Guayaquil

Guayaquil, 27 e 28 de março de 2012

 

Guayaquil é a maior cidade do Equador, não é muito turística, mas é um bom lugar para se pegar o vôo até Galápagos sem fazer escalas. A cidade é quente e bem urbanizada, tem uma linda Beira Rio, conhecida como Malecon. Lá se encontram muitos restaurantes e centros comerciais, além das lindas praças, fontes, monumentos, jardins, mirantes, artesanatos e dois lindos barcos para se visitar.

 

Malecon

 

O barco bóia na água.

 

Aproveitamos também para ir ao IMAX, o Julio já conhecia, mas para mim que foi a primeira vez achei sensacional, parecia uma criança com brinquedo novo, meus olhos brilharam ao ver aquela tela de cinema gigante em formato de abóboda, parecíamos estar dentro do filme, gostei até mais que o efeito 3D.

 

IMAX, eu fui!

 

Outra coisa que adoramos na cidade foi o yogurte árabe ou persa, geralmente congelado e triturado com frutas que fica quase um delicioso sorvete. Ficamos em um hotel baratíssimo que depois descobrimos que era um motel, e estava até que bem estruturado, com ar condicionado, tv a cabo, banheiro privado, tudo isso por 15 dólares. Claro que não tinha banho quente. Como é bom ter estadia barata, combustível barato e comida barata, estamos começando a gostar bastante do Equador.

 

Queria que as favelas no Brasil fossem assim.

Cuenca

Cuenca, 24 a 26 de março de 2012

 

Finalmente chegamos ao Equador, ficamos um bom tempo na fronteira para conseguir o comprovante da aduana, mas depois de duas horas de espera e despreparo dos policiais para nos atender pudemos seguir rumo a nosso novo destino. Passamos por milhares de plantações de banana e uma linda vegetação a caminho da serra, como é bom estar perto da natureza novamente. No Equador já ficamos um pouco mais felizes por ver finalmente a maioria das casas com reboco e aqui eles usam alho na culinária. Alho fez muita falta na comida do dia a dia. O arroz ainda continua um pouco sem gosto como no Peru e Bolívia, por isso continuamos a pedir pratos sempre sem arroz. Apesar da moeda ser o dólar americano, os preços por aqui estão bem acessíveis e o valor do combustível parece uma piada, é pelo menos cinco vezes mais barato que o Brasil, pena que o país é tão pequeno pra rodar.

 

Cuenca é uma cidade histórica com lindos edifícios coloniais, muitos restaurantes para todos os gostos. Não tem grandes atrações, o delicioso é andar pela cidade apreciar a arquitetura das casas e igrejas muito bem preservadas do período colonial. Um dos cartões postais da cidade é uma ponte de pedra que teve parte de sua estrutura derrubada, mas vale a pena o passeio.

 

Puente Vieja - Cuenca

 

A cidade é um bom lugar para relaxar e, para os que desejam, ao arredor tem muitos banhos de águas termais e pequenos vilarejos que aos domingos tem feiras com artesanato, comidas típicas e um especial porco assado que, infelizmente, não pudemos experimentar, pois o caminho para esses povoados estava fechado por um deslizamento de terra. Ficamos muito curiosos, pois a fila de visitantes era gigante, é uma pena quando isso acontece, mesmo assim a cidade vale o passeio.

 

Casa vieja - Cuenca

 

Iglesia vieja - Cuenca

 

Edificio viejo - Cuenca

 

Abobodas viejas da Iglesia vieja - Cuenca

 

Otro edificio viejo - Cuenca

Mâncora

Mancora, 21 e 22 de março de 2012

De volta ao litoral, decidimos ficar em Mâncora ao invés de Tumbes. A praia é bem legal, ambiente de surfistas, hippies e alternativos. Você vai encontrar de hotéis sofisticados com spa e instrutores de yoga a campings alternativos cheios de bicho grilo. Ficamos no Camping do Tito, um ambiente muito legal, com um lindo jardim, cozinha e uma galera bem divertida. Passamos o dia na praia, tomamos nosso primeiro torrão. O mar estava espetacular, quente com pequenas ondinhas, acho que ficamos por horas. Vimos um morador muito corajoso dando um esporro em um policial que estava sentado mandando mensagem no celular, mandou ele se levantar e ir trabalhar, que a população não está pagando pra ele ficar coçando o saco, este nobre cidadão ainda tirou uma foto e disse que iria denunciá-lo por não cumprir com suas obrigações, infelizmente o policial ignorou por completo sujeito.

No fim do dia andávamos pelo centrinho, apreciávamos artesanatos, curtíamos o pôr do sol e os mosquitos. Muitos, muitos, muitos mosquitos, ficamos com alergia e passamos por alguns dias com o sono interrompido por tanta coceira, cheguei a pensar que poderia estar com catapora, sarampo ou algo do tipo, pois nosso corpo estava infestado de bolinhas vermelhas. Nos divertimos caminhando pela praia e um coroa espanhol bem apessoado, como diria minha vó, estava cavalgando e nos pediu para tirar uma foto dele em seu blackberry trotando ao por do sol na praia de Mâncora, para mandar a foto aos seus fans do face book. Morro e não vejo tudo.

Trujillo e Piura

Trujillo e Piura, 17 a 20 de março de 2012

 

Parada para descansar em Trujillo, relaxar os músculos tensos, ajeitar o carro, trocar óleo e filtros. As praias de Trujillo não nos agradaram, mas a comida sim nos encantou. Comemos pratos deliciosos, bonitos e baratos. Um pouquinho forte de pimenta, mas nada que um trono não resolva. Observação, antes de utilizar os banheiros dos restaurantes, cheque se tem água, pois muitos te deixam em uma posição bem desconfortável. Sabe aquela sensação de que todos vão enxergar na tua cara que você deixou uma lembrancinha a vista no banheiro?!?! Nunca passou por isso? Bom pra você!

 

Eu disse pra Hanna parar de brincar com a comida! Mas os dentes realmente estavam em nosso prato!

 

Dali fomos para as ruínas de Chan Chan. São cidades de civilização pré-inca protegidas por grandes muralhas de barro. O incrível está nos detalhes de desenhos que eles faziam nas construções, a grande maioria é réplica, mas muitos ainda estão em perfeito estado, muito impressionante.

 

Encontramos um famoso cachorro pelado peruano.

 

Hanna segurando a parede de Chan Chan pra não cair... pu dum pshh

 

Paredes internas de Chan Chan

 

Patio interno de Chan Chan

 

Detalhes de Chan Chan

 

Piscina dos antigos moradores

 

Dali, tínhamos a intenção de ir a Tumbes, última cidade que visitaríamos antes de entrar no Equador. No caminhos, pufff, o pneu furou, estávamos entre dois povoados em uma região com muitas fazendas a uns 400km de Tumbes. Mas despreocupados, pois tínhamos dois estepes. Pegamos o estepe que está dentro do carro, mas na hora de trocar, uma surpresa, a roda que compramos na Argentina, supostamente era de uma Ranger, porém tinha os buracos de tamanhos diferentes da nossa. Tudo bem, tínhamos um outro estepe debaixo do carro. Começamos a baixar o estepe, quando de repente a alavanca que baixa o pneu simplesmente quebrou. O pneu ficou pendurado e não tínhamos como tirar. Essa mesma alavanca também se utiliza para levantar e baixar o macaco. Tínhamos dois estepes que não podíamos usar e um macaco inútil.

 

Enquanto isso, milhares de moto taxis passavam pelo acostamento e nos sacaneavam derrubando nosso triângulo. Fiquei ali segurando o triângulo, se quisessem derrubá-lo tinham que passar por cima de mim, por sorte ninguém passou hehehe. Resolvemos, então, que a melhor solução era tirar o pneu furado e levar para consertar, para isso íamos precisar de uma carona que nos ajudasse, comecei a pedir ajuda, passou uma camionete com um casal, passaram reto, mas depois retornaram. Foi ai que conhecemos duas pessoas muito especiais, Emiko e Luis. O Julio foi com Luis arrumar o pneu no povoado mais próximo e Emi ficou comigo no carro. Quando retornaram eles nos convidaram para ficar na casa deles na cidade Piura, pois tinham um quarto disponível. Aceitamos, pois eles nos pareceram pessoas muito boas, muito mais do que poderíamos imaginar. Eles têm três filhos, Mari Carmen, Laura e Pablo, que são muito queridos, e uma história de vida muito linda de muito trabalho e conquistas. Começaram como vendedores ambulantes e hoje tem duas lojas enormes de departamento com roupas, calçados, cozinha, banho, etc. Um verdadeiro exemplo para a nação, reconhecidos e premiados pelo governo do Peru. Nos receberam como se fossemos da família, pediram para que ficássemos um dia a mais para arrumamos o carro e viajarmos com segurança. Apesar de todos os trabalhos que eles tinham, nos deram muita atenção e nos sentimos super bem neste ambiente familiar. Conhecemos também a Luiza que trabalha com eles, que se dedicou a me ensinar como prepara um ceviche caseiro e um delicioso lomo saltado. Nos encantamos com o cachorro Otro, que adora molhar a barriga no balde d’água. Ficamos emocionados com todo o carinho que nos receberam e esperamos sinceramente um dia poder revê-los, quem sabe em Florianópolis.

 

Otro

 

Laura e Mari Carmen

 

Luis, Hanna e Emi

Huaraz

Huaraz, 15 e 16 de março de 2012

 

Do litoral para a serra, seguimos em direção à cordilheira branca para apreciar uma das regiões, considerada por muitos peruanos, mais bonitas do pais. Fomos aos lagos de Llanganuco que ficam no parque nacional de Huaraz, mas o acesso para chegar até lá é absolutamente horrível, foi a pior estrada que pegamos no caminho, ela deve ter sida bombardeada, pois não era possivel ter tantos buracos em uma só estrada. Uma estrada de terra, cheias de burados e serra, perfeito para acabar com nosso humor. O Julio queria desistir e voltar, mas estavamos ali pra isso. Quando chegamos na entrada do parque o pessoal que vendeu o ticket perguntou três vezes se não íamos acampar, pois para camping era mais caro. Respondi a primeira vez que não, a segunda vez que não, a terceira vez que não, se perguntassem a quarta vez  com certeza uma força maior dentro de mim ia engrossar a voz, pois estava perdendo a paciência. Estavamos irritados, o Julio mal conseguia apreciar a paisagem, mas logo fomos nos acalmando e realmente a região é bem bonita, são dois lagos grandes com água cor turquesa em meio a montanhas nevadas.

 

Laguna de Llanganuco, em Huaraz

 

Hanna e o Llanganuco

 

Se nos perguntarem se vale a pena o esforço, digo que já vimos lagos mais bonitos e interessantes no Chile com as condições de estradas, mesmo em rípio, bem melhores que essa. E que eles deveriam se preparar um pouco mais para o turismo. Quando achavamos que o pior já havia passado, não estávamos nem perto, a volta foi a pior e mais tensa estrada que pegamos durante toda a viagem. Se a Bolivia tem a estrada da morte, Peru tem a estrada do suicídio. Uma serra que atravessa montanhas de 4000 metros de altitude, com pista para um carro só, com ônibus, caminhões e peruanos loucos dirigindo. Cada curva era um pavor, muitas delas tínhamos que dar a ré para conseguir completá-las, pois eram muito estreitas, ficamos imaginando como um ônibus faria essas curvas, era raro encontrar um lugar onde pudesse passar dois carros, então torciamos para não ter que encontrar nenhum em nosso caminho. Quando isso acontecia, pensávamos: “e agora, impossível dar a ré por aqui”, e nos colocavamos a um centimetro de precipícios de mais de 1000 metros de altura. Sentimos muito medo, mas não tinha mais como retroceder. Finalmente chegamos ao litoral novamente. Esperamos nunca mais ter que passar por situações como essa, esse é um tipo de estrada que deveria ser utilizada como trilha para andarilhos malucos e nada mais. Mas ainda assim se encontra beleza na estrada da morte:

 

Beleza na estrada do suicídio peruana

Caral

Caral, 14 de março de 2012

De volta pra estrada, não foi fácil andar pelo litoral com tantos policiais tentando nos extorquir, alguns aceitavam uma balinha e um sorriso dos simpáticos brasileiros, mas outros queriam “plata”, claro que não damos, sempre tentamos exigir a multa que eles inventam e depois de muita insistência eles acabam desistindo. Estávamos a caminho das ruínas de Caral, simplesmente considerada a civilização mais antiga de toda América.

 

Ruínas ainda em escavação de Caral

 

Passamos por muitas granjas em meio ao deserto do litoral até chegar lá. Muita expectativa, pois as fotos que vimos eram impressionantes. Sabe quando você anda por um local e tenta descobrir de onde tiraram aquela foto que você tanto apreciou? Assim foi em Caral, queríamos ter aquela visão do que realmente apreciamos na propaganda, mas não foi possível, nossa expectativa brochou um pouquinho, mesmo assim foi legal estar ali. A quase 5000 anos atrás eles já possuíam tecnologia sísmica para manter suas pirâmides firmes diante de tantos tremores que a região vive. Em pensar que todas aquelas ruínas a poucos anos atrás eram  dunas que as crianças dos povoados ao redor brincavam, imaginamos quanto ainda tem para se descobrir por aqui.

 

Pirâmides de Caral, já tinham tecnologia anti sismica.

 

Hanna na estrada de 5000 anos de Caral

 

O templo del Anfiteatro de Caral

 

Depois da visita finalmente achamos uma praia para camping, e ficamos na praia apreciando uma enorme revoada de pássaros, acho que foi uma das melhores partes do litoral que apreciamos até o momento, pena que mais uma vez ao redor tinham milhares de granjas. Os frangos são os que mais aproveitam o litoral. Não é qualquer frango que pode viver com vista pro mar, com certeza aqui eles tem uma vida bem mais feliz antes de irem pro KFC!