Santiago

Santiago, 26 a 31 de janeiro de 2012

 


Despachamos o Marcelo no aeroporto de Santiago. Ele foi uma companhia muito zen que esperamos rever em Brasília, de preferência na festa medieval ou no mustach fashion week hehehe. Aproveitamos e fomos para um shopping fazer um de meus programas favoritos, comer junk food, pegar um cineminha e me entupir de pipoca doce. Depois fomos direto para a casa de Miguel que nos hospedou através do couch surfing.
Fizemos uma janta e tivemos que comer à luz de velas, pois o apartamento de Miguel estava sem luz aquele dia, porém assim que as luzes chegaram, o clima estava tão gostoso que resolvemos apagar as luzes e continuar conversando naquele ambiente aconchegante. Começamos a contar diversas historias e Miguel nos contou de como é viver entre constantes tremores e terremotos. Durante a descrição dessas impressionantes histórias, sua mãe liga assustada perguntando se estava tudo bem, se não sentimos nenhum tremor, pois ele vive em um edifício no 12° andar. De repente ele olha pra lâmpada e ela estava balançando, mas isso foi por causa do vento. Então ele resolveu explicar que quando tem tremores fortes, as luzes começam a apagar lentamente, foi quando então as luzes do quarteirão inteiro se apagaram… ele que já está acostumado fez cara de susto, imagina nós! Mas não foi nada relacionado a um terremoto. Dá um certo frio na barriga pensar nessas possibilidades. É uma pena que um país tão bonito tenha que conviver com temores, terremotos, vulcões, tsunamis, enchentes de degelo. E minha gente, do outro lado da cordilheira, nossa situação geológica ainda é bem mais tranquila.

 

Santiago vista de cima

 

Bom, mas estávamos lá pra curtir e não para nos preocuparmos, e curtimos muito. O Miguel recebeu mais uma casal através do couch, um casal de austríacos, Michael e Agnes. Todos fizemos um tour pela cidade com Miguel de guia. Ele conhece muito da historia e se demonstrou um excelente guia, diria que profissional. Para nós, além de muito interessante, economizamos muito tempo, pois ele já tinha um roteiro com as principais atrações da cidade. Santiago foi uma das cidade grandes mais organizadas que já conhecemos, a cidade é linda, limpa, sem grandes ostentações, mas que preserva muito de sua historia através da arquitetura.

 

Plaza de armas de Santiago

 

Palácio do Governo.

 

Gostamos muito do mercado central para conhecer os frutos do mar que eles tem. Os vendedores, muito simpáticos, faziam questão de pousar para as fotos e as meninas queriam mostrar que sabiam sambar como as brasileiras, não sou especialista no assunto, mas me pareceu muito bom. As lulas eram gigantes, um anel da quase um kg, só vendo pra crer.

 

😛 de agua na boca! que saudades de frutos do mar!

 

Atendimento atencioso!

 

Outra atração, um pouco diferente, da cidade são os famosos cafés com piernas. As cafeterias, para atrair mais clientes, resolveram ter um atendimento diferenciado: mulheres atranentes com as pernas de fora e roupas beeeeemmm, mas beeemmm curtinhas. Existe também o famoso minuto feliz, quando as moças fecham as curtinas e desfilam sem a parte de cima! Imagina se eu ia deixar o Julio tomar café!

 

Café com pernas!

 

A cidade tem dois pontos turísticos bem interessantes em meio ao centro, são dois morros, o de Santa Lucia, um morro de pedra que ao longo dos anos foi adornado com um lindo jardim e um charmoso forte com torres e o outro bem mais alto que possui no topo uma igreja ao ar livre com um grande santo e pode ser um ótimo roteiro para pagamento de promessas, como não prometemos nada fomos pelo elevador, hehehe.

 

Julio e Hanna no cerro Santa Lucia

 

Santiago de cima, by Michael

 

Vista leste do cerro Santa Lucia

Lá, tivemos uma de nossas melhores experiências gastronômicas, fomos ao mercado do povo e descobrimos que o mercado central é bem mais caro e feito praticamente para turistas. Mas a Vega, isso sim que se chama o mercado, tem tudo que você possa imaginar e um setor com diversas cozinhas que preparam comidas típicas que o chileno realmente aprecia. Um lugar muito simples e saboroso e o melhor de tudo, sem turistas. Pedimos pratos típicos com sabores bem diferentes do que estamos acostumados, genteeeeeeeee muito bom. Dava vontade de ir lá todos os dias experimentar tudo que eles tem. Pedimos sopa de marisco, torta de milho (se chama pastel de choclo) que é como um escondidinho, onde a parte de baixo tem carnes cozidas muito bem temperadas e a parte de cima um purê de milho adocicado bem gratinado, a mistura dos sabores é um prazer inenarrável. Além disso um creme com milho, feijão branco e temperinhos deliciosos e mais um peixe frito com salada… tudo isso para três pessoas ao precinho de R$28,00, incluindo uma coca cola grande.

 

Julio em Vega, o mercado do povo

 

No mercado se vende de tudo!

Outro momento delicioso foi apreciar uma enorme fonte durante a noite com uma iluminação toda especial que acompanha a dança das águas. Sentir o cheiro da pipoca doce, imaginar que está comento algodão doce, mas só olhar a menininha se deliciando e pensar que já tive o meu tempo para isso, ver noivas felizes e sonhadoras tirando foto com seus noivos tímidos e constrangidos em meio ao público. Mas acima de tudo, apreciar este lindo espetáculo.

 

Momento romântico!

 

Show de luzes e cores, by Michael

 

Mesma fonte, outras cores, by Michael

Tivemos também a oportunidade de passar o dia no parque curtindo uma churrascada com a comunidade do couch de Santiago. Conhecemos uma galera muito legal, pessoas da Rússia, Chile, Brasil, Áustria, Alemanha, Argentina, Peru, Inglaterra e talvez mais algum lugar que não me lembro bem.  Todos combinaram que cada um levasse o que queria, então levamos a nossa maionese caseira brasileira, e um beijinho para sobremesa. O Miguel preparou melão com vinho: faça um buraco no melão e ponha um vinho branco bem gelado, deixe na geladeira de um dia para o outro, fica uma delicia. Os austríacos levaram salsichões e pão. Tinha tanta coisa que no fim sobrou, todo mundo contribuiu e a festa foi uma delicia. Fizemos uma roda de violão e fiquei impressionada como alguns chilenos conhecem muito de música brasileira, infelizmente não conhecemos quase nada de musica chilena.

 

Roda de viola no encontro do couch surfing de Santiago

 

Miguel, o churrasqueiro!

No dia seguinte fomos visitar a vinícola Concha y Toro e conhecer o mistério sobre o vinho Casillero del Diablo, que agora sabemos mas não vamos contar. A vinícola é muito bonita, sem frescuras ou ostentações, porém uns dos maiores produtores de vinho do mundo.É sempre bom uma degustação de vinho e um passeio desses.

 

Prosit, Salud, Saude, Tim Tim, Slainte... sei la... rolou um brinde em várias linguas na Concha Y Toro

 

Hanna descobrindo os segredos do Casillero del Diablo

 

Hanna e os barris del Diablo

 

Só unzinho!!! 250 L... deu até uma tristeza.

 

Depois aproveitamos para passar no mercado e comprar um frango assado para fazer um picnic no Cajon del Maipo, uma região entre montanhas que vai fechando e modificando a paisagem à medida que seguimos.

 

Hanna alegre ao desfiar o frango!

 

Depois de um delicioso dia de passeio ainda fomos fazer mais umas caminhadas pela cidade de Santiago e finalizamos com uma deliciosa pizza caseira com o molho, segundo o Julio, o melhor molho do mundo, que aprendemos com o Ricardo, casado com a Deia, prima do Julio. Todos estavam muito famintos e adoraram. É uma pena ter que deixar Santiago, tínhamos tanto ainda para conhecer, mas era hora de partir, com certeza essa é uma das cidades que pretendemos voltar para conhecer mais de sua rotina e sua vida cultural, além de passar muito momentos em seus mercados deliciosos.

Passeios por Santiago:

 

O menino feliz

 

O gênio do xadrez com sua concentração... no picolé!

 

Arte contemporânea... só falta o café

 

Hanna e o cavalo do Botero!

 

Hanna no bairro romântico

Pucon

Pucon, 23 e 24 de janeiro de 2012.

Mais uma cidade bonita para o roteiro. Pucon fica ao lado do vulcão Villarrica, em meio a lagos e dispõe de muitos parques bonitos, além de ser um excelente local para aventureiros que curtem rafting, canoagem, escaladas, etc.. O Marcelo, muito mais disposto que nós, fez uma excursão até o topo do vulcão, nós resolvemos ir até um pouco mais da metade. Uns motoqueiros loucos se aventuraram a subir um bom trecho, que pareceu muito difícil, tentaram por diversas vezes, pois a areia estava bem fofa. Ficamos ali apreciando aqueles loucos, acredito que não é permitido fazer isso, mas pareceu bem divertido.

 

Os motociclistas no vulcão! O Julio louco pra fazer o mesmo!

 

Hanna e o vulcão.

 

Durante o inverno o vulcão se transforma em uma grande estação de esqui com muitas pistas. A árvore símbolo da região é a araucária, que nós, do sul do Brasil, conhecemos bem. Aparentemente eles também fazem muitos pratos típicos utilizando o pinhão.

Uma das atrações locais são as flores de madeira, vistas de longe parecem flores tão perfeitas que enganam muito os olhos.

 

As flores de madeira!

 

Outra atração é o cristo redentor! Isso mesmo, o cristo… igualzinho o do Rio! hehehehe, mas um pouco mais assustado!

 

J.C.

 

 

Visitamos ali na região duas lagunas muito lindas que realmente nos impressionaram, uma delas era um buraco com quedas que vinham de todos os lados e no meio um azul hipnotizante, e a outra um pequeno lago azul profundo e translúcido.

 

Hanna na laguna azul

 

Julio e o lago azul

A região também é famosa por muitas termas e aproveitamos para conhecer a mais barata e rústica, é claro. Quando estacionamos o carro olhamos para o lado e havia outra caminhonete com barraca automotiva igual a nossa, e dessa vez do Brasil. Tinha diversas piscinas e muita gente, mas coincidentemente na piscina que escolhemos o Marcelo se deparou com dois brasileiros que haviam subido o Vilarrica com ele. Pai e filho, eram eles que estavam com a caminhonete com a barraca. Ficamos lá até o anoitecer conversando e decidimos todos juntos acampar em um local que eles indicaram, próximo a um rio.

 

Acampamento com duas barracas Camping's World...

 

Fizemos uma janta improvisada em meio ao nada e de sobremesa um delicioso melão chileno. Ainda não havíamos experimentado o melão do Chile, o mais doce que comemos em nossas vidas. Pela manhã acordamos com uma buzina e adivinha, estávamos dormindo em meio a passagem dos fazendeiros que atravessavam o rio, pois a ponte estava quebrada. Tivemos que desmontar o acampamento às pressas, mas foi uma noite bem divertida. Nos despedimos dos brasileiros e seguimos para Santiago.
A caminho de Santiago só existia uma rodovia e adivinha, repleta de pedágios e muito caros.