rende fotos muito coloridas e aos domingos, se tiver sorte, você pega uma apresentação de teatro de rua. Um local turístico muito alegre, com barraquinhas de artesanato, muitas apresentações de tango e museu ao ar livre.

 

Hanna e as casinhas pintadas do Caminito

 

Hanna e a boneca ruiva, em algum museu no Caminito

 

Feira de Matadeiro fica um pouco distante do centro, mas vale a pena o passeio, tem cheiro bom de comida de barraquinhas, tem doces e compotas, tem tango e queijos, tem artesanato e chimarrão, tem muitos argentinos e poucos turistas para conhecer um pouco melhor suas tradições.

Se você gosta de sentir cheiro de cocô de gato, vá ao cemitério da Recoleta, e visite o túmulo de várias personalidades. Se você gosta de manifestações vá à casa rosada, sempre vai ter alguma pra você participar. Se você gosta de discução está no lugar certo, aqui os portenhos são ou 8 ou 80. Muito educados ou muito grosseiros. Esperamos que você tenha sorte.

 

Flor carnívora da Recoleta, tentando comer um aviãozinho

 

A comida da cidade não nos impressionou, ainda não vimos nada de especial com relação a carne argentina, talvez por ser a capital e por ser mais dedicado a culinária internacional do que local. Os preços são muito bons, em comparação à Floripa mesmo são ótimos. Mas foi saindo de BA, em direção à Península Valdés que sentimos o verdadeiro sabor da deliciosa carne Argentina. Num desses simples restaurantes de beira de estrada. Sem palavras para descrever a maciez e o sabor da carne. E o preço melhor ainda. Nada como mudar um pouco… depois de 30 dias foi bom descobrir novos bons ares.

 

 

Norte da Argentina

Norte da Argentina, 8 a 13 de outubro de 2011

Entramos na Argentina por Clorinda. Lembrete: na fronteira sempre peça para te darem todos os documentos, pois eles vão sonegar as informações o máximo que puderem para que você se ferre. Peça carimbo no passaporte, comprovante para o carro e pergunte se realmente não falta nada! Fomos em direção a Corrientes e, nos muitos quilômetros de estrada fomos parados muitas vezes por policiais, o atraso com essas paradas nos deixou muito cansados e tivemos que parar para dormir no caminho. Sentimos-nos como um parasita mal visto no país.

É bem provável que policiais tentarão te extorquir no Paraguai e Argentina. Caros viajantes, não dêem em hipótese alguma dinheiro a esses policiais corruptos, sabemos que às vezes é chato o tempo que eles nos fazem perder, mas se você tem certeza de que está munido de todos os comprovantes e equipamentos necessários para viajar, eles não vão poder fazer nada contra você. Em ultimo caso peçam a multa, que não é paga na hora, ela deverá vir pelo correio, ou ele entregará um boleto de cobrança. Esta é uma das melhores saídas, eles evitam dar a multa, pois terão medo que você os denuncie, pois em geral eles vão encontrar motivos que não existem na lei, e a multa fica inviável de ser descrita de acordo com o que eles pedem. Mas nunca dêem dinheiro, com isso você estará colaborando para que essas extorsões tenham sucesso. Tenham também sempre a mãos o número do consulado ou embaixada para consultar sobre tais procedimentos, isso ajuda a intimidar. Duas situações práticas que passamos: disseram que era proibido ter a barraca automotiva na Argentina, depois pediram um documento de licenciamento, só que no modelo argentino, alegando que o brasileiro não era valido. Pura besteira! Os únicos policiais que nos sentimos realmente seguros são os da gernendaria nacional, vestem roupa verde. Os outros, de vestes azuis, fiquem atentos.

Depois de rodar, rodar e rodar procurando por um hotel com preços acessíveis, decidimos dormir num posto de combustível. Foi uma das melhores idéias que tivemos, gratuito e com banho quente, coisa que já estávamos com saudades, pois a maioria dos campings esquecem deste pequeno detalhe. Durante o nosso sono tranquilo, fomos despertados pela maior tempestade que tivemos na viajem, ficamos contando os segundos para ver se os raios não estavam próximos de nossas cabeças, afinal, quando se dorme em uma barraca em cima do carro, você acaba se sentindo muito mais exposto nessas situações. Fora os clarões da noite, nos sentimos seguros dormindo em meio a muitos caminhoneiros.

Hotel 5 estrelas

Em Salta, nos surpreendemos, achamos que a cidade era um pouco menor, e que não haveria tanta pobreza. Tinha um morro muito peculiar que estava bem seco e no por do sol parecia um morro de pentelhos… hehehe muito engraçado. Tivemos uma parada rápida no shopping da cidade. Motivo: estacionamento seguro, caixas automaticas e comida com higiene. E para nossa sorte, encontramos um restaurante de cozinha andina. Que DELICIA, dava vontade de ficar por lá uma semana para poder experimentar todos os pratos e sobremesas. Como tínhamos pouco tempo nesta região resolvemos pular a parte dos monumentos históricos e museus para seguir direto para a região de Jujuy.

Salta vista de cima

Viagem linda em meio as montanhas, no caminho montanhas verdes cobertas por matas começam a ter uma vegetação mais escassa até que expõem somente as rochas. Rochas de várias formas e cores. Para cada canto que se olha dá vontade de parar para tirar fotos. A paisagem exuberante é recortada por um rio seco, com um pequeno filete de água no meio.

Fomos direto a Humahuaca, uma cidade pequena e muito agradável com muitas lojinhas de artesanato e roupas andinas. No centro tem uma grande escadaria que leva ao monumento a independência, lá em cima o visual da cidade se mescla com o visual das montanhas rochosas dos andes.

Comercio de Humahuaca

Vista do monumento

Florzinha do cactos

Vista do outro lado

Dormimos em Tilcara que parecia ser uma cidade muito pobre, tudo com cor de areia, e parecia difícil encontrar um lugar para se comer. Grande engano, a noite você parece estar em outra cidade, um lugar com muitos bares e restaurantes bem arrojados, feiras coloridas, música ao vivo e o delicioso cheiro de comida andina.

Em Tilcara pode-se encontrar o monumento mais interessante da região, o Pucara, que são ruínas de uma fortaleza criada pelas civilizações pré-hispânicas. A pirâmide principal foi construída a pouco tempo em homenagem a um arqueólogo, porém as ruínas ao redor e a floresta de cactos gigantes em meio as montanhas tornam a paisagem pitoresca em algo fenomenal, ou como a Hanna fala: fodástica. Aqui nós realmente perdemos o fôlego, e não foi só por causa da altitude. Vimos muitos cactos gigantes, de até mais ou menos 5 metros de altura.

Pucara

Ruínas em Tilcara

Cactos gigantes!!

Bom, pela dificuldade de expressar tamanha beleza em palavras, segue mais algumas fotos da região.

 

Perigo nenhum... quedinha de 200 metros...

Hanna na linha do Trópico de Capricórnio

Até os cactos curtem rock!!!

Puerto Iguazu – Cataratas

Puerto Iguazu, 23 a 25 de setembro de 2011.

Já conhecíamos as Cataratas do Iguaçú do lado brasileiro, mas resolvemos apreciar pelo lado do nosso vizinho. Antes procuramos um camping, o primeiro que encontramos era um pouco caro para nós, mas muito bem estruturado. Resolvemos dar mais uma olhada para ver se achávamos algo mais em conta, rodamos, vimos dois que estavam no estado em que não teríamos nem coragem de usar o banheiro. Um deles era onde ficavam alguns artesões e hippies. É uma pena que eles tenham que frequentar um espaço tão inadequado para sobreviver. Resolvemos voltar para a primeira opção. Afinal não encontramos mais nenhuma. O Complejo Americano tem uma boa estrutura com piscina, internet, churrasqueira e o melhor de tudo e mais importante, banheiro com água quente e tinha até bidê.

A entrada para o parque é de R$40,00 para os cidadões do MERCOSUL e o estacionamento R$12,00. O parque, também muito bem estruturado, dispõe de monóculos gratuitos para melhor apreciação. Tem um trem a cada meia hora que leva aos principais pontos. Aconselhamos a ir a pé, pois os trajetos são curtos e você terá mais tempo para apreciar o trajeto. O visual é daquele que te deixa meio boba com tamanha grandiosidade e força da natureza.

Hanna na garganta del diablo

Chegue à beirada da garganta do diabo, tome um banho com o vapor da água trazida pelo vento, aprecie o arco íris que sempre muda de direção, passe o dia, veja o sol mudar de direção e tire foto de todos os ângulos possíveis. Olhe para baixo e veja a altura, os milhares de pássaros que sobrevoam próximo das quedas. Calangos e mais calangos desfilam pelas pedras e arvores, se você ficar parado com certeza eles ficarão bem próximos.

Sem palavras

O nível da água estava um pouco alto, mas a cor estava boa. Tem algumas fotos que você pode observar nas trilhas, que acompanham a evolução da coloração, e o impacto que o desmatamento das margens do rio esta causando. A diferença é gritante. Espero que as próximas gerações ainda consigam apreciar as cataratas sem que ela pareça um mar de lama.

Grandioso

A natureza rica do parque te dá a oportunidade de ver diversos animais nas trilhas, são muitos pássaros coloridos, macaquinhos, lagartos, quatis abusados que tentam roubar o lanche dos turistas. Mesmo com avisos por todos os lados para não dar alimento aos animais, alguns turistas que certamente não sabem ler, dão comida aos bichinhos achando que estão fazendo caridade.

Um espetáculo da natureza

Não deixe de fazer todos os percursos, pois cada um tem sua surpresa. No fim do dia com certeza você estará exausto, mas se sentindo muito relaxado. Existe uma campanha incentivando para que as Cataratas do Iguaçu sejam consideradas uma das maravilhas mundiais. A votação pode ser feita pela internet. Quem quiser votar, por favor, acessar o site: www.votecataratas.com

Nós já votamos!!!!1

Posadas

Posadas, 22 e 23 de setembro de 2011.

Passamos a fronteira muito tranquilos em direção a Posadas. Pegamos a ruta 14, uma das mais conhecidas pelos viajantes como a rota das extorsões. Os policiais estavam sempre lá, trabalhando, olhando os carros um a um. Ou tivemos muita sorte ou esse papo de extorsão foi exterminada. Seguimos em direção a Posadas, a cidade mais próxima das Missões Jesuítas argentinas. Lá ficamos num camping muito bem estruturado. Quando fomos jantar, o primeiro atendimento que tivemos na Argentina foi algo fora de sério. Deveriam existir clones do garçom Eduardo. Que educação e simpatia. Pena que com os adolescentes não foi a mesma coisa. Às 6 da madrugada resolveram nos acordar com uma música horrorosa que é moda por aqui. Prefiro não comentar o estilo para não ofender, mas  um dos piores estilos de musica que já ouvimos. Alguns argentinos já nos haviam nos alertado sobre essa moda. Mas tudo bem, aproveitamos para levantar acampamento e chegar cedinho nas missões.

 

Igreja da Missão de San Ignácio

 

Redução de San Ignácio

 

O ingresso é de R$20,00 para cidadãos do MERCOSUL, e vale para todas as outras reduções pelo período de 15 dias. Fomos direto ao Reduto de San Inácio, já que é a mais bem preservada. Diferente do Brasil, a igreja está em piores condições, porém todas as estruturas ao redor estão muito mais bem preservadas.

 

Casas dos Indigenas

 

Dá pra se ter melhor uma noção das casas da época. Tem ainda alguns vestígios da arquitetura. Durante o passeio pelo reduto tem varias explicações sobre cada construção que se encontra ali. É uma combinação maravilhosa de pedras e natureza mesclada com muita historia.

 

Calango

 

Mesmo assim é triste ver os indígenas ao redor do reduto vendendo artesanato, crianças pedindo dinheiro, e jovens tentando ganhar um troco como flanelinhas. Nem vivem inseridos na urbanização e nem vivem como os seus ancestrais, estão apenas tentando sobreviver na nossa selva de pedras.