Ushuaia – Parte 1

Ushuaia, 16 a 19 de dezembro de 2011.

 
Seguimos viagem para o Ushuaia, os pais do Julio nos encontrariam lá de avião. O caminho ficou um pouco demorado por causa dos tramites de imigração e da passagem pelo Estreito de Magalhães.

Balsa para atravessar o Estreito de Magalhães.

Perdemos quase 2 horas de viagem, mas passar o canal torna-se divertido com a aparição de um grupo de golfinhos que gostam de surfar nas ondas da balsa. São golfinhos completamente diferentes do que conhecemos no Brasil, o corpo deles é branco com barbatana, nariz e nadadeiras pretos.

Golfinhos de magalhães.

Assim que começou a escurecer, começamos a procurar um camping, mas o único que encontramos estava fechado e a região não é muito propícia para acampar, em geral é tudo muito plano e faz muito vento pela Tierra del fuego.

Chegando à Terra do Fogo

Estávamos à procura de um local mais protegido e eis que encontramos uma família acampando na beira da estrada, próximos à algumas árvores, aproveitamos para ficar por ali, pois com um grupo grande nos sentimos mais seguros. Eles estavam com uma van e não temos idéia de quantas pessoas eram, mas com certeza era uma família grande, tinha cachorro e tudo. Estavam em ritmo de festa, com umas músicas bregas, estávamos tão cansados que nem nos importamos. Mas o que nos impressionou foi a alegria da família, os pais e sua penca de filhos dançando e curtindo uma enorme fogueira no meio do nada. Mais uma prova que não precisa de muito para ter momentos felizes.
No caminho para o fim do mundo, o carro fez um barulho forte, parecia que o turbo estava se despedindo de nossa aventura.

Continuamos nossa viajem com muita precaução, faltava aproximadamente 90 km para chegar e depois de muitos kilometros andando sobre deserto, no trecho mais bonito ficamos tensos. Depois fomos descobrir que se tratava da mangueira do turbo que havia desprendido, solução fácil e barata.

Finalmente chegamos ao fim do mundo, a cidade de Ushuaia não é muito bonita, mas tem seu charme. Vêem-se muitas casas simples, mal cuidadas e jardins secos, mas quando você vê o conjunto, a cidade construída em meio às montanhas nevadas, que no verão contemplam uma vegetação bem verde, os portos com vários barquinhos e às 22 horas você janta curtindo o por do sol, Ushuaia começa a ficar bem interessante.

Ushuaia, vista do catamaran

Fizemos o passeio de barco que passa por algumas pequenas ilhas, onde podemos ver muitos lobos marinhos e vários pássaros. Na ilha de comorões, que ficam em seus ninhos chocando seus ovos, encontra-se um probleminha… fede… mas fede, e fede muito. Eles usam suas fezes para fazer os ninhos e que fermentam e ajudam a aquecer os ovos.

Família de comorões em seu ninho de merda!

Ilha dos pássaros e lobos marinhos! Tirando o fudum, a vista é muito linda!

Bah... o condor roubou nosso almoço!!

Farol do fim do mundo

Fomos visitar um dos principais pontos turísticos e históricos da cidade, o presídio, que foi a forma encontrada para popular a região… só a força pra alguém querer ir passar tanto frio.

Ala antiga da prisão do Ushuaia.

Níveis de loucura enfrentados pelos presos.

Fizemos um passeio pelo Parque Nacional da Terra do Fogo onde, teoricamente, é o fim da Ruta 3 e o ponto mais extremo sul de Ushuaia.

Ó o seu Carlos mostrando o caminho!

Vista do parque tierra del fuego!

Lá tem o último correio do mundo e, por ignorância do homem, existem muitos castores no parque, animal que foi trazido do Canadá na época da colonização e por não existir predadores naturais eles se proliferaram facilmente na região. É possível ver as barragens que eles constroem em algumas corredeiras do parque.

Hanna de castorzinha!! Ela que fez a barragem.

Pegamos as areosillas para subirmos no Cerro Martial, apreciar um pouco de neve, curtir vento, um pouco de frio, chegamos até um punhado de neve e apreciamos um belo visual da cidade.

Love is in the air.... literalmente! Carlos e Marília nas aerosillas.

Visitamos alguns lagos ao redor da cidade e nas encostas podem-se apreciar algumas árvores bem inclinadas pelo trabalho do vento.

EEEE ventania!

As comidas tradicionais da região são o cordeiro, a centolla, um tipo bem grande de caranguejo e a merluza negra. Não deixem de comer o cordeiro na Vila Marina, este realmente é delicioso. O tempo que estivemos com Carlos e Marília foi muito agradável, mas chegou a hora de despedida, que para nós é sempre um pouco triste.

Todos juntos no fim do mundo!

Ainda teríamos que nos encontrar com meu pai no Ushuaia, mas a previsão de eles chegarem era de aproximadamente 6 dias, então resolvemos dar um alô ao simpático vizinho Chile. Seguimos para Puerto Natales, a cidade mais próxima ao Parque Torres del Paine. Mas antes tivemos que trocar o nosso farol queimado, o farol esquerdo. Existe um mistério por aqui, vimos muitos carros com o farol queimado, mas era sempre o esquerdo, por que o esquerdo? Não temos a mínima idéia, alguém sabe responder?

Vista de cima da cidade! Ushuaia tem seus encantos.

El Calafate – Parte 1

El Calafate e Glaciar Perito Moreno, 13, 14 e 15 de dezembro de 2011.

Em El Calafate ficamos no Camping El Ovejero, excelente opção. Tiramos o dia para dar uma geral no carro, tinha poeira em cada milímetro do carro. A poeira das estradas de rípio é como um talco, entra por todos os cantos, toda nossa bagagem estava suja. Depois da limpeza, sensação de vida nova. Começamos a conhecer nossos vizinhos do camping, entre eles um simpático casal de franceses, ela nos ofereceu um delicioso Ratatouille. Eles estão viajando em uma casa rolante, o carro é uma Land Rover Defender adaptada, é muito comum encontrar por essas rotas viajantes europeus com esses carros que são super equipados, tem até máquina de lavar, luxo total! Depois de tudo limpo, banho tomado, corpo descansado, fomos encontrar os pais do Julio.

Julio, Marilia e Carlos na frente do glaciar

O Julio estava muito ansioso para vê-los, passou o dia inteiro animado, não tem coisa melhor do que receber quem amamos depois de muitos dias distante de tudo. Com eles fomos conhecer o Glaciar Perito Moreno.

Glaciar Perito Moreno! Fantástico!

Pegamos o barco e fomos bem próximos ao Glaciar. Um impacto que te deixa apenas dizer UAU! Surpreendente apreciar todo aquele enorme paredão de gelo de, aproximadamente, 50 metros de altura, com várias fendas, formas, fortes tons de azul, sentir o vento gelado no rosto, ver vários blocos que se desprendem passar pelo barco.

Blocos de gelo se desprendendo do glaciar

Você consegue ver muita coisa no gelo, se sente que nem criança quando brinca de ver desenhos nas nuvens. De repente, ouve um barulho alto e mais um bloco de gelo se desprende do Glaciar mergulhando no lago, levantando pequenas ondinhas que se pode sentir do barco. Dá vontade de bater palmas pra esse show da natureza, todos ficam muito animados, tentando capturar alguma foto desses momentos mágicos.

Vista do barco

Vista de perto! Que azul hipnotizante!

Vista do lado norte. Consegue ver o barco para comparar o tamanho?!

Ruta 40 – Paso Roballos a El Calafate

Ruta 40 – Passo Roballos a El Calafate, 11, 12 e 13 de dezembro de 2011.

 

De volta para a Argentina, em direção a El Calafate, Ruta 40… trata-se de um deserto. Você apreciará, por muitos e muitos quilômetros, pedras, areia, pedras, um tufo de mato seco, mais pedras e areia.

 

Pedras... e areia... e mais pedras na Ruta 40

 

Inicio da ruta, precisávamos de combustível, surpresa na primeira cidade com posto. Tinha um grupo de motoqueiros esperando socorro de um amigo, pois no posto não tinha combustível. Por sorte havia uma cidade a uns 70 km dali, uma vila que tinha um posto de combustível, felizes, chegamos lá com a reserva gritando, mas não tínhamos pesos o suficiente para encher o tanque para chegar até El Calafate, e claro não aceitavam cartão nem aceitavam outra moeda e, óbvio, não tinha nenhum banco. Porém, com o que colocamos pudemos chegar até Governador Gregório, que sai apenas uns 70 e poucos km da rota. Chegando lá, fomos ao banco… não tinha dinheiro, mas tudo bem, o posto aceitava cartão, mas… só podíamos colocar 200 pesos, pois o posto estava ficando sem combustível, e eles não sabiam quando chegaria o próximo abastecimento. Depois de um dia inteiro de viajem, perdendo horas para conseguir uma necessidade básica, nos alimentando com uma lata de atum porque em 500 km não existia um restaurante. Dei chilique, mas chilique de barraqueira mesmo. Comecei a dizer que aquilo era um inferno que não tem nada pra se ver ou fazer e nem combustível para poder sair dali, caí em um choro de raiva, sem dinheiro, sem combustível numa cidade horrorosa. Se não fosse o Julio com sua paciência, pedir desculpas, dizer que precisávamos muito encher o tanque e finalmente convencer o frentista a fazer o que ele pediu, acho que eu teria explodido de raiva que nem desenho animado. Depois disso tudo deu certo, o banco voltou a funcionar, conseguimos jantar e voltei pro posto para pedir desculpas pelo meu ataque de nervos, se não fizesse isso não ia consegui dormir, afinal ele não tinha nada haver com o que estávamos passando. No dia seguinte acordei tranquilissima e finalmente falei com minha amada vó para desejar parabéns pelo seu aniversario. E tudo volta ao normal. Um dia vou tratar meu sangue quente, até lá tenho muito pra estourar, hehehehe

 

Nuvens bizarras acompanhando o horizonte!

 

Lago Argentino... pra mudar o visual do deserto!